É necessário adiantar a introdução alimentar se a mãe volta ao trabalho (aos 4 meses)?

por Michelle Bento, Nutricionista

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Já é amplamente conhecido que a atual recomendação dos principais órgãos de saúde mundiais é iniciar a alimentação sólida aos 6 meses de idade.

Na prática, ainda é muito frequente que se inicie antes disso, entre os 4 e 6 meses de idade. Às vezes devido ao retorno da mãe ao trabalho, que dificulta a manutenção da livre demanda, outras vezes por indicação do pediatra. Algumas famílias se mostram ansiosas para ver o bebê comer outros alimentos e acreditam que o mesmo já está pronto para receber comida sólida.

Então vamos entender agora quais são as vantagens em se manter o aleitamento exclusivo até o sexto mês e de que forma podemos organizar a rotina da dupla mãe-bebê para aumentar as chances de atingir essa meta.

É completo

O leite materno é naturalmente o primeiro de alimento de escolha para bebês, sendo capaz de fornecer toda energia e nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento adequados nos primeiros meses de vida. Além dos nutrientes adequados, o leite materno contém anticorpos que ajudam a proteger o bebê contra doenças comuns na infância, incluindo pneumonia e diarreia.

É prático

Verdade seja dita. É muito mais fácil e rápido oferecer o seio (ou até fazer a diluição da fórmula) do que se organizar – com um bebê pequeno e às vezes com mais outra(s) criança(s) mais velha(s)-  para preparar e oferecer a comida do bebê. O leite materno é um alimento completo, gratuito, livre de bactérias prejudiciais e pronto para consumo sempre que seu filho(a) precisar.

Reduz o risco de infecções

As evidências científicas mostram que não há nenhum benefício em fazer a introdução de alimentos complementares entre os 4 e 6 meses de idade. Em contrapartida, o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses diminui significativamente o risco de infecções gastrointestinais e doenças respiratórias, contribuindo para redução das taxas de mortalidade infantil, sem que haja nenhum déficit de crescimento. Mesmo no caso do aleitamento por fórmula, a manipulação para preparar a diluição do pó é bem menor do que para fazer o preparo da comida, sendo mais fácil fazer um controle higiênico afim de evitar uma toxinfecção alimentar.

Traz vantagens para a mãe

Aumentar o tempo de amamentação exclusiva também apresenta outras vantagens: contribui para recuperação do peso pré-gestacional, pode prolongar o tempo que a mãe permanece sem menstruar e vem havendo um aumento nas evidências de que o risco de desenvolver câncer de mama e ovários é menor em mulheres que amamentaram.

 

Tudo bem, já vimos que existem boas vantagens em manter o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses.

Mas concordamos que a realidade do mercado de trabalho não permite que boa parte das mães seja capaz de estar 100% disponível para aplicar a livre demanda e garantir a nutrição do bebê somente com leite materno até os 6 meses. Nesses casos, o que fazer?

A ordenha e armazenamento do leite pode ser realizada por aquelas mães que consigam retirar quantidades expressivas de leite através da bomba ou da ordenha manual.

 

Para aumentar o sucesso da ordenha, algumas dicas são importantes:

– Embora o Ministério da Saúde recomende que o leite materno não pasteurizado seja armazenado em freezer ou congelador por no máximo 15 dias, a ABM (The Academy of Breastfeeding Medicine) utiliza protocolos de tempo e temperatura seguros mais flexíveis, conforme quadro abaixo:

 

Local Temperatura Duração
Temperatura ambiente Até no máximo 25°C. acima disso, armazenamento em temperatura ambiente não é adequado. 6 a 8 horas
Refrigerador < 4°C. estoque o leite no fundo da geladeira, onde a temperatura é mais baixa. Até 5 dias
Freezer com compartimento localizado dentro do refrigerador

 

-15°C 2 semanas
Freezer com porta separada do refrigerador -18°C 3 a 6 meses

 

– Para fazer seu estoque antes da volta ao trabalho, procure fazer a ordenha em local tranquilo e sempre antes que o bebê venha ao seio, aumentando a chance de retirar quantidades expressivas de leite. Fazer a ordenha no primeiro horário da manhã costuma ajudar, uma vez que, em geral, o bebê mama menos na madrugada.

– Higienize as mãos e o local onde será realizada a ordenha e prenda os cabelos. Utilize recipientes de vidro com tampa plástica ou potes plásticos específicos para coleta de leite. Esse material deverá estar esterilizado.

– Se a mãe não conseguir retirar uma boa quantidade de leite através da ordenha, poderá tentar retirar o leite várias vezes no dia, juntando em um mesmo compartimento na geladeira. No final do dia, esse compartimento deve ser transferido para o congelador ou freezer.

– Os potes usados para armazenamento devem ser datados. Utilize sempre primeiro aquele que foi colhido antes.

– Caso haja um local disponível para ordenha e armazenamento no trabalho, o leite extraído na ausência do bebê poderá ser aproveitado. O ideal seria realizar de 2 a 4 ordenhas no período de ausência. No final do dia, o leite armazenado na geladeira ou freezer deverá ser imediatamente colocado em uma bolsa térmica com placas de gelo na lateral interna da bolsa. Esse leite deverá ser colocado no congelador ou freezer assim que chegar em casa.

-Caso não seja possível realizar a ordenha no trabalho, a mãe poderá tentar retirar leite assim que chegar em casa, antes que o bebê venha ao seio.

 

Oferta do leite materno

Preferencialmente, o leite ordenhado deverá ser oferecido ao bebê em copinho aberto ou copo de transição com bico rígido e sem válvula de controle de fluxo. O uso de mamadeiras é associado interrupção precoce do aleitamento materno, mesmo quando seu uso é iniciado após o estabelecimento da amamentação.

O leite deve ser transferido do congelador ou freezer para a geladeira com 12 horas de antecedência para fazer o descongelamento. Caso não seja possível, o leite pode ser retirado do freezer diretamente para ser aquecido, sendo descongelado no banho-maria.

Para aquecer ou descongelar o leite, aqueça a água em uma panela até ferver e desligue a chama do fogão. Coloque o recipiente com o leite dentro da água, agitando até que o leite seja reconstituído. O leite materno não deve ser fervido e nem aquecido em micro ondas. O leite descongelado não pode ser recongelado e o leite aquecido não poderá ser reaproveitado.

Na impossibilidade de fazer e manter a ordenha de leite materno, o melhor momento e a melhor forma para introdução dos alimentos sólidos deverá ser avaliada com um profissional de saúde capacitado.

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Referências bibliográficas

 WHO. The Optimal Duration of Exclusive Breastfeeding: A Systematic Review WHO/NHD/01.08 (2002)

WHO. Infant and young child feeding: model chapter for textbooks for medical students and allied health professionals. Geneva: World Health Organization; 2009.

Academy of Breastfeeding Medicine. (2004) Clinical Protocol Number #8: Human Milk Storage Information for Home Use for Healthy Full Term Infants. Princeton Junction, New Jersey: Academy of Breastfeeding Medicine.

 

2-5

O bebê está pronto para alimentos sólidos? (Sinais de prontidão)

 

Traduzido de Kellymom.com, por Aline Padovani*

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O que dizem os especialistas?

Profissionais da área  da saúde e especialistas em amamentação concordam que é melhor esperar até que seu bebê tenha cerca de seis meses antes de oferecer alimentos sólidos. A Academia Americana de Pediatria, a Organização Mundial de Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria e muitas outras organizações de saúde recomendam que os bebês sejam amamentados exclusivamente (sem cereais, suco ou outros alimentos) nos primeiros 6 meses de vida.

 

Leia mais: Por que esperar até os seis meses (ou muito próximo disso)?

 

Sinais de desenvolvimento que indicam que o bebê está pronto para sólidos

A prontidão para receber outros alimentos além do leite depende da maturidade do aparelho digestivo do bebê e da prontidão de desenvolvimento do bebê para os sólidos.

Embora a maturidade do sistema digestivo do bebê não seja algo que podemos facilmente observar, as pesquisas indicam que 6 meses parece ser o ideal para prevenir o aumento da ocorrência de algumas doenças e outros riscos para a saúde decorrentes da introdução alimentar precoce. Após este ponto, os bebês vão estar prontos para receber outros alimentos em diferentes momentos – é impossível determinar usando um calendário. A maioria dos bebês estará pronta, em termos de desenvolvimento, para receber sólidos em algum momento entre os 6 e 8 meses de vida do bebê.

 

Sinais que indicam que o bebê está preparado, em termos de desenvolvimento, para se alimentar de outros alimentos além do leite:

  • O bebê pode sentar-se bem sem apoio (ou com mínimo apoio).
  • O bebê perdeu o reflexo de protrusão da língua e não empurra automaticamente os sólidos para fora da boca com a língua.
  • O bebê está pronto e disposto a mastigar.
  • O bebê está desenvolvendo o movimento de pinça, começando a tentar pegar os alimentos ou outros objetos pinçando-os entre o polegar e o indicador. Usar os dedos para raspar e prender o alimento na palma da mão (preensão palmar) não substitui o desenvolvimento do movimento de pinça.
  • O bebê está ansioso para participar na hora das refeições e pode tentar agarrar comida e colocá-la em sua boca.

Muitas vezes afirmamos que um dos sinais de prontidão para os sólidos é quando o bebê exibe a longo prazo uma demanda aumentada para amamentar (por volta de 6 meses ou mais), que não estaria relacionada a doença, dentição, mudança de rotina, surto de crescimento ou salto de desenvolvimento. No entanto, pode ser difícil julgar se esse aumento de demanda de mamadas esteja apenas relacionado com a prontidão para os sólidos.

Muitos bebês de 6 meses de idade estão na fase da dentição, surtos de crescimento, começando a experimentar ansiedade de separação e experimentando muitas outras mudanças no desenvolvimento que podem levar ao aumento da amamentação – às vezes de uma só vez! Certifique-se de olhar para todos os sinais de prontidão como um todo, porque o aumento da amamentação por si só não é um guia preciso.

 

Mais sobre a prontidão de desenvolvimento …

Em abril de 2001, a Wellstart International e o Projeto LINKAGES publicaram uma revisão da literatura sobre “a prontidão do desenvolvimento de lactentes normais a termo, na transição do aleitamento materno exclusivo para a introdução de alimentos complementares”. Segundo os autores, “a revisão não se concentra nos resultados de saúde associados à interrupção da amamentação exclusiva em uma determinada idade, mas sim na prontidão biológica / de desenvolvimento para esta complexa experiência. Quatro processos ou funções foram selecionados para inclusão: gastrointestinal, imunológico, motor oral e os processos reprodutivos maternos que se relacionam com a continuação da lactação e fornecimento de leite materno“. Seguem algumas das conclusões desta revisão:

  • “Assim, a amamentação exclusiva por volta de seis meses permite que a criança tenha maior proteção imunológica e limite sua a exposição à patógenos em uma idade vulnerável. Isso, por sua vez, permite que a energia e os nutrientes que seriam desviados para fornecer respostas imunológicas, possam estar disponíveis para serem utilizados em outros processos de crescimento e desenvolvimento”
  • “Esses relatórios clínicos indicam que a maioria dos bebês normais a termo não estão prontos, em termos de desenvolvimento, para a transição da sucção do seio para a sucção em outros contextos, ou mesmo para conseguirem manejar alimentos semi-sólidos e sólidos, além de líquidos, até por volta dos 6 a 8 meses de idade”
  • “Usando a informação disponível sobre o desenvolvimento da função motora oral, da fisiologia reprodutiva materna e do desenvolvimento da função imunológica e gastrointestinal do bebê, a equipe de especialistas concluiu que a provável idade de prontidão para a maioria dos lactentes a termo para interromper o aleitamento materno exclusivo e iniciar alimentos complementares parece estar perto de seis meses, ou talvez um pouco além. Também sentiu que há provável convergência de tal prontidão através dos vários processos relevantes.”
  • “A opinião consensual do grupo de revisão de peritos foi que, dada a informação disponível e a ausência de evidências de danos significativos para mães normais ou infantes normais, não há razão para concluir que a amamentação exclusiva não deve continuar para seis meses”.

 

E sobre começar os sólidos após os 6 meses? Em que ponto o bebê precisa de nutrientes que não podem ser fornecidos apenas pelo leite materno?

A pesquisa médica nos diz que a amamentação exclusiva permite que os bebês cresçam e se desenvolvam com primor nos primeiros 6 meses.

Nas palavras da Organização Mundial de Saúde:

“A amamentação é uma maneira inigualável de fornecer o alimento ideal para o crescimento saudável e desenvolvimento de bebês … Uma revisão recente da evidência mostrou que, numa base populacional, a amamentação exclusiva por 6 meses é a melhor maneira de alimentar os bebês”.

Mas e se o bebê não está muito interessado nos sólidos aos seis meses?

Bebês que ainda não estão interessados em alimentos sólidos podem e vão crescer e se desenvolver apenas com o leite materno até os 9-12 meses ou mais tarde. Você pode ouvir as pessoas dizerem: “Alimentos antes de 1 ano é apenas por diversão” (“food until one is just for fun”), mas talvez isso deve ser alterado para “Alimentos antes de 1 ano é principalmente para diversão” (“food until one is mainly for fun”).

Enquanto seu bebê continuar a crescer e desenvolver como deveria, isso significa que o seu leite está atendendo bem suas necessidades. Algum tempo depois dos seis meses, no entanto, os bebês irão gradualmente começar a precisar de mais ferro e zinco do que aquele fornecido pelo leite materno sozinho.

Nesse ponto, nutrientes adicionais podem ser obtidos a partir de pequenas quantidades de sólidos. Se o seu bebê optar por continuar o aleitamento materno exclusivo, basta manter o olho no crescimento e no estado de ferro, continuar a vigiar o seu bebê para saber se está pronto para os sólidos e oferecer sólidos adequados para ele tentar – o bebê pode decidir se quer ou não comer.

Não importa quando o bebê começa alimentos sólidos, o leite materno deve constituir a maioria da nutrição do bebê até o final do primeiro ano.

 

E se o meu filho de 4 a 5 meses parece estar preparado para começar com os sólidos?

Bebês de quatro a cinco meses de idade, por vezes, estão muito ansiosos para participar na hora da refeição, mas isso não significa necessariamente que eles estão prontos para comer sólidosmais frequentemente é apenas o impulso normal de desenvolvimento para fazer o que todo mundo está fazendo. Estudos nos dizem que esperar por cerca de 6 meses para iniciar os sólidos traz muitas vantagens para a saúde de todos os bebês, não apenas dos bebês que ainda não estão interessados na hora das refeições.

Há uma série de coisas que você pode fazer para deixar o bebê participar nas refeições antes de iniciar os sólidos:

  • Deixe o bebê sentar com a família na hora da refeição – no colo, em um assento auxiliar ou no cadeirão.
  • Dê ao bebê um copo de água ou leite ordenhado. Seu bebê pode entreter-se na hora da refeição enquanto aprende a usar o copo. 30 – 80 ml de água no copo devem ser o bastante (frequentemente para o dia inteiro). Muitas mães escolhem usar apenas água ou uma pequena quantidade de leite materno para evitar desperdiçar o “ouro líquido” enquanto o bebê aprende a usar o copo.
  • Ofereça goles de água de seu copo ou canudo. Mesmo que o bebê não tenha descoberto como usar um canudo ainda, você pode colocar seu canudo na água, bloquear a ponta superior do canudo com o dedo para prender um pouco de água no canudo e, em seguida, deixe o bebê beber a água da extremidade inferior do canudo (desbloquear a extremidade superior, uma vez que está na boca do bebê).
  • Oferecer colheres de bebê, copos, tigelas e outros utensílios de alimentação para que o bebê possa manipular durante a hora das refeições.
  • Dê ao bebê um cubo de gelo (de tamanho e forma seguros para o bebê) ou gelo chips para brincar.
  • Ofereça ao bebê um “tetolé” (picolé de leite materno) ou uma “raspadinha” de leite materno para comer com uma colher.

 

Mitos sobre a prontidão para a introdução alimentar

Há muitos mitos e informações desatualizadas que pretendem dizer quando o bebê está pronto para sólidos.

MITO: O peso do bebê atingiu um número “mágico”

O bebê alcançar o número “x” de quilos, ou dobrar o peso do nascimento, (ou quanto seu bebê pesa) não o faz automaticamente pronto para os sólidos, especialmente se está abaixo dos 6 meses.

As recomendações da Organização Mundial da Saúde para iniciar sólidos aos 6 meses ou mais tarde não tem exceções para bebês que pesam mais. A pesquisa feita sobre os benefícios de iniciar os sólidos aos 6 meses são para todos os bebês, não importa o seu peso.

São a maturidade do trato digestivo e o desenvolvimento neuropsicomotor do bebê que fazem a diferença, não o peso do bebê.

É bastante interessante notar que as mães escutam que devem começar os sólidos precocemente não só quando os bebês são grandes, mas também quando eles são pequenos. Não é mesmo incomum ouvir argumentos opostos, para ambos os lados, vindos da mesma pessoa!

 

MITO: O bebê é grande, portanto precisa começar a introdução alimentar

Quando têm um bebê grande, as mães ouvem diferentes razões para dar comida aos bebês precocemente.

Alguns dizem que, se o bebê é grande, a mãe não será capaz produzir leite suficiente para satisfazer o bebê. Isso é completamente falso – quase todas as mães têm a capacidade de produzir leite suficiente para amamentar exclusivamente gêmeos e até trigêmeos. Se você permitir, seu corpo fará bastante leite para seu bebê.

Além disso, as pesquisas mostram que os bebês amamentados exclusivamente não aumentam a quantidade de leite que bebem depois das 4 primeiras semanas. Então, após o primeiro mês, a entrada do leite permanece constante até algum tempo após seis meses (com exceção de períodos temporários de maior apetite), quando o bebê começa a comer alimentos mais sólidos e diminuir a ingestão de leite.

Outras mães ouvem que o bebê está comendo demais, de modo que a mãe deve reduzir a ingestão do bebê limitando a amamentação e / ou começando a introdução alimentar. Não há absolutamente nenhuma evidência de que um bebê grande e amamentado se tornará uma criança ou adulto grande. Além disso, limitar as mamadas pode ser bastante perigoso para um bebê, já que ele precisa de nutrientes e gorduras provenientes do leite para o seu adequado crescimento e desenvolvimento. Leia mais aqui (em inglês).

 

MITO: O bebê é pequeno, portanto precisa começar a introdução alimentar

Outra razão muitas vezes dada para iniciar a alimentação é porque o bebê é pequeno. Eu realmente não vejo o sentido nisto. Mililitro para mililitro, o leite materno tem mais calorias do que a maioria dos alimentos sólidos feitos para bebês e significativamente mais nutrientes do que qualquer tipo de alimento sólido que você pode alimentar seu bebê.

Estudos têm demonstrado que, para bebês menores de seis meses, os sólidos tendem a substituir o leite materno na dieta de um bebê – e não aumentam a ingestão total do bebê (OMS 2003, Cohen 1994, Dewey 1999). Assim, no geral, os sólidos iniciais provavelmente reduzirão (em vez de aumentar) a quantidade de leite e calorias que seu bebê está recebendo. Uma das primeiras recomendações para um bebê que genuinamente tem ganho de peso lento é diminuir ou eliminar alimentos sólidos e amamentar com mais frequência.

 

MITO: O bebê precisa começar a introdução alimentar porque não há ferro suficiente no leite materno.

Outra razão dada para a inciar a oferta de alimentos é a “falta de ferro no leite materno”. O leite materno tem níveis mais baixos de ferro do que a fórmula, mas o ferro no leite materno é mais facilmente absorvido pelo intestino do bebê do que o ferro na fórmula.

Além disso, bebês alimentados com fórmula tendem a perder ferro através de fissuras que se desenvolvem em seus intestinos como resultado de danos causados pelo leite de vaca.

Bebês amamentados não perdem esse ferro. Em algum ponto, após os primeiros 6 meses (e mais tarde, no primeiro ano, para muitos bebês), os bebês precisarão de uma fonte adicional de ferro além do leite materno. Isto pode mais frequentemente ser obtido através de pequenas quantidades de alimento sólido. Leia mais aqui (em inglês).

 

MITO: O bebê precisa de sólidos para que ele possa dormir mais à noite.

A crença popular de que a alimentação sólidos durante a noite vai ajudar o sono do bebê durante a noite não tem nenhuma base de fato. Leia mais aqui (em inglês).

 


*Artigo traduzido sob autorização expressa da autora.

Atualizado em 19 de dezembro de 2016

Link original: http://kellymom.com/ages/older-infant/delay-solids/

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O bebê está pronto para a introdução alimentar? (O que dizem as pesquisas)

Traduzido de Kellymom.com, por Aline Padovani*

(atualizado em Janeiro 17)

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Profissionais da saúde e especialistas em amamentação concordam que é melhor esperar até que seu bebê tenha por volta de seis meses antes de oferecer qualquer alimento que não seja o leite materno.

 

Há uma grande quantidade de pesquisas sobre o assunto, e a maioria das organizações de saúde atualizaram suas recomendações para concordar com os resultados das pesquisas atuais. Infelizmente, muitos profissionais da saúde e materiais de apoio não estão atualizados no que eles estão aconselhando os pais.

A seguir estão apenas algumas das organizações que recomendam que todos os bebês sejam amamentados exclusivamente (sem cereais, suco ou qualquer outro alimento) durante os primeiros 6 meses de vida (não nos primeiros 4-6 meses):

 

A maioria dos bebês vai estar fisiologicamente pronto para comer alimentos sólidos entre 6 e 8 meses de idade.

 

Por que esperar até 6 meses para oferecer outros alimentos além do leite?

Embora muitas das razões listadas aqui assumam que o esteja bebê sendo alimentado apenas com leite materno, os especialistas geralmente recomendam que os sólidos sejam adiados para bebês alimentados com fórmula também.

 

O bebê terá maior proteção contra doenças.

Embora as crianças continuem recebendo muitos anticorpos do leite materno enquanto amamentadas, a maior imunidade ocorre enquanto o bebê é amamentado exclusivamente.

O leite materno contém mais de 50 fatores imunológicos conhecidos e também facilita o desenvolvimento de “boas bactérias”, que protegem o intestino do bebê. Estudos têm demonstrado que muitas doenças e condições são menos prováveis de ocorrer quando o bebê recebe qualquer quantidade de leite materno. A amamentação exclusiva durante pelo menos 3-4 meses (em comparação com a amamentação não exclusiva) diminui ainda mais o risco de infecções do trato respiratório, infecções de ouvido, enterocolite necrosante (NEC), síndrome de morte súbita do lactente (SIDS), doença alérgica, doença celíaca e Diabetes tipo 1. Amamentação exclusiva durante 6 meses (em comparação com 4-6 meses), diminui ainda mais o risco de infecção gastrointestinal e infecção respiratória. (AAP 2012, Naylor & Morrow, 2001)

 

Sistema digestivo do bebê terá tempo para amadurecer.

Quando os sólidos são iniciados antes que o sistema do bebê esteja pronto para lidar com eles, eles são mal digeridos e podem causar reações desagradáveis (mal-estar digestivo, gases, constipação, etc.). A digestão de gorduras, proteínas e carboidratos complexos é incompleta na infância, mas o leite humano contém enzimas que ajudam a digestão eficiente (Naylor & Morrow 2001).

Além disso, desde o nascimento até algum lugar entre os quatro e seis meses de idade, os bebês possuem o que é muitas vezes chamado de “intestino aberto”. Isto significa que os espaços entre as células do intestino delgado permitirão prontamente macromoléculas intactas, incluindo proteínas inteiras e agentes patogênicos, dando passagem direta para a corrente sanguínea.

Isso é ótimo para o bebê amamentado, pois permite que anticorpos benéficos no leite materno passem mais diretamente para a corrente sanguínea do bebê. Por outro lado, também significa que grandes proteínas de outros alimentos (que podem predispor o bebê a alergias) e patógenos causadores de doenças podem passar direto também.

Durante os primeiros 4-6 meses do bebê, enquanto o intestino ainda é “aberto”, os anticorpos (IgA) do leite materno formam uma camada protetora do sistema digestivo do bebê, fornecendo imunidade passiva e reduzindo a probabilidade de doenças e reações alérgicas antes que o fechamento intestinal ocorra. O bebê começa produzir estes anticorpos por si próprios por volta dos 6 meses, e o fechamento do intestino deve ter ocorrido por este tempo também.

 

O bebê estará pronto para comer alimentos que não são líquidos.

Uma revisão feita por Naylor & Morrow (2001) concluiu: “As pesquisas clínicas indicam que a maioria dos bebês normais a termo não está pronta, em termos de desenvolvimento, para a transição do sugar para sorver e/ou para a ingestão de semi-sólidos e sólidos até por volta de seis e oito meses de idade”.

 

Bebê terá um menor risco de obesidade no futuro.

A introdução precoce de sólidos na infância está associada ao aumento da gordura corporal e do peso em adolescentes e adultos. (AAP 2012, Wilson 1998, von Kries 1999, Kalies 2005)

 

A introdução alimentar será mais fácil.

Bebês que começam sólidos mais tarde podem se auto-alimentar.

 

O bebê pode ter mais proteção contra anemia ferropriva.

A introdução de suplementos de ferro e alimentos fortificados com ferro, particularmente durante os primeiros seis meses, reduz a eficiência da absorção do ferro do bebê. Em um estudo de bebês saudáveis, a termo (Pisacane, 1995), os pesquisadores concluíram que bebês que foram amamentados exclusivamente por 7 meses (e não foram dar suplementos de ferro ou cereais fortificados com ferro) apresentaram níveis de hemoglobina significativamente maiores ao ano do que bebês amamentados que receberam alimentos sólidos antes de sete meses.

Os pesquisadores não encontraram casos de anemia no primeiro ano em bebês amamentados exclusivamente por sete meses e concluíram que a amamentação exclusivamente por sete meses reduz o risco de anemia. Veja mais sobre o assunto (em inglês) aqui .

 

A mãe manterá mais facilmente sua produção de leite.

Os estudos mostraram que, para bebês abaixo de seis meses, a comida tende a substituir o leite materno na dieta – ao invés de apenas complementar a ingestão total diária (WHO 2003, Cohen 1994, Dewey 1999). Quanto mais comida o bebê come, menos leite ele tira da mãe, e menos leite tirado da mãe significa menos produção de leite. Bebês que comem muita comida ou que começam a comer precocemente tendem a desmamar prematuramente.

 

É menos provável que a mãe fique grávida.

O aleitamento materno é mais eficaz na prevenção da gravidez quando o bebê é exclusivamente amamentado e todas as suas necessidades nutricionais e de sucção não nutritiva são satisfeitas no peito (Não acredita nisso? – é fortemente apoiado pela pesquisa – veja Breastfeeding and Fertility para mais informações em inglês).

As mães que amamentam exclusivamente durante 6 meses versus 4 meses têm uma duração maior da amenorréia lactacional (a infertilidade natural pós-parto que ocorre quando uma mulher não está menstruada devido à amamentação).

 

A mãe pode perder mais rápido os quilos extras da gestação

As mães que amamentam exclusivamente seus bebês por 6 meses (em comparação a 4 meses) têm uma perda de peso pós-parto mais rápida (Kramer & Kakuma, 2012).

 

Você já ouviu falar que os alimentos devem ser introduzidos na dieta infantil entre 4 e 6 meses para reduzir o risco de desenvolver alergia, doença celíaca ou diabetes mellitus tipo 1?

As evidências atuais têm sido revisadas por várias autoridades e a conclusão foi de que não existem provas suficientes para apoiar a introdução de glúten (ou outros alimentos sólidos) na dieta infantil antes de 6 meses.

  • Kramer MS, Kakuma R. Optimal duration of exclusive breastfeeding. Cochrane Database of Systematic Reviews 2012, Issue 8. Art. No.: CD003517. DOI: 10.1002/14651858.CD003517.pub2.
    “Embora as crianças ainda devam ser avaliadas individualmente, para que um crescimento insuficiente ou outros desfechos adversos não sejam ignorados, e para que as intervenções apropriadas sejam fornecidas, as evidências disponíveis não demonstram riscos aparentes em recomendar, como política geral, o aleitamento materno exclusivo para os primeiros seis meses de vida, tanto em desenvolvimento como em países desenvolvidos”.
  • American Academy of Pediatrics, Section on Breastfeeding. Breastfeeding and the Use of Human Milk. Pediatrics. 2012;129(3):e827-41.
    “No geral, há uma associação entre o aumento da duração da amamentação e redução do risco de doença celíaca, quando medida a presença de anticorpos celíacos. O fator de proteção crítico parece não ser o momento da exposição ao glúten, mas a sobreposição da amamentação no momento da ingestão inicial de glúten. Assim, os alimentos contendo glúten devem ser introduzidos enquanto o bebê está recebendo apenas leite materno e não fórmulas para lactentes ou outros produtos lácteos bovinos “.
  • SACN/COT statement on the timing of the introduction of gluten into the infant diet – March 2011.
    O SACN (Scientific Advisory Committee on Nutrition) e o COT (Committee on Toxicity of Chemicals in Food, Consumer Products and the Environment) no Reino Unido concluíram: “As evidências atualmente disponíveis sobre o momento da introdução do glúten na dieta infantil e o subsequente risco de Doença celíaca e T1DM (diabetes mellitus tipo 1) são insuficientes para apoiar recomendações sobre o momento adequado de introdução de glúten na dieta infantil após os 3 meses completos de idade, quer para a população em geral ou sub-populações de alto risco.”
  • UNICEF UK response to media reports questioning the recommendation to introduce solid food to babies at 6 months (2011)
    “Garantir que a mãe não é anêmica e que o corte do cordão umbilical foi feito posteriormente irá, por sua vez, garantir que o próprio bebê armazene ferro no corpo, e o leite materno irá fornecer ferro suficiente para mais de 6 meses. A maioria dos alimentos comumente introduzidos aos bebês nos primeiros meses, tais como cereais, frutas e legumes são baixos em ferro e, portanto, não ajudam a prevenir a anemia. E o pior, se introduzidos antes do bebê precisar, os alimentos acabam por retirar uma quantidade de leite materno da dieta do bebê, o que pode, por consequência, reduzir a quantidade de ferro consumido. A incidência de alergia alimentar genuína (em oposição à intolerância alimentar) é rara. Há especulação e alguns dados observacionais que, quando há uma história familiar de alergia verdadeira, em seguida, a introdução precoce de certos alimentos pode ser benéfico. Estudos randomizados estão sendo realizados para testar esta teoria. Se isto for o caso (o que não é de forma alguma certo), então as famílias de alto risco teriam de ser aconselhadas caso a caso. Isso não afetaria a política pública aplicada à maioria das crianças não afetadas por alergias “.

 

Informações Adicionais e Referências

  • Sleisenger & Fordtran. Gastrointestinal and Liver Disease, 6th ed. W. B. Saunders Company (1998): p. 1495-1497.
  • Pisacane A, et al. Iron status in breast-fed infants. J Pediatr 1995 Sep;127(3):429-31.

 

Comparações entre diferentes tempos de duração da amamentação exclusiva:

  • Kramer MS, Kakuma R. The optimal duration of exclusive breastfeeding: a systematic review. Adv Exp Med Biol. 2004;554:63-77.
    Do resumo: Os lactentes amamentados exclusivamente por 6 meses tem menor morbidade por infecção do trato gastrointestinal do que os lactentes amamentados a partir dos 3 ou 4 meses de idade. Nenhum déficit foi demonstrado no crescimento entre as crianças amamentadas exclusivamente por 6 meses ou mais, em países em desenvolvimento ou desenvolvidos. Além disso, as mães desses bebês têm uma amenorréia de lactação mais prolongada e uma perda de peso mais rápida no pós-parto. Com base nos resultados desta revisão, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução para recomendar o aleitamento materno exclusivo durante 6 meses aos seus países membros.
  • Onayade AA, Abiona TC, Abayomi IO, Makanjuola RO. The first six month growth and illness of exclusively and non-exclusively breast-fed infants in Nigeria. East Afr Med J. 2004 Mar;81(3):146-53.
    CONCLUSÃO: Conclui-se que o aleitamento materno exclusivo apoiou um crescimento adequado nos primeiros seis meses de vida da maioria dos lactentes estudados. A introdução precoce de alimentos complementares não proporcionou nenhuma vantagem em termos de ganho de peso em nosso ambiente, mas foi freqüentemente associada com episódios de doença e crescimento vacilante. No entanto, muitas mães precisam de apoio, encorajamento e acesso aos prestadores de cuidados de saúde para amamentar exclusivamente durante os primeiros seis meses de vida.
  • Kramer MS, Kakuma R. Optimal duration of exclusive breastfeeding. Cochrane Database Syst Rev. 2002;(1):CD003517.
    (Compara a introdução de sólidos aos 3-4 meses vs. 6 meses). Das conclusões do revisor: “Os bebês amamentados exclusivamente durante seis meses experimentam menos morbidade por infecção gastrointestinal do que aqueles amamentados de forma mista a partir de três ou quatro meses. Não foram demonstrados déficits no crescimento entre crianças amamentadas exclusivamente por seis meses ou mais, de países em desenvolvimento ou desenvolvidos. Além disso, as mães desses bebês têm uma amenorréia de lactação mais prolongada. “

 


*Artigo traduzido sob autorização expressa da autora.

Link original: http://kellymom.com/ages/older-infant/delay-solids/

 

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É cedo demais pra começar a introdução alimentar?

por Gill Rapley , Janeiro 2017*

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Tentar iniciar a introdução alimentar quando o bebê ainda não está pronto pode ser bem frustrante. Mas e quando o bebê demonstra todos os sinais que está pronto mas ainda não completou os 6 meses?

Frequentemente sou contatada por pais de bebês de 22-24 semanas que mostram interesse pela comida sólida. Eles estão com receio de começarem muito cedo, ainda que sintam que seus bebês estão dando claros sinais de que estejam prontos. Enquanto estou impossibilitada de oferecer um guia específico para bebês individualmente, minha resposta geral para esse dilema é como segue.

A ‘regra’ do 6 meses é importante porque mantém os bebês a salvo da intervenção precoce da introdução alimentar. Então eu sempre me refiro à isso em tudo que digo. Contudo, minha posição atual , baseada em minhas pesquisas e minha experiência clínica é que, qualquer coisa que o bebê esteja pronto pra fazer é provavelmente o que é certo para aquele bebê. Há uma boa razão para acreditar que as habilidades de desenvolvimento que são visíveis pra nós (como sentar na posição vertical) são confiáveis indicadores de que a natureza do sistema interno (digestivo) do bebê raramente comete erros.

Assim, se um bebê saudável pode (genuinamente) sentar na vertical, agarrar a comida e colocá-la em sua boca SOZINHO, então ele provavelmente está pronto pra fazer exatamente isso. Se ele também está pronto para mastigar – e talvez até mesmo engolir – isso é bom, mas é mais provável que essas habilidades sigam no devido tempo.

Uma das razões pela qual faço questão de enfatizar a ‘regra’ dos 6 meses, embora eu não considere algo imutável, é que é muito mais fácil para aqueles que não entendem o conceito de BLW, entender mal qualquer sugestão de que começar mais cedo do que é aceitável. Esse pode ser o começo de uma inclinação escorregadia para práticas perigosas, e absolutamente imperdoável.

O problema é que é tentador ver mais habilidade em um filho do que ele realmente apresenta, e oferecer apenas um pouco de ajuda para capacitá-lo, ou para alcançar um objetivo em particular. Na maioria das vezes isso não importa, mas quando se trata de comer, a capacidade do bebê – ou incapacidade – para manejar a sequência de ações necessárias é um importante fator de segurança.

Ajudá-los a superar um obstáculo que ainda não conseguem administrar por si mesmos (ex: fornecendo apoio extra para sentar ou estender a mão, guiando os braços para a boca, ou – pior – colocando a comida na boca ‘para ajudar’) é potencialmente perigoso. É útil lembrar que essa ‘conquista’ de comer é objetivo dos adultos não das crianças. O bebê não sabe o que é o ponto de tudo isso – ele está apenas descobrindo como funciona seu próprio corpo e as coisas ao redor dele.

Se ele não consegue levar a comida na própria boca, e daí? Ele não ‘falhou’- e ele não tem noção de que precisa de ajuda. O papel dos pais é dar a OPORTUNIDADE pra fazer tudo que ele estiver pronto pra fazer, seja tocando a comida, pegando, lambendo, mastigando e/ou engolindo – ou nenhuma das opções – e isso não capacita o bebê de fazer alguma coisa que ele ainda não consiga manejar.

Os seis meses representam uma média de idade de prontidão, da mesma forma que a maioria dos bebês dão seu primeiro passo por volta do seu primeiro aniversário. Claramente alguns estarão prontos pra andar mais cedo, e alguns mais tarde do que isso. Nós não tentamos impedir aqueles que estão prontos pra andar antes da idade ‘correta’.

Se nós estamos preparados pra aceitar que boa proporção de bebês não estão prontos pra se alimentar com comidas sólidas até terem sete, oito, nove meses, então é perfeitamente sensato permitir que também terão alguns que podem começar a fazer isso antes de alcançar a ‘mágica’ idade dos seis meses. O ponto crucial, da forma como vejo, é que essa atitude deve ser espontânea e independente. 

Em minha opinião, argumentos sobre a idade ‘certa’ para introduzir alimentos sólidos são importantes apenas se os pais é que estão decidindo quando colocar a comida na boca do bebê. Como acontece, é claro, com a introdução alimentar tradicional com a colher. Tais argumentos são redundantes se a decisão é feita pelo bebê, porque todos os bebês desenvolvem habilidades de comer em uma sequência definida, alinhadas com sua maturidade global.

Teoricamente, não há razão para não oferecer oportunidade para um bebê de um ou dois meses de idade sentar-se ou pegar alimentos de um prato. O que impede isso de ser uma opção sensata não é o fato de ser uma idade ‘errada’, mas sim o fato do bebê simplesmente não ser capaz de fazê-lo. O mesmo se aplica para três, quatro e cinco meses.

É extremamente improvável que qualquer infante abaixo de cinco meses e meio seria, sem nenhuma ‘ajuda’, capaz de conseguir mais do que o gosto de um alimento sólido.

Há aqueles que podem ser a exceção, não a regra. Desde que isso esteja completamente compreendido, começar sólidos, na minha opinião, não constitui um problema. A chave da mudança de tudo isso é que nós não temos as palavras certas para descrever a introdução de alimentos sólidos quando o bebê está no controle.

‘Começar sólidos’ com uma alimentação de colher e papinhas, significa alguém colocando comida na boca do bebê, no dia decidido por eles. Mas ‘começar sólidos’ usando o BLW simplesmente significa fornecer aos bebês a oportunidade de comer se e quando eles quiserem e forem capazes. É o bebê que decide a partir daí.

*Texto traduzido do site http://www.rapleyweaning.com, com autorização expressa da autora

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O bebê precisa conseguir sentar para comer sólidos?

Vc já se perguntou o porquê existe essa “regra” de fazer BLW somente após sentar sem apoio?

Acompanhar o desenvolvimento dos meus filhos tem sido um aprendizado imenso e muito me remete ao que eu ensino no Curso Avançado em BLW.

Enquanto escrevo esse post, Joaquim está com 4 meses e meio. Hoje virou de bruços pela primeira vez. Ele senta 1 ou 2 segundos sem apoio, mas rapidamente cai pra frente ou para os lados. Sustenta bem a cabeça, mas ela sempre tende a ir fletida em direção às mãos, que levam tudo à boca, agora com muito mais rapidez e voracidade, mordendo e mastigando, ainda em um padrão vertical, mas com muita força e vontade.

Mas apesar do interesse, dos olhos vidrados na nossa comida, as mãozinhas curiosas, a mordida forte…

…É nítido como ainda falta equilíbrio, e por isso há muita desorganização e descontrole corporal. 

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BabyQuim (4,5m) cai pra frente e pros lados quando colocado na posição sentada. Nessa fase, seus braços e mãos ainda ensaiam um suporte.

Dessa forma, ainda não existe  um eixo central no qual ele possa se apoiar para então poder movimentar os braços e mãos livremente. Gastar todas as suas energias e esforços apenas com os movimentos mão-boca-mordida-mastigação-deglutição.

E todos esses movimentos, sequenciais e organizados, são essenciais pra segurança durante a aprendizagem sensório-motora na alimentação.

>> Segurança = Diminuição do Risco de Engasgo! <<

Para você entender melhor: imagine uma bola enorme. Uma cadeira em cima dessa bola. Você, sentado nessa cadeira. Seu corpo balanceia, para um lado e para outro, tentando se equilibrar.

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Fonte: Instagram

Como seria mastigar nessa situação? Será que tenho condições de ter atenção plena à energia e controle oral requerido para mastigar e engolir coordenadamente sem engasgar?

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Antes de sentar sem apoio, o bebê usa os braços e mãos como suporte para mantê-lo nesta posição. Isso já exige um esforço enorme, que concorre com as habilidades necessárias para a auto-alimentação.

Um bebê que ainda não senta sem apoio encontra-se nesse dilema.

Ou ele garante equilíbrio ou fica o tempo todo tombando para os lados, continuamente dispendendo energia para garantir que seu eixo lhe dê o suporte para conseguir se alimentar.

A maioria dos bebês começa a sentar sem apoio muito próximo aos 6 meses. Alguns um pouco antes, alguns um pouco depois. E esse tempo, veja só, coincide com o período indicado para a introdução dos sólidos. Nessa fase, indicam as pesquisas na área, o bebê já tem condições oro-gastro-intestinais de receber outros alimentos além do leite materno.

A natureza não é mesmo perfeita? 🙂

Dica #1: Se o seu bebê já fez 6 meses e só senta com apoio, você pode certamente garantir que ele permaneça bem posicionado pra se concentrar no momento da refeição. Faça rolinhos com toalhas, use travesseiros ou almofadas, coloque-o no seu colo. Dê o eixo para que as mãos e todas as estruturas orais fiquem livres para trabalhar! Mas ATENÇÃO: encare isso como uma OPORTUNIDADE, e não como uma necessidade. 

Dica #2: Se o seu bebê tem algum atraso no desenvolvimento, é necessário avaliar individualmente! Dentre os profissionais que podem te auxiliar após uma avaliação estão o Fonoaudiólogo e o Terapeuta Ocupacional!

Então por enquanto BabyQuim participa conosco olhando tudo cheio de curiosidade e excitação! E continuamos observando seus sinais de prontidão para se auto-alimentar! ❤

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Até quando vai a introdução alimentar?

Promoção de saúde tem sido um dos meus principais focos de atuação fonoaudiológica no momento e esse é o ponto de partida para o artigo de hoje. Eu venho batendo na tecla de que é extremamente mais fácil e prazeroso trabalhar com uma família durante a fase de introdução alimentar – e é quando se inicia a Educação Alimentar. Mas até quando vai a introdução alimentar? 

No campo de estudo da Nutrição, entende-se que os primeiros anos de vida de uma criança, especialmente os dois primeiros, são caracterizados pelo crescimento acelerado e enormes aquisições no processo de desenvolvimento necessárias para a alimentação. Isso inclui as habilidades para receber, mastigar e digerir outros alimentos, além do leite materno, e o autocontrole no processo de ingestão de alimentos, para atingir o padrão alimentar cultural do adulto.

Então até os dois anos (aproximadamente), espera-se que a criança esteja comendo uma variedade de alimentos, em suas diferentes formas, texturas e sabores. Espera-se que seja capaz de solicitar comida quando tem fome e que recuse ou pare de comer espontaneamente quando se sente saciada. O paladar vem se formando desde a gestação e é provável que a criança já tenha um repertório alimentar no qual se basear.

Não coincidentemente, a introdução alimentar tem uma parte importante na Teoria dos Primeiros Mil Dias do Bebê. Esse é o período de maior formação de novas conexões cerebrais durante o desenvolvimento, e hoje sabemos que é dependente de uma série de fatores, tanto intrínsecos (biológicos) como extrínsecos (ambientais).

Os dois primeiros anos de vida do bebê, segundo Piaget, também são caracterizados pelo intenso aprendizado sensório-motor. Isso significa que o bebê descobre o mundo através das suas experiências sensoriais, por meio da ação. Então, para aprender, o bebê precisa interagir com o meio. Por isso eu falo tanto em dar oportunidades! Nesse caso, esse é nosso principal fator extrínseco.

Durante a fase sensório-motora, o bebê é um potencial explorador. Absolutamente tudo lhe chama a atenção e, com o avanço no desenvolvimento motor, ele consegue começar a levar o que lhe chama a atenção até a boca, que é quando se inicia o período de reconhecimento externo. Essa fase é chamada por Freud de Fase Oral.

A fase oral tem início no momento em que o bebê nasce até completar um ano, aproximadamente. A boca é o primeiro meio de contato com o mundo que o rodeia, e por meio dela o bebê experiencia dor, frustração e satisfação, através de pulsões orais. O seu principal objeto de desejo é o seio materno, que proporciona alimento e satisfação. Sugar, morder, mastigar e comer são sinônimos de prazer, independente da fome. A fase oral é também marcada pela ligação entre a mãe e o bebê e se caracteriza por ser o período em que a base da personalidade e o ego são formados.

Ainda de acordo com a Teoria Piagetiana, a partir de reflexos neurológicos básicos, o bebê começa a construir esquemas de ação para assimilar mentalmente o meio. A inteligência é prática. As noções de espaço e tempo são construídas pela ação. O contato com o meio é direto e imediato, sem representação ou pensamento. Então, por exemplo, o bebê pega o que está em sua mão; suga o que é posto em sua boca; o que está diante de si. Aprimorando esses esquemas, é capaz de ver um objeto, pegá-lo e levá-lo a boca. E assim por diante.

É aí que entram o BLW e a Alimentação Participativa, como propostas de promoção da saúde e educação alimentar. Quando tiramos o bebê do papel passivo de sua própria alimentação, e passamos a ter um agente ATIVO, que interage, aprende e assimila os esquemas de alimentação (e não só de ingestão) através de suas próprias experiências, passamos a considerar a introdução alimentar em uma perspectiva muito mais ampla e funcional.

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introdução alimentar sob diferentes pontos de vista

Nessa perspectiva, a apresentação de um alimento em formato de finger food passa a ser um mero detalhe, cujo objetivo vai muito além de “deixar o bebê brincar com a comida”. A interação e a descoberta do mundo para o bebê é feita através da experiência! É importante separar o que é dar comida na mão e o que é BLW e alimentação participativa, de fato.

Assimilar o BLW significa entender o conceito de prontidão. Gradativamente as habilidades motoras vão dando maiores oportunidades dele interagir com o meio, assim como as habilidades motoras orais começam a dar maiores oportunidades dele interagir com o alimento dentro da boca. Tendo oportunidades de aprendizagem, em pouco tempo o bebê consegue se auto-alimentar com eficiência também. Aos poucos, assimila que o momento de interação com a comida, além de divertido, também mata a fome. E é ainda um poderoso momento de socialização.

E isso não vai ser de uma hora pra outra. Você pode confundir a criança se ora você assume que ela tem autonomia ora você assume que não, e faz ela engolir comida a todo custo. Nesse contexto, ora eu tenho autonomia ora não, a criança pode sim acabar demorando mais tempo pra assimilar que quando tem autonomia também é capaz de saciar sua própria fome. Então é rever todo o processo e não somente uma situação específica em que a criança tem contato com um alimento no formato original. Interagir com o alimento propicia ao bebê uma série de informações sensoriais essenciais no desenvolvimento da sua relação com a alimentação, a longo prazo.

Conhecer sabores e texturas distintamente e poder relacioná-los com uma série de outras informações sensoriais está diretamente ligado à preferência por determinados tipos ou grupos de alimentos, por exemplo. Por isso, como intermediadores, acabamos falhando ao considerar que a única chance de interagir ativamente com um alimento em seu formato original seria “praticando a mastigação” com um biscoito doce ou um pedaço de pão. Muitas vezes, esse é o único meio pelo qual a criança interage ativamente com o alimentos durante a fase de introdução alimentar.

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1 – A famosa “papinha marrom”, com informações sensoriais praticamente nulas. 2 – Papinha com pedaços, típica da introdução alimentar tradicional, com informações sensoriais limitadas e sobrepostas. 3 – Exemplo de apresentação de um prato na Alimentação Participativa, com alimentos separados e levemente amassados, com a possibilidade do bebê pegar caso tenha interesse. 4 – Exemplo de apresentação dos alimentos no BLW, com alimentos no seu formato original.

A modulação motora oral também começa a se formar ativamente durante essa fase, através da mordida, mastigação e deglutição. Como qualquer outro esquema motor, é extremamente ligado ao número de oportunidades. Se uma criança não aceita alimentos duros aos 3, 4 anos de idade, é bem provável que seja porque ela não tenha sido exposta a este tipo de alimento em sua janela de oportunidade. Ou seja, a questão não é não querer, mas nem saber o que fazer com aquilo dentro da boca.

Da mesma forma, todas as atitudes e hábitos aos quais o bebê é exposto durante essa fase são a base da construção de sua relação com a comida. Se um bebê assimila que ele pode colocar na boca e cuspir, ou simplesmente rejeitar (não pegar) o alimento, deixando-o de lado, ele internaliza positivamente a situação. Posteriormente, no campo simbólico, desenvolve a habilidade de provar coisas novas e diferentes sabendo que ele pode simplesmente não comer se não quiser.

Mas assim como não existe uma idade mágica pra caminhar, pra falar e pra comer, também não existe uma idade mágica pra que a criança mude de fase. Esse é o nosso fator biológico, então a introdução alimentar e a janela de oportunidades “até os dois anos” é uma idade aproximada e pode variar muito de criança pra criança.

Assim, por volta dos dois anos, a criança entra em um período que é chamado de pré-operatório, também chamado de estágio da inteligência simbólica . Caracteriza-se, principalmente, pela interiorização de esquemas de ação construídos no estágio sensório-motor. 

A criança, neste estágio, é egocêntrica, e não consegue se colocar abstratamente no lugar do outro; não aceita a ideia do acaso e tudo deve ter uma explicação (é fase dos “por quês”), já pode agir por simulação (“como se fosse”), possui percepção global sem discriminar detalhes, e deixa se levar pela aparência sem relacionar fatos.

Nessa fase, você irá perceber que a criança vai começar a categorizar os brinquedos, perceber cores, formas, tamanhos e começar a diferenciá-las. A inteligência/cognição está dando um passo à frente. E assim como na brincadeira, a hora da refeição também vai sofrer interferências.

É a hora que a criança começa a recusar determinado alimento por causa da cor, por exemplo. Porque ela começa a associar com outras coisas além da própria experiência sensório-motora. Pode associar o verde à algo ruim, por exemplo, principalmente se baseando em modelos próximos (amigos ou família).

Nessa fase, com a compreensão de linguagem melhor, ela tende a expressar sobre o que quer comer e o que não quer também. Tem uma coordenação motora fina muito melhor para manejar e entender pra que servem os utensílios e é muito provável que, se já não estiver usando, passe a se interessar por eles.

O boom de linguagem traz junto a nomeação dos alimentos, e podem começar a surgir alguns adjetivos, dependendo do grau de desenvolvimento da linguagem… bom, ruim, quente, frio… Coisas simples mas que já são um avanço e tanto pra caracterizar sua interação com os alimentos.

Por isso, nessa fase, trabalhar com uma criança que começou a introdução alimentar de forma inadequada é mais difícil. Porque começam os quereres e não quereres e diminui muito a disponibilidade de se provar coisas novas. Nada que não dê pra “consertar”, apenas mais difícil, porque ela já assimilou muitos hábitos e padrões e o modo de interagir com o mundo mudou completamente.

Então por exemplo, quando uma mãe me manda um e-mail dizendo: “Aline, meu filho tem 2 anos e meio e só come tudo papa, não aceita sólidos, posso fazer seu curso?”. Eu digo, “não, gaste esse dinheiro com uma nutri, uma fono – e talvez uma psicóloga, dependendo do caso!”. Nesses casos, um atendimento multiprofissional especializado é fundamental.

Vale lembrar que o próprio Ministério da Saúde ressalta que a introdução dos alimentos complementares deve ser lenta e gradual. É comum que a criança rejeite as primeiras ofertas, pois tudo é novo. Mas é importantíssimo lembrar que, no início, a alimentação deve complementar o leite materno e não substituí-lo. Portanto, a introdução das refeições não deve substituir as mamadas no peito.

Há crianças que se adaptam facilmente e aceitam muito bem os novos alimentos. Outras precisam de mais tempo, não devendo esse fato ser motivo de ansiedade e angústia para a família. No início da introdução dos alimentos, a quantidade que a criança ingere pode ser pequena. Após a refeição, se a criança demonstrar sinais de fome ela não só pode, como deve ser amamentada. Aproveite! Aproveite essa fase em que a alimentação ainda é complementar para dar OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM. Te garanto que vai valer a pena! 🙂

Referências:
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