Maternidade baseada em evidências: o que se sabe sobre o BLW

Antes de pensar em aplicar o método no filhote, fui pesquisar mais a fundo sobre o método. Encontrei alguns artigos disponíveis online e aos poucos vou compartilhando os achados destas pesquisas aqui no blog com vocês.

Em suma, a descrição do método por Rapley foi baseado em um estudo observacional de seis crianças, descrito em sua dissertação de mestrado (não publicada). Mãe de três filhos, formada em saúde pública e atuando em puericultura, Rapley pôde observar como os bebês naturalmente pediam os sólidos por volta dos seis meses de idade, se lhes fossem dada a oportunidade. Observou, além disso, que a experiência de introdução de sólidos também tornava-se muito mais fácil e prazerosa para os pais. Finalmente, o projeto ganhou vida após as mudanças da recomendação da OMS para introdução de sólidos na dieta dos bebês apenas aos 6 meses – ao invés dos 4 meses, em 2003.

Após a publicação do livro, em 2008, diversas pesquisas tiveram início, a fim de comprovar se o método era mesmo eficaz. Entretanto, até hoje não foi publicado nenhum estudo clínico, prospectivo, controlado, randomizado. Na prática, isso quer dizer que o método ainda não foi testado mais a fundo. O que não invalida sua teoria, já que a maior parte dos achados até o momento apontam resultados muito positivos.

Entre alguns resultados, estudos apontam a redução do risco de obesidade infantil, menores indíces de massa corpórea (IMC), uma tendência a ter uma alimentação mais saudável (ressalta-se a redução do consumo de papas industrializadas, já que o bebê alimenta-se da “comida da casa”), menor dificuldade de alimentação, com importante redução das “lutas” para a criança comer. Por outro lado, ressalta-se que o método pode ser perigoso devido à exposição da criança ao maior risco de engasgo e da deficiência nutricional, já que, principamente no início, há mais desperdício do que ingestão propriamente dita.

A maior parte das pesquisas é retrospectiva, e a maioria é baseada em questionários subjetivos aplicados com mães que aderiram ao método baseando-se nas informações disponíveis no livro, em sites e em grupos nas redes sociais. Não há consenso para algumas questões, principalmente no que diz respeito a quais alimentos podem ou não ser oferecidos aos bebês e o quanto de ingesta seria necessário para garantir o aporte nutricional, ainda que o bebê receba o leite materno. Ressalto ainda que, mesmo que Rapley descreva o método em seu livro, muitas mães não tem acesso a esse conteúdo, pricipalmente no Brasil, pois não há o tradução para o português.

Vamos continuar conversando sobre a teoria por trás do método, mas aqui em casa já estou aplicando, a todo vapor! Se quiser acompanhar nossas peripécias, segue a gente no instagram! @tanahoradopapa

Um abraço!

Aline

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