Finger food e a janela de oportunidades do bebê

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“Finger food” é uma expressão usada para descrever os alimentos que podem ser facilmente manuseados com as mãos. Independente de optar ou não pelo BLW, oferecer alimentos em pedaços é uma escolha de grande valia para o desenvolvimento do bebê.

Durante o estágio sensório-motor, que dura do nascimento até aproximadamente os dois anos de idade, a criança busca adquirir controle motor e aprender sobre os objetos que a rodeiam.

Esse estágio é chamado sensório-motor pois o bebê adquire o conhecimento por meio de suas próprias ações que são controladas por informações sensoriais imediatas (olhar, pegar, sentir, cheirar etc), sendo o desenvolvimento motor (controle da cabeça, sentar, dominar o movimento de pinça etc) o suporte para a descoberta dessas novas sensações e habilidades, a partir do maior domínio do ambiente.

As principais características observáveis durante essa fase são:

-a exploração do ambiente utilizando todos os sentidos;
-a experiência obtida por meio da ação;
-a imitação;
-a inteligência prática;
-ações como agarrar, levar à boca, sugar, morder, atirar, bater e chutar;
-a coordenação das ações irá proporcionar o surgimento do pensamento;
-a centralização no próprio corpo;
-a noção de permanência do objeto (por isso amam brincar de esconder)

Podemos dizer que no período sensório-motor a criança conquista, através da percepção e dos movimentos, o universo imediato que a cerca. Ela descobre que, se puxar a toalha da mesa, o pote de biscoito ficará mais próximo dela. E é nessa fase que mais se beneficiará de toda e qualquer estimulação sensorial que for exposta, pois sua base fisiológica está totalmente aberta e predisposta a isso.

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Considerando tudo isso, o oferecimento dos alimentos em sua aparência original: cor, cheiro, forma, textura, sabor etc propiciam ao bebê uma série de informações sensoriais essenciais no desenvolvimento da sua relação com os alimentos, incluindo:

a preferência por determinados alimentos, pois conhece os sabores distintamente e os relaciona com uma outra série de informações visuais e táteis. Por isso, oferecer finger food também requer cuidado na escolha dos alimentos. Oferecer apenas pão e biscoito de maisena certamente não são a melhor escolha para o aprendizado e a boa relação com a comida.

a modulação motora oral, aprendendo força de mordida, mastigação e deglutição. Sabe quando você morde um pastel e tem uma azeitona com caroço dentro? A força aplicada – inconscientemente – não considerava o “elemento surpresa”. Tudo isso faz parte de um planejamento feito pelo nosso cérebro, de acordo com as experiências vividas. Se uma criança não aceita pedaços de alimentos duros aos três, quatro anos de idade, pode-se considerar a hipótese dela não ter sido exposta a este tipo de alimento em sua “janela de oportunidade”, ou seja, ela na verdade ainda não aprendeu a lidar com este tipo de alimento. Tudo é aprendizado, aproveite essa fase em que o bebê está aberto a todo e qualquer tipo de estímulo.

a modulação motora, incluindo a coordenação motora fina. O cérebro começa a distinguir a força que deve ser feita para capturar diferentes tipos de alimentos, mais macios, mais duros, mais escorregadios, tudo isso relacionando todas as pistas sensoriais que o alimento no seu formato original pode oferecer. O movimento de pinça começa a ser estimulado naturalmente, com os pedaços menores que vão se desprendendo e caindo ao redor do bebê.

No caso dos bebês, os melhores tipos de finger food são aqueles cortados do tamanho um pouco maior do que o seu punho, idealmente alimentos saudáveis como por exemplo frutas ou legumes levemente cozidos.

É importante recordar que os bebês, nos primeiros meses da introdução alimentar, não conseguem abrir o punho intencionalmente. Então eles irão comer apenas a parte do alimento que estiver aparecendo para fora do punho e provavelmente irão descartar o pedaço restante, pois ainda não tem habilidade para comer o que ficou dentro da mão fechada. Conforme suas habilidades vão sendo aprimoradas, o bebê já é capaz de pegar e manusear os alimentos e levá-los à boca com mais destreza e eficiência! 🙂

E você? Tá esperando o que pra deixar de lado esse alimentador de redinha e dar logo uma frutinha in natura pro seu bebê?

 

LEIA MAIS: BLW: E se meu bebê engasgar?

 

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3 comentários sobre “Finger food e a janela de oportunidades do bebê

  1. Minha bebê acabou de fazer 6 meses, quais são as melhores frutas pra iniciar o finger food, uma vez que agora ela está começando a alimentação complementar?

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