Os benefícios da Introdução Alimentar ParticipATIVA

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É muito comum que as pessoas perguntem se há como fazer o BLW no jantar e aos finais de semana, já que durante a semana os pais trabalham e não há possibilidade do bebê fazer BLW na creche ou com o cuidador. A resposta é um pouco mais complexa do que sim ou não, mas posso garantir a vocês que, mesmo quem não tem a oportunidade de seguir um modelo estrito, permitindo que o bebê lidere todo o processo, se beneficia fortemente de um modelo participativo.

Há de se entender que, entre o ideal e o possível existe uma linha contínua na qual, muitas vezes, temos que encontrar nosso ponto de equilíbrio para nos apoiar em tudo o que vem como consequência positiva. E beneficiar-se disso.

Quando se trata de introdução alimentar, manter a sanidade é sempre a melhor opção. Se basear no que é ideal e fazer as melhores escolhas baseadas em sua realidade, do seu bebê e da sua família como um todo. Não existe manual de instruções. E nunca vai existir, porque somos seres humanos. INDIVÍDUOS. INDIVIDUAIS. ÚNICOS.

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Protocolos e manuais de procedimento são essenciais pra se garantir a confiabilidade e a prática baseada em evidências. Sem eles, nossa gama de atuação seria imprevisível e possivelmente baseada em achismos, o que foge da proposta da ciência. Mas, na prática, em muitos casos, existem limitações entre o que está descrito e o que é praticável dentro de um lar. Assim, passa-se avaliar uma relação custo-benefício, na qual não existe certo ou errado, mas melhor ou pior.

No final das contas, o desafio é olhar o copo sempre meio cheio. Olhar com otimismo para o que conseguimos extrair de positivo e buscar estar sempre em um contínuo de mudança para melhor. Mudar aos poucos é melhor do que não mudar nunca. Amamentar por alguns meses é melhor do que nunca ter tentado amamentar. Priorizar a fruta, ao invés do suco, é melhor do que oferecer só o suco, sempre. Oferecer alimentos em pedaços de vez em quando é melhor do nunca oferecer. Fazer a maioria das refeições longe da TV é melhor do que depender dela sempre.

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Copo meio cheio ou meio vazio pra você?

Voltando ao BLW, em seu sentido estrito, o bebê controla a sua própria ingestão de alimentos durante todas as refeições, a ponto dele mesmo decidir quando ele vai passar a comer mais e mamar menos, até o desmame completo (um processo que espera-se que termine somente após os dois anos).

Seguido à risca, no BLW o bebê não sofre influências externas relacionadas à quantidade de alimento ingerido. Se ele está disposto a comer, ele come. Se não, não há nenhuma intenção ou esforço em mudar isso. Dessa forma, teoricamente (existem estudos ainda iniciais), seria o único método capaz de proporcionar total autonomia no controle da fome (comer por necessidade e não por vontade) e da saciedade (comer o necessário para saciar a fome e não por gula). Seria a livre demanda da introdução alimentar.

Porém, o BLW tem outras vantagens que podem, sem dúvida alguma, estender-se ao método participativo, como por exemplo:

– Permitindo a exploração dos alimentos pelo bebê, oferecemos a oportunidade do bebê conhecê-los em suas diferentes formas, cores, cheiros, texturas e sabores, criando um paladar incrivelmente variado e reduzindo consideravelmente as chances dessa criança vir a ser um “chato pra comer”.

– O bebê aprende, desde sempre, todas as funções orais de acordo com a evolução de suas habilidades: morder, mastigar e engolir, em uma ordem fisiológica e natural, durante um período em que está fisiologicamente preparado para prevenir os engasgos por meio do reflexo de gag anteriorizado (por volta dos 6 meses).

– Estimula a independência e, ao contrário do que muita gente pensa, o interesse pelos talheres e copos de casa desde muito cedo, desde que sejam dadas oportunidades.

– O bebê torna-se mais disponível para provar e experimentar coisas novas, já que sabe que pode recusar ou não aceitar algo caso não tenha interesse. Leva-se em média 10 apresentações, de um mesmo alimento, em diferentes formatos e texturas, para se ter certeza que o bebê realmente gosta ou não gosta. Por isso, não há a necessidade de se insistir em um alimento que foi ignorado, ou “escondê-lo” em preparações, apenas apresentá-lo novamente, em uma outra ocasião, de diferentes formas (exemplo: cozido, assado, grelhado).

Portanto, queridos leitores, não se atenham à nomenclatura “BLW”. Se não der pra garantir o método ao pé da letra, façam o possível para seguir uma filosofia ParticipATIVA, permitindo que seu bebê possa desfrutar de todas as vantagens que tendem a vir em decorrência dela.

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