O bebê está pronto para alimentos sólidos? (Sinais de prontidão)

 

Traduzido de Kellymom.com, por Aline Padovani*

dreamstime_xl_52318483.jpg

O que dizem os especialistas?

Profissionais da área  da saúde e especialistas em amamentação concordam que é melhor esperar até que seu bebê tenha cerca de seis meses antes de oferecer alimentos sólidos. A Academia Americana de Pediatria, a Organização Mundial de Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria e muitas outras organizações de saúde recomendam que os bebês sejam amamentados exclusivamente (sem cereais, suco ou outros alimentos) nos primeiros 6 meses de vida.

 

Leia mais: Por que esperar até os seis meses (ou muito próximo disso)?

 

Sinais de desenvolvimento que indicam que o bebê está pronto para sólidos

A prontidão para receber outros alimentos além do leite depende da maturidade do aparelho digestivo do bebê e da prontidão de desenvolvimento do bebê para os sólidos.

Embora a maturidade do sistema digestivo do bebê não seja algo que podemos facilmente observar, as pesquisas indicam que 6 meses parece ser o ideal para prevenir o aumento da ocorrência de algumas doenças e outros riscos para a saúde decorrentes da introdução alimentar precoce. Após este ponto, os bebês vão estar prontos para receber outros alimentos em diferentes momentos – é impossível determinar usando um calendário. A maioria dos bebês estará pronta, em termos de desenvolvimento, para receber sólidos em algum momento entre os 6 e 8 meses de vida do bebê.

 

Sinais que indicam que o bebê está preparado, em termos de desenvolvimento, para se alimentar de outros alimentos além do leite:

  • O bebê pode sentar-se bem sem apoio (ou com mínimo apoio).
  • O bebê perdeu o reflexo de protrusão da língua e não empurra automaticamente os sólidos para fora da boca com a língua.
  • O bebê está pronto e disposto a mastigar.
  • O bebê está desenvolvendo o movimento de pinça, começando a tentar pegar os alimentos ou outros objetos pinçando-os entre o polegar e o indicador. Usar os dedos para raspar e prender o alimento na palma da mão (preensão palmar) não substitui o desenvolvimento do movimento de pinça.
  • O bebê está ansioso para participar na hora das refeições e pode tentar agarrar comida e colocá-la em sua boca.

Muitas vezes afirmamos que um dos sinais de prontidão para os sólidos é quando o bebê exibe a longo prazo uma demanda aumentada para amamentar (por volta de 6 meses ou mais), que não estaria relacionada a doença, dentição, mudança de rotina, surto de crescimento ou salto de desenvolvimento. No entanto, pode ser difícil julgar se esse aumento de demanda de mamadas esteja apenas relacionado com a prontidão para os sólidos.

Muitos bebês de 6 meses de idade estão na fase da dentição, surtos de crescimento, começando a experimentar ansiedade de separação e experimentando muitas outras mudanças no desenvolvimento que podem levar ao aumento da amamentação – às vezes de uma só vez! Certifique-se de olhar para todos os sinais de prontidão como um todo, porque o aumento da amamentação por si só não é um guia preciso.

 

Mais sobre a prontidão de desenvolvimento …

Em abril de 2001, a Wellstart International e o Projeto LINKAGES publicaram uma revisão da literatura sobre “a prontidão do desenvolvimento de lactentes normais a termo, na transição do aleitamento materno exclusivo para a introdução de alimentos complementares”. Segundo os autores, “a revisão não se concentra nos resultados de saúde associados à interrupção da amamentação exclusiva em uma determinada idade, mas sim na prontidão biológica / de desenvolvimento para esta complexa experiência. Quatro processos ou funções foram selecionados para inclusão: gastrointestinal, imunológico, motor oral e os processos reprodutivos maternos que se relacionam com a continuação da lactação e fornecimento de leite materno“. Seguem algumas das conclusões desta revisão:

  • “Assim, a amamentação exclusiva por volta de seis meses permite que a criança tenha maior proteção imunológica e limite sua a exposição à patógenos em uma idade vulnerável. Isso, por sua vez, permite que a energia e os nutrientes que seriam desviados para fornecer respostas imunológicas, possam estar disponíveis para serem utilizados em outros processos de crescimento e desenvolvimento”
  • “Esses relatórios clínicos indicam que a maioria dos bebês normais a termo não estão prontos, em termos de desenvolvimento, para a transição da sucção do seio para a sucção em outros contextos, ou mesmo para conseguirem manejar alimentos semi-sólidos e sólidos, além de líquidos, até por volta dos 6 a 8 meses de idade”
  • “Usando a informação disponível sobre o desenvolvimento da função motora oral, da fisiologia reprodutiva materna e do desenvolvimento da função imunológica e gastrointestinal do bebê, a equipe de especialistas concluiu que a provável idade de prontidão para a maioria dos lactentes a termo para interromper o aleitamento materno exclusivo e iniciar alimentos complementares parece estar perto de seis meses, ou talvez um pouco além. Também sentiu que há provável convergência de tal prontidão através dos vários processos relevantes.”
  • “A opinião consensual do grupo de revisão de peritos foi que, dada a informação disponível e a ausência de evidências de danos significativos para mães normais ou infantes normais, não há razão para concluir que a amamentação exclusiva não deve continuar para seis meses”.

 

E sobre começar os sólidos após os 6 meses? Em que ponto o bebê precisa de nutrientes que não podem ser fornecidos apenas pelo leite materno?

A pesquisa médica nos diz que a amamentação exclusiva permite que os bebês cresçam e se desenvolvam com primor nos primeiros 6 meses.

Nas palavras da Organização Mundial de Saúde:

“A amamentação é uma maneira inigualável de fornecer o alimento ideal para o crescimento saudável e desenvolvimento de bebês … Uma revisão recente da evidência mostrou que, numa base populacional, a amamentação exclusiva por 6 meses é a melhor maneira de alimentar os bebês”.

Mas e se o bebê não está muito interessado nos sólidos aos seis meses?

Bebês que ainda não estão interessados em alimentos sólidos podem e vão crescer e se desenvolver apenas com o leite materno até os 9-12 meses ou mais tarde. Você pode ouvir as pessoas dizerem: “Alimentos antes de 1 ano é apenas por diversão” (“food until one is just for fun”), mas talvez isso deve ser alterado para “Alimentos antes de 1 ano é principalmente para diversão” (“food until one is mainly for fun”).

Enquanto seu bebê continuar a crescer e desenvolver como deveria, isso significa que o seu leite está atendendo bem suas necessidades. Algum tempo depois dos seis meses, no entanto, os bebês irão gradualmente começar a precisar de mais ferro e zinco do que aquele fornecido pelo leite materno sozinho.

Nesse ponto, nutrientes adicionais podem ser obtidos a partir de pequenas quantidades de sólidos. Se o seu bebê optar por continuar o aleitamento materno exclusivo, basta manter o olho no crescimento e no estado de ferro, continuar a vigiar o seu bebê para saber se está pronto para os sólidos e oferecer sólidos adequados para ele tentar – o bebê pode decidir se quer ou não comer.

Não importa quando o bebê começa alimentos sólidos, o leite materno deve constituir a maioria da nutrição do bebê até o final do primeiro ano.

 

E se o meu filho de 4 a 5 meses parece estar preparado para começar com os sólidos?

Bebês de quatro a cinco meses de idade, por vezes, estão muito ansiosos para participar na hora da refeição, mas isso não significa necessariamente que eles estão prontos para comer sólidosmais frequentemente é apenas o impulso normal de desenvolvimento para fazer o que todo mundo está fazendo. Estudos nos dizem que esperar por cerca de 6 meses para iniciar os sólidos traz muitas vantagens para a saúde de todos os bebês, não apenas dos bebês que ainda não estão interessados na hora das refeições.

Há uma série de coisas que você pode fazer para deixar o bebê participar nas refeições antes de iniciar os sólidos:

  • Deixe o bebê sentar com a família na hora da refeição – no colo, em um assento auxiliar ou no cadeirão.
  • Dê ao bebê um copo de água ou leite ordenhado. Seu bebê pode entreter-se na hora da refeição enquanto aprende a usar o copo. 30 – 80 ml de água no copo devem ser o bastante (frequentemente para o dia inteiro). Muitas mães escolhem usar apenas água ou uma pequena quantidade de leite materno para evitar desperdiçar o “ouro líquido” enquanto o bebê aprende a usar o copo.
  • Ofereça goles de água de seu copo ou canudo. Mesmo que o bebê não tenha descoberto como usar um canudo ainda, você pode colocar seu canudo na água, bloquear a ponta superior do canudo com o dedo para prender um pouco de água no canudo e, em seguida, deixe o bebê beber a água da extremidade inferior do canudo (desbloquear a extremidade superior, uma vez que está na boca do bebê).
  • Oferecer colheres de bebê, copos, tigelas e outros utensílios de alimentação para que o bebê possa manipular durante a hora das refeições.
  • Dê ao bebê um cubo de gelo (de tamanho e forma seguros para o bebê) ou gelo chips para brincar.
  • Ofereça ao bebê um “tetolé” (picolé de leite materno) ou uma “raspadinha” de leite materno para comer com uma colher.

 

Mitos sobre a prontidão para a introdução alimentar

Há muitos mitos e informações desatualizadas que pretendem dizer quando o bebê está pronto para sólidos.

MITO: O peso do bebê atingiu um número “mágico”

O bebê alcançar o número “x” de quilos, ou dobrar o peso do nascimento, (ou quanto seu bebê pesa) não o faz automaticamente pronto para os sólidos, especialmente se está abaixo dos 6 meses.

As recomendações da Organização Mundial da Saúde para iniciar sólidos aos 6 meses ou mais tarde não tem exceções para bebês que pesam mais. A pesquisa feita sobre os benefícios de iniciar os sólidos aos 6 meses são para todos os bebês, não importa o seu peso.

São a maturidade do trato digestivo e o desenvolvimento neuropsicomotor do bebê que fazem a diferença, não o peso do bebê.

É bastante interessante notar que as mães escutam que devem começar os sólidos precocemente não só quando os bebês são grandes, mas também quando eles são pequenos. Não é mesmo incomum ouvir argumentos opostos, para ambos os lados, vindos da mesma pessoa!

 

MITO: O bebê é grande, portanto precisa começar a introdução alimentar

Quando têm um bebê grande, as mães ouvem diferentes razões para dar comida aos bebês precocemente.

Alguns dizem que, se o bebê é grande, a mãe não será capaz produzir leite suficiente para satisfazer o bebê. Isso é completamente falso – quase todas as mães têm a capacidade de produzir leite suficiente para amamentar exclusivamente gêmeos e até trigêmeos. Se você permitir, seu corpo fará bastante leite para seu bebê.

Além disso, as pesquisas mostram que os bebês amamentados exclusivamente não aumentam a quantidade de leite que bebem depois das 4 primeiras semanas. Então, após o primeiro mês, a entrada do leite permanece constante até algum tempo após seis meses (com exceção de períodos temporários de maior apetite), quando o bebê começa a comer alimentos mais sólidos e diminuir a ingestão de leite.

Outras mães ouvem que o bebê está comendo demais, de modo que a mãe deve reduzir a ingestão do bebê limitando a amamentação e / ou começando a introdução alimentar. Não há absolutamente nenhuma evidência de que um bebê grande e amamentado se tornará uma criança ou adulto grande. Além disso, limitar as mamadas pode ser bastante perigoso para um bebê, já que ele precisa de nutrientes e gorduras provenientes do leite para o seu adequado crescimento e desenvolvimento. Leia mais aqui (em inglês).

 

MITO: O bebê é pequeno, portanto precisa começar a introdução alimentar

Outra razão muitas vezes dada para iniciar a alimentação é porque o bebê é pequeno. Eu realmente não vejo o sentido nisto. Mililitro para mililitro, o leite materno tem mais calorias do que a maioria dos alimentos sólidos feitos para bebês e significativamente mais nutrientes do que qualquer tipo de alimento sólido que você pode alimentar seu bebê.

Estudos têm demonstrado que, para bebês menores de seis meses, os sólidos tendem a substituir o leite materno na dieta de um bebê – e não aumentam a ingestão total do bebê (OMS 2003, Cohen 1994, Dewey 1999). Assim, no geral, os sólidos iniciais provavelmente reduzirão (em vez de aumentar) a quantidade de leite e calorias que seu bebê está recebendo. Uma das primeiras recomendações para um bebê que genuinamente tem ganho de peso lento é diminuir ou eliminar alimentos sólidos e amamentar com mais frequência.

 

MITO: O bebê precisa começar a introdução alimentar porque não há ferro suficiente no leite materno.

Outra razão dada para a inciar a oferta de alimentos é a “falta de ferro no leite materno”. O leite materno tem níveis mais baixos de ferro do que a fórmula, mas o ferro no leite materno é mais facilmente absorvido pelo intestino do bebê do que o ferro na fórmula.

Além disso, bebês alimentados com fórmula tendem a perder ferro através de fissuras que se desenvolvem em seus intestinos como resultado de danos causados pelo leite de vaca.

Bebês amamentados não perdem esse ferro. Em algum ponto, após os primeiros 6 meses (e mais tarde, no primeiro ano, para muitos bebês), os bebês precisarão de uma fonte adicional de ferro além do leite materno. Isto pode mais frequentemente ser obtido através de pequenas quantidades de alimento sólido. Leia mais aqui (em inglês).

 

MITO: O bebê precisa de sólidos para que ele possa dormir mais à noite.

A crença popular de que a alimentação sólidos durante a noite vai ajudar o sono do bebê durante a noite não tem nenhuma base de fato. Leia mais aqui (em inglês).

 


*Artigo traduzido sob autorização expressa da autora.

Atualizado em 19 de dezembro de 2016

Link original: http://kellymom.com/ages/older-infant/delay-solids/

face-ads-2