Por que meu filho cospe a comida?

Seu filho costuma cuspir ou jogar os alimentos no chão com frequência durante as refeições? Esse comportamento tão comum entre os bebês costuma tirar muitos pais do sério. Mas por que o bebê faz isso?

Primeiro de tudo, vamos entender o desenvolvimento normal da criança. É comum que os pais fiquem aflitos, mas pode ser que a criança esteja apenas passando pelo processo de aquisição e desenvolvimento de alguma habilidade específica.

Por exemplo, por volta dos 6 meses de idade, o reflexo de protrusão de língua ainda pode estar ativo e, por isso, é possível que no início da introdução alimentar, tudo que seja colocado na boca do bebê seja empurrado para fora com a língua imediatamente, de forma reflexa. Conforme o bebê desenvolve suas habilidades motoras orais, seus movimentos de lábios, língua e bochechas vão se modificando e tornando-se voluntários e cada vez mais complexos.

Assim, por volta dos 7-9 meses o bebê também pode começar a cuspir os alimentos intencionalmente. Isso porque, assim como em qualquer salto desenvolvimento, o bebê está querendo treinar intensamente essa nova habilidade. É uma etapa importante no aperfeiçoamento das habilidades motoras orais envolvidas na alimentação, e também uma importante estratégia de defesa, já que a criança começa a conseguir ativamente se desvencilhar de um alimento que não consegue mastigar ou engolir, ou se livrar de um alimento estragado, por exemplo.

Ao considerarmos o desenvolvimento cognitivo, especialmente entre 9 e 14 meses, os bebês querem jogar coisas no chão para observar seus efeitos nos objetos (eles querem ver o que acontece com o objeto quando cai no chão, que barulho faz, o efeito visual, o tempo que leva para ele cair, sua trajetória). O jogo de pegar, jogar no chão e assistir você pegar ou limpar, nada mais é do que um exercício que o bebê realiza para entender as relações de causa e efeito de suas ações nos objetos. Ou seja, essa brincadeira saudável faz parte do desenvolvimento cognitivo da criança.

Saiba mais sobre os saltos de desenvolvimento nesse post aqui.

Leia também: os 10 maiores desafios do BLW

 

Agora que sabemos como e quando essas ações podem ser consideradas como parte do desenvolvimento normal da criança, devemos nos atentar se esses comportamentos podem ser indicativos reais de alguma dificuldade ou necessidade. Então, ao jogar os alimentos no chão ou cuspi-los, seu bebê pode estar tentando comunicar outras mensagens, como:

 

“Não estou com fome”

Se o bebê mamou ou comeu alguma coisa há menos de 3 horas da refeição, ele pode não estar com fome e, nesse caso, não demonstrará interesse em comer. Pode ser que jogue a comida porque quer apenas brincar.

No início da introdução alimentar pode demorar um pouco até que a rotina de mamadas, alimentação e sonecas se ajuste, e é natural que o bebê priorize as mamadas no início e queira apenas brincar com os alimentos. Mas na medida que a criança cresce, em especial após o primeiro ano de vida, é importante começar a dar intervalos de pelo menos 2 horas e meia a 3 horas entre as refeições. Se a criança tem pouco apetite, ofereça apenas água nos intervalos.

 

“Não gostei desse negócio aqui, está me incomodando”

Pode ser que a criança esteja querendo se livrar de algum alimento cuja aparência ou textura não tenha lhe agradado, ou mesmo que ela não goste. É natural – e seguro – cuspir alimentos cujo sabor ou textura nos sejam desagradáveis. Você pode oferecer um potinho para colocar os pedaços que a criança queira tirar da boca ou do prato e ensiná-la a colocar os pedaços dentro do pote ao invés de jogá-los no chão.

 

“Não consigo engolir isso”

Muitas crianças cospem os alimentos que exigem uma habilidade motora mais complexa que elas ainda não possuem ou não desenvolveram (geralmente os mais fibrosos). Como aquela carne dura que a gente mastiga, mastiga e não consegue triturar e engolir. Você pode resolver isso começando com alimentos amaciados, como por exemplo a carne de músculo cozida na pressão. Conforme a criança vai adquirindo maior habilidade de mastigação, você pode gradualmente oferecer outros alimentos mais consistentes. Passe para a carne moída, o filé mignon, até chegar na carne de bife ou churrasco.

Se a criança não conseguir fazer essa transição naturalmente, é preciso intervenção fonoaudiológica para adequação do padrão de mastigação.

 

“Tem muita comida na minha boca”

Se o pedaço estiver muito grande, ou houver muita comida dentro da boca, a criança poderá cuspir ou tirar da boca com os dedos. Isso porque não consegue lidar com tanta quantidade de alimento dentro da boca e realizar uma mastigação eficiente, formando um bolo alimentar para uma deglutição segura. Procure colocar pouca quantidade de alimento na colher e/ou cortar pedaços menores para a criança pegar com as mãos. Atente-se também para o ritmo e velocidade das colheradas, se este for o caso, não colocando comida dentro da boca da criança que ainda não terminou de mastigar e engolir.

 

“Não quero mais, já estou satisfeito”

Cuspir ou jogar os alimentos no chão também pode ser uma forma da criança comunicar que não quer mais, que já está satisfeita. O ideal é ensinar a criança que ainda não consegue se expressar verbalmente, a comunicar sua fome e saciedade por meio de gestos que signifiquem “mais” e “acabou”. Assim, ela aprenderá a usar o gesto para demonstrar que não quer mais em vez de cuspir, empurrar o prato ou jogar a comida no chão.

Veja mais em: A criança que não come: dificuldade ou comportamento?

 

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