BLW não tem comprovação científica?

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Fica difícil falar sobre comprovação científica do BLW se você não acompanha com afinco as publicações mais recentes, não é mesmo? Por isso, eu fiz questão de preparar um resumo didático sobre os últimos achados do protocolo de pesquisa BLISS (Baby-led Introduction to Solids, ou “introdução alimentar conduzida pelo bebê”), uma versão modificada (e controlada) do BLW. O BLISS nada mais é do que um protocolo de intervenção baseado no modelo BLW, cuja finalidade é estudar os resultados de uma abordagem de introdução alimentar conduzida pelo bebê.

​Em resumo, as pesquisas mais recentes (1-3) já indicam que uma abordagem de introdução alimentar conduzida pelo bebê (baby-led), BEM ORIENTADA, quando comparada à abordagem tradicional:

– Não tem maior risco de engasgo;
– Não tem maior risco de falha de crescimento;
– Não tem maior risco para anemia;
– Tem ingestão calórica/energética similar e
– Não modifica o risco para obesidade.

Estes, e outros estudos semelhantes, estão sendo desenvolvidos na Universidade de Otago, na Nova Zelândia, pelo Departamento de Nutrição, com a consultoria de um fonoaudiólogo e um pediatra. Os pesquisadores elencaram 3 preocupações frequentes relatadas na literatura: o engasgo, a anemia e as falhas de crescimento. Com isso, desenvolveram uma metologia de orientação para uma introdução alimentar que sumariamente encoraja os pais a seguir uma abordagem conduzida pelo bebê.

Durante as consultas, realizadas da gestação ao primeiro ano de vida, são feitas intervenções e marcação dos resultados em pontos específicos, como: lactação, aderência ao BLISS, questionário de alimentação, antropometria, relatos de gag/engasgo, diário alimentar (com marcação do peso), auto-regulação de energia, comportamento alimentar parental, desenvolvimento motor, aceitabilidade e custo e coleta de sangue (ferro e zinco).

Entre os recursos pré-testados utilizados no BLISS estão: informações detalhadas sobre uma introdução alimentar conduzida pelo bebê, ideias de alimentos e livros de receitas adequados para cada idade, e informações de segurança, particularmente no que diz respeito ao engasgo. As características essenciais do BLISS são:

1) Oferecer alimentos que o bebê possa pegar com as mãos e se auto-alimentar
2) Oferecer um alimento rico em ferro em cada refeição.
3) Oferecer um alimento de alta densidade energética em cada refeição.
4) Oferecer alimentos preparados de forma adequada à idade de desenvolvimento da criança a fim de reduzir o risco de engasgamento, fornecendo uma lista de alimentos de alto risco para asfixia.

Apesar de um dos estudos (1) indicar ausência de eficácia na diminuição do risco de obesidade (não houve diferença entre os grupos), no geral, os resultados das pesquisas mais recentes são bastante importantes. O processo conduzido pelo bebê promoveu uma introdução alimentar bem-sucedida, demonstrado por melhores resultados nos indicadores: prazer em comer, comportamentos alimentares menos exigentes, alimentar-se sozinho aos 12 meses e maior duração da amamentação exclusiva.

Em resumo, a introdução alimentar conduzida pelo bebê foi considerada segura (4).

Não foram observadas diferenças entre os grupos em relação à ingestão de energia, falhas no crescimento ou anemia ferropriva. Os bebês do grupo BLISS tiveram mais episódios de gag aos 6 meses de idade, porém menor freqüência aos 8 meses de idade, e não foram observadas diferenças significativas nos números de eventos de engasgo.

Esses achados ajudam a aliviar as preocupações com a segurança de uma introdução alimentar conduzida pelo bebê. Os pais podem ter autonomia para escolher livremente a forma de introduzir alimentos ao bebê, e ainda, o BLW bem orientado pode até ser encorajado, com o objetivo de diminuir as preocupações com neofobia, recusa alimentar e comportamentos disruptivos durante refeições (4), vistos com cada vez mais frequência na infância.

O que é necessário ressaltar, no entanto, é que o protocolo de intervenção BLISS forneceu suporte e conselho individualizado para promover a oferta de alimentos ricos em ferro e energia e orientar quanto aos alimentos que representavam um risco de asfixia. Assim, a segurança da promoção do BLW para um público geral, sem acompanhamento, ainda precisa ser confirmada. De toda forma, os estudos ainda estão em andamento e bom, não se descobre a roda da noite para o dia, não é mesmo? Estamos todos ansiosos para os próximos resultados.

Esse texto foi elaborado a partir da aula “Evidências em BLW”, do Módulo 2 do Curso Avançado em Introdução Alimentar ParticipATIVA e Baby-led Weaning 2.0. O curso completo tem 40 horas e te dá toda a base teórico-prática para compreender, praticar e/ou orientar as abordagens de introdução alimentar tradicional responsiva, participativa ou guiada pelo bebê.

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Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em co

Referências:


1 – Taylor et al (2017). Effect of a Baby-Led Approach to Complementary Feeding on Infant Growth and Overweight: A Randomized Clinical Trial. JAMA Pediatr. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28692728

2 – Brown A. (2017). No difference in self-reported frequency of choking between infants introduced to solid foods using a baby-led weaning or traditional spoon-feeding approach. J Hum Nutr Diet. https://doi.org/10.1111/jhn.12528

3 – Fangupo et al (2016) A Baby-Led Approach to Eating Solids and Risk of Choking. Pediatrics. http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2016/09/15/peds.2016-0772 

4 – Lakshman et al (2017). Baby-Led Weaning—Safe and Effective but Not Preventive of Obesity. JAMA Pediatr. doi:10.1001/jamapediatrics.2017.1766

 

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O que você precisa saber sobre a Introdução Alimentar ParticipATIVA

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Como já conversamos anteriormente, existem muitos mitos e crenças a respeito de como deveria ser feita uma introdução alimentar adequada. Apesar de estar minuciosamente descrita em diversos manuais de saúde ao redor do mundo, incluindo a Organização Mundial da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde do Brasilna prática, algumas crenças são fortemente assimiladas e difundidas pela cultura popular, por profissionais da saúde desatualizados e pela Indústria. Grande parte dessas crenças são baseadas em uma cultura milenar, dentro de um paradigma relacionado à escassez de alimento. Isso faz parte de uma grande bola de neve que tem sido um dos principais responsáveis pelo aumento do sobrepeso e doenças correlatas na infância.

Leia mais: Mitos e verdades sobre a introdução alimentar

Com a ampliação da discussão sobre a abordagem Baby-led weaning  (BLW), tem sido possível refletir profundamente sobre o modelo de introdução alimentar tradicional atual. Embora as pesquisas nesse campo tenham avançado, até os dias de hoje, quando se fala em introdução alimentar utilizando o termo tradicional, parece impossível desvincular a oferta da papinha assistida através do modelo passivo do “aviãozinho“.

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Fonte: Nani Humor

O BLW é um modelo completamente antagônico à essa alimentação complementar vista como tradicional, pois não prevê a oferta assistida pelos cuidadores em nenhum momento. Pelo contrário,  fundamenta-se na alimentação sob livre demanda e gerenciada pelo próprio bebê, confiando que ele possa ter total controle sobre sua própria alimentação, obviamente dentro da rotina proposta pela própria organização familiar.

Desta forma, ainda que os pais ofereçam alimentos em pedaços desde o início da IA, oferecer comida passivamente ao bebê vai na contramão dos principais fundamentos do BLW, que são o respeito à autonomia e a confiança de que o bebê sabe o que, quanto, como e com que ritmo irá comer. Para que ele exerça sua auto regulação sem interferências e sem a necessidade da interpretação do adulto em relação aos seus sinais de fome e saciedade.

Gill Rapley, em 2015, defendeu seu doutorado e nele observou algumas diferenças importantes ao comparar a auto-alimentação com a alimentação passiva com a colher. A seguir, as fotos mostram explicitamente como o bebê e o cuidador se comportam de formas bastante diferentes durante cada uma dessas situações:

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Dentro desse contexto, entender perfeitamente o que é o Baby-led Weaning é extremamente importante. Segundo Rapley, quem está ouvindo sobre BLW pela primeira precisa tomar decisões conscientes sobre o que estão fazendo ou pretendendo fazer. Caso contrário, tendem a desanimar quando o BLW “não funcionar”, mais frequentemente visto com a queixa “meu bebê não leva a comida à boca”, quando na verdade, no BLW há total respeito e confiança na própria intenção do bebê em levar ou não o alimento até a boca. Muitos bebês não demonstram prontidão para se alimentar até aproximadamente os 9 meses de vida e, de fato, forçar que ele prove um alimento em pedaço sem que ele esteja intrinsecamente pronto para recebê-lo poderia inclusive aumentar o risco de engasgo e levar a asfixia.

Leia mais: O BLW não deu certo comigo

Além disso, precisamos aumentar o conhecimento que temos sobre a alimentação infantil guiada pelo bebê. As pesquisas precisam de metodologia clara e concisa, caso contrário estamos comparando alho com bugalho, como dizia minha avó. BLW é mais do que apenas oferecer sua comida para o bebê pegar – é sobre a confiança para saber o que ele mesmo precisa. Então “fazer um pouco de cada” ou “algum tipo de auto-alimentação e alguma alimentação assistida” pode funcionar pra você e pro seu contexto e dinâmica familiar, mas não é BLW.

E embora eu reconheça a importância da definição exata e das bases e fundamentos do BLW, concordo plenamente com o que Gill Rapley disse em seu workshop, em Novembro passado aqui no Brasil:

“o BLW é o ideal, mas a maternidade é real”

E a introdução alimentar tradicional vem historicamente tão cheia de significados, crenças e mitos, que fica impossível se encaixar em uma abordagem tradicional depois de entender e re-significar todo o paradigma que veio sendo criado ao longo do tempo. É dentro desse contexto que um grande número de famílias tenta encaixar os fundamentos da abordagem BLW na sua rotina de introdução alimentar, e não sabe muito bem ao certo explicar sua escolha. Geralmente dizem “faço um pouco de cada” – e como vimos, não existe “um pouco de BLW”.

Leia mais: Mitos e verdades sobre a introdução alimentar tradicional

Foi em 2015 que o termo Introdução Alimentar ParticipATIVA começou a ganhar força, ainda no meio online, por conta de uma hashtag que eu comecei a usar no instagram e que se popularizou. Hoje, já são milhares postagens com a tag #iaparticipativa. E essa abordagem, ao meu ver, tomou essa proporção pelo acolhimento aos milhares de cuidadores que se identificam com o BLW, mas não conseguem levá-lo à prática em 100% da sua dinâmica. Recebo centenas de mensagens de famílias que se encantam com o BLW, mas não conseguem aplicá-lo à risca. E é nesse “limbo” que a gente se encontra, nessa busca pelo respeito, confiança e autonomia, ainda que exista a oferta de alimento guiada pelo adulto. É na busca pelos fundamentos do BLW na realidade, no contexto e no dia a dia de cada um.

Meu principal objetivo com o termo Introdução Alimentar ParticipATIVA é popularizar os fundamentos do BLW e o que há de mais atualizado em termos do conhecimento que temos acerca da alimentação infantil, acabando de vez com o paradigma desatualizado que recai sobre o termo introdução alimentar tradicional. Chega de papinhas processadas, apetrechos desnecessários criados pela indústria, mingaus açucarados pra engordar e “abre a boca, olha o aviãozinho”.

Com o tempo, minha expectativa é que o termo seja até desnecessário, a ponto que toda e qualquer Introdução Alimentar seja orientada de forma adequada e atualizada, com o bebê sendo considerado o protagonista em todo esse processo. De forma inédita no Brasil, em 2017, a Sociedade Brasileira de Pediatria, que antes considerava a evolução gradual da consistência dos alimentos a partir dos 8 meses (papa com pedaços), em sua última publicação já reconhece que no momento da alimentação complementar o bebê também deve experimentar com as mãos, estimulando a interação com a comida, explorando as diferentes texturas dos alimentos como parte natural de seu aprendizado sensório motor e evoluindo conforme seu tempo de desenvolvimento.

Pela minha experiência, a “Introdução Alimentar ParticipATIVA” é uma abordagem que tem se mostrado, na prática, em um continuum de transição, do que antes considerávamos normal, para o cenário que o BLW nos trouxe à tona. Passamos de um modelo que era completamente passivo e baseado na quantidade, na necessidade de ingestão de comida e no medo do engasgo, para o paradigma da qualidade, da abundância de aprendizagem e do respeito e confiança no bebê durante esse período. Entendendo o desenvolvimento infantil dentro desse processo e a importância das oportunidades para o desenvolvimento das habilidades de auto-alimentação.

Essa transição se apresenta em uma linha contínua, que liga o paradigma tradicional ao guiado pelo bebê, considerando esses dois movimentos completamente opostos. E onde coexistem, na linha desse continuum, milhares e milhares de cuidadores e bebês com suas devidas realidades, crenças, culturas, necessidades e dinâmicas familiares.

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Mudança do paradigma tradicional para o da introdução alimentar guiada pelo bebê. (Padovani, 2017)

 

Vale ressaltar que a Introdução Alimentar ParticipATIVA vai de encontro aos Manuais Oficiais de introdução alimentar em vigor no Brasil e no Mundo. E muito além, incentiva as famílias a entenderem o processo de prontidão do bebê, dentro da construção de uma rotina flexível, que tem início aos seis meses, e permite que gradativamente o bebê tenha espaço e oportunidade para se interessar pelos alimentos e começar a comer dentro do modelo de divisão de responsabilidades, como o proposto por Ellyn Satter e ampliado por Gill Rapley. Os cuidadores são incentivados a apresentar, desde o início da introdução alimentar, os alimentos em seu formato original, possibilitando não apenas que as crianças experienciem o máximo possível de sensações desde o seu primeiro contato com os alimentos, como também tenham cada vez mais autonomia, conforme progridem suas habilidades de auto-alimentação.

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Modelo de Divisão de Responsabilidades em uma abordagem ParticipATIVA

 

Leia mais: O que você não sabe sobre o Baby-led Weaning


Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em co

Saiba mais sobre o Curso Avançado em Introdução Alimentar ParticipATIVA e Baby-led Weaning AQUI.

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Referências:

 

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção
Básica. Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos: um guia para o profissional da saúde na atenção básica. 2ª. ed, Ministério da Saúde, Brasília, 2013.

Padovani AR. Introdução Alimentar ParticipATIVA. Versão digital em e-book. Copyright CONALCOLab 2017 (no prelo).

Rapley G, Tracey M. Baby-led weaning: o desmame guiado pelo bebê. Editora Timo, 2017.

Rapley G. Spoon-feeding or self-feeding? The infant’s first experience of solid food. PhD (Philosophy). Canterbury Christ Church University. 2015.

Satter E. Child of Mine: feeding with love and good sense. Bull Publishing Company. 2000.

Sociedade Brasileira de Pediatria. A Alimentação Complementar e o Método BLW (Baby-Led Weaning). Departamento de Nutrologia, Guia Prático de Atualização, nº3. Maio, 2017.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola. Departamento de Nutrologia, 3a ed. Rio de Janeiro, RJ: SBP, 2012.

World Health Organization. Department of Nutrition for Health and Development. Complementary feeding: family foods for breastfed children. Geneva: WHO, 2000.

WHO. Global Consultation on Complementary Feeding. Guiding Principles for Complementary Feeding of the Breastfeed. December 10-3, 2001.

Pesquisa mostra que o BLW não aumenta o risco de engasgo durante a introdução alimentar

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Um artigo publicado em dezembro de 2017, no Journal of Human Nutrition and Dietetics, mostrou ausência de associação entre o aumento do risco de engasgo e o Baby-led Weaning (BLW).

Segundo a autora do estudo, Dra Amy Brown, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Swansea (Reino Unido), esses resultados devem ser considerados com cautela, dadas as limitações metodológicas da pesquisa. Entretanto, interpretados no contexto, já nos dão um amplo panorama para entender a segurança da abordagem e oferecem um importante caminho a se trilhar nas próximas pesquisas.

O estudo foi feito através de questionário de auto-relato, explorando episódios de engasgo entre bebês em fase de introdução alimentar. Em especial, a autora comparou a abordagem BLW, que permite que os bebês se auto-alimentem de acordo com a alimentação familiar, com a abordagem tradicional de oferecer papinha na colher.

No total, foram entrevistadas 1151 mães de bebês com idade entre 4 a 12 meses, que responderam espontaneamente sobre o modo pelo qual introduziram os alimentos aos seus bebês (seguindo um BLW estrito, uma abordagem flexível do BLW ou uma abordagem tradicional). As mães foram perguntadas sobre a frequência de colheradas e de papinhas (porcentagem por refeição) e relataram episódios de engasgo. Caso o bebê já tivesse engasgado, as mães foram perguntadas quantas vezes, com que tipo de textura (papa, papa granulada, alimentos em pedaços) e exemplos de alimentos específicos.

No total, 13,6% dos bebês haviam engasgado pelo menos uma vez (n=155/1151). Não foram encontradas diferenças significativas relacionadas à abordagem escolhida, ou à proporção de colheradas e o uso de papas. Ou seja, o risco de já ter engasgado pelo menos uma vez foi o mesmo entre bebês que seguiram uma abordagem BLW (estrita ou flexível) e aqueles que seguiram uma abordagem tradicional.

Os achados corroboram dados de estudos prévios, que sugerem que o BLW não aumenta o risco de engasgo durante a introdução alimentar. 

Entretanto, examinando a frequência de engasgo entre os bebês que engasgaram pelo menos uma vez (n=155), a autora observou uma associação positiva entre a abordagem tradicional e um aumento na frequência de episódios de engasgo, especialmente relacionada à textura.

Quanto maior a proporção do uso de colheradas e papas, maior foi a frequência de engasgo com a papa granulada e alimentos em pedaços. 

Sabe-se que a textura é uma característica bastante importante durante a aprendizagem da mastigação. Dra Brown argumenta que esses resultados podem ser devido à baixa exposição às texturas mais firmes, como dos alimentos em pedaços, na abordagem tradicional.

A autora reforça que seus achados não deveriam ser considerados como evidência definitiva do BLW em relação ao engasgo , visto que a amostra do estudo representa um recorte não aleatório da população. Assim como pesquisas prévias, a maioria das mães do estudo tinham mais de 25 anos e ensino superior. Neste estudo em particular, foram recrutadas através de fóruns online de introdução alimentar, ou seja, fizeram uma opção ativa pelo BLW, tendiam a ter contato com outras mães que também optaram pelo método e, no geral, são extremamente bem informadas sobre a abordagem. Os resultados do estudo podem, em parte, ser mais positivos por esse background materno, considerado pela autora como “padrão ouro”. Para generalizar esses resultados, seria necessário uma amosta muito mais diversa, e igualmente randomizada.

Que tipo de educação seria necessária para garantir que os alimentos no BLW fossem oferecidos de forma apropriada ao nível de desenvolvimento do bebê?

 

Para saber mais sobre o Curso Avançado em Introdução Alimentar ParticipATIVA e BLW acesse: conalco.com.br/cursoblw

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em co

Referência:

Brown A. (2017) No difference in self-reported frequency of choking between infants introduced to solid foods using a baby-led weaning or traditional spoon-feeding approach. J Hum Nutr Diet. https://doi.org/10.1111/jhn.12528

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Você realmente sabe o que é o BLW e a Introdução Alimentar ParticipATIVA?

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Semana passada, assisti uma live em um canal de grande impacto no Youtube e me preocupei bastante com a mensagem sobre BLW que ficou no ar. Entre algumas coisas que falaram sobre a abordagem, no geral ficou a ideia de que “o bebê só conseguiria comer comida em palitinhos”, que “esses bebês nunca usarão talheres” e – o pior de tudo – que “o BLW exigiria além do desenvolvimento do bebê, o que acabaria por criar crianças frustradas com sua própria alimentação”.

Vou citar minha querida colega e parceira Viviane Vieira, do Maternidade Sem Neura, que esteve comigo presente em todos os eventos #BLWnoBRASIL do último mês e fez considerações bastante importantes em sua página no Facebook:

“Compreender que BLW é só comida de palitinho reduz em muito essa abordagem. E quando alguém pensa que BLW impõe algo ao bebê quando ele não está preparado, deixando-o frustrado e com percepção negativa da alimentação só me leva a entender que se está falando de outra coisa que não é o BLW. BLW não impõe. Pelo contrário, dá oportunidade. Ele não força o bebê para uma situação que ele não está pronto. Ele considera o seu desenvolvimento para que, somente então, o bebê coma. Se um bebê é livre para comer, por que ele ficaria com uma conotação negativa da comida? E podem ficar tranquilos pq as crianças não vão comer com a mão para sempre (a não ser que faça parte da cultura dela). Olha que surpresa! Ela manuseia o talher até mais rapidamente do que outras crianças! Mas concordo que BLW é um desafio para muitas famílias por causa do contexto social, incluindo o fim da licença da mãe. Porém, se pensarmos assim, também deixaremos de apoiar a amamentação, não?”

Quem acompanha meu trabalho sabe que não sou contra alimentos amassados ou papinhas. Minha luta maior é para que as pessoas entendam que entre querer que o bebê coma e o bebê estar pronto pra comer, existem mil nuances no processo. Que um bebê de seis meses começa a apresentar sinais de prontidão para se auto-alimentar e que podar esse processo, fazendo tudo por ele, pode ser bastante prejudicial para o seu desenvolvimento. E que mais do que tudo, para se desenvolver integralmente, a criança precisa de oportunidades.

E não, não são os bebês BLW que se frustram. É o ADULTO que se frustra, quando espera que em data certa o bebê pegue um alimento e leve-o à boca, sem que ele esteja pronto e disposto à isso. O paradigma da introdução alimentar tradicional não responde às questões do BLW. É impossível comparar qualquer resultado entre as duas abordagens, pois elas são absolutamente opostas.

E muitas e muitas vezes, considerem, o BLW pode ser a resposta para uma introdução alimentar tradicional que não dá certo. Porque frustrante mesmo é tentar dar colheradas para um bebê que claramente proclama por autonomia. Frustrante é quando o cuidador se desconecta completamente do bebê e insiste para que ele coma a quantidade que está escrita nos manuais. Frustrante é fazer comidinha organiquinha amassadinha e o bebê não abrir a boca nem por decreto. Frustante é acompanhar tantas e tantas famílias e bebês que fazem BLW FELIZES, querer contar isso pro mundo e empatar num discurso tão infeliz quanto esse em um meio de comunicação potente. Isso sim é frustrante PACAS.

As matrículas para a versão 2.0 do Curso Avançado em Introdução Alimentar ParticipATIVA e BLW já estão abertas. 

Você pode conferir todo o conteúdo e valores do curso aqui

Bora espalhar a mensagem pro mundo!

Se quiser conversar, vou receber sua mensagem com muito carinho. Manda suas dúvidas também, terei o maior prazer de respondê-las ao vivo!

Um grande beijo,

Com carinho,
Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em co


 

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Quando e como oferecer carnes ao bebê? (BLW e participATIVA)

Por Nutricionista Clara Rodrigues

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Foto: Ana Quesada

No momento da introdução alimentar, muitas dúvidas surgem e a oferta de cárneos sempre gera muita insegurança. Quando posso oferecer carnes? Que carnes oferecer? Como preparar? Como cortar? Espero que esse texto ajude a sanar algumas dessas dúvidas.

A introdução de carnes na alimentação do bebê pode ser iniciada a partir dos 6 meses, junto com os outros alimentos. Muitas pessoas acham que as carnes precisam ser magras, mas não é necessário ter medo de optar por cortes de frango ou carne bovina que tenham mais gordura, pois os bebês têm uma necessidade proporcionalmente maior de gorduras do que o adulto.

Além disso, cortes mais gordurosos costumam ter uma textura menos seca, o que facilita a mastigação e deglutição, principalmente, no início da introdução alimentar. Músculo, acém, paleta, coxinha da asa, sobrecoxa, filé de peixe são ótimas opções para iniciar. As carnes de bode, carneiro, porco e rã (sim, rã!) também podem ser oferecidas, desde o início. Sempre lembrando que é de extrema importância verificar a procedência de qualquer tipo de carne, no momento da compra.

Cortar a carne no sentido transversal das fibras faz com que não se soltem fiapos longos e difíceis de engolir. Oferecer os cárneos no formato de almôndegas ou de hamburguinho (caseiro, claro) facilita para o bebê pegar com a mão, enquanto não tem o movimento de pinça desenvolvido. Misturar a carne triturada com legumes cozidos macios (como abóbora, cenoura ou batata) também pode ser uma opção para facilitar a deglutição, especialmente nos casos em que a carne tiver uma textura mais seca.

À medida que o desenvolvimento do bebê atinge outros marcos, ele aprimora as habilidades motoras globais e orais e, mesmo alimentos mais secos, passam a ser mastigados e deglutidos sem dificuldade. Respeitar as etapas de desenvolvimento do bebê e adaptar a alimentação às habilidades adquiridas é essencial, tanto na introdução dos cárneos como nos outros grupos alimentares. Lembre-se: a meta é que até os 12 meses o bebê esteja comendo a comida da família.

 


Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal die.png

 


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Quando o bebê aprende a comer com o talher?

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Não existe data mágica para que o bebê se interesse em usar o talher…

As habilidades de auto-alimentação se desenvolvem gradualmente, conforme o desenvolvimento motor do bebê avança e os movimentos motores aumentam em número, velocidade, acurácia e complexidade. No nível cognitivo, o bebê começa a assimilar, pouco a pouco, os esquemas de auto-alimentação através da observação e experimentação. Por isso, quanto mais oportunidades, maiores as chances das habilidades se desenvolverem naturalmente, sem que haja a necessidade de “treino”.

HABILIDADES

Figura 1. O desenvolvimento de uma habilidade é dependente de uma série de fatores, inerentes ao próprio indivíduo, ao ambiente que o cerca e às características da própria tarefa

 

Treino, inclusive, é uma palavra que eu prefiro não usar. Pela perspectiva do Baby-led Weaning e da Introdução Alimentar ParticipATIVA, o bebê neurotípico está predisposto a aprender e se desenvolver, sequencial e progressivamente, em um meio que favorece seu aprendizado. Assim, os talheres poderiam ser disponibilizados desde o início, porém sem expectativas de que o bebê irá começar a usá-los no tempo do adulto. O bebê vai começar a utilizar os talheres a partir da disponibilidade destes e de sua própria prontidão motora e cognitiva.

 

Favorecendo o uso dos talheres

Dito isso, vamos falar sobre oportunidades, e como acompanhar o desenvolvimento motor e cognitivo do bebê, organizando o ambiente e as tarefas de forma que o entorno seja positivo e favorecedor ao desenvolvimento das habilidades necessárias para o uso dos talheres (Figura 1).

 

Familiarização

Não existe dia certo para apresentar os talheres. Eles podem ser colocados na mesa ou bandeja do cadeirão antes mesmo da apresentação dos alimentos. Bebês que já sentam antes dos seis meses, não só podem como devem participar dos momentos de refeição familiar.

Leve o bebê junto à mesa com vocês e deixe que ele manipule os talheres, copos e pratos como brinquedos. Isso tudo faz parte do processo de familiarização, especialmente no início.

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Deixe o bebê explorar os utensílios assim que ele começar a sentar com mínimo apoio

 

Garfo ou colher?

Nenhum dos dois. Saiba que a base motora para levar um talher à boca se inicia no momento em que o bebê começa a levar as mãos e os objetos à boca. A destreza com os dedos, preensão, o equilíbrio, o alcance são habilidades prévias que podem ser adquiridas ainda com um mordedor, um brinquedo, um pedaço de brócolis ou uma colher. Cada qual com uma formas, textura e peso diferente, irão ensinar ao bebê os esquemas motores básicos que futuramente vão ser utilizados na aprendizagem da auto-alimentação com talheres. Então não se prenda à esse detalhe, apenas dê diferentes oportunidades.

A medida que o bebê vai mostrando aumento da complexidade nas habilidades motoras, como começar a levar à boca o alimento com mais facilidade, começar a esboçar um movimento grosseiro de pinça e transferir alimentos de uma mão à outra, o talher já pode ser colocado com o intuito de despertar interesse para a auto-alimentação. As próximas descobertas serão lentas e graduais, especialmente por observação e experimentação.

 

Experimentação

Não existe regra para começar por um ou outro utensílio, como já foi dito. Mas, respeitando as fases de desenvolvimento motor e cognitivo do bebê, é bem provável que vocês dois se frustem menos sabendo como lidar e o que esperar durante a curva de aprendizagem.

Uma boa forma de começar com os talheres é apresentando uma colher rasa, preenchida com algum alimento pegajoso. O  bebê vai naturalmente ver o objeto como um brinquedo e levá-lo à boca (ou ao olho, cabelo, bochechas rs). Aos poucos ele vai percebendo que aquele objeto pode transferir aquela “coisa” com sabor, do prato/bandeja para a boca. E começa tentar mergulhar a colher e lamber o que fica grudado nela.

 

A colher rasa é mais fácil porque dispende menos energia e complexidade tanto para  para encher a colher como também para capturar e retirar o alimento com os lábios. Pratos com bordas altas e que não escorregam também facilitam que o bebê consiga encher uma colher mais facilmente, para então poder carregá-la até à boca.

 

Algumas marcas estrangeiras já pensaram estrategicamente nessa fase inicial, desenvolvendo uma colher pequena, completamente reta (sem a “concha”) e cheia de vilosidades. Ela permite que o alimento grude ao material com facilidade, reduzindo o grau de complexidade da tarefa motora. Assim, a partir dos seis meses, alguns bebês já fazem o movimento simples de levá-la até boca, como fazem com qualquer outro brinquedo. O uso desse utensílio não é de fato essencial, mas pode auxiliar especialmente as crianças com algum atraso motor.

 

E eu não indico usar a colher torta, a não ser que seu bebê tenha alguma alteração física ou motora que a faça necessária. Simplesmente porque os movimentos que a criança faz para levar o alimento à boca com uma colher torta são diferentes dos movimento que ela faz quando usa uma colher regular. Lembre-se, a tarefa também é importante na aprendizagem, e derrubar faz parte. Em alguns casos, a colher torta pode dificultar a aprendizagem da colher normal, visto que a criança vai ter que reaprender a usar o utensílio.

Outra coisa que você também pode gostar de saber é que o controle motor dispendido para levar o alimento para a boca com o garfo é muito menos complexo do que com a colher (que precisa de mais acurácia, força e equilíbrio). Você pode mostrar ao bebê que é possível espetar o garfo em uma fruta picada, por exemplo, e deixar que ele faça o movimento de levar até a boca.

 

Usar o garfo e alimentos picados pode ser inclusive uma estratégia bem eficiente para aquela fase em que os bebês jogam a comida longe apenas para ver a trajetória e a queda (estão aprendendo relações de causa e consequência por volta de 9-10 meses). Ensinar uma habilidade diferente nesse momento pode desviar o foco dessa “jogatina” e instigá-los a querer praticar o uso do garfo. Leia mais: Os 10 maiores desafios do BLW

 

Vocês são o modelo

Bebês naturalmente aprendem por observação. Então, culturalmente, se a sua família utiliza colher, garfo e faca, e vocês dão a oportunidade da criança se familiarizar e ter experiências com esses utensílios, fiquem tranquilos!

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Dê tempo ao tempo

De fato, uma das coisas mais importantes que você deve assimilar é que o uso dos talheres não acontece da noite para o dia. A grande maioria dos bebês tende a utilizar os talheres como um batuque inicialmente, levando meses para usar o talher para transportar o alimento do prato à boca. Alguns bebês internalizam o esquema rapidamente, e amam comer com talher, outros podem demorar meses (ou anos) para que decidam utilizá-lo.

De qualquer forma, quando se opta por um estilo de criação ativa que preza pela autonomia, é importante deixar as expectativas de lado. Se o bebê estiver disposto a comer, com certeza ele irá preferir usar as mãos, se para ele assim for mais fácil e prazeroso.

À medida que ele se desenvolve e percebe que o talher o ajuda a levar certos alimentos com mais facilidade à boca (como por exemplo arroz e feijão, uma sopa ou um mingau), ele tende a se interessar mais pelo seu uso também. Isso tende a acontecer após 1 ano, quando não somente suas habilidades motoras estão mais eficientes, como também seus esquemas cognitivos e suas habilidades psicossociais estão se desenvolvendo a todo vapor. Cada vez mais eles vão querer autonomia e serem reconhecidos por isso!

Devagar e Sempre! 😉

 

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em co


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Vale a pena fazer festa no parque?

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Difícil hoje em dia é gastar pouco em festa de aniversário…. Geralmente cheia de pre-requisitos, muitas guloseimas, enfeites, personalizados, lembrancinhas, o orçamento final pra uma festa bacana não sai nada barato.

O primeiro aninho do Nícolas foi em uma praça, uma das poucas praças bem cuidadas e disponíveis para lazer em São Paulo. Nós preparamos tudo, desde decoração até comida, e o resultado final foi lindo, mas exaustivo demais… Lembro de olhar as fotos e pensar que a festa definiu como tinha sido meu primeiro ano de maternidade: incrível, mas cansativo até a gota. rs

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O mais gostoso de fazer ao ar livre é ver as crianças se divertindo e correndo em meio à natureza… Pés e roupas sujas de areia, suor e cansaço de quem brincou e se divertiu demais com certeza estarão presentes no final da festa. No primeiro ano do Nícolas eu contratei uma empresa que contou histórias e cantarolaram músicas, mas no fim das contas achei que as crianças estavam ansiosas para que terminasse logo e elas pudessem ir brincar.

Para o primeiro ano do Quim, escolhemos um parque em Jundiaí, que é onde moramos atualmente. Um parque lindo demais, não muito cheio, com parquinho infantil, quiosque, quadra e com a possibilidade de levar animais de estimação. Pensamos no mesmo esquema da festa anterior, mas dessa vez decidi contratar a comida e os doces, e olha só, consegui até passar um batonzim pra foto hehe.

Entrei em contato com a Letícia, do Tá na Mesa Culinária Consciente, que tem uma empresa que faz comidinhas saudáveis para festas. A Letícia trouxe uma feirinha de madeira com frutas frescas e picadas, e deixou tudo ainda mais charmoso. Também levou as bebidas, sucos naturais e água aromatizada na jarra de vidro. Ficou tudo uma graça, além de muito saudável e saboroso!

Fotos: Ana Quesada Fotografia

 

A Luciana da Beeijinho Confeitaria ficou responsável pelo bolo e pelos doces! Ela tem uma proposta super bacana pra festas infantis, com bolos e doces com e sem açúcar, e as receitas são sem aqueles milhares de aditivos industrializados. Foi um sucesso absoluto! Como sempre, eu deixo os doces livres e à vontade! Apenas o bolo cortamos depois do parabéns, o restante ficou tudo junto na mesa com fácil acesso para as crianças.

 

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Fotos: Ana Quesada Fotografia

 

Pra quem tá com o bolso curto, eu ainda sugiro fazer um esquema mais caseiro mesmo. Comprar tortas, salgados assados e bolos prontos vale muito a pena, pois não custam tão caro e te economizam tempo pra fazer outras coisas. Comprar sanduíches de metro também é uma opção.

Eu até pensei em fazer um esquema piquenique mesmo, cada um traz um prato de doce ou salgado. Eu sou super tranquila com festas, acho que o importante mesmo é ter gente legal reunida, com comida, abraços, risadas e carinho. Gente que está feliz em estar ali apenas por dividir com a gente esse momento tão especial dos nossos filhos.

 

Dicas especiais para festinhas no parque:

#1 Escolha um lugar bonito por natureza

Se você escolher um lugar que já seja lindo, você terá que se preocupar pouco com decoração e coisas do tipo. A própria natureza se encarrega de encantar os convidados!

Na praça que escolhemos em SP, havia um “caseiro” que cuidava do local, então combinamos com ele e pagamos uma diária pra que ele limpasse os banheiros da praça antes e depois, e colocasse o lixo que juntamos ao final para coleta no dia certo.

No parque em Jundiaí, visitamos antes e tivemos que enviar um e-mail para a prefeitura para dizer que iríamos fazer a festa no local. Já existem funcionários no parque, então apenas deixamos todo o lixo organizado ao final e não tivemos que pagar taxas extras. É necessário atentar-se para as regras que cada parque possui, como por exemplo, não permitir o acesso de bebidas alcoólicas.

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Parque do Engordadouro em Jundiaí. Foto: Ana Quesada Fotografia

 

#2 Menos é mais

As crianças estão sempre dispostas a brincar em meio à natureza. No primeiro aniversário gastamos com animação, no segundo preferi deixar as crianças à vontade e elas aproveitaram demais!

Levamos brinquedos como bola, peteca, peão, bola de gude, bambolês, cataventos, bolinhas de sabão e pipas. Essas também eram as lembranças da festa, as crianças podiam levar o que eles mais gostaram de brincar durante a festa. Não só as crianças, como os adultos aproveitaram bastante o dia!

Fotos: Ana Quesada Fotografia

 

#3 Leve tudo pronto

Quanto menos você tiver que preparar na hora, melhor. Na primeira festa nós inventamos de fazer sanduíche de metro na hora e foi um caos! Na festinha do Quim tivemos o privilégio de ter contratado a Letícia do Tá na Mesa Culinária, que cuidou não só do cardápio, como ficou durante toda a festa dando suporte. Foi perfeito, mas entendo que pode extrapolar o orçamento.

Então se você resolver fazer os quitutes, prepare tudo com antecedência, leve os sucos congelados e tudo já picado e separado em potes, apenas para organizar nas bandejas. E mesmo que você consiga fazer todos os quitutes, tente contratar ao menos uma pessoa pra te ajudar a deixar a mesa limpa, repor as comidinhas nas bandejas, e o gelo na água e sucos. Isso vai te deixar mais livre pra curtir a festinha com sua cria e convidados!

#4 Tire muitas fotos!

Luz natural do dia rendem fotos fantásticas! Se você tiver a oportunidade, contrate um fotógrafo profissional para que você não tenha que se preocupar com mais essa missão! A Ana Quesada foi quem clicou o primeiro aninho do Quim, e através do olhar das lentes dela pude relembrar vários momentos que passaram desapercebidos na correria da festa. A gente não pára 1 segundo no dia e é uma delícia ver como todos se divertiram!

Caso extrapole o orçamento, peça aos seus amigos e familiares para compartilharem todas as fotos com vocês após a festinha! Se você tiver criado um grupo previamente no Facebook, isso pode te ajudar a organizar as fotos com todos os convidados mais facilmente.

 

O que você não pode esquecer antes do dia

 #1 Cheque a previsão do tempo

Tenha sempre um plano B em mente, pode ser o salão de festas do condomínio ou a casa de alguém que comporte os convidados… Faça um evento no Facebook com todos os convidados, assim você consegue avisar todo mundo caso tenha que mudar a festa de lugar de última hora!

#2 Reserve a data no local

Tenha certeza que o parque permite festas no local, e a necessidade ou não de reserva. Apesar de serem públicos, cada parque tem um conjunto de regras local e como cidadãos temos o dever de respeitar!

#3 Certifique-se que você tenha

  • Mesa grande para as comidinhas
  • Mesa pequena de apoio
  • Toalhas de mesa
  • Gelo e caixa térmica
  • Recipientes para servir tudo o que você escolheu
  • Copos, pratos, talheres e guardanapos
  • Lixeira e saco de lixo

#4 Tenha em mente

  • Escolha um lugar reservado o suficiente no parque, mas tenha em mente que o parque é público. Respeite as regras locais e caso alguma criança que não for convidada se aproxime, exercite a empatia para resolver a situação.
  • Ao posicionar a mesa, lembre-se que o sol muda de lugar. Então antes certifique-se que irá colocar realmente em um lugar que a sombra irá durar por todo o tempo da festa!
  • As pessoas vão querer/ precisar sentar. Caso tenha alguma amiga grávida, parente idoso ou alguém com alguma necessidade especial, certifique-se que vá ter espaço em algum banco público, ou leve cadeiras de praia. Para o restante dos convidados eu sempre levo alguns tapetes infantis e almofadas, e oriento que eles levem o que tiverem também. Outra opção é contratar empresas que fazem toda a decoração no local, incluindo os tapetes de piquenique, caixotes de madeira e almofadas.

 #5 Detalhes que fazem a diferença:

  • Toalha de mesa: um tecido bonito já garante boa parte da sua ‘decoração’. Arrume um tecido grande o suficiente que cubra todas as partes da mesa, assim vc pode esconder alguns itens embaixo da mesa (exemplo: potes com comidas extras, caixa térmica, sucos e outras bebidas etc).
  • Bandeirinhas, pompons, cataventos, varal de fotos, dobraduras… todas as cores são bem vindas para deixar o cantinho da festa especial!
  • Protetor solar e repelente para os desprevenidos.
  • Canecas, copos ou garrafinhas são uma ótima lembrancinha e garantem a hidratação nos próprios bebedouros do local.
  • Bonés ou chapéus também são uma excelente lembrancinha que as crianças podem usar durante a festa para se protegerem do sol.

 

Tá na hora do jabá!

Na festa de 1 aninho do Nícolas a gente estava super apertado, então eu acabei optando por fazer absolutamente tudo. Fomos na 25 de março, Mercadão da Lapa, fizemos desde as bandeirinhas até a salada de grão de bico. Deu MUITO trabalho e, sendo bastante sincera, gastei mais energia do que economizei. Tinha prometido pra mim mesma que não faria mais festa, mas como eu AMO festas e amo organizar eventos, eu sempre me esqueço do trabalho que dá rsrs

Então na festinha do Quim, colocando tudo na ponta do lápis eu decidi economizar muito mais na decoração (mesmo porque a gente já tinha itens das festas anteriores do Ni) e fazer uma parceria com essas pessoas mega queridas, que fizeram o dia ser delicioso e muito menos desagastante pra mim! Anota aí porque são recomendações de itens BEM difíceis de achar no mercado!

 

Fotografia: Eu tenho a sorte de ter uma amiga fotógrafa excepcional, de coração gigante e sorriso doce… A Ana Quesada consegue capturar momentos com olhar de quem está participando da festa, de quem faz parte da família. Sem pose, sem preparação, sem frufru. Ao ver as fotos da Ana depois da festa, fui inundada por uma sensação deliciosa, de tudo ter valido a pena! Foi como se ela tivesse sido meus próprios olhos, me lembrando dos detalhes que na correria da festa eu perdi, mas que agora me trazem lembranças que enchem a alma de alegria! Agora é só escolher as fotos mais lindas pra ela montar o nosso álbum! 💗

 

Comidinhas Saudáveis para festas: eu conheci a Letícia pelo Instagram e me apaixonei automaticamente pelo trabalho dela! Ela tem uma pegada super saudável, fez excelentes sugestões para a festinha ao ar livre e um passarinho me disse que teve gente que nem sentiu falta da coxinha rs. Fora o fato dela ser uma querida e ter um serviço impecável, do começo ao fim! Anota o contato que vale a pena!

 

Bolos e doces especiais: A Luciana da Beeijinho Confeitaria faz bolos e doces especiais, com ingredientes selecionados, e também sem glúten, sem leite, com biomassa de banana verde, cacau 70%, bolo sem açúcar… Ao gosto do freguês! 😄😄 Tudo perfeito tanto no visual de dar água na boca como no sabor irresistível!!! Achei o bolo imenso e no final não sobrou quase nada! Fez o maior sucesso!!! Anota os contatos dela:

  • Beeijinho Confeitaria, por Luciana Uezu (SP)
  • pedidos: (011) 993573039
  • contato.beeijinho@gmail.com

 


Aline P