BLW: relato de um pai participATIVO

Por conta do Curso Avançado que estou preparando, tenho recebido muitos relatos de introdução alimentar, tanto pelo BLW como pelo método participATIVO. E cada vez que recebo um vídeo, um e-mail, uma foto… vcs não tem noção de como o meu coração se enche de alegria!

Por isso achei mais do que justo começar começar a partilhar essas histórias com vocês, queridos leitores! Esse primeiro relato é de um pai super participATIVO! Espero que gostem e se emocionem, como eu me emocionei!

“Olá Aline !

Tudo bem ?
Eu gostaria de fazer um breve (tomara que seja breve) relato para ajudá-la na coleta de dados sobre o método BLW, ou seja, um estudo de caso.
Vi todas as palestras do Conalco e o que posso dizer é que as palestras esclarecem praticamente todas as dúvidas sobre a introdução alimentar. Praticamente todos os assuntos foram abordados.

Curiosamente a palestra que mais me chamou a atenção foi a da Karine Durães, “A Alimentação Láctea durante a introdução alimentar, mitos e verdades”. Por que ? Porque a impressão que eu tinha e já vi pediatras de youtube famosos afirmando isso,era que a partir dos seis meses, o leite materno já não sustentava mais e era necessário algo “melhor, mais forte” para que a criança ganhasse peso de forma adequada.

Esta palestra desmistificou este mito. Hoje eu acredito, pois vivencio isso, que o Leite Materno, não só é o melhor alimento para o bebê, como também fica cada vez mais forte.

Outra palestra, esta do Dr. Carlos Gonzalez, ainda que eu compreenda muito pouco de espanhol, mas após ouvir umas cinco vezes consegui entender quase tudo, foi fundamental para eu compreender de fato todo o poder do Leite Materno e para onde queremos e devemos chegar ao iniciar a IA nos bebês.

Meu mantra é : “Não precisamos iniciar a IA para oferecer algo melhor, mais forte do que o LM. Como o bebê já não precisa tanto (a partir dos seis meses)de um alimento tão perfeito como o LM, pois já não cresce tanto, então podemos começar a oferecer alimentos piores do que o LM para ele e esta oferta tem caráter educacional. Queremos que o bebê, ao final de um ano, seja capaz de comer (mas não necessariamente coma) a mesma comida que nós e estamos a ensiná-lo a conseguir isto.”

Bom, mas vamos lá :

Perto dos seis meses iniciamos a oferta de pedaços de frutas e algumas coisas ditas salgadas, como tapioca sem sal e pequenos pedaços de carne. Tudo em livre demanda. A amamentação continuou em livre demanda, pois minha esposa vai ficar de licença por um ano.

Tivemos um início promissor. Marina levava com bastante interesse os alimentos a boca. Na maioria das vezes só colocava na boca, brincava e cuspia. As frutas ela sempre comia de fato. Podíamos comprovar isso no cocô dela, ainda que isso não fosse fácil, pois desde os três meses ela faz quase toda vez o cocô no vaso.

Aqui uma observação : Ela já apresentava os sinais de prontidão (na nossa avaliação, rsrsrs)

Após 6m+2semanas, notamos que ela tinha perdido um pouco o interesse. Notei que ela tinha alguma dificuldade em pegar a comida e que nós estávamos inconscientemente preocupados com a bagunça e com a perda de interesse dela, pois ela estava mais interessada em brincar. O que eu fiz ? Estendi uma lona no chão, espalhei a comida e transformei a hora da comida em uma brincadeira. Pensei  já que ela quase não come mesmo, então vamos brincar com as comidinhas.
E assim foi até o sétimo mês.

No sétimo mês, decidimos voltá-la ao cadeirão (que é daqueles acoplado na mesa) e bem nesta época assisti a palestra do Dr. Carlos Gonzalez (CG), que para mim mudou todos os meus conceitos (não que as palestras do Conalco não tenham sido importantes, mas é que ele conseguiu dizer as palavras chave que elucidaram minhas dúvidas).

Por exemplo : Segundo o CG, a preocupação que devemos ter neste periódo de IA é com a oferta de ferro. Fora isso, se o bebê mama em livre demanda, não haveria com o que se preocupar. Como já damos o suplemento de ferro para Marina, então não me preocupei mais se ela vai comer, não vai, se quer ficar ficar no cadeirão, se não quer, etc. Nossa única preocupação é se ela está se divertindo quando está sentada no cadeirão. Sorriso no rosto, fica no cadeirão. Fechou a cara, vem pro colo. Fazemos as refeições sempre todos juntos. Trabalhamos em casa.

Outra coisa que ele destaca é que devemos dar a comida que o bebê gosta, não aquilo que achamos que ele deveria comer (claro, desde que a comida seja saudável).

Engasgos : No começo um pouco de gags, mas só nos primeiros dias, com coisas mais “compridas” e massudas. Houve um engasgo sério. Dei pão de queijo e entalou na garganta dela. Ela respirava, mas estava inquieta, mudou o comportamento. Fiz a manobra de tapotagem e logo de cara saiu o pedaço. Descobri que pão de queijo vira uma maçaroca que não desce facil, porque não desmancha quando hidratado com a saliva, ao contrário, fica mais grudento. Felizmente descobri a tapioca, que desce muito mais fácil e desmancha com a saliva. Com carnes nunca tivemos problemas.

E assim foi o sétimo mês, comia pouco no almoço, ia bem nas frutinhas a tarde,  a noite comia pedaços do nosso lanche que ela “furtava” das nossas mãos (jantamos geralmente tapioca com alguma carne, ou cuzcuz, ou pão, coisas assim).
A amamentação continua sendo em livre demanda e tem dias que ela dorme grudada no peito da mãe, rsrs.

Outra observação : as vezes damos algumas coisas com a colher, mas Marina até nisso é danada. Ela não aceita nunca que se coloque a colher na boca dela. Ela pega a colher, fiscaliza o conteúdo, geralmente joga a colher na primeira vez e depois é que põe na boca. Fazemos isto com caldinhos e sopas que fazemos para nós mesmos e damos para ela também.

Veio o oitavo mês, agora dia 12 e a consulta de rotina. Ele foi no sexto mês na consulta e a pediatra nos dispensou do sètimo mês, portanto ela ficou dois meses sem medir o peso e a estatura (e nós não nos preocupamos com isso).

Hora da pesagem. 8,20 kg e 70,0 cm de altura.

Peso esperado para esta idade : 7,90 kg (média) e estatura esperada : 68,7cm (média)

O que eu concluo a respeito disso tudo :

1-Leite Materno é muito poderoso. Mesmo. A pesagem não deixa dúvidas.

2-Não ter muitas expectativas. Eu sempre desejo intimamente que ela coma um pouco mais (a mãe fica cansada de tanto dar de mamar). Isto era mais forte no começo, mas tenho a consciência de que é um processo que levará um bom tempo para se aprimorar.

3-Força de vontade para , a cada refeição, limpar o chão, cadeirão, dar banho no bebê, enfim dar uma geral na bagunça.

4-Extremamente importante saber fazer a manobra de tapotagem.

5-Creio ser mais indicado quando a mãe pode amamentar em livre demanda, pois , neste caso, o bebê vai fazer o que de fato deveria fazer : explorar, conhecer os alimentos e brincar na hora da refeição. Se o bebê não tem mais o peito, a pressão para que coma será grande. As chances de frustração dos pais serão maiores. Poderia ser feito nos finais de semana, com finalidade educativa, mas no dia a dia, para sobrevivência, não acho que seja algo que resolverá de fato.

6-Não adianta esperar que o bebê coma o que você quer que ele coma. É necessário descobrir do que ele gosta e oferecer da forma mais saudável possível.

7-Os resultados são excelentes ! Marina pode comer qualquer comida, desde que no tamanho e textura adequados. Em dois meses ela já mastiga e engole pedaços até grandes dos alimentos, mesmo os mais temerosos para engasgos. Aqui não existe papinha. Nem mesmo uma comida especial dela. É a mesma comida que comemos, só que em pedaços pequenos. Com isso, praticamente não comemos mais sal. Além disso, para nós a refeição é um momento de alegria, pois ela se diverte mostrando para nós o que está fazendo com as comidas e sempre está sorrindo. Acho que este é o objetivo maior da IA.

Bom era isso. Acabei me alongando no relato, mas é que este assunto (bebês) está me empolgando como nenhuma outra coisa jamais me empolgou tanto.

Grande abraço e sucesso !

Rogério, Cris e Marina.”
mARINA comendo carne

Marina provando a carninha pela primeira vez

(proibida reprodução da imagem)

Orange Appeal!

3 comentários sobre “BLW: relato de um pai participATIVO

  1. Olá Aline e leitores do blog.
    Sou o pai desta simpática japonesinha, está.
    É um prazer compartilhar nossas experiências e vivência nesta fase de introdução alimentar.
    Grande abraço.Rogério Yokoyama.

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  2. Como é difícil conter a expectativa… Este é o meu maior desafio! Mas vamos indo, devagar, um dia de cada vez!
    Muito bom ver um papai tão participativo! Parabéns pela filhotinha linda!

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