Pesquisa mostra que o BLW não aumenta o risco de engasgo durante a introdução alimentar

Um artigo publicado em dezembro de 2017, no Journal of Human Nutrition and Dietetics, mostrou ausência de associação entre o aumento do risco de engasgo e o Baby-led Weaning (BLW).

Segundo a autora do estudo, Dra Amy Brown, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Swansea (Reino Unido), esses resultados devem ser considerados com cautela, dadas as limitações metodológicas da pesquisa. Entretanto, interpretados no contexto, já nos dão um amplo panorama para entender a segurança da abordagem e oferecem um importante caminho a se trilhar nas próximas pesquisas.

O estudo foi feito através de questionário de auto-relato, explorando episódios de engasgo entre bebês em fase de introdução alimentar. Em especial, a autora comparou a abordagem BLW, que permite que os bebês se auto-alimentem de acordo com a alimentação familiar, com a abordagem tradicional de oferecer papinha na colher.

No total, foram entrevistadas 1151 mães de bebês com idade entre 4 a 12 meses, que responderam espontaneamente sobre o modo pelo qual introduziram os alimentos aos seus bebês (seguindo um BLW estrito, uma abordagem flexível do BLW ou uma abordagem tradicional). As mães foram perguntadas sobre a frequência de colheradas e de papinhas (porcentagem por refeição) e relataram episódios de engasgo. Caso o bebê já tivesse engasgado, as mães foram perguntadas quantas vezes, com que tipo de textura (papa, papa granulada, alimentos em pedaços) e exemplos de alimentos específicos.

No total, 13,6% dos bebês haviam engasgado pelo menos uma vez (n=155/1151). Não foram encontradas diferenças significativas relacionadas à abordagem escolhida, ou à proporção de colheradas e o uso de papas. Ou seja, o risco de já ter engasgado pelo menos uma vez foi o mesmo entre bebês que seguiram uma abordagem BLW (estrita ou flexível) e aqueles que seguiram uma abordagem tradicional.

Os achados corroboram dados de estudos prévios, que sugerem que o BLW não aumenta o risco de engasgo durante a introdução alimentar. 

Entretanto, examinando a frequência de engasgo entre os bebês que engasgaram pelo menos uma vez (n=155), a autora observou uma associação positiva entre a abordagem tradicional e um aumento na frequência de episódios de engasgo, especialmente relacionada à textura.

Quanto maior a proporção do uso de colheradas e papas, maior foi a frequência de engasgo com a papa granulada e alimentos em pedaços. 

Sabe-se que a textura é uma característica bastante importante durante a aprendizagem da mastigação. Dra Brown argumenta que esses resultados podem ser devido à baixa exposição às texturas mais firmes, como dos alimentos em pedaços, na abordagem tradicional.

A autora reforça que seus achados não deveriam ser considerados como evidência definitiva do BLW em relação ao engasgo , visto que a amostra do estudo representa um recorte não aleatório da população. Assim como pesquisas prévias, a maioria das mães do estudo tinham mais de 25 anos e ensino superior. Neste estudo em particular, foram recrutadas através de fóruns online de introdução alimentar, ou seja, fizeram uma opção ativa pelo BLW, tendiam a ter contato com outras mães que também optaram pelo método e, no geral, são extremamente bem informadas sobre a abordagem. Os resultados do estudo podem, em parte, ser mais positivos por esse background materno, considerado pela autora como “padrão ouro”. Para generalizar esses resultados, seria necessário uma amosta muito mais diversa, e igualmente randomizada.

Que tipo de educação seria necessária para garantir que os alimentos no BLW fossem oferecidos de forma apropriada ao nível de desenvolvimento do bebê?

 

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Referência:

Brown A. (2017) No difference in self-reported frequency of choking between infants introduced to solid foods using a baby-led weaning or traditional spoon-feeding approach. J Hum Nutr Diet. https://doi.org/10.1111/jhn.12528

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