E se eu oferecer a papinha de vez em quando?

Considerando tudo que discutimos anteriormente sobre a combinação de métodos, vamos dizer que você não consiga ou opte por não aplicar o BLW em 100% das refeições. Isso significa que você irá introduzir a alimentação complementar do seu bebê por meio da:

1. IA tradicional
2. BLW
3. Um pouquinho dos dois
4. Tanto faz, o que importa é a saúde do meu bebê.

Todo mundo concorda que a alternativa 4 é a correta, certo? Ceeerto!!! Pode parecer bobagem, mas muitas mães se sentem ofendidas quando são “excluídas” do grupo número 2. Minha teoria é que, uma vez que essas mães entenderam e assimilaram o conceito do BLW, não conseguem mais se enxergar como fazendo parte do grupo 1. Muitas mães se sentem inseguras com o BLW puro devido principalmente ao medo do engasgo e da nutrição adequada. Outras situações pontuais podem levar à oferta assistida e/ou de papa, como: períodos de doença e;ou convalescência; bebês que tem diferentes cuidadores; bebês que vão para a escolinha/creche por um curto período; dúvida quanto à ingestão/nutrição (principalmente nas primeiras semanas); quando estão fora de casa (viagens, passeios etc); para a oferta de iogurtes, cremes, caldos etc; entre outras situações. Desta forma, essas mães conseguem assimilar a teoria do BLW, mas não conseguem colocar em prática 100% das recomendações.

Já vimos nas discussões anteriores que esse grupo 3 existe. Fato. Mas esse “pouquinho dos dois” pode incomodar o ouvido – ou o olhar – do leitor mais atento pois desintegra o conceito original do BLW:

“Na maioria das famílias, são os pais quem decidem quando começar este processo (de introdução da alimentação complementar). Começam a alimentar seu bebê com a colher e decidem como e quando começam a ingerir sólidos. E quando deixam de oferecer o peito ou a mamadeira, decidem quando acaba a alimentação à base de leite. O método BLW é diferente: permite que o bebê tome a iniciativa durante todo o processo e utilize seus instintos e suas habilidades. Decide quando começa e quando termina o processo. (…)

(…) com o método BLW:

– O bebê se senta à mesa com o restante da família, e participa quando está preparado.
– O bebê se entusiasma a experimentar com a comida quando mostra interesse, e permite-se manuseá-la (não importa se, ao princípio, não consegue levá-la à boca).
– A comida se apresenta em tamanhos e formas que o bebê possa manipular com facilidade, no lugar de consistir em alimentos em forma de purê ou comida triturada.
– O bebê come sozinho desde o princípio, ao invés de ser alimentado por uma pessoa com a colher.
– O bebê decide quanto comer e quando ampliar a variedade de alimentos que gosta.
– O bebê segue tomando leite em livre demanda (materno ou fórmula) e decide quando está preparado para diminuir as tomadas de leite.”

Trecho retirado do livro “Baby-led weaning: Helping your baby to love good food”, 2008.

Por esse motivo, baseando-se nas principais e mais atrativas propostas do BLW e nas recomendações mais atuais do Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Pediatria, e ainda, não desconsiderando a oferta assistida pela mãe ou cuidador e nem o oferecimento de alimentos de todas as texturas, proponho uma série de ideias que podem ser utilizadas durante o processo de introdução da alimentação complementar, visando uma #IAsemtraumas e #IAstressfree nesse post aqui.

Bom, sejam bem-vindos com suas ideias, críticas e sugestões. Esse é um espaço que, quanto mais colaborativo, mais enriquecedor!

Referências:

Cameron SL, Taylor RW, Heath A-LM. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open 2013.

Cameron SL, Heath A-LM, Taylor RW. Healthcare professionals’, and mothers’, knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open 2012.

Rapley G, Murkett T. Baby-led weaning: helping your child love good food. London, UK: Vermilion, 2008.

Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatric Obesity 2013.