Quando e como oferecer carnes ao bebê? (BLW e participATIVA)

Por Nutricionista Clara Rodrigues

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Foto: Ana Quesada

No momento da introdução alimentar, muitas dúvidas surgem e a oferta de cárneos sempre gera muita insegurança. Quando posso oferecer carnes? Que carnes oferecer? Como preparar? Como cortar? Espero que esse texto ajude a sanar algumas dessas dúvidas.

A introdução de carnes na alimentação do bebê pode ser iniciada a partir dos 6 meses, junto com os outros alimentos. Muitas pessoas acham que as carnes precisam ser magras, mas não é necessário ter medo de optar por cortes de frango ou carne bovina que tenham mais gordura, pois os bebês têm uma necessidade proporcionalmente maior de gorduras do que o adulto.

Além disso, cortes mais gordurosos costumam ter uma textura menos seca, o que facilita a mastigação e deglutição, principalmente, no início da introdução alimentar. Músculo, acém, paleta, coxinha da asa, sobrecoxa, filé de peixe são ótimas opções para iniciar. As carnes de bode, carneiro, porco e rã (sim, rã!) também podem ser oferecidas, desde o início. Sempre lembrando que é de extrema importância verificar a procedência de qualquer tipo de carne, no momento da compra.

Cortar a carne no sentido transversal das fibras faz com que não se soltem fiapos longos e difíceis de engolir. Oferecer os cárneos no formato de almôndegas ou de hamburguinho (caseiro, claro) facilita para o bebê pegar com a mão, enquanto não tem o movimento de pinça desenvolvido. Misturar a carne triturada com legumes cozidos macios (como abóbora, cenoura ou batata) também pode ser uma opção para facilitar a deglutição, especialmente nos casos em que a carne tiver uma textura mais seca.

Como cortar a carne para oferecer ao bebê? #TaNaHoradoPapa #blwnobrasil #CursoAvançadoEmBLW

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À medida que o desenvolvimento do bebê atinge outros marcos, ele aprimora as habilidades motoras globais e orais e, mesmo alimentos mais secos, passam a ser mastigados e deglutidos sem dificuldade. Respeitar as etapas de desenvolvimento do bebê e adaptar a alimentação às habilidades adquiridas é essencial, tanto na introdução dos cárneos como nos outros grupos alimentares. Lembre-se: a meta é que até os 12 meses o bebê esteja comendo a comida da família.

 


Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal die.png

 


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Até quando vai a introdução alimentar?

Promoção de saúde tem sido um dos meus principais focos de atuação fonoaudiológica no momento e esse é o ponto de partida para o artigo de hoje. Eu venho batendo na tecla de que é extremamente mais fácil e prazeroso trabalhar com uma família durante a fase de introdução alimentar – e é quando se inicia a Educação Alimentar. Mas até quando vai a introdução alimentar? 

No campo de estudo da Nutrição, entende-se que os primeiros anos de vida de uma criança, especialmente os dois primeiros, são caracterizados pelo crescimento acelerado e enormes aquisições no processo de desenvolvimento necessárias para a alimentação. Isso inclui as habilidades para receber, mastigar e digerir outros alimentos, além do leite materno, e o autocontrole no processo de ingestão de alimentos, para atingir o padrão alimentar cultural do adulto.

Então até os dois anos (aproximadamente), espera-se que a criança esteja comendo uma variedade de alimentos, em suas diferentes formas, texturas e sabores. Espera-se que seja capaz de solicitar comida quando tem fome e que recuse ou pare de comer espontaneamente quando se sente saciada. O paladar vem se formando desde a gestação e é provável que a criança já tenha um repertório alimentar no qual se basear.

Não coincidentemente, a introdução alimentar tem uma parte importante na Teoria dos Primeiros Mil Dias do Bebê. Esse é o período de maior formação de novas conexões cerebrais durante o desenvolvimento, e hoje sabemos que é dependente de uma série de fatores, tanto intrínsecos (biológicos) como extrínsecos (ambientais).

Os dois primeiros anos de vida do bebê, segundo Piaget, também são caracterizados pelo intenso aprendizado sensório-motor. Isso significa que o bebê descobre o mundo através das suas experiências sensoriais, por meio da ação. Então, para aprender, o bebê precisa interagir com o meio. Por isso eu falo tanto em dar oportunidades! Nesse caso, esse é nosso principal fator extrínseco.

Durante a fase sensório-motora, o bebê é um potencial explorador. Absolutamente tudo lhe chama a atenção e, com o avanço no desenvolvimento motor, ele consegue começar a levar o que lhe chama a atenção até a boca, que é quando se inicia o período de reconhecimento externo. Essa fase é chamada por Freud de Fase Oral.

A fase oral tem início no momento em que o bebê nasce até completar um ano, aproximadamente. A boca é o primeiro meio de contato com o mundo que o rodeia, e por meio dela o bebê experiencia dor, frustração e satisfação, através de pulsões orais. O seu principal objeto de desejo é o seio materno, que proporciona alimento e satisfação. Sugar, morder, mastigar e comer são sinônimos de prazer, independente da fome. A fase oral é também marcada pela ligação entre a mãe e o bebê e se caracteriza por ser o período em que a base da personalidade e o ego são formados.

Ainda de acordo com a Teoria Piagetiana, a partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento. Então, por exemplo, o bebê pega o que está em sua mão; suga o que é posto em sua boca; o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca. E assim por diante.

É aí que entram o BLW e a Alimentação Participativa, como propostas de promoção da saúde e educação alimentar. Quando tiramos o bebê do papel passivo de sua própria alimentação, e passamos a ter um agente ATIVO, que interage, aprende e assimila os esquemas de alimentação (e não só de ingestão) através de suas próprias experiências, passamos a considerar a introdução alimentar em uma perspectiva muito mais ampla e funcional.

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introdução alimentar sob diferentes pontos de vista

Nessa perspectiva, a apresentação de um alimento em formato de finger food passa a ser um mero detalhe, cujo objetivo vai muito além de “deixar o bebê brincar com a comida”. A interação e a descoberta do mundo para o bebê é feita através da experiência! É importante separar o que é dar comida na mão e o que é BLW e alimentação participativa, de fato.

Assimilar o BLW significa entender o conceito de prontidão. Gradativamente as habilidades motoras vão dando maiores oportunidades dele interagir com o meio, assim como as habilidades motoras orais começam a dar maiores oportunidades dele interagir com o alimento dentro da boca. Tendo oportunidades de aprendizagem, em pouco tempo o bebê consegue se auto-alimentar com eficiência também. Aos poucos, assimila que o momento de interação com a comida, além de divertido, também mata a fome. E é ainda um poderoso momento de socialização.

E isso não vai ser de uma hora pra outra. Você pode confundir a criança se ora você assume que ela tem autonomia ora você assume que não, e faz ela engolir comida a todo custo. Nesse contexto, ora eu tenho autonomia ora não, a criança pode sim acabar demorando mais tempo pra assimilar que quando tem autonomia também é capaz de saciar sua própria fome. Então é rever todo o processo e não somente uma situação específica em que a criança tem contato com um alimento no formato original. Interagir com o alimento propicia ao bebê uma série de informações sensoriais essenciais no desenvolvimento da sua relação com a alimentação, a longo prazo.

Conhecer sabores e texturas distintamente e poder relacioná-los com uma série de outras informações sensoriais está diretamente ligado à preferência por determinados tipos ou grupos de alimentos, por exemplo. Por isso, como intermediadores, acabamos falhando ao considerar que a única chance de interagir ativamente com um alimento em seu formato original seria “praticando a mastigação” com um biscoito doce ou um pedaço de pão. Muitas vezes, esse é o único meio pelo qual a criança interage ativamente com o alimentos durante a fase de introdução alimentar.

apresentação dos alimentos (2)

1 – A famosa “papinha marrom”, com informações sensoriais praticamente nulas. 2 – Papinha com pedaços, típica da introdução alimentar tradicional, com informações sensoriais limitadas e sobrepostas. 3 – Exemplo de apresentação de um prato na Alimentação Participativa, com alimentos separados e levemente amassados, com a possibilidade do bebê pegar caso tenha interesse. 4 – Exemplo de apresentação dos alimentos no BLW, com alimentos no seu formato original.

A modulação motora oral também começa a se formar ativamente durante essa fase, através da mordida, mastigação e deglutição. Como qualquer outro esquema motor, é extremamente ligado ao número de oportunidades. Se uma criança não aceita alimentos duros aos 3, 4 anos de idade, é bem provável que seja porque ela não tenha sido exposta a este tipo de alimento em sua janela de oportunidade. Ou seja, a questão não é não querer, mas nem saber o que fazer com aquilo dentro da boca.

Da mesma forma, todas as atitudes e hábitos aos quais o bebê é exposto durante essa fase são a base da construção de sua relação com a comida. Se um bebê assimila que ele pode colocar na boca e cuspir, ou simplesmente rejeitar (não pegar) o alimento, deixando-o de lado, ele internaliza positivamente a situação. Posteriormente, no campo simbólico, desenvolve a habilidade de provar coisas novas e diferentes sabendo que ele pode simplesmente não comer se não quiser.

Mas assim como não existe uma idade mágica pra caminhar, pra falar e pra comer, também não existe uma idade mágica pra que a criança mude de fase. Esse é o nosso fator biológico, então a introdução alimentar e a janela de oportunidades “até os dois anos” é uma idade aproximada e pode variar muito de criança pra criança.

Assim, por volta dos dois anos, a criança entra em um período que é chamado de pré-operatório, também chamado de estágio da inteligência simbólica . Caracteriza-se, principalmente, pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio sensório-motor. 

A criança, neste estágio, é egocêntrica, e não consegue se colocar abstratamente no lugar do outro; não aceita a ideia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos “por quês”), já pode agir por simulação (“como se fosse”), possui percepção global sem discriminar detalhes, e deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.

Nessa fase, você irá perceber que a criança vai começar a categorizar os brinquedos, perceber cores, formas, tamanhos e começar a diferenciá-las. A inteligência/cognição está dando um passo à frente. E assim como na brincadeira, a hora da refeição também vai sofrer interferências.

É a hora que a criança começa a recusar determinado alimento por causa da cor, por exemplo. Porque ela começa a associar com outras coisas além da própria experiência sensório-motora. Pode associar o verde à algo ruim, por exemplo, principalmente se baseando em modelos próximos (amigos ou família).

Nessa fase, com a compreensão de linguagem melhor, ela tende a expressar sobre o que quer comer e o que não quer também. Tem uma coordenação motora fina muito melhor para manejar e entender pra que servem os utensílios e é muito provável que, se já não estiver usando, passe a se interessar por eles.

O boom de linguagem traz junto a nomeação dos alimentos, e podem começar a surgir alguns adjetivos, dependendo do grau de desenvolvimento da linguagem… bom, ruim, quente, frio… Coisas simples mas que já são um avanço e tanto pra caracterizar sua interação com os alimentos.

Por isso, nessa fase, trabalhar com uma criança que começou a introdução alimentar de forma inadequada é mais difícil. Porque começam os quereres e não quereres e diminui muito a disponibilidade de se provar coisas novas. Nada que não dê pra “consertar”, apenas mais difícil, porque ela já assimilou muitos hábitos e padrões e o modo de interagir com o mundo mudou completamente.

Então por exemplo, quando uma mãe me manda um e-mail dizendo: “Aline, meu filho tem 2 anos e meio e só come tudo papa, não aceita sólidos, posso fazer seu curso?”. Eu digo, “não, gaste esse dinheiro com uma nutri, uma fono – e talvez uma psicóloga, dependendo do caso!”. Nesses casos, um atendimento multiprofissional especializado é fundamental.

Vale lembrar que o próprio Ministério da Saúde ressalta que a introdução dos alimentos complementares deve ser lenta e gradual. É comum que a criança rejeite as primeiras ofertas, pois tudo é novo. Mas é importantíssimo lembrar que, no início, a alimentação deve complementar o leite materno e não substituí-lo. Portanto, a introdução das refeições não deve substituir as mamadas no peito.

Há crianças que se adaptam facilmente e aceitam muito bem os novos alimentos. Outras precisam de mais tempo, não devendo esse fato ser motivo de ansiedade e angústia para a família. No início da introdução dos alimentos, a quantidade que a criança ingere pode ser pequena. Após a refeição, se a criança demonstrar sinais de fome ela não só pode, como deve ser amamentada. Aproveite! Aproveite essa fase em que a alimentação ainda é complementar para dar OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM. Te garanto que vai valer a pena! 🙂

Referências:
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Prevenindo o engasgo: a escolha do adulto faz toda a diferença

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Fonte: banco de imagens Google

Continuando nossa série sobre os mecanismos de defesa do bebê e situações de risco, hoje vamos falar de prática!! Depois de toda a teoria que vcs podem ler e reler aqui, aqui e aqui, hoje vamos falar de como podemos tornar o ambiente mais seguro possível e SIM, praticar o BLW com a maior tranquilidade e segurança, de forma que os benefícios sobreponham os riscos!

Antes de tudo, vamos relembrar algumas recomendações essenciais:

  1. Estar ciente das manobras de desobstrução que você pode fazer em casa.
  2. Insistir para que as crianças comam à mesa, sentadas. Evite alimentá-las enquanto  correm, andam, brincam, estão rindo. Não deixá-las deitar com alimento na boca.
  3. Supervisione SEMPRE a alimentação de crianças pequenas.
  4. Fique atento às crianças mais velhas. Muitos acidentes ocorrem quando irmãos ou irmãs mais velhas oferecem objetos ou alimentos perigosos para os menores.
  5. Evite comprar brinquedos com partes pequenas e mantenha objetos pequenos da casa fora do alcance das crianças. Siga a recomendação da embalagem dos brinquedos, com relação à idade ideal para aquisição. E não permita que crianças pequenas brinquem com moedas.

Manobra de Heilimch

De acordo com a literatura consultada (vide referências ao final do artigo), os alimentos mais frequentemente relacionados ao engasgo incluem:

  • Doces (especificamente doces duros ou pegajosos)
  • Qualquer oleaginosa e similares (amendoas, castanhas, amendoim etc)
  • Sementes (semente de girassol, caroço de azeitona etc)
  • Grãos crus (exemplo: feijão, arroz, milho etc)
  • Pedaços grandes de carne e queijos duros
  • Salsichas
  • Queijos pegajosos
  • Pedaços grandes e rígidos de carnes e queijos
  • Salgadinhos (principalmente duros como doritos, batata-frita etc)
  • Casca de fruta e frutas duras cruas (como a maçã e a pêra verde)
  • Uvas inteiras
  • Chicletes
  • Cubos de gelo
  • Creme de amendoim ou cream cheese em blocos grandes (pegajosos e grudam no céu da boca)
  • Pipoca – PRINCIPALMENTE o peruá (parte amarelinha)
  • Pretzels
  • Uvas passas
  • Vegetais duros crus e verduras cruas
  • Alimentos em forma de cordão (exemplo: broto de feijão, espaguete, verduras (ex:couve) cortadas em tiras etc)

Ufa! A lista é grande não? Mas pensando que muito do que está listado aí não é nem indicado para um bebê, já que é pura porcaria rs, ainda tem MUITA coisa pra oferecer! Então, por exemplo, alguns dos alimentos de alto risco que vocês podem tranquilamente passar sem oferecer pelo menos até os 4 anos de idade:

  • salsichas e linguiças
  • doces duros, molengos ou pegajosos. Ao contrário do que muita gente pensa, gelatina também é super perigoso, pois é escorregadio e, quando não mastigado, um pedaço pode tranquilamente obstruir a via aérea.
  • amendoins, sementes e oleaginosas (amendoas, castanhas, nozes etc)
  • uvas inteiras
  • pedaços grandes de carne ou queijo duro
  • mashmallows
  • pipoca
  • chiclete

E o que podemos fazer para melhorar a apresentação dos alimentos a fim de reduzir as chances de engasgo:

  • Os alimentos mais seguros para as crianças são aqueles cortados em pedaços que oferecem mínimo ou nenhum risco de “entupirem” a via aérea. Os desenhos abaixo ilustram a via aérea e como um objeto ou alimento pode facilmente obstruir totalmente a passagem de ar.
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Fraga e colaboradores, 2008

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Denny e colaboradores, 2014

  • Cortar salsichas e alimentos de formatos similares (exemplo: cenoura) no sentido do comprimento, em “formato de batata-frita” – o ideal é fugir do formato que tende a “entupir” a glote, como visto nas ilustrações acima.
  • Amaciar vegetais e frutas duras, cozinhando-os na água, forno ou vapor, a fim de que se tornem fáceis de mastigar por amassamento com as gengivas. A consistência ideal para BLW é a de salada de legumes: nem muito duro, nem muito mole (pois esfarela na mão do bebê que não tem controle da força).
  • Quando o bebê ainda é “banguela”, você pode oferecer as frutas com parte da casca para facilitar a preensão palmar (já que a maioria escorrega). Mas é prudente retirar as cascas das frutas quando o bebê já tem dentes e é capaz de “rasgar” a casca com a força da mordida.
  • CARNES! Campeãs de dúvidas!
    • Enquanto o bebê ainda não tem o movimento de pinça desenvolvido, você pode oferecer as carnes:
      • desfiadas umidificadas (molho ou purê) em pequenas porções;
      • ou bem cozidas, macias, cortadas em tiras ou cubos, no sentido transversal das fibras (assim os pedaços que se soltam ficam pequenos e fáceis de mastigar);
      • ou também, carnes moídas em formato de hamburguer, almôndega ou croquete.
    • Conforme o bebê adquire o movimento de pinça, o ideal é:
      • cortar em pedaços bem pequenos,
      • desfiados
      • ou carne moída,
      • até que o bebê tenha habilidade para mastigar pedaços maiores com o nascimento dos molares (até os dois anos mais ou menos).
  • Alimentos pegajosos (exemplo: cream cheese, pasta de amendoim e similares) se consumidos, devem ser apresentados em porções pequenas, pois podem “grudar” no céu da boca.
  • Algumas leguminosas como o quiabo e a vagem costumam ser queridinhos no BLW, pois são de fácil preensão. Mas atentem-se para as sementinhas e os grãos de feijão que podem desprender desses alimentos e escorregar para o fundo da boca. A melhor forma de oferecer esses alimentos é cortadinho em rodelas pequenas quando o bebê já é capaz de pegá-las.
  • Alimentos fibrosos e/ou duros para mastigar mesmo após o cozimento (ex: quiabo, vagem, brocolis comum, folhas etc) são mais fáceis de mastigar se cortados em pedaços pequenos e/ou misturados à outras preparações/receitas.
  • Hidratar as frutas secas e cozinhar bem os grãos antes de oferecê-los aos bebês.
  • Milho verde na espiga deve estar beeem molinho (daqueles que estouram nos dentes), para os “banguelas”, vcs podem “rasgar” os grãos com um ralador de queijo.
  • É extremamente arriscado oferecer uvas inteiras aos bebês e crianças pequenas, assim como qualquer outro alimento neste formato (tomatinhos, cerejas, jabuticabas, azeitonas, ovinho de codorna, entre outros). Quaisquer alimentos nestes formatos devem ser cortados longitudinalmente em duas ou quatro partes. Cortes transversais não são indicados, pois não “quebram” o formato do alimento que é capaz de “entupir” a glote.
  • Retirar sementes e caroços.
  • As folhas podem ser oferecidas cozidas ou cruas, mas sempre bem picadas. Como no início o bebê não consegue pegar os pedacinhos, sugiro que você ainda assim misture folhas verdes em outras receitas (ex: omelete), para que o bebê também sinta o gosto “amarguinho” que a maioria das folhas verde-escura tem.
  • Evite pães de forma e/ou pães brancos industrializados “massudos”, pois quando misturados à saliva formam uma pasta grudenta que pode dificultar a mastigação e deglutição do bebê, levando à gags excessivos (e possível engasgo ou vômito).
  • Caso for oferecer água durante as refeições, certifique-se de que não há alimento sólido dentro da boca. O manejo de líquidos com os sólidos dispersos na boca é extremamente difícil e pode comumente levar ao engasgo. Oferecer líquidos durante um engasgo pode inclusive levar à piora do engasgo e consequente aspiração.

Pra finalizar, queria deixar um trecho que li no site do Dr Moises, que fez muito sentido pra mim e gostaria de compartilhar com vocês:

Nem todo mundo que fuma tem câncer de pulmão, nem todo mundo que bebe bebida alcoólica tem cirrose, nem todo mundo que tem relação sem preservativos tem AIDS. Mas há uma chance maior de isso tudo acontecer. Nem por isso, deixamos de orientar a forma que se julga adequada (não fumar, não beber e relações sexuais sempre com proteção).

Assim, nem todas as crianças que usarem andador terão acidentes e serão internadas, nem todas as crianças que estiverem em um carro fora das cadeirinhas vão morrer em acidentes, nem todas as crianças que consumirem mel abaixo de um ano de idade terão botulismo, e nem todas as crianças que tomarem sucos terão obesidade ou diabetes tipo 2. Mas há uma chance maior de isso tudo acontecer. Nem por isso, deixamos de orientar a forma que se julga adequada (não usar andador, no carro, sempre na cadeirinha, não oferecer mel abaixo de um ano de idade e não oferecer sucos abaixo de um ano de idade e dar preferência para as frutas in natura).

Por isso, querida leitoras, o recado hoje é: estejam cientes e conscientes sobre os riscos, sobre como podem facilitar a alimentação segura e agir em caso de necessidade, tornando o BLW um método apenas leve e prazeroso de introdução alimentar. Sei que provavelmente vocês já deram muitos dos alimentos citados aí em cima, assim como eu, mas o que quero sempre difundir são as ESCOLHAS CONSCIENTES!

Sabendo o que esperar e como agir em caso de necessidade, TUDO fica mais traquilo e seguro para o bebê e mais fácil pra você, que provavelmente vai ter que dar a mesma santa explicação sobre BLW pra todos à sua volta!

😀

Se tiverem mais dicas ou quiserem compartilhar experiências, deixem um recadinho por aqui!

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Referências:

Silva LA, Santos I.  Desobstrução de vias aéreas superiores em crianças menores de um ano  Rev. Enf. Profissional 2014. jan/abr, 1(1):267-275.

Chapin, Meyli M., et al. “Nonfatal choking on food among children 14 years or younger in the United States, 2001–2009.” Pediatrics 132.2 (2013): 275-281.

Rapley & Murkett. Baby-led weaning: Helping your baby to love good food. 2008.

http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/000048.htm

http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/presentations/100221_1.htm

American Academy of Pediatrics. “Policy statement–prevention of choking among children.” Pediatrics 125.3 (2010): 601-607.

American Academy of Pediatrics. Choking Prevention. Online: http://www.healthychildren.org/English/health-issues/injuries-emergencies/Pages/Choking-Prevention.aspx

Fraga, Andrea de Melo Alexandre, et al. “Aspiração de corpo estranho em crianças: aspectos clínicos, radiológicos e tratamento broncoscópico.” J Bras Pneumol 34.2 (2008): 74-82.

Padovani, Aline Rodrigues, et al. “Protocolo Fonoaudiológico de Avaliação do Risco para Disfagia (PARD) Dysphagia Risk Evaluation Protocol.” Rev Soc Bras Fonoaudiol 12.3 (2007): 199-205.

Denny, Sarah A., Nichole L. Hodges, and Gary A. Smith. “Choking in the Pediatric Population.” American Journal of Lifestyle Medicine (2014): 1559827614554901.

Padovani, Aline Rodrigues. Protocolo fonoaudiológico de introdução e transição da alimentação por via oral para pacientes com risco para disfagia (PITA). Diss. Universidade de São Paulo.

Cameron SL, Heath A-LM, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, Baby-Led Weaning: a content analysis study. BMJ Open 2012;2

http://www.wetreatkidsbetter.org/2011/03/knowing-the-signs-of-choking-and-prevent/

http://www.nhs.uk/conditions/pregnancy-and-baby/pages/helping-choking-baby.aspx

http://www.med.umich.edu/yourchild/topics/choking.htm

http://www.sbp.com.br/htn/noticias/aspiracao-de-corpo-estranho

Finger food e a janela de oportunidades do bebê

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“Finger food” é uma expressão usada para descrever os alimentos que podem ser facilmente manuseados com as mãos. Independente de optar ou não pelo BLW, oferecer alimentos em pedaços é uma escolha de grande valia para o desenvolvimento do bebê.

Durante o estágio sensório-motor, que dura do nascimento até aproximadamente os dois anos de idade, a criança busca adquirir controle motor e aprender sobre os objetos que a rodeiam.

Esse estágio é chamado sensório-motor pois o bebê adquire o conhecimento por meio de suas próprias ações que são controladas por informações sensoriais imediatas (olhar, pegar, sentir, cheirar etc), sendo o desenvolvimento motor (controle da cabeça, sentar, dominar o movimento de pinça etc) o suporte para a descoberta dessas novas sensações e habilidades, a partir do maior domínio do ambiente.

As principais características observáveis durante essa fase são:

-a exploração do ambiente utilizando todos os sentidos;
-a experiência obtida por meio da ação;
-a imitação;
-a inteligência prática;
-ações como agarrar, levar à boca, sugar, morder, atirar, bater e chutar;
-a coordenação das ações irá proporcionar o surgimento do pensamento;
-a centralização no próprio corpo;
-a noção de permanência do objeto (por isso amam brincar de esconder)

Podemos dizer que no período sensório-motor a criança conquista, através da percepção e dos movimentos, o universo imediato que a cerca. Ela descobre que, se puxar a toalha da mesa, o pote de biscoito ficará mais próximo dela. E é nessa fase que mais se beneficiará de toda e qualquer estimulação sensorial que for exposta, pois sua base fisiológica está totalmente aberta e predisposta a isso.

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Considerando tudo isso, o oferecimento dos alimentos em sua aparência original: cor, cheiro, forma, textura, sabor etc propiciam ao bebê uma série de informações sensoriais essenciais no desenvolvimento da sua relação com os alimentos, incluindo:

a preferência por determinados alimentos, pois conhece os sabores distintamente e os relaciona com uma outra série de informações visuais e táteis. Por isso, oferecer finger food também requer cuidado na escolha dos alimentos. Oferecer apenas pão e biscoito de maisena certamente não são a melhor escolha para o aprendizado e a boa relação com a comida.

a modulação motora oral, aprendendo força de mordida, mastigação e deglutição. Sabe quando você morde um pastel e tem uma azeitona com caroço dentro? A força aplicada – inconscientemente – não considerava o “elemento surpresa”. Tudo isso faz parte de um planejamento feito pelo nosso cérebro, de acordo com as experiências vividas. Se uma criança não aceita pedaços de alimentos duros aos três, quatro anos de idade, pode-se considerar a hipótese dela não ter sido exposta a este tipo de alimento em sua “janela de oportunidade”, ou seja, ela na verdade ainda não aprendeu a lidar com este tipo de alimento. Tudo é aprendizado, aproveite essa fase em que o bebê está aberto a todo e qualquer tipo de estímulo.

a modulação motora, incluindo a coordenação motora fina. O cérebro começa a distinguir a força que deve ser feita para capturar diferentes tipos de alimentos, mais macios, mais duros, mais escorregadios, tudo isso relacionando todas as pistas sensoriais que o alimento no seu formato original pode oferecer. O movimento de pinça começa a ser estimulado naturalmente, com os pedaços menores que vão se desprendendo e caindo ao redor do bebê.

No caso dos bebês, os melhores tipos de finger food são aqueles cortados do tamanho um pouco maior do que o seu punho, idealmente alimentos saudáveis como por exemplo frutas ou legumes levemente cozidos.

É importante recordar que os bebês, nos primeiros meses da introdução alimentar, não conseguem abrir o punho intencionalmente. Então eles irão comer apenas a parte do alimento que estiver aparecendo para fora do punho e provavelmente irão descartar o pedaço restante, pois ainda não tem habilidade para comer o que ficou dentro da mão fechada. Conforme suas habilidades vão sendo aprimoradas, o bebê já é capaz de pegar e manusear os alimentos e levá-los à boca com mais destreza e eficiência! 🙂

E você? Tá esperando o que pra deixar de lado esse alimentador de redinha e dar logo uma frutinha in natura pro seu bebê?

 

LEIA MAIS: BLW: E se meu bebê engasgar?

 

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1 abacate = 3 apresentações

Além de ser saudável, abacate é uma delícia! Com esse calorão, as frutas estão amadurecendo super rápido e aqui estava eu com um abacate enorme e maduro em casa. Não pretendíamos comer o abacate inteiro, então resolvi cortá-lo e separá-lo para 3 apresentações diferentes! Ficou tudo uma delícia e aí vão as receitas:

1. Tirinhas de abacate

No BLW, vc pode oferecer o abacate em tirinhas, estilo batata palito, sem tirar a casca pra facilitar a preensão. Depois que os dentinhos nascerem, sugiro que retirem a casca, pois ela é fácil de quebrar e ser um causador de engasgo. 😁😉

2. Guacamole baby

Com uma metade do abacate, vc pode tirar as tirinhas pra oferecer pro seu baby enquanto prepara o restante das receitas, e raspar o que sobrou em uma tigela. Acrescente tomate, cebola, pimentão e salsinha picadinhos pequenininhos. Tempere com limão, pouco sal e 1 fio de azeite de oliva extra-virgem. Para o restante da família, vc pode ainda adicionar pimenta dedo de moça e pimenta preta a gosto!

Sirva para o bebê em torradinhas ou em batatas assadas! Delícia! 😋😋

3. Sorvete de abacate receita das minhas amigas Mari e Deinha

Coloque a outra metade do abacate no congelador. Quando estiver congelado, bata no processador até virar sorvete! Pode voltar ao freezer fazendo picolé para o bebê, ou servir em bolas, em cima de uma panqueca, por exemplo! Hmmmm 😋😋

Espero que gostem!

Beijocas

Aline

Baby-led weaning: apresentação dos primeiros alimentos

Os princípios básicos de uma boa nutrição para crianças se aplicam igualmente para bebês que estão no BLW. Melhor ainda se vocês contarem com a ajuda de uma nutricionista. Mas, de uma forma geral, uma vez que o bebê é candidato ao BLW, não há necessidade de restringir os alimentos que podem ser oferecidos ao bebê (a menos que exista histórico familiar de alergias ou suspeita de alterações no sistema digestivo).

Idealmente, ofereça frutas e legumes levemente cozidos para que fiquem macios o suficiente para serem mastigados com a gengiva e duros o suficiente para que não sejam amassados com facilidade e dissolvidos durante a preensão palmar. Inicialmente, é melhor oferecer as carnes em pedaços grandes, para serem apenas explorados e sugados. Cortar as tiras de carnes no sentido transversal das fibras irá ajudar os bebês a retirar fiapos de carne com a força da mordida – ainda que não tenham dentes.

Um bom guia para o tamanho e forma necessária é o tamanho do punho do bebê, com um importante fator para se ter em mente: bebês pequenos não conseguem abrir o punho intencionalmente. Assim, eles não conseguem pegar um alimento e soltá-lo dentro da boca, ou seja, irão morder apenas o que sai pra fora do punho fechado. Isso significa que eles tem melhor desempenho com o que tem forma de batata-frita ou tem uma “alça” (como o cabo do brócolis, por exemplo). Eles então podem mastigar o pedaço que está saindo para fora do punho fechado e soltar o restante depois – geralmente enquanto eles estão tentando pegar o próximo pedaço que parece mais interessante. Frutas e legumes escorregadios podem ser deixados com a casca, para facilitar a preensão. Conforme suas habilidades são adquiridas, menos comida será desperdiçada.

A seguir, alguns exemplos de alimentos e formatos que podem ser oferecidos desde o início do BLW. No instagram, vcs podem procurar pela tag #blw6meses, vão ter diversos exemplos por lá! 🙂

Mais alguém preparando o almoço por aí? 🙋 #blwdodia #blwbrasil #blw7meses

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Boa sorte e bom BLW pra vcs!

beijocas

Aline

Fonte:

Rapley, G. Guia para implementação de uma abordagem de introdução de alimentos sólidos guiada pelo bebê. 2008. Disponível em: www.rapleyweaning.com. Último acesso: 31/08/2014.