Quantas vezes devo oferecer o mesmo alimento para a criança?

Autora do texto: Jo Cormack
Texto traduzido e adaptado do site: https://www.jocormack.com 
Link para o texto original: https://www.jocormack.com/2018/07/24/exposure-how-many-times-should-you-serve-a-new-food/

 

O que os estudos dizem

Qualquer pessoa que trabalhe na área de alimentação está familiarizada com as pesquisas que citam o número de exposições necessárias para que uma criança aceite um novo alimento. Na verdade, os estudos variam: alguns dizem de 8 a 15 vezes, outros, 10, por exemplo. Já outras evidências sugerem que o número de exposições necessárias muda com a idade da criança.

Porém, é preciso ter muito cuidado ao aplicar evidências de pesquisas em experimentos na população em geral, principalmente com crianças com dificuldades alimentares. Nós simplesmente não sabemos se questões como temperamento, ansiedade ou algum desafio sensorial impactam na quantidade de exposições necessárias à alimentos previamente desconhecidos. Feitas as ressalvas, é incontestável dizer que várias exposições são necessárias. Mas então, o que conta como exposição e como fazer para que isso aconteça?

 

O que é exposição?

Em sua forma mais simples, expor uma criança a determinado alimento significa permitir que ele vivencie uma grande variedade de alimentos, repetidamente. Não significa obrigar ele a comer, mas também não significa fazer ele experimentar. Apenas ter os alimentos por perto, é tudo o que é necessário.

Se você comer uma maçã sentada ao lado do seu filho, estará expondo-o a maçã. Se você e seu filho fizerem um bolo de maçã juntos, estarão se expondo à maçã. E se vocês dois picarem uma maçã ao meio, mergulhá-la em um pouco de tinta e fazer estampas de frutas, significa uma exposição, da mesma forma.

Devemos contar as exposições?

Alguns profissionais podem sugerir uma abordagem sistemática de como servir novos alimentos em alguns contextos, mas, em geral, se ficarmos muito preocupados em medir quantas exposições a cada novo alimento uma criança tem, isso pode levar a mais ansiedade e estresse em torno das refeições, o que é realmente contraproducente.

Se você quiser fazer as contas, imagine servir uma comida em particular uma vez por mês – então multiplique isso por 12, um ano inteiro. Você está prestes a atingir um número ideal de exposições após um ano inteiro de perseverança com um alimento. Mas de fato, falando por experiência própria, eu servi cogumelos a minha filha do meio por três anos antes de ela decidir experimentá-los, e mais um ano antes de decidir comê-los.

“Sirva tudo o que você gostaria de ver sua família comendo, independentemente de seu filho aceitar ainda ou não”.

 

Uma estratégia poderosa

Fazer e oferecer comida que você já suspeita fortemente que vai ser rejeitada é um negócio difícil. O desperdício é horrível, e sabemos que pode não ser muito útil preparar comida que você está convencido de que seu filho não vai comer…

Mas uma ótima maneira de ir além das preocupações com o fato de os alimentos não serem comidos, é se adaptar de acordo com o estilo familiar. Isso permitirá que você obtenha todas as exposições valiosas SEM pressionar o seu filho a comer. Cada elemento da refeição (incluindo os alimentos aceitos pelo seu filho) podem ser colocados em tigelas ou pratos no meio da mesa, onde todos se servem. Nesse sentido, você consegue comer o que quiser, e o seu filho pode se sentir bem com as refeições, porque ele pode confiar que vai sempre ter algo para ele administrar. Aliado a tudo isso, vai ser exposto a uma dieta ampla e variada.

Certifique-se que você não está rejeitando alimentos só porque seu filho não os aceita, e usando isso de motivo para deixá-los fora do menu. Certifique-se também de que seu filho coma com você o máximo possível – eles aprenderão muito ao observá-lo desfrutando de uma dieta variada! Além disso, dê a eles o máximo de exposições que você puder administrar, positivas e sem pressão, a alimentos novos e não aceitos.

Esta não é uma solução que acontece do dia para a noite, nem uma maneira de “resolver” a seletividade na alimentação, mas acaba sendo uma peça essencial do quebra-cabeça quando se trata de ajudar as crianças a desenvolver uma relação saudável e positiva com a comida.

 

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