Mas afinal, quem cuida da alimentação?

Depois do último post sobre o papel do pediatra na introdução alimentar, recebi tantos “e-mails desabafos” que complementam o meu ponto de vista sobre o assunto, que resolvi compartilhar alguns deles com vocês.

O primeiro deles é da querida Larissa Sanchez, mãe da Olivia. Ela diz o seguinte:

“Oi, Aline,
Acabei de ler seu post no blog. Gostei muito, pois me identifico muito com tudo o que escreveu.
Na verdade, antes de ser mãe, eu era aquela que acreditava “cegamente” em tudo o que qualquer profissional da saúde me dizia.
Como eu tive endometriose e tive que passar por 5 médicos até descobrirem, comecei uma saga pela busca de uma resposta, já que durante 10 anos sofri com dores angustiantes e debilitantes.
Quando decidi pelo PN… já viu, né? A casa caiu… não tinha ninguém (médico) que me passasse confiança de que eu conseguiria e ainda por cima ouvi muitas mentiras… mas eu estava “esperta”: munida de informação de qualidade.
Graças a Deus, na busca pelo parto humanizado, encontrei uma pediatra na mesma linha, que desde o início me incentivou com o AME, mesmo minha filha ganhando pouco peso, sendo um ponto totalmente fora da curva. Ela analisou todos os pontos (qualidade do sono, atividade, pele, urina e fezes…) e viu que ela tinha um padrão próprio, mas estava super saudável. Apesar disso, sofri muito, pois não fechei meus ouvidos para as críticas alheias de “ela está com fome”, “dá logo uma mamadeira com LA”, “como está magrinha”… mas segui firme e forte até os 6 meses, quando introduzi a alimentação complementar… e para a minha surpresa, minha filha começou a engordar 1Kg a cada 20 dias… hoje está com 1a2m e come super bem, até pedra, areia, papel e ração de cachorro se deixar… rsrsrs
Todo esse processo de buscar informação e não aceitar uma “imposição” como resposta acabou por ser um ponto positivo em toda a minha vida. O empoderamento alcançou diversos pontos da minha vida que antes eu insistia em me esconder.
O CONALCO (e o grupo OURO!) foi – e ainda é – muito importante na fase em que estou passando agora, já que minha mãe teve outro direcionamento quanto à alimentação e aos poucos, tenho mostrado que novos estudos mostram que aquilo que era oferecido aos bebês há 30 anos, são os causadores de tantas doenças e distúrbios que temos hoje, adultos.
Está sendo um processo de crescimento, empoderamento e união de toda família, cuja consequência tem sido uma qualidade de vida muito, muito melhor (e olha que minha mãe sempre foi muito rígida na questão da alimentação)!
Obrigada por ter tido a iniciativa de um Congresso tão importante!!!
Bjs e continuemos nossos estudos e partilhamento de experiências!

O segundo depoimento é da querida Nara Corona, nutricionista materno-infantil:

Oi Aline!!!!! Adorei o seu posicionamento! Escuto muito essa frase no consultório diante de tantas viroses, vacinas, dados de desenvolvimento, exames clínicos, parece mesmo que o tempo fica curto para os pediatras tratarem da alimentação com o cuidado merecido. Realmente percebo mães procurando o meu consultório ou tardiamente quando as crianças já estão maiores por indicação pediátrica, ou bem precocemente quando sentem necessidade de maior amparo nesse momento da introdução alimentar.

Me enche de orgulho poder contribuir para o melhor desenvolvimento infantil, principalmente trabalhando com a prevenção de tantos fatores desencadeados pela alimentação precoce. Tenho impressão de que muito está sendo mudado mães/pais chegam ao consultório amamentando mais e principalmente respeitando pelo menos os seis meses de aleitamento materno exclusivo segurando aquela ansiedade em introduzir alimentos sólidos.

Adorei ler o seu texto, obrigada!

E por último, a Dra Kelly, do blog Pediatria Descomplicada, fez um post inteirinho sobre o assunto, ressaltando a importância da introdução alimentar na puericultura. Ela diz:

“Ao pediatra cabe orientar corretamente, se ATUALIZAR, pois a medicina está em constante mudança e principalmente não se posicionar como o dono da verdade, pois nós não o somos!
Respostas prontas, fórmulas prontas e argumentos como “porque sim” ou “porque eu sou médica e eu sei” estão longe de ser uma justificativa.
Quantas vezes me deparei no consultório com casos difíceis, desafiadores que não tem resposta imediata. Como é importante termos essa troca de experiências e opiniões entre médicos, nutricionistas, fonoaudiólogos, dentistas…
(…)
Buscar uma alimentação saudável nos tempos atuais é uma atitude de extrema importância. Se os primeiros mil dias da criança, que incluem os primeiros 9 meses da gestação, mais os primeiros dois anos de vida da criança podem definir uma vida inteira, um futuro, porque não é papel do pediatra ajudar nessa caminhada?”

Não sei se repararam, mas o que fica implícito em todas as falas é que “precisamos nos unir!” Porque no final das contas, essa diversidade de pontos de vista e opiniões se convergem para uma única finalidade: o bem-estar e a saúde do bebê dentro do seu contexto familiar!

E é por essas e outras que eu reafirmo a vocês: eu me recuso a desistir! Procure por um profissional que esteja aberto à equipe multidisciplinar e que, acima de tudo, escute os seus anseios enquanto mãe. Manuais, leis, regras e gráficos servem para direcionar ações em saúde coletiva, mas muitas vezes não resolvem problemas individuais.

E respondendo à pergunta do título: Mas afinal, quem cuida da alimentação?

Quem cuida da alimentação, caros leitores, é A FAMÍLIA dessa criança!!!

O médico orienta e encaminha se necessário, o nutricionista educaprescreve e assiste as boas práticas alimentares, o fonoaudiólogo incentiva as boas práticas para o adequado desenvolvimento sensório-motor e atua diretamente nas funções orofaciais (como a mastigação e a deglutição), o dentista previne e trata da saúde bucal, o chef auxilia na escolha de ingredientes saudáveis e harmônicos, a escola apoia a família na educação alimentar…. E todos esses verbos não são restritos à cada especialidade, mas COEXISTEM na equipe multidisciplinar.

Mas quem DECIDE, caros leitores, no final das contas, é a mãe e a família do bebê.

CUIDAR
verbo
  1. transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo
    meditar com ponderação; cogitar, pensar, ponderar.
  2. transitivo indireto
    reparar, atentar para, prestar atenção em.
  3. transitivo direto
    fazer, realizar (alguma coisa) com atenção.
  4. regência múltipla e pronominal
    supor(-se), julgar(-se).
  5. transitivo indireto
    preocupar-se com, interessar-se por.
  6. transitivo indireto
    responsabilizar-se por (algo ou alguém).
  7. transitivo indireto
    tratar da saúde, do bem-estar de.
  8. transitivo indireto
    tratar da aparência, conservação, manutenção de.
  9. pronominal
    colocar-se sob proteção; acautelar-se, proteger-se.

face-ads-2