A criança que não come: dificuldade ou comportamento?

Você sabia que apenas 12% das dificuldades alimentares apresentadas pelas crianças possuem causa puramente comportamental?

A dificuldade alimentar é uma queixa muito comum em países do mundo inteiro. Ter uma criança que não come, que come muito pouco ou come apenas alguns alimentos específicos é um desafio e tanto para os pais. Muitos acreditam que o filho esteja tentando testá-los ou manipulá-los ao virarem o rosto, empurrarem o prato, baterem na colher, provocarem o vômito etc, e tendem a tratar a dificuldade alimentar como “mau comportamento”.

Porém, as pesquisas têm demonstrado que apenas uma pequena parcela das crianças realmente usa o “não comer” para chamar a atenção dos pais.

A grande maioria das crianças com dificuldades alimentares não come porque, para elas, comer pode ser muito difícil e ameaçador! Seja porque comer as faz sentir dor, seja porque as faz sentir um enorme desconforto gastrointestinal, seja porque determinados cheiros e texturas lhes são muito aversivos, seja porque elas não conseguem mastigar e engolir determinado alimento, seja porque elas têm muito medo de comer. Para essas crianças, estratégias como deixar com fome, cozinhar outra coisa diferente para ver se quem sabe a criança aceita ou usar distrações das mais diversas, não funcionam.

Como mãe e profissional que trabalha com dificuldades alimentares, sei como é difícil lidar diariamente com esses desafios. As refeições se tornam momentos cada vez mais estressantes. Os pais se sentem frustrados, exaustos e muitas vezes, sentem-se culpados e incapazes de lidar com a situação.

Então, antes de buscar soluções, olhe para o seu filho, pense e tente descobrir o que ele está querendo te dizer com o “não comer”Lembre-se que por trás de todo comportamento tem um sentimento ou uma necessidade não atendida. 

Compreender os motivos pelos quais o seu filho está se recusando a comer, é o primeiro passo para começar a ajudá-lo a superar suas dificuldades na alimentação.

Se você desconfia que seu filho possa ter alguma questão médica, sensorial, motora-oral ou emocional, não hesite em procurar ajuda especializada!

 

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REFERÊNCIAS:

Cardona Cano S, Hoek H, Van Hoeken D, Barse L et al. Behavioural Outcomes of picky eating in childhood: a prospective study in the general population. Journal of Child Psychology and Psychiatry. 2016; 57(11): 1239-1246.

Fraker C, Walbert I, Cox S, Fishbein M. Food Chaining: The Proven 6-Step Plan to Stop Picky Eating, Solve Feeding Problems, and Expand your Child’s Diet. Cambridge, MA. Perseus Books, 2009.

Rowell K, McGlothlin. Helping your Child with Extreme Picky Eating – A step by step guide for overcoming selective eating, food aversion and feeding disorders. Raincoast Books, 2015.