Minha filha escolheu o BLW, relato de Aline Sant’Anna

Cerca de umas 3 semanas antes de iniciar a introdução alimentar da Lia li uma notinha no Facebook sobre BLW. Achei interessante, mas a informação que obtive foi bem superficial e nem considerei a possibilidade de colocar em prática.
Tínhamos uma consulta agendada com uma nutricionista infantil muito em breve, e eu estava convicta de que seguiria suas recomendações à risca, uma vez que ela fora indicada pelo pediatra da minha filha.
Nesta consulta a nutricionista sugeriu dar a comidinha amassada, com a colherzinha.
Ela falou por alto do BLW, dizendo que poderíamos, em paralelo à comidinha na colher, apresentar os pedaços de comida pra ela pegar e experimentar.
Mas comentou que, em sua opinião, o “BLW puro” era complicado, porque faz muita bagunça e  nunca sabemos a quantidade de comida ingerida de fato.
Eu nunca havia “dado comidinha” para um bebê antes e achava que era simples assim: ela (minha filha) iria abrir a boquinha, eu colocaria a colher com a papinha e pronto, resolvido!
Quanta ingenuidade!
A nutricionista alertou para a possibilidade de ela virar a cara pra colher e nos orientou a não insistir e não forçar nunca! Mas não achei que ela fosse virar a cara.
Bom… chegou o dia de começar a papinha!
Escolhi começar no dia exato em que ela completou 6 meses, pois era um feriado e o pai estaria em casa.
Estava empolgada e curiosíssima para ver a reação da Lia!  Comprei colherzinha de silicone, pratinho, potes para colocar as papinhas, etc.
Acordei cedo e fui pra cozinha. Pedi ao pai para ficar com a Lia no colo me assistindo preparar a comida. Entreguei na mão dela uma cenoura descascada pra ela explorar e ela gostou da ideia. Pegou como se fosse um brinquedo novo… olhou, lambeu à vontade e não largou por um bom tempo.
Mas e na hora do papá, como foi?
Aí a coisa desandou (no meu ponto de vista da época)…
O momento alimentação não durou nem 10 minutos.
Ela não abriu a boca para a colherzinha como eu imaginava.
Avançou com as mãos em cima da colher, quis assumir o controle do talher e explorá-lo com as suas próprias mãos. Mostrou-se muito curiosa com a comida. Queria pegar com a mão e colocar na boca, assim como ela faz com tudo o que vê.
Em uma das minhas tentativas com a colher, alguma comida entrou em sua boquinha, e ela fez muita, muita careta! E me olhou como se dissesse: “socorro! que coisa estranha!”.
O meu sentimento neste dia não foi nada bom. Confesso que a vontade inicial foi de amamentar pra sempre. Tão mais simples, rs!
Me dei conta de que para aceitar a colher, ela teria que fazer um grande esforço físico e mental para se conter e “engolir” o que eu estava propondo: abra a boquinha e aceite a comidinha.
Repetimos o processo ao longo de alguns dias, e começamos sistematicamente a  apresentar os alimentos em pedaços maiores pra ela poder manusear juntamente com a papa na colherzinha.
O interesse sempre foi maior pelos pedaços e raríssimas vezes ela abriu a boca para a colher.
Percebi que o interesse dela pela comida era de avançar em cima e explorar, como faz com os brinquedos.
Pra mim, este é o pulo do gato… entender que o bebê aprende tudo brincando e interagindo com o adulto. É assim que eles começam a engatinhar, a ficar em pé, a andar e a falar. A comida precisa ser vista como um brinquedo novo, que diferentemente dos de plástico, desmancham na boca e tem sabores e texturas variados.
Comecei a fazer pesquisas na internet sobre BLW.
Eu já estava convencida de que era o melhor caminho para minha filha, mas precisava de apoio.
Comecei a campanha junto ao meu marido, pois acho que se ele discordasse, a coisa não funcionaria.
Encaminhei vários textos do “Tá na hora do papá” pra ele.
Ele se interessou, compreendeu e me apoiou.
Conversei com a babá é expliquei a ela os motivos da nossa escolha e tranquilizei-a dizendo que nesta fase de introdução alimentar eu conseguiria participar de todas as refeições da Lia.
No início, Lia ficava pouco tempo na cadeira. Ela sempre foi muito ativa e com 6 meses já engatinhava.
Acho que era difícil pra ela ficar restrita na hora da refeição.
Embora isto fosse um pouco frustrante pra mim, eu procurava respeitar sempre e a retirava da cadeira quando ela demonstrava querer sair.
As frutinhas ela comia pra valer desde o início, mas a comida de sal (legumes, verduras, batatas, ovo etc) só explorava um pouco e logo dava sinais de inquietude, querendo descer da cadeira. O frango e a carne vermelha ela sempre gostou, mas no início só conseguia chupar e sentir o gostinho.
A lambança era grande! Tínhamos uma cadeira portátil, que rapidamente ficou pequena. Voava comida pra todo lado!  Sentimos necessidade de comprar um cadeirão com uma bandeja maior pra Lia ficar mais à vontade.
Enquanto ela só brincava com a comida, eu costumava beliscar algum pedaço esquecido na bandeja dela. E ela não se importava… Até que houve um dia em que me aproximei da bandeja dela e ela se zangou. Ficou brava comigo e começou a comer um bastão de cenoura como gente grande. Eu disse: Tá bom filha! Já entendi… mamãe não vai mexer mais na sua comida.
E neste dia ela comeu um monte de cenoura!
Foi um marco. No dia seguinte, comeu tomate, depois jiló, berinjela, frango, carne…
Atualmente, Lia está com quase 9 meses. Suas preferências já são bem claras, e tem coisas que ela não come. Mas nunca se nega às experiências novas, o que eu acho ótimo.
Vivo buscando novas experiências pra ela: uma fruta inédita, uma preparação diferente de um alimento já conhecido e por aí vai.

Aline Santanna
O prazer de vê-lá comer com prazer, é o que me dá energia pra limpar a lambança de todo dia, pra ir à feira, pra ir para a cozinha…
Eu entrei na onda dela e redescobri o sabor de várias frutas que há tempos não comia. O pai até emagreceu, pois agora nossa comida está mais saudável. E Lia está se desenvolvendo super bem, no tempo dela, com liberdade e sendo respeitada em sua individualidade.
O pediatra dela está apoiando totalmente nossa iniciativa e isto ajuda bastante.
BLW não é fácil… são muitos desafios!
Mas faz tanto sentido pra mim, que me propus a enfrentar cada obstáculo que surgisse para proporcionar esta experiência alimentar para minha filha.
Até agora o saldo está super positivo!

 

Relato de Aline Sant’Anna

Mãe da Lia e Aluna do Curso Avançado em BLW

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