Concurso BLW Brasil: suas fotos publicadas na versão brasileira do livro!

ATUALIZAÇÃO 09/09/2017:

VENCEDORES DO CONCURSO (Chequem seus emails por gentileza)

  1. quinteros.rocio@
  2. analuciavendel@
  3. talita.deffente@
  4. natalia_valli@
  5. anapaula.cutolo@
  6. melinacaldani2@
  7. storino.sandra@
  8. ana.abreus@
  9. marianacarraca@
  10. lorenabit@
  11. ananery.pmg@
  12. muchmamae@
  13. simonemenzani@
  14. carolfesteves@
  15. vivianevieira@
  16. vi_assis@
  17. persis.castro@
  18. draamandaluiza@
  19. biancapizzato@
  20. cibeleneves@
  21. @mairasoares
  22. anairampasquale@

 

Lembrando que todas as fotos recebidas serão utilizadas para divulgar o “Baby-led Weaning” no Brasil! 🙂 Gill e Tracey receberam as fotos com muito carinho e se propuseram também a utilizar as fotos no Workshop que farão em São Paulo! ❤

Aproveito pra divulgar o site oficial do evento, com informações sobre o lançamento do livro, Palestras e Workshops, e a introdução do livro já em português pra vc baixar em PDF! Corre lá!

Muito obrigada a todas que participaram!!!

Com carinho,

Ana, Aline e toda equipe

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Que tal ter uma foto criativa do seu bebê na versão brasileira do livro ‘Baby-led Weaning‘, de Gill Rapley e Tracey Murkett?

Em parceria com a Editora Timo, lançamos o #concursoBLWnoBrasil

Baixe o regulamento nesse link: Regulamento Concurso Cultural.

Escolha uma categoria e envie sua foto!

As melhores fotos, além de participarem da edição brasileira do livro, ganharão um exemplar autografado e um acesso à transmissão ao vivo do evento com as duas autoras no Brasil!

Demais né!!!  Compartilha com alguém que você acha que gostaria de participar!!!

 

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Posso temperar a comida do bebê?

 

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A gente sabe que a alimentação dos bebês é cercada de regras e tabus, né? Entre os muitos mitos criados, está aquele relacionado ao sabor da comida que é oferecida na introdução alimentar. A ideia de que alguns temperos seriam muito fortes e, portanto, não poderiam ser adicionados na comida dos bebês é muito comum. E não deveria ser assim!

Além de não haver contraindicação de uso, os temperos naturais possuem uma infinidade de propriedades medicinais, agregam valor nutricional e ampliam a experiência sensorial da alimentação.

O bebê é uma página em branco também no que diz respeito ao paladar. Ele está descobrindo o mundo pela boca, ávido por todas as sensações que ela pode promover e o alimento é parte importante de todo esse aprendizado. Podemos ajudá-los a criar um paladar diversificado e aberto, basta dar oportunidade! Privar o bebê de sabores não é necessário. Eles podem e devem comer comida gostosa, refogada, temperada, com sabores variados, cores diversas!

 

“Mas e pimenta, também pode?”

Sim, podemos usar alguns tipos de pimenta que são mais aromáticas, com um poder de ardência menor, como a pimenta do reino ou a pimenta branca.  Sempre em bem pouca quantidade para que não provoque ardência, pois pode ser desagradável. Só não vale usar sal (em menores de um ano) e temperos industrializados, ok?! Aliás, os industrializados a gente sabe que não deveriam estar na alimentação de ninguém, nem dos adultos!

Mas eu sei também que muitas pessoas não possuem nenhuma prática com os temperos e encontram grande dificuldade em combiná-los! Então eu trago aqui uma lista de algumas ervas e especiarias com suas respectivas propriedades medicinais e nutricionais e algumas formas de utilização para que vocês passem a incluir na rotina da família de vocês. Usem sem medo, ousem, descubram vocês também suas combinações preferidas e ganhem sabor e saúde!

 

Assortment Of Fresh Herbs

Ervas frescas dão sabor e aroma especial aos alimentos!

LOURO

Muito conhecido pelo seu uso no feijão, também vai bem em ensopados, carnes assadas, guisados. É componente do Bouquet garni, uma combinação de ervas utilizada na gastronomia para dar sabor a caldos e sopa.

Como seu sabor é intenso, em geral uma folha de louro basta para conferir sabor. Deve ser adicionado no início do preparo, pois libera aromas bem lentamente. A folha deve ser retirada antes de servir.

Propriedades: favorece a digestão e a eliminação de gases. É antirreumático, interessante no tratamento de gripes e resfriados.

 

ALECRIM

Tem sabor pronunciado e deve ser usado com cautela para não sobressair muito no resultado do prato. Como suas folhas são duras, o ideal é retirá-las antes de servir. Além das folhas, ramos inteiros podem ser adicionados no preparo.

Combina com carne vermelha, frango, carne suína, carnes de caça e legumes assados, especialmente batatas. É usado em marinadas de carnes e frango.

Propriedades: melhora da memória, expectorante, ajuda em problemas respiratórios. Seu chá favorece a digestão.

 

MANJERICÃO

Muito conhecido por seu uso na culinária italiana, o manjericão é extremamente aromático e de sabor suave. Deve ser usado preferencialmente fresco e adicionado no final do preparo.

Complementa pratos que levam cebola, orégano, alho ou azeite. Combina muito com tomate, omeletes e é ingrediente principal do molho pesto.

Propriedades: diurético, melhora digestão, protege o fígado e é um bom antioxidante.

 

CEBOLINHA VERDE

Pertence à família do alho, cebola e alho-poró. Costuma acompanhar a salsa em diversos pratos, o famoso cheiro verde.

Cortada em pequenas rodelas para realçar o sabor, deve ser adicionada no final do preparo e é ótima para decoração de pratos. Pode ser usada em saladas, omelete, sopa, molhos, arroz.

Propriedades: rica em vitamina A, B3, e C e cálcio. Apresenta atividade antioxidante.

 

ACAFRÃO DA TERRA

É derivado de uma raiz de cor forte alaranjada, da mesma família do gengibre. Possui sabor forte e é muito pesquisado por suas propriedades terapêuticas. Normalmente é utilizado o pó, adicionado no final do preparo (assim suas propriedades são mais conservadas) em arroz, peixes, frutos do mar, frango, sopas e molhos.

A curcumina, um dos seus componentes ativos, é melhor ativada na presença de pimenta do reino, por isso é válido usar as duas especiarias juntas na preparação.

Propriedades: é rico em beta-caroteno, um precursor da vitamina A com efeito antioxidante. Possui forte ação anti-inflamatória. Contribui para redução do colesterol LDL e do triglicerídeo. Melhora a imunidade, tem ação anticancerígena e antioxidante. 1 colher de café ao dia é suficiente para redução dos marcadores de inflamação.

 

CANELA

Pode ser utilizada no preparo de alguns pratos salgados como guisados, carne moída, massas, purês, risotos e molhos. Mas aqui no Brasil costumamos usar em preparações doces. Para os bebês, pode ser adicionada na banana ou na maçã, por exemplo. Confere um sabor quente e acolhedor aos pratos.

Propriedades: contribui para regulação do metabolismo de açúcar, regularizando os níveis de açúcar no sangue. Possui ação antioxidante e anti-inflamatória.

 

GENGIBRE

Possui sabor picante e marcante. Pode servir para aromatizar carne ensopadas, peixes e frutos do mar, sucos, legumes, risotos.

Por ser uma raiz, utiliza-se em pequenas lascas, ralado ou em pó. Para que se mantenha o princípio ativo, o ideal é ralar na hora do preparo.

Propriedades: fonte de vitamina B3, B6 e C, magnésio, selênio e zinco. Possui ação antioxidante e anti-inflamatória importantes. Melhora a digestão, desempenho mental e auxilia na redução da fadiga.

 

Para utilizar na prática, a receita do clássico caldo de legumes que pode ser usado como base de diversos molhos, sopas e outros pratos que levem caldo:

 

CALDO DE LEGUMES CASEIRO

 

Ingredientes

– 2 cebolas picadas

– 2 cenouras pequenas picadas (ou 1 grande)

– 1 talo de salsão picado (aipo)

– Alho poró (parte verde – folha)

– 2 dentes de alho descascados

– 5 litros de água

– 1 bouquet garni (Louro, salsa, folha do alho poro e outras ervas de preferência)

 

Modo de preparo

Coloque os legumes na panela, acrescente a água e o bouquet garni. Deixe cozinhar sem ferver por 40 a 60 minutos. Aguarde esfriar, separe em potes de vidro ou forminhas de silicone e congele para utilizar em diferentes dias e tipos de preparação!

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

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Como ajudar a criança a aceitar novos alimentos?

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Pais de crianças pequenas geralmente se preocupam com os hábitos alimentares dos seus filhos. As queixas se relacionam geralmente com a dieta excessivamente limitada aos ultraprocessados, a rejeição a qualquer coisa verde, a recusa de tentar qualquer coisa nova ou as explosivas batalhas durante as refeições, que tornam a hora de comer estressante para todos. Frequentemente pais exasperados que – convencidos de que eles tentaram tudo – chegam à conclusão de que seu filho é constitucionalmente um “comedor exigente” e que é incapaz de expandir seus horizontes.

Foi assim que duas especialistas no campo dos desafios alimentares: Jessica Piatak, terapeuta ocupacional, e Kristina Carraccia, fonoaudióloga, ambas do The Center for Discovery, com sede em Nova York, se especializam em trabalhar com crianças com graves dificuldades de desenvolvimento, distúrbios do espectro do autismo e fragilidades médicas. Elas desenvolveram uma abordagem denominada pelas autoras de “Exploração e descoberta de alimentos”, chamada de FED (Food Exploration and Discovery). Esta abordagem tem sido usada com sucesso para tratar crianças com distúrbios sensoriais e comportamentais severos. Crianças que tinham antes dietas extremamente limitadas, geralmente compostas por dois ou três alimentos processados, passaram a ter uma dieta mais variada, nutritiva e com base em alimentos inteiros.

Embora algumas crianças possam levar mais tempo do que outras para essa transição, as terapeutas dizem ainda não terem encontrado um “comedor exigente” cuja dieta não pudesse ser ampliada com sua abordagem gradual, personalizada e flexível. Sua abordagem baseia-se em um único princípio fundamental:

“o objetivo não é simplesmente fazer a criança comer em toda refeição, mas sim chegar a um ponto em que uma criança come porque está intrinsecamente motivada para fazê-lo”

Este é um objetivo de mudança de comportamento a longo prazo e, como tal, pode levar um grande período de tempo para alcançar. O processo é gradual e realizado em passos progressivos. Pode levar de três a seis meses até que uma variedade mais ampla tenha sido adicionada com sucesso, podendo variar de 10 dias a 2 anos. Mas até à data, todas as crianças finalmente chegaram lá. Com uma abordagem flexível, a mentalidade correta e muita paciência, você pode transformar a hora da refeição.

 

Aqui estão algumas das dicas para começar:

 

Nunca force uma criança a tocar, provar ou comer um alimento.

Muitas escolas e famílias empregam táticas pra que a criança “apenas experimente”, com a promessa de que, se eles não gostarem, podem dizer “não, obrigado”. Ou ainda, prometem recompensas, que serão dadas se a criança comer certo alimento no jantar.

Essas abordagens prejudicam o objetivo de ajudar as crianças a se sentirem confortáveis ​​o suficiente para tentar – e aceitar – novos alimentos. Pense em como você pode sentir se, ao visitar um país estrangeiro, você for forçado a morder insetos fritos ou cérebro de bezerro, mesmo se puder dizer depois “não, obrigado”! Isso é o que algumas crianças com desafios alimentares podem sentir ao enfrentar um prato de verdes desconhecidos – particularmente crianças do espectro autístico.

Se você está empenhado em criar uma criança que come de forma variada e em ter uma hora de comer harmoniosa, criar um momento de refeição sem pressão é essencial. Para fazê-lo, comprometa-se a ficar do seu lado da divisão da responsabilidade alimentar e resistir ao impulso de forçar, coagir, subornar ou colocar alimentos na boca do seu filho.

Como Ellyn Satter, referência mundial nas práticas de alimentação da infância, ensina:

“Você decide o que servir e quando. Seu filho consegue decidir se deve comê-lo e, em caso afirmativo, quanto.”

 

Defina orientações e expectativas para as refeições.

As crianças podem ficar ansiosas quando não sabem o que esperar, e muitas vezes fazem melhor quando as rotinas são previsíveis. Com a hora da refeição não é diferente. As crianças podem se preocupar que não haverá algo que eles queiram comer, ou talvez que eles sejam forçados a tentar algo assustador. Piatak e Carraccia usam vários mantras adaptados a tais situações para ajudar a colocar as crianças à vontade.

Um exemplo de tal mantra de refeições, de acordo com Carraccia, pode assemelhar-se a isto: “Nós sentamos com nossa família. Se houver algo no seu prato que você não gosta, você pode colocá-lo em outro prato. Você pode comê-lo se quiser, mas você não precisa. Todo mundo ajuda a limpar a mesa quando acabamos de comer”. Repetir frases como essa ajudam a tornar a hora da refeição confortável, reduzindo a pressão que pode levar a uma dinâmica disfuncional das refeições.

 

Incentive as crianças com desafios alimentares a brincar com comida … Longe da mesa.

A maior parte da terapia de alimentação no The Center for Discovery não ocorre perto da mesa de jantar, de acordo com Piatak. O sucesso na mesa de jantar começa com uma variedade de técnicas de dessensibilização baseadas no jogo, que permitem que as crianças se sintam confortáveis ​​com as vistas, aromas, texturas e, eventualmente, gostos, de um alimento desconhecido em um ambiente divertido e de baixa participação. O jogo de comida incentiva as crianças a interagir com novos alimentos de forma não ameaçadora, sem expectativas. Conforme eles vão aprendendo mais sobre as propriedades de um alimento, vão gradualmente ficando mais confortáveis ​​para lamber ou até mesmo provar.

Diz Piatak: “Nós vamos colar alimentos em um caminhão de brinquedo. Ou podemos colocar vegetais ralados em nossos rostos como uma barba ou bigode e fazer caras engraçadas no espelho. O jogo da água também é um dos favoritos: vamos brincar com alimentos na água e às vezes adicionar bolhas. Ensinaremos as crianças a cuspir comida em uma tigela, e eles geralmente adoram, acham engraçado. E uma vez que eles sabem que têm permissão para cuspir uma comida, eles podem estar dispostos a saboreá-la”. “A improvisação”, acrescenta Carraccia, “é a chave”.

 

Transição progressiva e gradual.

Roma não foi construída da noite para o dia, e não é realista esperar que uma criança que só coma nuggets de frango e macarrão sem molho de repente se transforme em alguém que ama couve e quinoa. A abordagem FED entende a criança como ela é, aprendendo sobre seus alimentos e marcas preferenciais e tentando replicá-los de maneiras sutilmente modificadas. “Começamos apresentando outras versões de seus alimentos favoritos – como talvez nuggets de frango orgânicos ou cachorros-quentes – para tentar replicar sua marca preferida. Ou podemos misturar algum arroz diferente com o tipo usual que eles aceitam em casa, ou trocar nosso queijo pelo seu tipo usual de queijo em um sanduíche de queijo grelhado “, explica Piatak.

Lentamente, os terapeutas começam a incorporar novos alimentos, continuando a fazer pequenas mudanças nos alimentos preferidos. Talvez adicione um tempero diferente à pizza para mudar o sabor. Então, pizza na crosta torna-se pizza no pão, pizza sem molho, pizza com uma meia colher de chá de proteína ou vegetais. Ao longo do tempo, eles podem tirar a parte do pão completamente e trocar por um hambúrguer de peru coberto com molho e queijo. Então o molho se foi. Em seguida, o hambúrguer de peru transita para um hambúrguer de vegetais, ou vegetais desfiados são incorporados em empanadas caseiras. Na população que Piatak e Carraccia atendem, este processo é intencional e, muitas vezes, lenta, para ajudar a dessensibilizar crianças com fortes aversões sensoriais a novos alimentos. Com crianças levemente seletivas, você poderia ignorar uma ou duas etapas no processo.

 

Ofereça o familiar ao introduzir o novo.

Muitas mães com quem falei são da opinião de que oferecer uma comida favorita, como batatas fritas ou cachorros-quentes, ao tentar introduzir uma comida nova e saudável prejudicaria suas chances de sucesso. Certamente, se houver uma comida preferida oferecida, então uma criança não tem incentivo para tentar o novo alimento, certo? De fato, o oposto provavelmente é verdadeiro.

Os níveis de ansiedade podem ser elevados quando uma criança encontra uma mesa cheia de alimentos desconhecidos, e o estresse pode fazê-la recuar, recusando insistentemente a provar qualquer coisa. Mas uma criança que acredita que tem pelo menos alguma coisa na mesa que ela possa comer confortavelmente, acaba entendendo que não estão apostando que ela irá provar algo novo. Então, a noite de cachorro-quente é um ótimo momento para introduzir um complemento, como uma sopa de ervilha. E a noite de pizza é uma oportunidade para oferecer um buffet de opções de cobertura – desde cogumelos e azeitonas até manjericão e alcachofras – que a criança pode encontrar e considerar.

Piatak e Carraccia usam o familiar como trampolim para novos alimentos. Se uma criança ama iogurte, por exemplo, ela pode mergulhar um florete de brócolis no iogurte e apenas sentir a textura do brócolis na língua enquanto lambe o iogurte. Importante: aconselha-se paciência com a transição. Só porque uma criança não coloca a comida na boca, isso não significa que o progresso não está sendo feito. Cada nova exposição desensibiliza um pouco mais a criança e, à medida que aumenta o conforto, cresce também a vontade de experimentar novos alimentos.

 

Nunca atrapalhe as crianças a comerem algo.

A confiança é a base do relacionamento com a alimentação, como em qualquer outro relacionamento, e você está violando essa confiança ao, vamos dizer, esconder espinafres processados em seus brownies, ou beterrabas em suas vitaminas. Além disso, uma vez que o objetivo é fazer com que as crianças comam porque são intrinsecamente motivadas a fazê-lo, você não vai conseguir nada escondendo um pedaço de espinafre no corpo da criança que não  escolheu consumir por sua própria vontade. É como ganhar uma batalha, mas perder a guerra. Carraccia explica que não é necessário esconder o que é diferente na comida da criança. “Nós dizemos: ‘Esta é pizza com um pouco de brócolis’, e nunca tentamos enganar. Nós sempre somos honestos, e não tentamos misturar as coisas para que a criança não saiba, porque todo esse processo é baseado na confiança”.

 

Texto traduzido e adaptado de Health US News, escrito pela Nutricionista Tamara Duker Freuman, texto original aqui.

10 dicas para melhorar a alimentação das crianças pequenas

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Quem acompanha a gente no instagram e facebook, viu que começo do ano foi punk por aqui. Mas algumas coisas estão funcionando bem e acho que podem te ajudar:

1 – Acertar a rotina. Não é fácil, tem chororô, soneca sem almoço, almoço mais tarde, dia sem jantar, jantar com tv, fruta às 11 da noite, almoço requentado na janta… E apesar de eu me esforçar, tem dias que nada dá certo e que essas situações acontecem mesmo. #MaternidadeReal, nua e crua.

2 – Antecipar a rotina. Converso sobre tudo o que vai acontecer em cada horário, e reforço isso diariamente. Ele aprendeu o que é café da manhã, almoço, lanche e jantar, e o que se come e o que não se come em cada uma dessas refeições.

3 – Não ter hábito de comprar guloseimas. Ou eu acabava com os biscoitos, ou eles acabavam comigo. Isso não quer dizer que estão proibidos, apenas que dificilmente tem no armário.

4 – Colocar as “tentações” em cima da geladeira, onde ele não alcança. Aqui o principal é o pão. O combinado é comer pão, ou no café da manhã, ou no lanche da tarde.

5 – O almoço é a refeição mais sagrada. Almoçamos todos juntos e não tem barganha. Não quer almoçar, não precisa, mas também não tem pão-biscoito-chocolate-sorvete-fruta ou qualquer outra coisa que ele queira que não esteja entre as opções do almoço. Se não quiser almoçar, beleuza, à tarde ele pode comer alguma dessas coisas na hora do lanche. É claro que isso envolve um chororô nos dias que teima, e vários dias resolve sentar pra almoçar sozinho, depois que todos já terminaram e ele já se acalmou.

6 – Oferecer apenas frutas e/ou leite no café da manhã. Às vezes não consigo (porque ele vê a gente comendo outras coisas e pede), mas quando ele come só fruta no café da manhã, ele almoça bem melhor.

7 – Ajudar no preparo das refeições sempre que possível! No jantar, principalmente, adora fazer seu ovinho mexido.

8 – Se servir sozinho! Dica da Dani @bb_blw, aqui em casa deu super certo. Ele se serve do que mais gosta e come muito melhor (veja o vídeo).

9 – Café da manhã reforçado com ovos mexidos antes de qualquer festa regada a doces.

10 – Dar limites e respeitar. Embora minha maior dificuldade seja aceitar escolhas não saudáveis, sigo no mantra “faço minha parte” 🙂

Aline P

 

CONALCO2017

5 dicas para criar uma criança que come de tudo

Traduzido e adaptado de Fit Pregnancy and Baby, escrito por Lindsay Tigar – Texto original aqui.

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Amplie o paladar do seu bebê!

Uma das melhores partes da vida é poder ter experiências através de todos os seus sentidos – e o sabor é uma das primeiras e melhores maneiras de experimentar o mundo.

As papilas gustativas de um bebê são desenvolvidas a partir do momento em que nascem, e cabe a você apresentar novos sabores e texturas para o seu pequeno. Mas como exatamente fazer isso? Alguns especialistas compartilham aqui tudo o que você precisa saber sobre o treinamento do paladar!

 

Por que treinar o paladar é importante?

Treinar o paladar é mais do que permitir que seu bebê coma uma dieta variada e saudável. “Ensinar as crianças a apreciar uma grande variedade de alimentos é tão vital quanto outras habilidades para a vida”, explica a nutricionista Diana K. Rice. “Não só irá ajudá-los a consumir regularmente uma dieta mais nutritiva, como também é uma importante habilidade social para toda a vida, além de reduzir as situações de estresse quando se come fora de casa”.

Também ajuda o bebê a interagir com seus irmãos (atuais ou futuros), construindo pontes que conectam toda sua família. Pense sobre aquela receita familiar incrível, ou simplesmente um dia da semana em que todos se reúnem à mesa: as famílias, muitas vezes, compartilham preferências alimentares que, embora não sejam herdadas, são encorajadas através das gerações. “Treinar o paladar é importante porque é inevitável”, explica Adina Pearson, nutricionista e autora do blog HealthyLittleEaters.com e co-autora do FeedingBytes.com. “Se você quer que seus filhos desfrutem os alimentos que sua família gosta, eles precisam ter experiências com eles”.

 

Quando você deve começar a treinar o paladar da criança?

Alguns especialistas acreditam que o treinamento do paladar acontece ainda no útero, com base na dieta da mãe. Mas esse treinamento oficialmente começa quando o bebê experimenta alimentos sólidos, diz Pearson: “Todos os bebês começam a treinar o paladar simplesmente através da seleção de alimentos oferecidos”.

Mas há mais do que apenas quais perfis de sabores seu bebê irá gostar: doces ou salgados, azedo ou amargo. Encoraje seu filho a interagir também com várias texturas, para que ele não desenvolva aversão a algo mais duro ou crocante, por exemplo. “Os princípios que apoiam o treinamento do sabor, como rotinas de refeições positivas e exploração de alimentos, podem ser feitos à medida que os sólidos são introduzidos – por exemplo, permitindo que o bebê toque e explore alimentos quando ele começa a desenvolver habilidades motoras”, explica Grace Wong, Mestre e Nutricionista Materno Infantil.

 

Como faço para começar?

Com tantas opções de alimentos, pode parecer um tanto desafiador descobrir como apresentar seu filho a uma variedade de sabores e texturas. Veja como fazer isso direito:

 

1 – Não apenas dê o que ele quer.

Se você tem ou conhece uma criança com mais de 3 anos de idade, então você definitivamente sabe como é um comedor exigente. Para evitar que seu filho queira criar o seu próprio jantar, experimente a sugestão da nutricionista Diana K. Rice: se você descobrir que seu bebê gosta de cenouras, apresente também a beterrabas.

“Mude o que você está oferecendo. Não pense, ‘Ah, ele gosta disso, vou ter certeza de dar-lhe muitas vezes.’ Pense, ‘Ok, ele gosta disso, então é melhor eu tentar um vegetal diferente hoje.’ Ofereça as cenouras novamente em cerca de uma semana para que seu filho se lembre dela “, explica Rice. “Você também pode usar os alimentos que seu bebê prefere e apresentá-lo a sabores adicionais. Pense em cenouras assadas com alho e ervas ou jogadas com um fio de vinagre balsâmico “.

 

2 – Desfrutem o comer em família.

Embora muitas famílias tenham dificuldade em encontrar o tempo necessário para isso, sabe-se que sentar e desfrutar de uma refeição em conjunto não é importante apenas para a construção de laços afetivos fortes, mas também para a normalização de sabores.

Wong diz que, mesmo que você não consiga fazer isso todas as noites, tente ao menos fazer refeições familiares nos finais de semana. Durante este tempo, seu bebê começará a assistir como o resto da família come e se sente mais confortável com o compartilhamento e a tentativa de provar novos alimentos – especialmente se eles o veem comer primeiro.

Wong diz que isso cria a mentalidade de que não há diferença entre “refeições para crianças” e “refeições para adultos”. “Adultos e crianças podem compartilhar a mesma refeição, incluindo alimentos que são familiares para seu filho, bem como alimentos novos”, diz Wong. “Desta forma, você não ficaria preso em uma rotina de servir os mesmos alimentos uma e outra vez novamente. Você tem a liberdade de servir uma variedade de alimentos e proporcionar-lhes oportunidades para explorar e familiarizar-se com novos alimentos”. Claro, certifique-se de que qualquer alimento familiar seja apropriado para a idade do seu bebê.

 

3 – Dê-lhe uma verdadeira prova, não uma refeição.

Rice diz que “as duas coisas mais importantes a ter em mente são começar com pequenas porções e oferecer alimentos consistentemente. Ofereça apenas uma quantidade de um novo alimento e não coloque um prato inteiro na frente do seu filho na esperança de que ele gostará e decidirá comer mais “, diz ela. “Se a criança comer o bocado, você pode oferecer mais, mas não pressioná-la. E se ela comeu ou não o pequeno bocado de comida, ofereça-o novamente em alguns dias até que ela finalmente esteja disposta a comer”. 

 

4 – Não fique desapontado se ele não gostar.

Não é um ataque pessoal ao seu estilo parental ou às suas habilidades culinárias, se seu filho simplesmente não consegue correr atrás das ervilhas. Ou do brócolis. Ampliar o paladar não é fazer do bebê um cozinheiro novato com um paladar refinado, mas sim, permitir que ele explore suas próprias preferências.

“Eu gosto de encorajar os pais a experimentar este exercício: coloque a criança no cadeirão e lhe ofereça três pequenos brinquedos. Ele vai em direção a um brinquedo e ignora outro? Você sente como uma falha porque seu filho está ignorando um brinquedo que você ofereceu? Eu duvido muito disso! 

Quem sabe por que as crianças têm as preferências que eles fazem?”, Diz Rice. “Com a comida, o importante a fazer é consistentemente apresentar um alimento que a criança já rejeitou antes de aceitá-lo. E se eles realmente parecem odiar um punhado de sabores, aceite. A maioria dos adultos tem algumas coisas que eles preferem não comer, também“.

 

5- Melhor tarde do que nunca …

Se você já passou da introdução alimentar, ainda há tempo para ampliar o paladar. “Não é tarde demais se o seu filho já é criança. Apenas comece o quanto antes”, recomenda Rice. “As preferências de sabores que desenvolvemos na infância influenciam nossos padrões de alimentação ao longo da vida. Quanto mais seu filho estranha novos alimentos, mais trabalho você terá para reverter essas preferências”.

 

CONALCO2017

Como a alimentação pode melhorar ou piorar a prisão de ventre?

 

Por Nutricionista Michelle Bento

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A prisão de ventre é uma queixa muito comum nos consultórios pediátricos e pode deixar os pais muito angustiados. Mas antes de falarmos de qualquer tipo de tratamento é preciso considerar que variações na consistência das fezes e frequência de evacuações em crianças é muito comum e não necessariamente essa mudança representa um problema. Essa alteração pode ser natural e/ou temporária e não causar nenhum mal. É esperado, por exemplo, que os bebês aos 4-6 meses evacuem menos vezes ao dia do que com 1 mês de vida e o padrão de evacuação de bebês que mamam leite materno é diferente daqueles que mamam fórmula.

Com o início da alimentação sólida as fezes vão começar a tomar mais forma, ficam mais consistentes e alguns passam por uma dificuldade momentânea na evacuação que diz respeito à adaptação à nova alimentação. Além disso, é comum que as crianças fiquem 2 ou 3 dias sem evacuar, mas com fezes macias e que não provocam nenhum incômodo. Portanto, é preciso que os pais estejam atentos não somente ao intervalo entre as evacuações, mas ao comportamento do bebê (bebês com constipação intestinal ficam mais irritados, pois podem sentir dor), se as fezes estão macias, pastosas ou ressecadas, no formato de pequenas bolinhas endurecidas e se o bebê faz força como se fosse fazer coco e não sai nada. Esses são alguns dos sinais de alerta.

A definição de constipação intestinal infantil segundo o critério de ROMA III inclui outras variáveis que não só a frequência de evacuação, justamente devido à grande variação normal que existe entre as crianças saudáveis. Para determinar que há constipação intestinal funcional, deve haver a presença de 2 ou mais dos seguintes sinais e com duração de pelo menos 1 mês em menores de 4 anos:

– Dois ou menos defecações por semana;

– Ao menos um episódio de incontinência fecal por semana (em crianças que já controlam o esfíncter);

– História de retenção excessiva de fezes (a criança parece segurar o coco, com medo de evacuar);

– História de dor para evacuar;

– Presença de bolo fecal no reto (deve ser avaliado pelo pediatra);

– História de fezes de grande diâmetro, que entopem o vaso sanitário.

Como a alimentação pode contribuir para evitar ou melhorar o problema?

Uma criança com dificuldade de evacuação pode estar ingerindo uma baixa quantidade de fibras.  Em bebês que estão começando a comer a ingestão de fibras será mesmo baixa, pois ainda se alimentam basicamente de leite. E em alguns pode ocorrer uma certa dificuldade na eliminação de fezes mais consistentes nas primeiras semanas que vão melhorando conforme o bebê for aumentando a ingestão de fibras. Mas vale lembrar mais uma vez que se o número de evacuações diminuiu, mas não existe nenhum outro sinal de alerta não é preciso se preocupar. Apenas observe como estará a consistência do coco quando ele o fizer. Agora se as evacuações estão menos frequentes e, além disso, o bebê tem irritabilidade, barriguinha distendida, faz força e não sai nada e as vezes estão ressecadas podemos tentar algumas mudanças na rotina para ajudar na eliminação do coco e evitar esse desconforto.

Na minha prática profissional não costumo fazer restrição de nenhum alimento, nem tão pouco sugerir que se use alimentos específicos diariamente para estimular a evacuação. Essa ideia de que alguns alimentos prendem e outros soltam vem da proporção de fibras solúveis e insolúveis que cada um deles possui. E na verdade cada uma tem o seu papel no funcionamento intestinal e, dentro de uma dieta equilibrada e variada, esses componentes vão se ajustando e não causam nenhum problema. Considero mais importante pensar na variedade de alimentos que essa criança recebe, avaliar se a hidratação está correta (e quanto mais fibra na alimentação, mais água é necessária) e usar alimentos mais ricos em gorduras saudáveis para ajudar na lubrificação, como o abacate, azeite e óleo de coco, por exemplo, que muitas vezes ficam esquecidos na alimentação das crianças pequenas. É bem comum que os pais recebam a orientação de cozinhar a comida do bebê com pouca ou nenhuma gordura, quando na verdade uma gordura de boa qualidade é fundamental.

Mas de qualquer forma cada criança e sua rotina devem ser avaliadas individualmente para que se identifique o que pode estar causando a dificuldade NAQUELA criança, no lugar de fazer orientações gerais e vagas que funcionariam como uma “fórmula” que todos podem e devem usar. Então, se seu filho (a) apresenta esse quadro vai ser muito mais eficaz e adequado procurar onde está a causa do problema (É fibra? É hidratação? A gordura está adequada? Tem alguma causa orgânica?) do que dizer que ele precisa  comer mais mamão e parar de comer bananas, certo?

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Bibliografia

UJJAL PODDAR. Approach to Constipation in Children. Indian Pediatrics, v. 53, p. 319-327, 2016.

CONALCO2017

Meu bebê parou de comer!

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Durante a fase de introdução alimentar, os bebês passam por diversas fases de inapetência, o que é absolutamente normal, mas deixa qualquer cuidador de cabelo em pé. São inúmeras as razões, que afetam não só a alimentação, como também o humor e o sono do bebê. Por isso, antes de se gabar aos quatro ventos que seu filho come tudo, ou dorme a noite inteira, previna os cuspes na testa e tente passar pelos 3 primeiros anos de vida sem surtar em cada uma dessas fases.

As dificuldades alimentares em crianças em desenvolvimento típico podem ter início durante essas fases de inapetência. Ao invés de tratar esses períodos como uma etapa de desenvolvimento normal da criança, profissionais despreparados costumam piorar a situação com a simples frase “esse bebê precisa comer”. Uma frase tão curta, mas com um potencial enorme de desequilibrar toda uma dinâmica de alimentação. A família torna-se ansiosa, aumentando os níveis de estresse e frustração durante as refeições. E o impacto emocional durante as refeições tem grande influência nos resultados futuros de alimentação (Morris & Klein, 2000).

Uma grande falácia do atendimento pediátrico em qualquer especialidade é orientar o desmame para que o bebê coma mais. Acontece que durante os dois primeiros anos de vida o alimento é complementar ao leite materno, e não o contrário. Por isso, amamentar até os dois anos ou mais, como recomenda a Organização Mundial da Saúde, só faz com que a família tenha mais segurança em respeitar a criança nessas fases de inapetência, e passar por esses períodos sem trauma ou estresse.

Os primeiros três anos de vida coincidem com uma série de grandes mudanças na vida do bebê. Muitas vezes acontecem em série, e em concomitância com outras situações, podem deixar o bebê bastante agitado, desregulando seu padrão habitual de fome e sono. Sabendo-se que é esperado que o bebê passe por essas fases transitórias, o cuidador torna-se atento à mudanças sutis no comportamento, relacionando as causas e baixando a expectativa em relação aos padrões de alimentação e sono.

Demonstrar empatia, acolher e buscar soluções viáveis a curto prazo são essenciais para que família e bebê passem por essas fases sem traumas.

Saltos de Desenvolvimento

“Meu filho não quer mais ficar no cadeirão, está com 11 meses e fica jogando a comida no chão e olhando pra baixo. Está quase andando e não para quieto um minuto. Não sei mais o que fazer”

Toda vez que o bebê começa a desenvolver uma nova habilidade, ele fica tão excitado durante o processo, que quer praticar a todo momento. Durante esses períodos, eles podem resistir às rotinas já estabelecidas e podem mudar os padrões aos quais os pais já estavam habituados, como a hora da refeição.

Nos dias que antecedem o chamado salto de desenvolvimento, o bebê se sente perdido dentro do que já lhe era conhecido. Seus sistemas perceptivo e cognitivo mudaram, houve maturação neurológica, mas não houve tempo hábil para adaptação às mudanças.

O bebê passa a reconhecer o mundo de forma diferente, situação que com frequência gera ansiedade. O bebê tende a voltar para o seu porto seguro, geralmente, a mãe. O resultado é o aumento da demanda de mamadas, do colo e a modificação dos padrões de sono, humor e apetite. Mas depois da aquisição de uma nova habilidade (como sorrir, interagir, sentar, engatinhar, andar, falar) o bebê dá um salto no desenvolvimento e fica feliz com o final da ‘crise’.

A duração de cada salto pode variar, podendo durar dias ou semanas, podendo voltar ao padrão anterior como se nada tivesse acontecido. A aquisição da nova habilidade é facilmente notável e o bebê está claramente satisfeito e independente com a nova situação. Essas aquisições ocorrem em vários aspectos: desenvolvimento motor, desenvolvimento do controle motor fino, linguagem e desenvolvimento social.

Seria cômico, se não fosse trágico, mas no primeiro ano de vida o bebê passa por saltos de desenvolvimento praticamente todos os meses. Então é bem natural que o apetite seja extremamente flutuante no primeiro ano de vida.

 

Picos de crescimento

“Meu filho não quer mais comer, chora quando o coloco sentado no cadeirão, só quer peito, peito, peito…”

Picos de crescimento são fenômenos que se referem ao crescimento do bebê, períodos em que precisam de mais alimento para crescer em um ritmo mais acelerado. Então um bebê que dormia longos períodos à noite, pode começar a acordar mais e solicitar mais mamadas. Esta necessidade geralmente dura de poucos dias a uma semana, seguido de um retorno ao padrão menor de mamadas, mas agora com o organismo da mãe adaptado a produzir mais leite. É muito importante respeitar a demanda aumentada, pois somente assim a produção de leite materno poderá se ajustar perfeitamente às necessidades do bebê.

Pode ser que o bebê se prontifique à comer mais, se ele já tiver entendido que comer mata a fome. Por outro lado, se o bebê ainda associa a saciedade com a alimentação láctea, é bem provável que ele recuse a comida em detrimento ao leite, pois é dessa forma que o corpo dele entende que ele vai garantir o necessário para crescer. Além disso, o leite materno é um alimento muito completo e tem muito mais calorias do que uma papinha ou pedaços de frutas ou legumes. Sabiamente, seu corpinho vai preferir o que irá lhe garantir maior aporte calórico e menor gasto de energia para essas fases de “estirão”.

Nesses períodos a mãe pode interpretar incorretamente e achar que seu leite é insuficiente, ou pior, ser induzida a achar que seu leite é fraco. Em ambos casos, a primeira solução parece ser o complemento de leite artificial. O que é um erro, pois perde-se o poderoso estímulo de sucção no peito, prejudicando o equilíbrio perfeito da natureza de produzir o leite conforme a demanda.

Outra situação bastante frequente relacionada ao crescimento é que, mais cedo ou mais tarde, o bebê passa a comer menos, devido à mudança do ritmo de crescimento da criança. No primeiro ano, os bebês engordam e crescem mais rapidamente do que em qualquer outro período da vida fora da barriga da mãe. E a criança de 1 a 6 anos, que cresce lentamente, come proporcionalmente menos do que a de seis meses ou a de doze anos, que estão em períodos de rápido crescimento.

É importante reforçar que nem toda criança come igual, nem cresce no mesmo ritmo ou acompanha as curvas de peso. Por isso, é essencial avaliar outros dados, e que isso seja feito em uma consulta individualizada, preferencialmente com um o pediatra e o suporte de um nutricionista infantil.

 

Angústia da separação

“Meu bebê não aceita ficar no cadeirão, só quer ficar no colo. Só come com outras pessoas, comigo só quer peito, peito, peito…”

Por volta de 6-8 meses, o bebê começa a perceber que é um indivíduo separado da mãe. Essa descoberta lhe traz angústia e medo, e por isso ele pode pedir mais colo, chorar mais que o usual e solicitar muita mais atenção da mãe.

Neste momento, a mãe ainda é o centro do mundo do bebê e representa seu porto seguro. Como a noção de permanência não está completamente estabelecida, essa angústia é muito acentuada. O bebê não consegue entender que a mãe continua ali, mesmo quando está longe do seu campo de visão.

A Dra Andréia Mortensen, neurocientista, explica o seguinte:

“O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior, está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução humana era muito perigoso que o bebê estivesse longe da sua mãe. Se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver. Então, quando o bebê sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro ativam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho, e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, infelizmente, é isso o que fazem muitos pais, por não conseguirem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.

O período “crítico” de desenvolvimento emocional e social ocorre nos primeiros 18 meses da criança. A parte do cérebro que regula as emoções – a amídala – é formada cedo, de acordo com as experiências que o cérebro recebe. O desenvolvimento de um vínculo emocional, empatia e confiança, e todos os aspectos da inteligência emocional fornecem o fundamento para desenvolvimento de outros aspectos emocionais conforme a criança cresce. Então, nutrir emocionalmente e responsivamente o bebê é importante para que a criança aprenda empatia, felicidade, otimismo e resiliência na vida.

Então, se se a mãe tiver que se afastar do filho pequeno para trabalhar ou por outro motivo, muito carinho, conversa, paciência e coerência nas atitudes são necessários para que ele continue tendo confiança nela e supere esse período de crise. É também muito importante certificar-se que o bebê criou um vínculo afetivo com o outro cuidador. 

Nessa fase, procure passar todo tempo possível com seu bebê, principalmente se trabalha fora. Separe os momentos logo após o reencontro do dia de trabalho para ter dedicação exclusiva a ele. Sente confortavelmente, faça contato olho no olho, amamente, interaja com seu bebê. Você pode estar cansada e estressada depois da longa jornada de trabalho, mas se conseguir um pouco de energia para receber seu bebê com alegria, você também se sentirá melhor após alguns minutos de uma reconexão significativa. Somente depois pense no jantar, no banho e outros afazeres. Considere promover proximidade na hora de dormir se suspeita que o bebê tem acordado mais a noite por estar passando por um pico de ansiedade de separação.”

Leia o texto completo da Dra Andréia Mortensen, sobre saltos de desenvolvimento, picos de crescimento e angústia da separação, nesse LINK.

 

O nascimento dos dentes

“Meu bebê não quer mais pegar a comida, vira o rosto para a colher, empurra e joga tudo no chão. Está salivando muito, acho que vem dente por aí…”

Os dentes começam a nascer mais ou menos aos 6 meses de idade. Os primeiros a aparecer são os incisivos centrais inferiores, seguidos pelos incisivos centrais superiores, e incisivos laterais inferiores. Por volta de 1 ano e meio surgem os incisivos laterais superiores, e então começa a erupção dos dentes mais posteriores como os caninos e os molares. Aos 3 anos, aproximadamente, o bebê terá todos os dentes de leite. E é normal um atraso de aproximadamente 8 meses.

 

Os primeiros sinais de que os dentinhos estão chegando são coceira na gengiva pela pressão dos dentes, gengiva mais abaulada e esbranquiçada e aumento da salivação por conta do amadurecimento das glândulas salivares e pela incapacidade do bebê engolir toda a saliva. Alguns bebês ainda apresentam: dor, febre baixa (até 38º), diarreia e acidez nas fezes (o que pode causar assaduras), constipação nasal e aumento de secreção nasal. Apesar desses últimos não terem comprovação científica, não é incomum encontrar relato desses sintomas entre os bebês dessa idade.

Todos esses sintomas deixam o bebê mais agitado, podendo facilmente interferir nos padrões de alimentação e sono. Alimentos mais consistentes ajudam a massagear a gengiva, mas se houver dor, é comum que o bebê os rejeite completamente. Ofereça alimentos frios e amolecidos, progredindo a consistência aos poucos, até que se perceba que o incômodo maior tenha passado. A melhor forma de saber isso é deixando os sólidos à disposição. O próprio bebê vai saber quando é a hora de voltar a comer normalmente.

Géis anestésicos podem levar ao engasgo e aspiração pela dessensibilização da região orofaríngea e são portanto contra-indicados. A Associação Brasileira de Odontopediatria comunicou ainda, em nota oficial, que produtos a base de benzocaína não devem ser usados em crianças menores de dois anos de idade, exceto sob a orientação e supervisão de um profissional de saúde. O Comitê de Drogas dos EUA (FDA) fez um alerta ao público de que o uso de benzocaína, principal ingrediente de produtos fármacos usados para reduzir a dor na boca ou nas gengivas, está associado a uma rara, mas grave doença. Esta condição é chamada metemoglobinemia e resulta na redução significativa da quantidade de oxigênio transportado no sangue, podendo levar à óbito.

Se a irritação e/ou dor for muito intensa, consulte o pediatra. Você pode ainda tentar tratamentos homeopáticos ou fitoterápicos, com profissionais especializados.

 

 

Outras mudanças

“Há dias meu bebê não aceita nada além de frutas. Mudamos de casa há 1 mês e ele começou a ir para a escola. Seus horários de soneca estão todos desregulados e ele tem aumentado as mamadas noturnas…”

Outros acontecimentos, como o nascimento de um irmãozinho/a, introdução de alimentos novos, o retorno da mãe ao trabalho e entrada em creche, viagens, doenças, separação dos pais, atritos com coleguinhas, ausência de um ente querido, entre outros, podem interferir no sono e na alimentação da criança.

Outros motivos que podem ocasionar a falta de apetite em crianças é quando estão resfriadas, gripadas, com alguma infecção, principalmente de garganta. O calor excessivo pode dar moleza, desânimo e vontade de “comer nada” também. Nesses casos, ofereça muito líquido para hidratação e alimentos mais leves, já que a criança não consegue se alimentar normalmente.

Em todos esses casos, tenha muita paciência e empatia. Coloque-se no lugar da criança, e espere a causa ser resolvida para que, gradualmente, a rotina pode ser restabelecida.

Cabe ressaltar que períodos prolongados de inapetência, associados ou não com perda de peso e falha no crescimento, devem ser investigados. Se a criança apresenta sonolência, palidez e pouca disposição junto com a falta de fome pode indicar falta de nutrientes importantes, como ferro, cálcio, vitaminas e zinco. Leve-a ao pediatra e fale com ele sobre a situação. Alguns exames podem ser feitos. Entre outras causas mais graves, que devem ser investigadas e tratadas estão: doença do refluxo gastroesofágico, alterações no sistema digestivo, anemia, alterações motoras, doenças infecciosas, entre outras causas.

 

Faltará algum nutriente se ele não comer nada além do leite?

A partir dos 6 meses, a reserva de ferro que alguns bebês tinham ao nascer se acaba, e eles precisam comer ferro de outras fontes. É um dos motivos pelos quais se inicia a alimentação complementar aos 6 meses. Outros bebês, tem uma reserva de ferro maior e não precisariam de ferro extra até os 12 meses ou mais.

Por isso, é importante que, entre os primeiros alimentos que forem oferecidos ao bebê, estejam as carnes e os ovos, e que possam comer frutas ricas em vitaminas C antes ou após as refeições, que auxilia na absorção do ferro. A nutricionista Michelle Bento explica tudo isso melhor nesse post aquiGarantindo energia e ferro para o bebê no BLW

 

Aline P

 

CONALCO2017

 

Referências:

Dra Relva (2013). O livro da Maternagem. Pediatria Radical.

Gonzales, C (2016). Meu filho não come. ed Timo.

Morris & Klein (2000). Pre-Feeding Skills: A Comprehensive Resource for Mealtime Development 2nd Edition.

 

Mandel et al (2005). Energy Contents of Expressed Human Breast Milk in Prolonged Lactation. 

 

Sites consultados:

https://fortissima.com.br/2013/09/25/causa-falta-apetite-criancas-16290/

http://guiadobebe.uol.com.br/fases-de-crescimento-e-desenvolvimento-que-modificam-o-sono-do-bebe-e-da-crianca/

http://guiadobebe.uol.com.br/primeiros-dentinhos/