Concurso BLW Brasil: suas fotos publicadas na versão brasileira do livro!

ATUALIZAÇÃO 09/09/2017:

VENCEDORES DO CONCURSO (Chequem seus emails por gentileza)

  1. quinteros.rocio@
  2. analuciavendel@
  3. talita.deffente@
  4. natalia_valli@
  5. anapaula.cutolo@
  6. melinacaldani2@
  7. storino.sandra@
  8. ana.abreus@
  9. marianacarraca@
  10. lorenabit@
  11. ananery.pmg@
  12. muchmamae@
  13. simonemenzani@
  14. carolfesteves@
  15. vivianevieira@
  16. vi_assis@
  17. persis.castro@
  18. draamandaluiza@
  19. biancapizzato@
  20. cibeleneves@
  21. @mairasoares
  22. anairampasquale@

 

Lembrando que todas as fotos recebidas serão utilizadas para divulgar o “Baby-led Weaning” no Brasil! 🙂 Gill e Tracey receberam as fotos com muito carinho e se propuseram também a utilizar as fotos no Workshop que farão em São Paulo! ❤

Aproveito pra divulgar o site oficial do evento, com informações sobre o lançamento do livro, Palestras e Workshops, e a introdução do livro já em português pra vc baixar em PDF! Corre lá!

Muito obrigada a todas que participaram!!!

Com carinho,

Ana, Aline e toda equipe

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Que tal ter uma foto criativa do seu bebê na versão brasileira do livro ‘Baby-led Weaning‘, de Gill Rapley e Tracey Murkett?

Em parceria com a Editora Timo, lançamos o #concursoBLWnoBrasil

Baixe o regulamento nesse link: Regulamento Concurso Cultural.

Escolha uma categoria e envie sua foto!

As melhores fotos, além de participarem da edição brasileira do livro, ganharão um exemplar autografado e um acesso à transmissão ao vivo do evento com as duas autoras no Brasil!

Demais né!!!  Compartilha com alguém que você acha que gostaria de participar!!!

 

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É cedo demais pra começar a introdução alimentar?

por Gill Rapley , Janeiro 2017*

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Tentar iniciar a introdução alimentar quando o bebê ainda não está pronto pode ser bem frustrante. Mas e quando o bebê demonstra todos os sinais que está pronto mas ainda não completou os 6 meses?

Frequentemente sou contatada por pais de bebês de 22-24 semanas que mostram interesse pela comida sólida. Eles estão com receio de começarem muito cedo, ainda que sintam que seus bebês estão dando claros sinais de que estejam prontos. Enquanto estou impossibilitada de oferecer um guia específico para bebês individualmente, minha resposta geral para esse dilema é como segue.

A ‘regra’ do 6 meses é importante porque mantém os bebês a salvo da intervenção precoce da introdução alimentar. Então eu sempre me refiro à isso em tudo que digo. Contudo, minha posição atual , baseada em minhas pesquisas e minha experiência clínica é que, qualquer coisa que o bebê esteja pronto pra fazer é provavelmente o que é certo para aquele bebê. Há uma boa razão para acreditar que as habilidades de desenvolvimento que são visíveis pra nós (como sentar na posição vertical) são confiáveis indicadores de que a natureza do sistema interno (digestivo) do bebê raramente comete erros.

Assim, se um bebê saudável pode (genuinamente) sentar na vertical, agarrar a comida e colocá-la em sua boca SOZINHO, então ele provavelmente está pronto pra fazer exatamente isso. Se ele também está pronto para mastigar – e talvez até mesmo engolir – isso é bom, mas é mais provável que essas habilidades sigam no devido tempo.

Uma das razões pela qual faço questão de enfatizar a ‘regra’ dos 6 meses, embora eu não considere algo imutável, é que é muito mais fácil para aqueles que não entendem o conceito de BLW, entender mal qualquer sugestão de que começar mais cedo do que é aceitável. Esse pode ser o começo de uma inclinação escorregadia para práticas perigosas, e absolutamente imperdoável.

O problema é que é tentador ver mais habilidade em um filho do que ele realmente apresenta, e oferecer apenas um pouco de ajuda para capacitá-lo, ou para alcançar um objetivo em particular. Na maioria das vezes isso não importa, mas quando se trata de comer, a capacidade do bebê – ou incapacidade – para manejar a sequência de ações necessárias é um importante fator de segurança.

Ajudá-los a superar um obstáculo que ainda não conseguem administrar por si mesmos (ex: fornecendo apoio extra para sentar ou estender a mão, guiando os braços para a boca, ou – pior – colocando a comida na boca ‘para ajudar’) é potencialmente perigoso. É útil lembrar que essa ‘conquista’ de comer é objetivo dos adultos não das crianças. O bebê não sabe o que é o ponto de tudo isso – ele está apenas descobrindo como funciona seu próprio corpo e as coisas ao redor dele.

Se ele não consegue levar a comida na própria boca, e daí? Ele não ‘falhou’- e ele não tem noção de que precisa de ajuda. O papel dos pais é dar a OPORTUNIDADE pra fazer tudo que ele estiver pronto pra fazer, seja tocando a comida, pegando, lambendo, mastigando e/ou engolindo – ou nenhuma das opções – e isso não capacita o bebê de fazer alguma coisa que ele ainda não consiga manejar.

Os seis meses representam uma média de idade de prontidão, da mesma forma que a maioria dos bebês dão seu primeiro passo por volta do seu primeiro aniversário. Claramente alguns estarão prontos pra andar mais cedo, e alguns mais tarde do que isso. Nós não tentamos impedir aqueles que estão prontos pra andar antes da idade ‘correta’.

Se nós estamos preparados pra aceitar que boa proporção de bebês não estão prontos pra se alimentar com comidas sólidas até terem sete, oito, nove meses, então é perfeitamente sensato permitir que também terão alguns que podem começar a fazer isso antes de alcançar a ‘mágica’ idade dos seis meses. O ponto crucial, da forma como vejo, é que essa atitude deve ser espontânea e independente. 

Em minha opinião, argumentos sobre a idade ‘certa’ para introduzir alimentos sólidos são importantes apenas se os pais é que estão decidindo quando colocar a comida na boca do bebê. Como acontece, é claro, com a introdução alimentar tradicional com a colher. Tais argumentos são redundantes se a decisão é feita pelo bebê, porque todos os bebês desenvolvem habilidades de comer em uma sequência definida, alinhadas com sua maturidade global.

Teoricamente, não há razão para não oferecer oportunidade para um bebê de um ou dois meses de idade sentar-se ou pegar alimentos de um prato. O que impede isso de ser uma opção sensata não é o fato de ser uma idade ‘errada’, mas sim o fato do bebê simplesmente não ser capaz de fazê-lo. O mesmo se aplica para três, quatro e cinco meses.

É extremamente improvável que qualquer infante abaixo de cinco meses e meio seria, sem nenhuma ‘ajuda’, capaz de conseguir mais do que o gosto de um alimento sólido.

Há aqueles que podem ser a exceção, não a regra. Desde que isso esteja completamente compreendido, começar sólidos, na minha opinião, não constitui um problema. A chave da mudança de tudo isso é que nós não temos as palavras certas para descrever a introdução de alimentos sólidos quando o bebê está no controle.

‘Começar sólidos’ com uma alimentação de colher e papinhas, significa alguém colocando comida na boca do bebê, no dia decidido por eles. Mas ‘começar sólidos’ usando o BLW simplesmente significa fornecer aos bebês a oportunidade de comer se e quando eles quiserem e forem capazes. É o bebê que decide a partir daí.

*Texto traduzido do site http://www.rapleyweaning.com, com autorização expressa da autora

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O BLW é o melhor método de introdução alimentar?

por Michelle Bento

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Essa semana me deparei novamente com a seguinte pergunta no facebook: “Existem estudos que comprovem que o BLW é o melhor método de introdução alimentar?”

Acompanhando a pergunta, pessoas a favor do BLW discutiam a ausência de pesquisas e sobre como argumentar com aqueles que pediam as evidências que comprovem todos os seus benefícios. E esse mesmo tipo de discussão eu já vi acontecer tantas outras vezes, incluindo outros assuntos também relacionados à maternidade.

Eu começo ponderando o título de “melhor” concedido ao BLW. A grande questão aqui não é querer convencer a todos de que o blw é melhor. Afinal, não existe UM melhor. O ponto aqui é mostrar que na verdade o que vem sendo feito tradicionalmente é que está péssimo! É levantar uma discussão sobre como podemos melhorar esse cenário adaptando esses conceitos difundidos através do baby-led weaning à realidade de cada família.

 

Leia mais: Os benefícios da Introdução Alimentar ParticipATIVA

 

E para várias premissas dos BLW existe sim base científica. E eu reuni aqui algumas delas.

Já está mais do que claro que a idade ideal para iniciar a alimentação complementar é aos 6 meses, não antes disso. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, “é apenas a partir dos 6 meses de idade que as necessidades nutricionais do lactente não podem ser supridas apenas pelo leite humano. Também é a partir dessa idade que a maioria das crianças atinge um estágio de desenvolvimento geral e neurológico (mastigação, deglutição, digestão e excreção) que a habilita a receber outros alimentos que não o leite materno”. O bebê de 6 meses tem uma capacidade motora completamente diferente do bebê de 4 meses, idade em que se recomendava (ou se recomenda, pois infelizmente ainda é muito comum ver profissionais fazendo essa indicação) iniciar os alimentos sólidos.

O quadro a seguir mostra como o leite materno se mantém como principal fonte de energia durante os primeiros meses de introdução alimentar, sendo ultrapassado pelos alimentos somente entre 12 e 24 meses. Como o BLW é centrado na auto-alimentação e no início as habilidades motoras limitadas dificultam a ingestão de grande quantidade de alimentos, existe um medo grande por parte de pais e profissionais de que o bebê não vá receber tudo o que precisa. Entender que a transição do leite para o alimento sólido deve ser bem gradativa é fundamental para diminuir as expectativas em relação às quantidades que o bebe vai comer nas primeiras ofertas de comida, evitando frustrações que geram o ciclo de recusa alimentar da criança.

 

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Leia Mais: Recusa, controle e distúrbios alimentares: o efeito bola de neve

 

“Crianças amamentadas desenvolvem muito cedo a capacidade de autocontrole sobre a ingestão de alimentos, de acordo com as suas necessidades, pelo aprendizado da saciedade e pela sensação fisiológica da fome durante o período de jejum. Mais tarde, dependendo dos alimentos e da forma como lhe são oferecidos, também desenvolvem o autocontrole sobre a seleção dos alimentos. E esse autocontrole sofrerá influência de outros fatores como o cultural e social. A prática das mães/pais ou dos profissionais de saúde que adotam esquemas rígidos de alimentação prejudica o adequado desenvolvimento do autocontrole da ingestão alimentar pela criança”.

Esse trecho foi retirado do Guia Alimentar Para Menores de 2 Anos do Ministério da Saúde, reforçando que o bebê é capaz de determinar sozinho a quantidade de alimentos que deve ingerir, através da sua auto regulação de fome-saciedade. O papel dos cuidadores é somente dar oportunidade, através da oferta de alimentos saudáveis e variados. Cabe ao bebê dizer o que e o quanto deseja comer.

A Organização Mundial de Saúde recomenda a “prática da alimentação responsiva, que usa os princípios de cuidados psicossociais ao se alimentar a criança. A prática inclui o respeito ao mecanismo fisiológico de auto-regulação do apetite da criança, ajudando-a a se alimentar até estar saciada, e requer sensibilidade da mãe/cuidador às indicações de fome e de saciedade da criança. Recomenda-se alimentar a criança lenta e pacientemente até que ela se sacie, jamais forçando-a a comer. As refeições devem ser prazerosas, com troca amorosa entre a criança quem a está alimentando, por meio de contato visual, toques, sorrisos e conversa. Se a criança recusar muitos alimentos, pode-se experimentar diferentes combinações, sabores, texturas e métodos de encorajamento não-coercitivos e que não distraiam a criança da refeição. Há evidências de que o estilo mais ativo de alimentar a criança melhora a ingestão de alimentos e o seu estado nutricional, bem como seu crescimento”.

Corroborando isso, um estudo bem recente, publicado agora no início do ano mostra que a alimentação responsiva é associada com melhores hábitos alimentares e uma melhor auto regulação de ingestão energética. Pais que utilizaram práticas alimentares não responsivas e não forneceram uma estrutura de alimentação adequada (tempo, local adequado e envolvimento familiar) relataram maiores dificuldades para que a criança comesse. Ao contrário, as famílias que usavam menos as práticas não responsivas e ofereciam melhor estrutura, relatavam que as crianças aproveitavam mais as refeições e não tinham dificuldade para comer.

Sobre o medo do bebê possa engasgar ao se auto-alimentar, um estudo conduzido por Fangupo e colaboradores (2016) acompanhou mais de 180 famílias divididas entre aquelas que praticavam a auto-alimentação e aquelas que ofereciam a alimentação na colher e concluiu que, desde que se forneça orientação adequada, bebês seguindo a abordagem BLISS (baby-led introduction to solids) não parecem estar sob maior risco de engasgo do que aqueles que seguindo uma prática mais tradicional. Na verdade, em ambos os grupos foram oferecidos alimentos potencialmente perigosos, o que significa que é preciso orientar muito bem os cuidadores a respeito de práticas seguras de alimentação, não importando a abordagem que será empregada.

 

Leia Mais: Prevenindo o engasgo: a escolha do adulto faz toda a diferença

 

É claro que ainda existem questões não respondidas, como a ingestão adequada de micronutrientes, por exemplo. E para isso precisamos de mais estudos específicos com o BLW. Mas já temos o suficiente para mudar as práticas tradicionais e estimular a participação ativa do bebê no processo de introdução alimentar. Então vamos nos unir para incentivar esse tipo de abordagem mesmo que para algumas famílias o BLW não se encaixe. Dá pra fazer muito bem às nossas crianças ainda que elas não comam sozinhas os alimentos inteiros desde o começo. Basta apresentá-los na textura adequada, separados, com calma e respeitando as escolhas do bebê no que diz respeito à o que, quando e em que quantidade ele quer comer.

 

Leia Mais: O conceito de Introdução Alimentar Participativa (IA ParticipATIVA)

Leia Mais: Os 20 passos para a Introdução Alimentar ParticipATIVA – #IAparticipATIVA

 

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

 

Referências:

MONTE, Cristina M. G.; GIUGLIANI, Elsa, R. J. Recomendações para alimentação complementar da criança em aleitamento materno. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 80, p. 131-141, 2004. Suplemento.

DEWEY, KATHRYN G.; BROWN, Kenneth H. Update on technical issues concerning complementary feeding of young children in developing countries and implications for intervention programs. Food and Nutrition Bulletin, v. 24, n.1, p. 5-28, 2003.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos : um guia para o profissional da saúde na atenção básica / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2 ed. – 2 reimpr. – Brasília : Ministério da Saúde, 2013. 72p.

MONTE, C. M.; GIUGLIANI, E. R. Recommendations for the complementary feeding of the breastfed child. Jornal de Pediatria, v. 80, n.5, S131-S141, 2004.

FINNANE, J. M.; JANSEN, E.; MALLAN, K. M.; DANIELS, L.A. Mealtime Structure and responsive feeding practices are associated with lesse food fussiness and more food enjoyment in children. Journal of Nutrition Education and Behavior. V. 49, N.1, 2017.

FANGUPO, L. J.; HEATH, A. M.; WILLIAMS S. M.; et al. A Baby-Led Approach to Eating Solids and Risk of Choking. Pediatrics. 138(4), 2016.

 

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O BLW não deu certo comigo

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Seja através do Blog, ou do grupo de alunos do Curso Avançado em BLW, é muito comum que essa queixa chegue em mim. “O BLW não está dando certo”, ou “meu bebê não se interessa pela comida”, ou “meu bebê não come nada pelo método BLW”, entre outras, são variações da mesma queixa. E é sobre isso que vamos falar hoje.

Então você se depara, se interessa e aprende sobre o ‘método‘ BLW. Aprende todos os formatos de alimentos, sabe cortar, fazer bolinhos. Compra um cadeirão lindo, um babador estilosão, um cartão de memória maior pra tirar um montão de fotos, pega dezenas de receitinhas deliciosas e saudáveis… E o bebê simplesmente não toca na comida. Ou põe na boca e cospe. Ou pega e joga longe. É muito frustrante…

Sim, é extremamente frustrante – e te digo isso como alguém que sentiu isso na pele e que talvez esteja escrevendo esse post pra se lembrar, quando sentir isso novamente em alguns meses, com a introdução alimentar do segundinho. Mas apesar de ter estudado muito sobre COMO se faz o BLW, talvez você tenha deixado adormecido uma das coisas mais importantes, que é o PORQUE resolveu fazer o BLW.

Um paradigma não se constrói de um dia pro outro. De fato, é construído por anos a fio, e lhe são atribuídas verdades muitas vezes difíceis de serem postas a prova, contrariadas, ainda que pelo mais alternativo e diferentão dos seres. E o que quero dizer com isso é que o paradigma da alimentação infantil vem sendo lapidado há décadas com base em datas, horários e quantidades que o bebê precisa ingerir. E, ainda que falem em qualidade, as pesquisas na área são intensamente focadas na quantidade dessa qualidade. Incluindo, veja só, as pesquisas em BLW.

TODOS querem saber se o bebê ingere a quantidade de nutrientes suficiente pra atingir as metas estabelecidas pelas milhares de pesquisas que determinaram o quanto de cada porção e de cada nutriente um bebê deveria ingerir. 

Então levando-se em consideração esse paradigma, sim, o BLW não deu certo com você. Mas a partir do momento que você internaliza que você não está seguindo uma introdução alimentar padrão e que BLW não é sobre regras, métodos ou fórmulas mirabolantes de fazer um bebê comer melhor e não ser seletivo, você pode ter certeza que a coisa vai fluir. Não só vai fluir como vai ser muito menos estressante pra você e, acredite, pro bebê.

Então vou te dizer uma coisa muito importante. Seu bebê está próximo ou completou seis meses e já está sentando com pouco ou mínimo apoio? Esqueça os cortes, bolinhos, babadores, cadeirões e apetrechos sem fim. Leve o bebê à mesa com você. SEM EXPECTATIVA.

Não crie expectativas. Essa é o primeiro lembrete de ouro da introdução alimentar, independente da abordagem que você pretende seguir. 

Se vcs já estão em andamento e o bebê com 7, 8, 9 meses ainda não está comendo como o bebê do vizinho ou da blogueira, internalize e reflita sobre mais um conceito do BLW: PRONTIDÃO. BLW é sobre dar tempo ao desenvolvimento. É sobre não comparar. Entender que existem bebês prontos aos 5 meses e meio e bebês que só deslancham a comer depois de 1 ano de idade – independente de todo o esforço que você faça. E, se você comparar com bebês que comem papinha, aí a frustração só piora, porque dificilmente eles vão seguir o mesmo padrão no início da introdução alimentar.

Bebês que comem passivamente comem MAIS – e esse nunca foi o objetivo do BLW. Para que o bebê seja capaz de manipular os alimentos com suas habilidades motoras em desenvolvimento, os alimentos são dispostos em seu formato íntegro, e não em purê ou amassados. Isso significa que esses alimentos terão que ser manipulados, mastigados e deglutidos – o que é absolutamente esperado que se faça durante a alimentação.

Então, pra ficar mais fácil, vamos nos colocar no lugar do bebê. Quando você bebe um suco de frutas natural: 250 ml de suco de laranja tem em média 2 a 3 laranjas. Você está ingerindo 2 a 3 laranjas em, vamos dizer, no máximo 5 minutos? Tempo diferente você levaria para pegar 2 ou 3 laranjas, descascar, morder, tirar o suco com os dentes, manejar dentro da boca e engolir cada uma delas. Muitas pessoas ainda amam mastigar todo o bagaço, deixando só a parte branquinha para o lixo. Aproveitamento total, maior tempo dispendido, maior saciedade. Talvez seja por isso que não comemos 2 ou 3 laranjas de uma só vez?

Entender que você está comparando duas situações que são completamente diferentes vai te dar muito mais tranquilidade pra observar o SEU bebê – e não o bebê da vizinha. 

O BLW também permite que o bebê que demonstre, intuitivamente, o que ele precisa comer. Isso significa que podem ter semanas (sim, SEMANAS) que ele só aceite as proteínas. Ou os vegetais. Ou as frutas. Ou os carboidratos. E nós ainda não temos pesquisas suficientes que nos mostrem que o melhor caminho é permitir com que eles fiquem livres pra escolher, intuitivamente, o que tem vontade ou necessidade de comer. Mas eu posso com muita convicção te afirmar que eles não estão de dieta ou conscientemente pensando: “hmmm só vou comer os carboidratos essa semana”. Ou “eu não gosto de verdinhos”. O estágio cognitivo não lhes permite isso.

Durante a introdução alimentar, existe uma série de fatores inerentes ao próprio crescimento e desenvolvimento que podem fazer com que essas “preferências” apareçam e da mesma forma desapareçam, como se nada tivesse acontecido. No momento em que escrevo esse texto, meu filho está prestes a completar 3 anos e já passou por inúmeras destas fases. Recusou banana durante todo seu primeiro ano, durante o estirão de crescimento do segundo ano de vida chegou a pedir 3 bananas e comer de uma vez e hoje, no terceiro ano de vida, pega a banana da fruteira e come quando tem vontade, não mais do que 1 banana por vez.

Deixar com que o bebê dite o ritmo e o caminho pode ser extremamente natural se vc tem um pequeno glutão em casa. Se o seu bebê aceita tudo desde o princípio, é bem provável que você nunca tenha se questionado sobre o BLW. Mas a maioria dos bebês não são assim.

A maioria dos bebês demora a engatar a comer uma quantidade que seja suficiente pra nós, dentro do paradigma de alimentação infantil ao qual estamos habituados. E o BLW deixa isso muito perceptível.

E isso pode se transformar em um pesadelo, se a gente cria a expectativa de que o bebê precisa a qualquer custo comer uma quantidade pré-determinada. Se a gente começar a comparar bebês em BLW entre si, vamos perceber que a maioria começa a mastigar e engolir melhor aos 8-9 meses, coincidentemente quando há uma melhora expressiva da coordenação motora global e oral. Natural e conforme o esperado para o desenvolvimento. E BLW não era exatamente sobre isso? 

E então passa-se o tempo, o bebê já come bem, sozinho, com as mãos. Eu começo a tentar treiná-lo. Treinar a aceitação do prato ou o manejo o talher. Treinar a pinça, treinar o copo, treinar, treinar… “Mas não está dando certo… bem que me disseram que ele ia comer com a mão pra sempre“. Calma. Respire fundo e lembre-se de novo que BLW não é sobre treino, mas sobre… OPORTUNIDADE!

Prontidão não se refere somente aos grandes marcos do desenvolvimento infantil, como sentar, andar e falar. Envolve também mínimas coisas, como levar um objeto à boca, morder, equilibrar um talher com comida, compreender frases simples e por aí vai.

Todas as pequenas e grandes aquisições psicomotoras demandam oportunidades pra serem  desenvolvidas, mas independem do nosso poder de persuasão. 

Então o cerne não é ensinar, treinar ou esperar que ele se desenvolva mais rápido. Mas sim dar tempo e oportunidade para que se desenvolva no tempo certo. No tempo do SEU bebê. Reforce o conceito e não crie expectativas quanto ao que seu bebê já apresenta ou deixa de apresentar. BLW não é sobre ser o bebê mais desenvolvido do pedaço. É sobre um bebê que tem total autonomia para poder se desenvolver naturalmente, dentro de um ambiente repleto de oportunidades sensório-motoras. BLW é sobre comer o que se tem vontade, se é que se tem vontade.

Ao escolher o BLW, eu imagino que você tenha enfrentado alguma resistência externa, seja pela sua família, amigos, pediatra… Alguém por aí deve ter feito vc duvidar se era isso mesmo que você queria. E o tempo passa, o bebê da ‘vizinha’ come, o bebê da blogueira come, todo mundo come, menos o seu bebê. E aí, a cobrança externa começa a pesar nas suas decisões. Volta a ansiedade, volta a expectativa e volta a frustração. Pra isso, o santo remédio se chama AUTO-PODER. Lembra do tal empoderamento? Pois é. Faça suas escolhas tranquilas, de coração aberto. E não tenha medo de mudar, se o seu coração lhe disser assim. Se vc decidiu tentar oferecer a comida, enverede para a introdução alimentar participativa, vai ser igualmente respeitoso e produtivo.

 

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Até quando vai a introdução alimentar?

Promoção de saúde tem sido um dos meus principais focos de atuação fonoaudiológica no momento e esse é o ponto de partida para o artigo de hoje. Eu venho batendo na tecla de que é extremamente mais fácil e prazeroso trabalhar com uma família durante a fase de introdução alimentar – e é quando se inicia a Educação Alimentar. Mas até quando vai a introdução alimentar? 

No campo de estudo da Nutrição, entende-se que os primeiros anos de vida de uma criança, especialmente os dois primeiros, são caracterizados pelo crescimento acelerado e enormes aquisições no processo de desenvolvimento necessárias para a alimentação. Isso inclui as habilidades para receber, mastigar e digerir outros alimentos, além do leite materno, e o autocontrole no processo de ingestão de alimentos, para atingir o padrão alimentar cultural do adulto.

Então até os dois anos (aproximadamente), espera-se que a criança esteja comendo uma variedade de alimentos, em suas diferentes formas, texturas e sabores. Espera-se que seja capaz de solicitar comida quando tem fome e que recuse ou pare de comer espontaneamente quando se sente saciada. O paladar vem se formando desde a gestação e é provável que a criança já tenha um repertório alimentar no qual se basear.

Não coincidentemente, a introdução alimentar tem uma parte importante na Teoria dos Primeiros Mil Dias do Bebê. Esse é o período de maior formação de novas conexões cerebrais durante o desenvolvimento, e hoje sabemos que é dependente de uma série de fatores, tanto intrínsecos (biológicos) como extrínsecos (ambientais).

Os dois primeiros anos de vida do bebê, segundo Piaget, também são caracterizados pelo intenso aprendizado sensório-motor. Isso significa que o bebê descobre o mundo através das suas experiências sensoriais, por meio da ação. Então, para aprender, o bebê precisa interagir com o meio. Por isso eu falo tanto em dar oportunidades! Nesse caso, esse é nosso principal fator extrínseco.

Durante a fase sensório-motora, o bebê é um potencial explorador. Absolutamente tudo lhe chama a atenção e, com o avanço no desenvolvimento motor, ele consegue começar a levar o que lhe chama a atenção até a boca, que é quando se inicia o período de reconhecimento externo. Essa fase é chamada por Freud de Fase Oral.

A fase oral tem início no momento em que o bebê nasce até completar um ano, aproximadamente. A boca é o primeiro meio de contato com o mundo que o rodeia, e por meio dela o bebê experiencia dor, frustração e satisfação, através de pulsões orais. O seu principal objeto de desejo é o seio materno, que proporciona alimento e satisfação. Sugar, morder, mastigar e comer são sinônimos de prazer, independente da fome. A fase oral é também marcada pela ligação entre a mãe e o bebê e se caracteriza por ser o período em que a base da personalidade e o ego são formados.

Ainda de acordo com a Teoria Piagetiana, a partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento. Então, por exemplo, o bebê pega o que está em sua mão; suga o que é posto em sua boca; o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca. E assim por diante.

É aí que entram o BLW e a Alimentação Participativa, como propostas de promoção da saúde e educação alimentar. Quando tiramos o bebê do papel passivo de sua própria alimentação, e passamos a ter um agente ATIVO, que interage, aprende e assimila os esquemas de alimentação (e não só de ingestão) através de suas próprias experiências, passamos a considerar a introdução alimentar em uma perspectiva muito mais ampla e funcional.

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introdução alimentar sob diferentes pontos de vista

Nessa perspectiva, a apresentação de um alimento em formato de finger food passa a ser um mero detalhe, cujo objetivo vai muito além de “deixar o bebê brincar com a comida”. A interação e a descoberta do mundo para o bebê é feita através da experiência! É importante separar o que é dar comida na mão e o que é BLW e alimentação participativa, de fato.

Assimilar o BLW significa entender o conceito de prontidão. Gradativamente as habilidades motoras vão dando maiores oportunidades dele interagir com o meio, assim como as habilidades motoras orais começam a dar maiores oportunidades dele interagir com o alimento dentro da boca. Tendo oportunidades de aprendizagem, em pouco tempo o bebê consegue se auto-alimentar com eficiência também. Aos poucos, assimila que o momento de interação com a comida, além de divertido, também mata a fome. E é ainda um poderoso momento de socialização.

E isso não vai ser de uma hora pra outra. Você pode confundir a criança se ora você assume que ela tem autonomia ora você assume que não, e faz ela engolir comida a todo custo. Nesse contexto, ora eu tenho autonomia ora não, a criança pode sim acabar demorando mais tempo pra assimilar que quando tem autonomia também é capaz de saciar sua própria fome. Então é rever todo o processo e não somente uma situação específica em que a criança tem contato com um alimento no formato original. Interagir com o alimento propicia ao bebê uma série de informações sensoriais essenciais no desenvolvimento da sua relação com a alimentação, a longo prazo.

Conhecer sabores e texturas distintamente e poder relacioná-los com uma série de outras informações sensoriais está diretamente ligado à preferência por determinados tipos ou grupos de alimentos, por exemplo. Por isso, como intermediadores, acabamos falhando ao considerar que a única chance de interagir ativamente com um alimento em seu formato original seria “praticando a mastigação” com um biscoito doce ou um pedaço de pão. Muitas vezes, esse é o único meio pelo qual a criança interage ativamente com o alimentos durante a fase de introdução alimentar.

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1 – A famosa “papinha marrom”, com informações sensoriais praticamente nulas. 2 – Papinha com pedaços, típica da introdução alimentar tradicional, com informações sensoriais limitadas e sobrepostas. 3 – Exemplo de apresentação de um prato na Alimentação Participativa, com alimentos separados e levemente amassados, com a possibilidade do bebê pegar caso tenha interesse. 4 – Exemplo de apresentação dos alimentos no BLW, com alimentos no seu formato original.

A modulação motora oral também começa a se formar ativamente durante essa fase, através da mordida, mastigação e deglutição. Como qualquer outro esquema motor, é extremamente ligado ao número de oportunidades. Se uma criança não aceita alimentos duros aos 3, 4 anos de idade, é bem provável que seja porque ela não tenha sido exposta a este tipo de alimento em sua janela de oportunidade. Ou seja, a questão não é não querer, mas nem saber o que fazer com aquilo dentro da boca.

Da mesma forma, todas as atitudes e hábitos aos quais o bebê é exposto durante essa fase são a base da construção de sua relação com a comida. Se um bebê assimila que ele pode colocar na boca e cuspir, ou simplesmente rejeitar (não pegar) o alimento, deixando-o de lado, ele internaliza positivamente a situação. Posteriormente, no campo simbólico, desenvolve a habilidade de provar coisas novas e diferentes sabendo que ele pode simplesmente não comer se não quiser.

Mas assim como não existe uma idade mágica pra caminhar, pra falar e pra comer, também não existe uma idade mágica pra que a criança mude de fase. Esse é o nosso fator biológico, então a introdução alimentar e a janela de oportunidades “até os dois anos” é uma idade aproximada e pode variar muito de criança pra criança.

Assim, por volta dos dois anos, a criança entra em um período que é chamado de pré-operatório, também chamado de estágio da inteligência simbólica . Caracteriza-se, principalmente, pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio sensório-motor. 

A criança, neste estágio, é egocêntrica, e não consegue se colocar abstratamente no lugar do outro; não aceita a ideia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos “por quês”), já pode agir por simulação (“como se fosse”), possui percepção global sem discriminar detalhes, e deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.

Nessa fase, você irá perceber que a criança vai começar a categorizar os brinquedos, perceber cores, formas, tamanhos e começar a diferenciá-las. A inteligência/cognição está dando um passo à frente. E assim como na brincadeira, a hora da refeição também vai sofrer interferências.

É a hora que a criança começa a recusar determinado alimento por causa da cor, por exemplo. Porque ela começa a associar com outras coisas além da própria experiência sensório-motora. Pode associar o verde à algo ruim, por exemplo, principalmente se baseando em modelos próximos (amigos ou família).

Nessa fase, com a compreensão de linguagem melhor, ela tende a expressar sobre o que quer comer e o que não quer também. Tem uma coordenação motora fina muito melhor para manejar e entender pra que servem os utensílios e é muito provável que, se já não estiver usando, passe a se interessar por eles.

O boom de linguagem traz junto a nomeação dos alimentos, e podem começar a surgir alguns adjetivos, dependendo do grau de desenvolvimento da linguagem… bom, ruim, quente, frio… Coisas simples mas que já são um avanço e tanto pra caracterizar sua interação com os alimentos.

Por isso, nessa fase, trabalhar com uma criança que começou a introdução alimentar de forma inadequada é mais difícil. Porque começam os quereres e não quereres e diminui muito a disponibilidade de se provar coisas novas. Nada que não dê pra “consertar”, apenas mais difícil, porque ela já assimilou muitos hábitos e padrões e o modo de interagir com o mundo mudou completamente.

Então por exemplo, quando uma mãe me manda um e-mail dizendo: “Aline, meu filho tem 2 anos e meio e só come tudo papa, não aceita sólidos, posso fazer seu curso?”. Eu digo, “não, gaste esse dinheiro com uma nutri, uma fono – e talvez uma psicóloga, dependendo do caso!”. Nesses casos, um atendimento multiprofissional especializado é fundamental.

Vale lembrar que o próprio Ministério da Saúde ressalta que a introdução dos alimentos complementares deve ser lenta e gradual. É comum que a criança rejeite as primeiras ofertas, pois tudo é novo. Mas é importantíssimo lembrar que, no início, a alimentação deve complementar o leite materno e não substituí-lo. Portanto, a introdução das refeições não deve substituir as mamadas no peito.

Há crianças que se adaptam facilmente e aceitam muito bem os novos alimentos. Outras precisam de mais tempo, não devendo esse fato ser motivo de ansiedade e angústia para a família. No início da introdução dos alimentos, a quantidade que a criança ingere pode ser pequena. Após a refeição, se a criança demonstrar sinais de fome ela não só pode, como deve ser amamentada. Aproveite! Aproveite essa fase em que a alimentação ainda é complementar para dar OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM. Te garanto que vai valer a pena! 🙂

Referências:
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Garantindo energia e ferro para o bebê no BLW

Devido ao número limitado de estudos sobre o BLW, ainda há uma grande preocupação por parte de alguns órgãos e profissionais de saúde quanto à segurança de que o bebê estará ingerindo alimento suficiente para atender suas demandas, em especial de energia e ferro, garantindo um adequado crescimento e desenvolvimento.

Até o momento, nenhum estudo avaliou a adequação na ingestão alimentar de bebês seguindo o método. Aparentemente, muitos pais preferem oferecer verduras e frutas no início da introdução alimentar através do BLW, inclusive pela facilidade em adaptar esses alimentos ao formato necessário para a auto alimentação.  Em contrapartida, a OMS – Organização Mundial da Saúde recomenda que as carnes sejam oferecidas desde o princípio da alimentação complementar, uma vez que são a melhor fonte de ferro e zinco na dieta das crianças.

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Pensando nas questões acima, Cameron e colaboradores desenvolveram uma versão modificada do BLW, chamada Baby-Led Introduction to Solids (BLISS), que em tradução livre significa introdução aos sólidos guiada pelo bebê. No BLISS, o bebê continua no controle da sua introdução alimentar, através do auto alimentação, porém os pais recebem orientações específicas para atingir as necessidades energéticas, evitar deficiência de ferro e diminuir o risco de engasgo.

 

As características essenciais do BLISS são:

  • Oferecer alimentos que o bebê possa agarrar e levar à boca sozinho, de acordo com o que recomenda o BLW;
  • Oferecer um alimento rico em ferro em cada refeição;
  • Oferecer um alimento energético em cada refeição;
  • Oferecer alimentos apropriados para o desenvolvimento do bebê de acordo com a idade, reduzindo o risco de engasgo e evitar oferecer alimentos listados como de alto risco para engasgo.

 

O que significa isso em termos práticos, adaptando para a realidade brasileira?

No quadro abaixo está um resumo de recomendações para atingir a proposta do BLISS, com adição de mais algumas informações importantes para aumentar a biodisponibilidade do ferro e para garantir refeições de boa densidade calórica, evitando falhas no crescimento e desenvolvimento do bebê.

 

Objetivo da recomendação Recomendações específicas aos cuidadores
Aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro – Ofereça um alimento rico em ferro de alta disponibilidade em cada refeição, entre eles: fígado, carne vermelha, frango, porco e peixe

– Ofereça com regularidade os alimentos ricos em ferro de média e baixa disponibilidade: vegetais verde escuros, feijões, grão de bico (incluindo pasta de grão de bico), lentilha

-Utilize receitas para oferecer com segurança os alimentos que o bebê não consegue agarrar no princípio (vegetais folhosos, por exemplo)

– Não atrase a introdução alimentar para além dos 6 meses de idade

Melhorar a absorção de ferro – Deixe os grãos integrais (arroz integral, feijões, grão de bico, lentilha) de molho em água com limão por 12 horas, descartando a água do remolho antes de cozinhar

– Ofereça uma fruta rica em vitamina C junto com as grandes refeições: laranja, tangerina, morango, manga, abacaxi, kiwi, carambola, pêssego

Garantir boa oferta dos demais nutrientes -Ofereça uma variedade de alimentos, repetindo diversas vezes os alimentos recusados no princípio

– Ofereça de 3 a 5 alimentos diferentes em cada refeição, mas disponha na bandeja apenas um pedaço de cada por vez, repondo sempre que for preciso

Reduzir o risco de falhas no crescimento, como resultado de uma baixa ingestão calórica de corrente da auto alimentação – Ofereça ao menos um alimento energético em cada grande refeição: batata (doce, baroa, inglesa), inhame, aipim, cará, abóbora, abacate, banana, azeite, óleo de coco, carnes em geral, feijões e outras leguminosas

 

Veja também: Prevenindo o engasgo: a escolha do adulto faz toda a diferença

 

De qualquer forma, todas as orientações adicionadas à metodologia do BLISS já deveriam estar sendo feitas por profissionais realmente capacitados para atender este público. Daí a importância de fazer um acompanhamento do processo com um bom nutricionista e/ou pediatra.

Mas a grande novidade do BLISS é que teremos um grande estudo sendo bem conduzido para confirmar (ou não) as aclamadas vantagens do BLW, incluindo: melhora da auto regulação de ingestão calórica, maior desenvolvimento das funções motoras, melhor qualidade da dieta e do comportamento alimentar. Além disso, esse estudo irá verificar se as modificações sugeridas pelo BLISS ajudam a manter um bom estado nutricional de ferro e zinco e reduzir os riscos de engasgo.

Principalmente diante de todas essas informações, os pais podem se pegar pensando “coma mais” ou “coma tudo”. É normal ficar ansioso em relação ao quê e o quanto o bebê vai comer. Mas tente se lembrar de que bebês são ótimos em regular seu apetite, comendo somente o que precisam. O seu papel é continuar oferecendo refeições variadas e nutritivas para que ele aprenda a ter hábitos saudáveis em seu próprio tempo.

 

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

 

Referências:
Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Development and pilot testing of Baby-Led Introduction to SolidS–a version of Baby-Led Weaning modified to address concerns about iron deficiency, growth faltering and choking. BMC Pediatr. 2015 Aug 26; 15:99.

 

Daniels L et al. Baby-Led Introduction to SolidS (BLISS) study: a randomised controlled trial of a baby-led approach to complementary feeding. BMC Pediatr. 2015 Nov 12;15:179.

 

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