Os 10 maiores desafios do BLW

Eu estava dando uma olhadela no Blog da Bethany, o BLWideas, e adorei o modo como ela organizou algumas das fases que todos os bebês acabam passando no BLW. Pedi autorização para traduzir e fiz minhas adaptações no texto, pra ajudar vocês a passarem tranquilos por essas fases e seus desafios, já que são tão comuns à todos os bebês.

Claro, cada bebê é único. Alguns passam por todas essas fases, outros só por algumas delas. Não costumam acontecer sequencialmente, e muitas acontecem concomitantemente. E eu aposto que se você está tentando o BLW, você vai reconhecer seu bebê em algum momento nesse artigo.

Antes de começar a ler, queria ressaltar uma coisa: eu vou te incentivar a continuar. Quero que se sinta confiante para continuar, mas acima de tudo não fique triste se resolver “desistir” do BLW. Lembre-se que a IA ParticipATIVA também tem muitos benefícios e você pode voltar ao BLW sempre que estiver encorajada para tal.

E acima de tudo, lembre-se: é só uma fase, e vai passar! E vão vir outras. E você definitivamente não está sozinha! 🙂

1. A fase “em todo lugar, menos na boca”

Quando vocês estiverem começando o BLW, você vai perceber que na maioria das vezes tem mais comida espalhada ao redor do bebê do que na boca dele. De fato, seu bebê está ganhando força e acurácia nos movimentos de braços, mãos, dedos, boca, língua e bochechas. O alcance e preensão ainda são bem grosseiros, então a comida acaba percorrendo um caminho, digamos, bem maior, para chegar até à boca.

Assim, antes de conseguir segurar o alimento e trazê-lo até à boca com eficiência, você pode esperar a comida escapulir da mão, cair na roupa, no chão, na bandeja; a comida passear pelas bochechas, nariz, testa, cabelo e orelhas; a comida chegar à boca e cair simplesmente porque ele ainda não entendeu como pode deixá-la dentro da boca, ou ainda tem os reflexos de protrusão de língua e gag funcionando a todo vapor! Tudo ABSOLUTAMENTE NORMAL! 🙂 Vai passar! Confie!!

DESAFIO: Muitas famílias não tem confiança para iniciar o BLW nessa fase. Muitas me procuram dizendo que até tentaram, mas acharam o gag assustador demais e, apesar de não se importarem com a bagunça ou com a quantidade, têm ainda muito medo do engasgo. Minha sugestão é sempre: SIGA SUA INTUIÇÃO. Se vc quiser começar aos poucos, comece por não processar NUNCA as papas. Chame de “comida do bebê” ao invés de papinha. Separe os alimentos, proporcione o contato com diferentes texturas. E dê a oportunidade do seu bebê aprender a mastigar desde o início (amasse grosseiramente), tentando sempre manter uma alimentação participATIVA. Se conseguirem, aos poucos, ir migrando para o BLW, atente-se nas orientações deste post AQUI.

 

 

fase 1 - lambança

 

 

2. Fase “meu filho só brinca com a comida” 

Durante algumas semanas você vai perceber que seu bebê mais brinca com a comida do que come. Para ele, o momento de ficar “de barriguinha cheia” é durante as mamadas, seja por aleitamento materno ou artificial. O bebê não assimilou ainda que comer comida mata a fome. Então a hora do papá é uma grande brincadeira, cheia de descobertas e experiências sensoriais.

Apesar de ser um momento de muito aprendizado, muitas famílias começam a se questionar sobre a quantidade ingerida. “Meu bebê está comendo o suficiente?”, me perguntam. E o que tenho à dizer é: aguarde e confie. Mantenha o leite (materno ou artificial) em livre demanda enquanto você notar que a ingestão de alimentos ainda é baixa. Discuta a necessidade de suplementação com o pediatra. Se estiver em aleitamento materno, mantenha a livre demanda sempre. Pode dar leite materno antes, durante ou após as refeições que, além de não ter problema, ainda ajuda a absorver uma série de nutrientes.

Tudo ABSOLUTAMENTE NORMAL. Converse com seu pediatra ou nutricionista de confiança (de preferência alguém que entenda sobre o BLW), para ter uma opinião mais individualizada sobre o seu bebê.

DESAFIO: Desapegue-se do conceito de quantidade. Essa fase é crucial para saber se você vai conseguir lidar com o fato de não conseguir saber o quanto o seu bebê come. Muitas famílias desistem nesse momento, porque alguns bebês podem ficar por alguns meses nessa fase. Alguns bebês começam a comer de fato aos 7-8 meses, enquanto outros podem persistir na brincadeira até os 9-11 meses.

 

 

 

 

3. Fase “joga pra ver o que acontece”

Em determinado momento do desenvolvimento, os bebês começam a usar as habilidades motoras adquiridas para desenvolver suas habilidades cognitivas. E uma dessas habilidades é a relação de causa e efeito. E ai, sabe o que eles fazem? Jogam o brinquedo no chão e ficam olhando. Você pega, dá na mão deles e … plá. Vai pro chão. O bebê olha pro brinquedo, olha pra você. E espera.

Essa brincadeira, apesar de extremamente cansativa, oferece ao bebê uma série de informações que vão ser essenciais no desenvolvimento da inteligência. Em poucas semanas, você vai ver que essa atividade incessante vai diminuindo e se diferenciando, dando lugar à outras habilidades mais complexas e especiais.

Mas enquanto isso não acontece, seu bebê vai jogar a comida no chão de propósito. A comida está na frente dele, muitos até já começaram a comer antes desse momento, mas a vontade de praticar essa nova habilidade acaba sendo maior do que a fome.

Nesse momento, usar pratos ou talheres acaba sendo inviável. Não se preocupe porque em poucas semanas você já pode voltar a tentar deixar esses utensílios disponíveis.

Muitos bebês também acabam usando essa “estratégia” para comunicar que estão satisfeitos. Alguns usam o famoso “movimento de pára brisas” pra jogar tudo longe quando não querem mais comer. Minha sugestão é estabelecer o diálogo, nem que seja por expressões faciais ou gestos, fazendo-o entender que o lugar da comida é na bandeja, e não no chão. Então recolha calmamente e repita: “O lugar da comida é na bandeja”. Essa estratégia de comunicação pode durar meses, até que o bebê aprenda a falar “não” ou entregar o prato.

DESAFIO: Essa é uma fase de grande desafio para quem se preocupa com o desperdício. Muitos bebês já começaram a comer, então você tem que se preparar com alguma comida extra, caso ele acabe jogando muita coisa fora. Uma toalha ou um plástico forrando o chão abaixo do cadeirão vai te ajudar a colocar a comida de volta e evitar o desperdício, mas alimentos mais pastosos ou grãos acabam indo mesmo pelos ares. Outra coisa que vc pode fazer é investir nos piqueniques dentro de casa. Coloque uma toalha forrando o chão e comam juntos no “piquenique improvisado”. Mantenha a paciência e a persistência em dia. É um desafio enorme, mas são apenas bebês sendo bebês. Tudo ABSOLUTAMENTE NORMAL! Aguarde, confie, vai passar!

 

 

 

 

4. Fase “um de cada vez”

Seu bebê vai querer comer quando você oferece à ele, pedaço por pedaço. Ele está aprendendo por imitação, e vendo você comer com talher pode fazer com que ele comece a se interessar pelo utensílio também.

Nesse momento, muitas famílias começam a introduzir o garfinho, espetando pedacinhos de comida e entregando o utensílio ao bebê. São novas habilidades sendo construídas, aproveite pra se divertir vendo seu bebê aprender!

Este também pode ser um bom momento para começar a introduzir o prato, já que o bebê está completamente interessado no alimento e no desafio em pegá-lo usando a pinça.

DESAFIO: Não se preocupe se o bebê não entender o garfo ou o prato logo de cara. Tudo é aprendizado e por envolver alguns dias de oportunidade para à prática antes que ele consiga utilizar eles de fato. Tudo ABSOLUTAMENTE NORMAL! Logo logo ele vai estar espertinho no uso desses utensílios!

 

 

 

 

5.  Fase “Dentes!!! De novo?!?” 

Os primeiros dentes costumam aparecer aos 6 meses e as erupções dentárias prolongam-se aproximadamente até aos 2 anos e meio, embora existam bebês que têm o primeiro dente tão cedo quanto os três meses ou tão tarde quanto um ano.

O processo de dentição costuma vir carregado de sintomas e em muitas ocasiões é doloroso e incômodo. Os seguintes sintomas podem estar presentes (embora nem todos sejam obrigatórios):

  • Dedos e mãos na boca com muita frequência, com desejo irrefreável de morder para pressionar as gengivas,
  • Salivação abundante,
  • Irritabilidade,
  • Diminuição do apetite e
  • Febre

São 20 dentinhos aprontando com seu bebê durante seus primeiros anos de vida. Então prepare-se, porque as fases de dentição vem e vão repetidamente, podendo trazer consigo inapetência e seletividade. Alguns bebês passam tranquilos por essas fases, mas a maioria prefere comer muito pouco ou nada nesses períodos.

DESAFIO: Novamente a quantidade de comida ingerida é um desafio. A inapetência nessas fases não só pode como deve ser respeitada, esperando-se que o bebê volte a comer normalmente ou muitas vezes até melhor depois da “greve de fome”. Persista, não desista. Aleitamento em livre demanda e muito colinho e empatia pra passar por esse “perrengue” em parceria. Confie no seu bebê, ele não está bem, mas VAI PASSAR!
fase 2 - LM é o que mata a fome

 

 

6. Fase dos “pedacinhos”

A habilidade de pinça está cada vez mais desenvolvida e eles querem treinar, apesar de ainda não estarem completamente auto-suficientes. Se você estava em dúvida em como oferecer o arroz e feijão, aproveite! Essa é a fase em que eles se divertem com os pedacinhos, passando um tempão catando as migalhas. A sujeira começa a diminuir à medida em que o movimento de pinça se aprimora.

Nessa fase o bebê já come a comida no mesmo formato que o restante da família. Ele já sabe mastigar e engolir os pedaços sem ou com pouquíssimos reflexos de gag, pois  os movimentos refinados de lábios, língua e bochechas também já estão muito mais desenvolvidos.

DESAFIO: Depois de alguns meses, o cansaço começa a vir à tona e você pode ficar tentado à oferecer e ajudar o bebê, dando comida na colher pra facilitar a sua vida (e consequentemente a dele também). Mas vocês chegaram tão longe, não foi? Tirar sua autonomia agora pode acabar deixando ele preguiçoso pra fazer a refeição por si só. Alguns bebês começam a pedir que lhes deem na colher, na medida em que percebem que comem mais e mais rápido dessa forma (e portanto matam a fome e podem ir brincar mais rápido também). Sem dúvida é uma forma de desequilibrar a auto-regulação e a livre demanda que vocês vieram construindo tão bem. Se você não quiser correr esse risco, respire fundo e mantenha o foco. Logo logo ele aprenderá a usar os talheres e tudo vai ter valido a pena!

 

 

 

 

7. Fase “comilona”

Essa fase, assim como as fases de inapetência, vem e vão. Seu bebê geralmente come parte da comida que você disponibiliza, mas em suas fases de “comilão” ele tenta colocar mais comida até do que sua boca comporta. O reflexo de gag pode voltar a acontecer, e ele começa a conseguir cuspir voluntariamente pra tirar o excesso de comida de dentro da boca (fase #8).

Esses períodos em que o bebê come mais costumam acontecer após períodos de inapetência por doença (ou dentes nascendo), sendo um esforço do próprio corpo em recuperar suas energias. Você pode oferecer alimentos mais vezes ao dia para não deixar o bebê com tanta fome na hora da refeição, assim diminui a probabilidade dele entupir a boca de uma só vez.

Outra situação que os faz encher a boca é querer comer mais rápido para ir brincar mais rápido também. Costuma acontecer depois que o bebê adquire mobilidade, engatinhando ou andando. Muitas famílias optam por deixar o bebê livre, fora do cadeirão. O bebê vai e volta várias vezes para pegar comida, e come enquanto brinca. Brincadeiras calmas são recomendáveis, e supervisioná-lo o tempo todo é essencial pra garantir segurança nesses casos.

DESAFIO: Não ter um ataque de pânico quando ele colocar dois brócolis inteiros dentro da boca de uma só vez! rsrs Assim como foi no começo, confie em seus reflexos de proteção, o gag e a tosse, e fique atento para qualquer sinal de engasgo. Supervisione sempre.

 

 

boca cheia

 

 

8. Fase “cuspidor”

Essa fase é uma consequência da fase anterior e novamente faz parte de um treino intensivo de novas habilidades. Eles também estão conhecendo novos sabores e começando a definir as coisas que eles gostam e que não gostam também. Faz parte do BLW respeitar essas descobertas.

DESAFIO: Não achar que porque o bebê cuspiu a comida é porque ele não gostou. Ele provavelmente está só treinando seus movimentos de língua ou sentiu algum sabor específico que não gostou. Você pode tentar oferecer o mesmo alimento em diferentes formas, texturas, preparações, temperos… Geralmente é só uma fase e, se vc não desistir, ele volta a comer como se nada tivesse acontecido. Persistência e exemplo são chaves de sucesso para ampliar o repertório alimentar.

 

 

 

 

9. Fase “eu consigo fazer sozinho!”

Depois do primeiro aniversário você vai notar que cada vez mais seu bebê está virando uma criança! E querendo cada vez mais ser independente, vai sentir confiança em pegar o garfo sozinho, tentar espetar e levar à boca. A mesma coisa tentando usar a colher. É um momento muito especial e gratificante ver o quanto seu bebê cresceu e evoluiu nas suas habilidades motoras!!!

DESAFIO: Nesse treino intensivo de praticar com os talheres, o bebê possivelmente vai voltar a derrubar metade da comida no caminho entre o prato até a boca. Pode dar muita vontade de ajudar e, de fato, você pode ajudá-lo, ensinando-o, sem tirar sua autonomia. Nesse momento você pode cair na tentação de fazer por ele, mas é um momento muito importante do aprendizado. Se ele tomou a iniciativa, incentive. Vai valer a pena e logo logo a sujeira vai ficar só na lembrança!

 

 

independencia

 

 

10. Fase “estamos quase lá!”

Nessa última fase o bebê já está super atento à situação de alimentação, você nota o desenvolvimento das habilidades de auto-alimentação atingindo seu ápice e fica muito orgulhosa de ter superado todos os desafios até aqui. Você observa que, quando ele tem fome, ele sabe que comer comida vai saciá-lo. A sujeira já diminuiu muito, principalmente se você já conseguiu estabelecer comunicação de saciedade com seu bebê. Sim, porque algumas crianças ainda jogam tudo pelos ares quando estão saciadas, ainda nessa fase.

Comer com as mãos ainda é mais fácil, então pode ser que seu bebê ainda use a mão e o talher ao mesmo tempo, o que é natural e ABSOLUTAMENTE NORMAL! Você pode incentivar o uso dos talheres, sempre deixando o utensílio ao lado do prato, para que ele use quando se sentir motivado.

Nessa fase, a rotina de horários está provavelmente bem estabelecida, e sua capacidade de auto-regulação é visível. Famílias de bebês que comem “pouco” já se acostumaram ao biotipo da criança e não encaram mais o peso como um determinante para forçar a criança a engolir.

DESAFIO: Se você já chegou firme e forte até aqui, sabe que valeu a pena encarar todos os desafios anteriores. Por incrível que pareça, existem famílias que acabam desistindo do BLW nessa fase, porque “dar comida” na colher vai ser sempre mais rápido e menos trabalhoso, e a família já vem investindo nessa rotina de “lambança” há meses. A sujeira ainda continua, claro, mas considere como é infinitamente menor do que no início. Começar a estabelecer uma forma eficaz de comunicação é essencial para que o bebê aprenda as boas maneiras à mesa, como lhe entregar o prato quando tiver terminado (e não jogar tudo pelos ares). Nessa fase, manter e incentivar a autonomia vão ser extremamente benéficos para manter suas habilidades de auto-regulação e aceitar novos alimentos. Persista, vcs estão quase lá!

 

 

Uma pergunta muito interessante q me fizeram hoje e queria refletir aqui com vocês! "Meu bebê tem 1 ano e 11 meses, posso tentar o BLW?" Bom gente, quem viu a aula gratuita provavelmente entendeu que o BLW é um método de introdução alimentar e não um método de alimentação! É um método que permite que o bebê seja apresentado aos sólidos de forma lenta, gradual, respeitando sua auto-regulação e favorecendo seu desenvolvimento. Com 1a11m eu posso dizer que esse bebê vai começar o BLW? Na realidade, vamos começar a dar autonomia e liberdade para o bebê começar a participar cada vez mais da sua própria alimentação! No vídeo, vcs podem ver a pequena Diana da Fefer @comidinhasdadiana , que teve sua IA completamente participATIVA, colocando a mão na massa e aprendendo a se virar com o talher. Autonomia que pode tranquilamente ser dada a partir de 1 ano de idade, independente do BLW! Outra coisa muito importante é que, até os 10 meses, existe uma janela de oportunidades para experienciar os sólidos e aprender a mastigar. Passada essa idade, os bebês tendem a ter mais resistência em aceitar modificações de textura e mais dificuldade para aprender a mastigar! Então, se o seu bebê tem mais de um ano, vc não só pode, como deve incentivar a autonomia, a participação ativa nas escolhas dos alimentos não mais amassados e a mastigação, independente do método que tenha escolhido a princípio!!! #IAParticipATIVA #blwperguntasfrequentes >>>Para assistir à aula gratuita: www.conalco.com.br/blw

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E vocês, em que fase vocês estão?
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