Os 20 passos para a Introdução Alimentar ParticipATIVA – #IAparticipATIVA

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Se a proposta do BLW te agrada, mas você não consegue seguir o método à risca, então esse post é pra você. Sejam bem-vindos para tirar dúvidas, propor sugestões, dar ideias, criticar, enfim, fazer desse post um espaço colaborativo.

Introdução Alimentar ParticipATIVA OU

(como aproveitar o melhor do BLW, mesmo oferecendo a papinha):

1. Aguarde os seis meses do seu bebê para iniciar a introdução alimentar. São inúmeras as pesquisas que mostram que o sistema digestivo do bebê é imaturo até esta idade. Está mais do que provado: até os seis meses de idade, o leite – materno ou artificial – é tudo e somente o que o bebê precisa (OMS e Ministério da Saúde). E fique atento: a maior parte das dicas abaixo preveem que seu bebê já tenha capacidade para sentar-se sozinho e levar objetos á boca com facilidade (habilidades conquistadas próximo aos seis meses).

2. Dê oportunidades ao seu bebê: ainda que vc não confie totalmente na exclusividade do BLW no início, tente estabelecer metas a fim de fazer uma evolução gradual, com o objetivo de aderir 100% ao método ao final de um período (normalmente um ou dois meses são suficientes para você confiar na capacidade de ingestão e deglutição do seu bebê). Durante o período de adaptação, procure o máximo possível seguir as orientações abaixo, caso contrário vc pode facilmente estar mandando mensagens contraditórias ao seu bebê.

3. Entenda os sinais de saciedade (habilidade de interromper uma refeição quando se está satisfeito) e de resposta à comida (desejo de comer independente da fome). O BLW tem a vantagem de não interferir nas escolhas do bebê, pois ele está comendo sozinho, o que torna estes sinais auto-reguláveis e é sem dúvida uma das maiores vantagens do método. Quando vc oferece, sua capacidade de observar e se atentar a esses sinais devem ser redobradas. Resista à tentativa de “só mais uma colherinha” e à oferta de “lanchinhos” para distrair a criança.

4. Ofereça uma variedade de alimentos ao bebê, separadamente (por exemplo: tirinhas de legumes e carne) e em conjunto também (por exemplo: omelete, panquecas, muffins). Não há necessidade de oferecer um alimento por vez, ou dias consecutivos o mesmo alimento – a menos que sua família tenha histórico de alergia alimentar. Atente-se para os alimentos potencialmente alergênicos e que devem ser evitados antes de 1 ano de idade. Converse com o pediatra ou com uma nutricionista, se possível.

5. Na medida do possível, deixe o bebê participar das refeições com a família, e aproveite sempre que possível esse momento para oferecer alimentos em sua forma original, deixando-o comer sozinho e oferecendo-lhe a mesma comida da família, mas adaptada à sua idade (geralmente apenas sem adição de sal/açúcar). Bebês aprendem muito por imitação, então mesmo que vc dê a refeição dele em um horário separado do restante da família, procure participar comendo um snack saudável junto à ele.

6. Dê oportunidades ao bebê: observe mudanças sutis e acompanhe seu desenvolvimento motor oral e global. Procure dar oportunidades sem criar demasiadas expectativas, para que vc não acabe frustrando o bebê e ele se desinteresse pelo alimento. Por exemplo, com a aquisição do movimento de pinça, o bebê já é capaz de capturar alimentos menores da bandeja (ou seja, ele pode comer o arroz e o feijão com as mãos). Outro exemplo, com o avanço da habilidade de pinça e da coordenação motora, o bebê já pode ser capaz de segurar um talher e levá-lo à boca. Ele não vai ser eficiente em um primeiro momento, mas pode começar a demonstrar interesse a partir dos 10-12 meses.

7. Dê oportunidades ao bebê: na medida do possível, deixe que o bebê manuseie os talheres. Se possível, deixe um jogo de talheres disponível, próximo a ele. Assim, você pode facilmente perceber o momento em que ele vai estar preparado para começar a fazê-lo sozinho (geralmente a partir dos 10-12 meses). O garfo costuma ser mais fácil que a colher, pois o bebê pode “espetar” o alimento. Pode ser que ele queira alimentar você ou queira que vc o alimente durante estes treinos. Considere essas atitudes como um jogo de aprendizagem e continue deixando que ele tome a iniciativa. Crie a oportunidade mas cuidado com as suas expectativas sobre a utilização do talher, caso contrário podem acabar ambos frustrados.

8. Aproveite o momento da papa para abusar dos alimentos ricos em ferro, de origem animal ou vegetal. De acordo com o Ministério da Saúde (2005), para melhorar o aproveitamento do ferro do alimento complementar, é válida a adição de carne bovina, peixe ou ave nas dietas, mesmo que seja em pequena quantidade e a oferta, logo após as refeições, de frutas cítricas ou sucos com alto teor de ácido ascórbico.

9. Aproveite o momento da papa: para treinar a captura do alimento da colher e a mastigação, já que, em um primeiro momento, com o alimento inteiro, ele não desenvolve essas habilidades. E seu bebê já tem maturidade para isso aos seis meses de idade.

10. Aproveite o momento da papa: evite papas liquidificadas, passadas na peneira ou no processador. Procure amassar grosseiramente e desfiar a carne em pequenos fiapos. Misture as carnes com algo consistente, geralmente uma batata ou batata-doce, vai ajudá-lo na mastigação com as gengivas e formação do bolo alimentar, reduzindo consideravelmente a chance dele engasgar com os fiapos.

11. Durante a oferta assistida, deixe que seu bebê veja o que ele está comendo, deixe ele tocar no alimento ou no talher caso insista para isso. Você pode oferecer os alimentos juntos ou separados e um bom treino é olhar para o que está oferecendo e se perguntar “EU teria vontade de comer?”. Se for oferecer uma fruta, tente levar a fruta e raspar/amassar a fruta na frente do bebê, para que ele aprecie a “transformação” do alimento (exemplos: mamão ou pêra raspada, banana amassada).

12. Respeite o tempo do seu bebê. Não encha a colher, espere ele abrir a boca para inserir a colher e espere ele fechar a boca e retirar o alimento sozinho da colher. Aguarde ele mastigar e engolir para oferecer uma nova colherada. Se ele não abriu a boca ou é porque ainda não engoliu ou porque não quer mais. Aprenda a observar os sinais, coloque-se no lugar do bebê.
*OBS: “Raspar” a colher no lábio superior para “jogar” a comida na boca do bebê é, além de tudo, um péssimo hábito e desestimula o adequado funcionamento da musculatura oral.

13. Desapegue-se de distratores como televisão, musiquinha, aviãozinho, olha o passarinho, vou dar pro papai etc etc etc. Tudo isso incentiva o bebê a alimentar-se além do que ele realmente desejaria/precisaria. Não quer, não quer. Controle a ansiedade, confie nos sinais de seu bebê.

14. Não se desespere se o bebê não abriu a boca ou quis comer poucas colheres ou ainda, se não quis comer nada. Controle a ansiedade. Tudo é novidade. O bebê ainda não associou a comida à fome, portanto comer é mais uma brincadeira e assimilação de novas experiências sensoriais. Confie na amamentação ou oferta de fórmula no primeiro ano de vida. Discuta com o pediatra a necessidade de uma suplementação de ferro e outras vitaminas, se necessário.

15. Não há necessidade de limpar sua boca a toda hora, muito menos “raspar” a colher no queixo a cada colherada. Além de ser desagradável, desensibiliza a região ao redor da boca. Com o tempo, ele sentirá e perceberá que tem comida parada ali e vai tentar tirar, com a língua, com as mãos e futuramente, com o guardanapo (depois q for ensinado, claro).

16. Converse com o seu bebê, principalmente se ele já for maiorzinho. Pergunte a ele o que ele quer primeiro, se quer mais, se está satisfeito etc etc etc.

17. Desapegue-se das mamadeiras e chuquinhas. Utilize um copo de transição com alças (assim o bebê pode logo aprender a utilizá-lo sozinho) e, assim q possível, ensine-o a beber água no copo normal.

18. Aprenda primeiros socorros. Há risco de engasgos tanto com alimentos sólidos quanto com líquidos e purês, e saber o que fazer caso necessite é essencial para a segurança de seu bebê. Aprenda a diferenciar reflexo de gag de engasgo e respeite o tempo que seu bebê vai precisar para se acostumar a ter alimentos em sua boca.

19. Oriente os cuidadores e/ou creche quanto ao BLW. Caso eles se neguem a fazer, imprima essa lista de recomendações e sugira que a sigam durante a oferta com a colher.

20. Tenha em mente o mantra: controle a ansiedade, controle a ansiedade, controle a ansiedade. Nem tudo é perfeito, principalmente no começo. A introdução dos sólidos exige dedicação, paciência e persistência. Vai haver muita sujeira e desperdício, especialmente nas primeiras semanas. A introdução complementar é um dos nossos primeiros desafios na educação dos filhos e, caso a IA em LD faça sentido pra vc, confie nos sinais do seu bebê e boa sorte pra vcs!

Referências Bibliográficas

Ferreira, LP; Befi-Lopes, DM; Limongi, SCO. Tratado de Fonoaudiologia. São Paulo: Rocca, 2004. p. 415-38.

Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde. Guia alimentar para crianças menores de 2 anos. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2005.

World Health Organization. Department of Nutrition for Health and Development. Complementary feeding: family foods for breastfed children. Geneva: WHO, 2000.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola. Departamento de Nutrologia, 3a ed. Rio de Janeiro, RJ: SBP 2012.