Perguntas frequentes: meu bebê esta nutrido com o BLW?

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Essa é uma dúvida muito frequente (minha inclusive), então decidi retirar alguns trechos do livro, que tratam desse assunto, e traduzi para vocês logo em seguida. Se alguma nutri que frequenta por aqui quiser adicionar conhecimento, seja extremamente bem vinda!

Beijos

Aline

 

Meu bebê vai estar bem alimentado se eu seguir esse método? 

 

Que seu bebê esteja bem alimentado só vai depender de você e de seu bebê. Seja qual for o método que você decida usar, você tem a responsabilidade de oferecer alimentos nutritivos e que compõem uma dieta equilibrada. A diferença no BLW é que o bebê decide o que ele quer comer ou não entre o que lhe foi oferecido.

Existe um mito segundo o qual, quando os pais controlam a alimentação dos filhos, estes comem corretamente, enquanto que se decidiram por si próprios, viveriam a base de batatas-fritas e chocolate. Na verdade, é muito provável que o certo seja justamente o contrário. Muitos pais que alimentam seus filhos a colheradas explicam que lhes custa muita que seus bebês comam bem e que, com frequência, têm que recorrer a truques como esconder a verdura no meio de outra comida, dar a comida na frente da televisão (pra que não percebam o que comem) ou prometer um prêmio se comerem toda a fruta. Pelo contrário, a maioria dos pais que optaram pelo BLW dizem que seus filhos comem de tudo sem necessidade de estratégias, incluindo alimentos que se pressupõem que crianças não irão gostar, como repolho.

(…) Essa ideia se vê reforçada pela grande quantidade de crianças enjoadas com a comida, cuja introdução alimentar foi controlada pelos pais. Além disso, quase todos os pais que haviam provado ambos métodos dizem que não voltariam ao convencional, porque o bebê que fez o BLW come muito melhor do que o outro.

 

Os purês são mais fáceis de digerir e portanto, mais nutritivos?

 

É provável que seja mais fácil digerir a comida que já chega triturada do que a que chega em pedaços maiores. Entretanto, a boca está desenhada para triturar a comida, mastigando-a. O estômago digere com muito mais facilidade a comida bem mastigada do que a que vem triturada logo de início, porque a saliva ajuda a iniciar o processo de digestão, especialmente quando se trata de amidos.

Os bebês que podem comer no seu próprio ritmo tendem a manter a comida na boca durante muito mais tempo antes de engolir. Durante este tempo, a comida vai se misturando com a saliva, a medida que o bebê vai mastigando com as gengivas. Os purês, pelo comtrário, apenas entram em contato com a saliva, indo da colher diretamente ao fundo da boca para serem engolidos sem mastigar.

Triturar a comida, especialmente quando falamos de frutas e verduras, pode destruir alguns de seus nutrientes. Quando picamos a comida, temos perda de vitamina C nas partes expostas. Ao triturar, a perda se acelera, fazendo com que a comida triturada tenha menos vitamina C do que os alimentos em pedaços já de início. (…) A vitamina C é muito importante, sobretudo para absorção do ferro. O corpo não consegue armazená-la e portanto é importante contar diariamente com uma boa fonte da mesma.

Ao verificar o conteúdo das fraldas dos bebês, é fácil concluir que a comida triturada se digere melhor. A diferença das fezes de um bebê que come purês de um bebê que come “comida de verdade” é que o último as vezes contém pedaços inteiros de verduras inteiros e reconhecíveis. Isso não significa que não digeriram nada do alimento, mas sim que o bebê está aprendendo a mastigar e que o corpo está se adaptando aos sólidos. A comida triturada dá a impressão de ser mais digerível, mas somente porque não se destaca na fralda.

Quando se oferece rapidamente comida ao bebê (algo que pode acontecer facilmente quando damos colheradas), eles demoram mais para aprender a mastigar bem. Os bebês que aprendem a comer sozinhos desde o princípio e não se sentem pressionados para comer rápido tendem a colocar menos na boca e a mastigar por mais tempo antes de engolir. E isso, sem dúvida, favorece uma melhor digestão.

Obviamente, a comida triturada é benéfica para as pessoas que têm dificuldade para mastigar, mas bebês sadios e normais não precisam que triturem sua comida mais do que precisaria um adulto.

 

A necessidade de nutrientes adicionais

 

Existe um mito no qual o leite materno muda aos seis meses de idade e deixa de ser “suficiente” para o bebê. Na verdade, o leite da mãe de um bebê de seis meses (ou mesmo de dois anos) tem praticamente o mesmo valor nutricional que sempre teve, o que muda é a necessidade que o bebê tem de determinados nutrientes. O leite materno segue sendo o alimento mais equilibrado que se pode dar a uma criança quase que indefinidamente.

Os bebês nascem com uma reserva de nutrientes que vão se acumulando durante sua estadia no útero. Começam a utilizar essa reserva quando nascem, mas os nutrientes que recebe com o leite materno garantem que não se esgote. A partir dos seis meses de idade, o equilíbrio é modificado e o bebê COMEÇA a precisar MUITO GRADUALMENTE de cada vez mais nutrientes do que apenas os que estão presentes no leite materno ou fórmula.

É importante ressaltar que, aos seis meses de idade, os bebês começam a precisar de algo mais que uma dieta exclusivamente à base de leite. A maioria dos bebês nascidos a termo tem reservas suficientes de ferro, por exemplo, que não se esgotam de um dia para outro. Sem dúvida, é necessário que comecem a ingerir sólidos aos seis meses, pois assim poderão desenvolver as habilidades necessárias para comer diferentes sólidos e acostumarem-se a novos sabores, preparando-se para o momento em que verdadeiramente dependerão de outros alimentos como fonte de nutrição principal.

O momento que os bebês começam a necessitar de cada vez mais nutrientes parece coincidir com o tempo de desenvolvimento gradual das habilidades que os permitem comer sozinhos. Portanto, aos seis meses, quando ainda contam com uma boa reserva de nutrientes, quase todos os bebês começam a pegar pedaços de alimentos e levá-los à boca. Até os nove meses, quando a necessidade de nutrientes já tiver aumentado consideravelmente, a maioria dos bebês que foram estimulados a comer sozinhos desde o princípio terão desenvolvido as habilidades necessárias para comer uma ampla variedade de alimentos, que lhes proporcionará a nutrição adicional de que precisam. Sobre essa idade (ainda podendo variar de um bebê a outro), muitos pais que recorreram ao método BLW informam que seus bebês parecem comer de uma maneira mais consciente, como se souberam instintivamente que precisavam dessa comida para complementar as mamadas.