5 dicas para criar uma criança que come de tudo

Traduzido e adaptado de Fit Pregnancy and Baby, escrito por Lindsay Tigar – Texto original aqui.

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Amplie o paladar do seu bebê!

Uma das melhores partes da vida é poder ter experiências através de todos os seus sentidos – e o sabor é uma das primeiras e melhores maneiras de experimentar o mundo.

As papilas gustativas de um bebê são desenvolvidas a partir do momento em que nascem, e cabe a você apresentar novos sabores e texturas para o seu pequeno. Mas como exatamente fazer isso? Alguns especialistas compartilham aqui tudo o que você precisa saber sobre o treinamento do paladar!

 

Por que treinar o paladar é importante?

Treinar o paladar é mais do que permitir que seu bebê coma uma dieta variada e saudável. “Ensinar as crianças a apreciar uma grande variedade de alimentos é tão vital quanto outras habilidades para a vida”, explica a nutricionista Diana K. Rice. “Não só irá ajudá-los a consumir regularmente uma dieta mais nutritiva, como também é uma importante habilidade social para toda a vida, além de reduzir as situações de estresse quando se come fora de casa”.

Também ajuda o bebê a interagir com seus irmãos (atuais ou futuros), construindo pontes que conectam toda sua família. Pense sobre aquela receita familiar incrível, ou simplesmente um dia da semana em que todos se reúnem à mesa: as famílias, muitas vezes, compartilham preferências alimentares que, embora não sejam herdadas, são encorajadas através das gerações. “Treinar o paladar é importante porque é inevitável”, explica Adina Pearson, nutricionista e autora do blog HealthyLittleEaters.com e co-autora do FeedingBytes.com. “Se você quer que seus filhos desfrutem os alimentos que sua família gosta, eles precisam ter experiências com eles”.

 

Quando você deve começar a treinar o paladar da criança?

Alguns especialistas acreditam que o treinamento do paladar acontece ainda no útero, com base na dieta da mãe. Mas esse treinamento oficialmente começa quando o bebê experimenta alimentos sólidos, diz Pearson: “Todos os bebês começam a treinar o paladar simplesmente através da seleção de alimentos oferecidos”.

Mas há mais do que apenas quais perfis de sabores seu bebê irá gostar: doces ou salgados, azedo ou amargo. Encoraje seu filho a interagir também com várias texturas, para que ele não desenvolva aversão a algo mais duro ou crocante, por exemplo. “Os princípios que apoiam o treinamento do sabor, como rotinas de refeições positivas e exploração de alimentos, podem ser feitos à medida que os sólidos são introduzidos – por exemplo, permitindo que o bebê toque e explore alimentos quando ele começa a desenvolver habilidades motoras”, explica Grace Wong, Mestre e Nutricionista Materno Infantil.

 

Como faço para começar?

Com tantas opções de alimentos, pode parecer um tanto desafiador descobrir como apresentar seu filho a uma variedade de sabores e texturas. Veja como fazer isso direito:

 

1 – Não apenas dê o que ele quer.

Se você tem ou conhece uma criança com mais de 3 anos de idade, então você definitivamente sabe como é um comedor exigente. Para evitar que seu filho queira criar o seu próprio jantar, experimente a sugestão da nutricionista Diana K. Rice: se você descobrir que seu bebê gosta de cenouras, apresente também a beterrabas.

“Mude o que você está oferecendo. Não pense, ‘Ah, ele gosta disso, vou ter certeza de dar-lhe muitas vezes.’ Pense, ‘Ok, ele gosta disso, então é melhor eu tentar um vegetal diferente hoje.’ Ofereça as cenouras novamente em cerca de uma semana para que seu filho se lembre dela “, explica Rice. “Você também pode usar os alimentos que seu bebê prefere e apresentá-lo a sabores adicionais. Pense em cenouras assadas com alho e ervas ou jogadas com um fio de vinagre balsâmico “.

 

2 – Desfrutem o comer em família.

Embora muitas famílias tenham dificuldade em encontrar o tempo necessário para isso, sabe-se que sentar e desfrutar de uma refeição em conjunto não é importante apenas para a construção de laços afetivos fortes, mas também para a normalização de sabores.

Wong diz que, mesmo que você não consiga fazer isso todas as noites, tente ao menos fazer refeições familiares nos finais de semana. Durante este tempo, seu bebê começará a assistir como o resto da família come e se sente mais confortável com o compartilhamento e a tentativa de provar novos alimentos – especialmente se eles o veem comer primeiro.

Wong diz que isso cria a mentalidade de que não há diferença entre “refeições para crianças” e “refeições para adultos”. “Adultos e crianças podem compartilhar a mesma refeição, incluindo alimentos que são familiares para seu filho, bem como alimentos novos”, diz Wong. “Desta forma, você não ficaria preso em uma rotina de servir os mesmos alimentos uma e outra vez novamente. Você tem a liberdade de servir uma variedade de alimentos e proporcionar-lhes oportunidades para explorar e familiarizar-se com novos alimentos”. Claro, certifique-se de que qualquer alimento familiar seja apropriado para a idade do seu bebê.

 

3 – Dê-lhe uma verdadeira prova, não uma refeição.

Rice diz que “as duas coisas mais importantes a ter em mente são começar com pequenas porções e oferecer alimentos consistentemente. Ofereça apenas uma quantidade de um novo alimento e não coloque um prato inteiro na frente do seu filho na esperança de que ele gostará e decidirá comer mais “, diz ela. “Se a criança comer o bocado, você pode oferecer mais, mas não pressioná-la. E se ela comeu ou não o pequeno bocado de comida, ofereça-o novamente em alguns dias até que ela finalmente esteja disposta a comer”. 

 

4 – Não fique desapontado se ele não gostar.

Não é um ataque pessoal ao seu estilo parental ou às suas habilidades culinárias, se seu filho simplesmente não consegue correr atrás das ervilhas. Ou do brócolis. Ampliar o paladar não é fazer do bebê um cozinheiro novato com um paladar refinado, mas sim, permitir que ele explore suas próprias preferências.

“Eu gosto de encorajar os pais a experimentar este exercício: coloque a criança no cadeirão e lhe ofereça três pequenos brinquedos. Ele vai em direção a um brinquedo e ignora outro? Você sente como uma falha porque seu filho está ignorando um brinquedo que você ofereceu? Eu duvido muito disso! 

Quem sabe por que as crianças têm as preferências que eles fazem?”, Diz Rice. “Com a comida, o importante a fazer é consistentemente apresentar um alimento que a criança já rejeitou antes de aceitá-lo. E se eles realmente parecem odiar um punhado de sabores, aceite. A maioria dos adultos tem algumas coisas que eles preferem não comer, também“.

 

5- Melhor tarde do que nunca …

Se você já passou da introdução alimentar, ainda há tempo para ampliar o paladar. “Não é tarde demais se o seu filho já é criança. Apenas comece o quanto antes”, recomenda Rice. “As preferências de sabores que desenvolvemos na infância influenciam nossos padrões de alimentação ao longo da vida. Quanto mais seu filho estranha novos alimentos, mais trabalho você terá para reverter essas preferências”.

 

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Mapa dos profissionais que atendem BLW no Brasil

Há aproximadamente 1 ano eu lancei a primeira turma do Curso Avançado em Baby-led Weaning. Desde então, já formei mais de cinco turmas e já somamos mais de 500 alunos, entre alunos regulares, bolsistas e colaboradores.

Desde o término do primeiro CONALCO, eu recebo uma demanda enorme de e-mails perguntando sobre o curso. Isso porque muitos especialistas estão querendo aprender mais sobre BLW, porque têm recebido famílias em seus consultórios querendo seguir essa abordagem, mas, por não terem experiência, não entendem a abordagem e não sabem ao certo como proceder. Por outro lado, tenho recebido inúmeras famílias no curso que, por não terem um apoio profissional, acabam querendo se aprofundar nessa abordagem e compartilhar suas experiências dentro de um grupo sólido e repleto de profissionais de todo o Brasil.

Então mais do que orientar o método individualmente, minha intenção é que esse curso chegue a a todos os profissionais que trabalham com a alimentação infantil para que eles se sintam confiantes na orientação do método durante as consultas clínicas, após cuidadosa avaliação. Foi assim que eu resolvi criar esse curso único e especial. E só posso dizer que estou muito feliz em compartilhar tanto conhecimento de qualidade e baseado em ciência, o que é mais importante.

Com o crescimento do grupo, me veio uma ideia que acredito que vá beneficiar a todos os envolvidos, inclusive você, que me lê agora. Inúmeros profissionais estão se formando, compreendendo a essência do BLW e a importância desse olhar diferenciado ao desenvolvimento natural das habilidades de alimentação do bebê. E acredito que ainda hoje, muitas e muitas famílias tem dificuldade em encontrar profissionais em que possam confiar nessa fase tão única, especial, importante, porém cheia de dúvidas.

Foi por isso que eu criei o mapa BLW, pra que você pudesse achar facilmente um profissional qualificado perto de você! Não é demais?

Você pode acessar o mapa logo abaixo! Para conferir a lista de cidades, é só clicar no ícone  no topo do mapa:

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Espero que gostem, compartilhem com os amigos e excelente BLW pra vocês!

Beijão!

Aline P.

 

ATENÇÃO: As informações contidas no mapa apenas representam um suporte e não substituem nunca o contato entre um usuário do nosso site e o profissional que o atende. O Blog Tá Na Hora do Papá e o CONALCO não foram criados para promocionar profissionais e/ou vender seus serviços, mas sim para facilitar, intermediando o contato entre estes e as famílias que precisam de atendimento específico. Não nos responsabilizamos pelo atendimento e/ou conduta do profissional escolhido.

Introdução aos sólidos: dar x oferecer

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Depois de ter contato com o baby-led weaning pela primeira vez, vc deve estar se perguntando… “Mas isso funciona mesmo?

Imagine o que era feito antes de existirem os liquidificadores, processadores, talheres, e até mesmo os cereais infantis. Como era feita a introdução de sólidos antes dessas “modernidades” virem à tona? Como vcs acham que os indígenas são introduzidos à alimentação dos adultos? É de se parar para pensar.

Saiba que a ideia do BLW não é nova e nem original. O que as autoras do livro fizeram foi compilar uma série de orientações para quem se propõe a utilizar método. Algo que muitas famílias já fizeram instintivamente antes mesmo disso ter um nome.

O que quero com o blog é despertar a curiosidade em vocês até o ponto de se perguntarem: “e por que não?”. Por que eu tenho que decidir o quanto meu bebê tem que ingerir se até o momento ele me deu todas as pistas? Por que não deixar que ele próprio descubra o quão prazeroso e simples é comer? Será que realmente temos que forçar a alimentação? O quão saudável está sendo essa transição? Quais hábitos estamos criando em nossas crianças?

Algumas dessas perguntas simplesmente pipocaram na minha cabeça no início da introdução alimentar do meu bebê até chegar ao ponto de não fazer sentido empurrar uma colher goela abaixo para fazer ele engolir comida. Ele ainda mama no peito, em livre demanda, tem um crescimento normal e acima da média, é super ativo, esperto e curioso.

Com o BLW, tenho aprendido que até quando me sinto na obrigação de tentar insistir pra que ele pelo menos se interesse pela comida, hoje sei oferecer, ao invés de dar. Ele, por sua vez, consegue claramente demonstrar quando não quer e nem que eu quisesse, acredito, conseguiria forçá-lo a comer. As vezes ele mesmo pede, abrindo a boca e inclinando-se para frente. Muitas vezes compartilhamos a mesma comida, ou ele do meu prato, ou eu da bandeja dele.

No final das contas, preocupe-se menos com regras estritas do tipo: “não use colher”, “não coloque nada na boca dele”, “não use purês de jeito nenhum” e blá-blá-blá. Deixe-se simplesmente guiar pelo bebê, como o próprio nome já diz. Deixe que ele dite o ritmo, que ele te mostre como prefere ser alimentado, faça da refeição um momento precioso e prazeroso para vcs dois. Sem pressão, apoie-se na oferta do leite em livre demanda como base nutricional. O que vier – e vai vir – será lucro tanto a curto, como a longo prazo, na criação de uma relação saudável com a comida e com o momento da refeição. Aprenda, essencialmente, a oferecer o alimento – ao invés de simplesmente “dar comida”.

E, se sobrar curiosidade e resolver tentar fazer em casa, não esqueça de tirar fotos e divirta-se muito vendo seu filho aprender!

Finger food e a janela de oportunidades do bebê

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“Finger food” é uma expressão usada para descrever os alimentos que podem ser facilmente manuseados com as mãos. Independente de optar ou não pelo BLW, oferecer alimentos em pedaços é uma escolha de grande valia para o desenvolvimento do bebê.

Durante o estágio sensório-motor, que dura do nascimento até aproximadamente os dois anos de idade, a criança busca adquirir controle motor e aprender sobre os objetos que a rodeiam.

Esse estágio é chamado sensório-motor pois o bebê adquire o conhecimento por meio de suas próprias ações que são controladas por informações sensoriais imediatas (olhar, pegar, sentir, cheirar etc), sendo o desenvolvimento motor (controle da cabeça, sentar, dominar o movimento de pinça etc) o suporte para a descoberta dessas novas sensações e habilidades, a partir do maior domínio do ambiente.

As principais características observáveis durante essa fase são:

-a exploração do ambiente utilizando todos os sentidos;
-a experiência obtida por meio da ação;
-a imitação;
-a inteligência prática;
-ações como agarrar, levar à boca, sugar, morder, atirar, bater e chutar;
-a coordenação das ações irá proporcionar o surgimento do pensamento;
-a centralização no próprio corpo;
-a noção de permanência do objeto (por isso amam brincar de esconder)

Podemos dizer que no período sensório-motor a criança conquista, através da percepção e dos movimentos, o universo imediato que a cerca. Ela descobre que, se puxar a toalha da mesa, o pote de biscoito ficará mais próximo dela. E é nessa fase que mais se beneficiará de toda e qualquer estimulação sensorial que for exposta, pois sua base fisiológica está totalmente aberta e predisposta a isso.

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Considerando tudo isso, o oferecimento dos alimentos em sua aparência original: cor, cheiro, forma, textura, sabor etc propiciam ao bebê uma série de informações sensoriais essenciais no desenvolvimento da sua relação com os alimentos, incluindo:

a preferência por determinados alimentos, pois conhece os sabores distintamente e os relaciona com uma outra série de informações visuais e táteis. Por isso, oferecer finger food também requer cuidado na escolha dos alimentos. Oferecer apenas pão e biscoito de maisena certamente não são a melhor escolha para o aprendizado e a boa relação com a comida.

a modulação motora oral, aprendendo força de mordida, mastigação e deglutição. Sabe quando você morde um pastel e tem uma azeitona com caroço dentro? A força aplicada – inconscientemente – não considerava o “elemento surpresa”. Tudo isso faz parte de um planejamento feito pelo nosso cérebro, de acordo com as experiências vividas. Se uma criança não aceita pedaços de alimentos duros aos três, quatro anos de idade, pode-se considerar a hipótese dela não ter sido exposta a este tipo de alimento em sua “janela de oportunidade”, ou seja, ela na verdade ainda não aprendeu a lidar com este tipo de alimento. Tudo é aprendizado, aproveite essa fase em que o bebê está aberto a todo e qualquer tipo de estímulo.

a modulação motora, incluindo a coordenação motora fina. O cérebro começa a distinguir a força que deve ser feita para capturar diferentes tipos de alimentos, mais macios, mais duros, mais escorregadios, tudo isso relacionando todas as pistas sensoriais que o alimento no seu formato original pode oferecer. O movimento de pinça começa a ser estimulado naturalmente, com os pedaços menores que vão se desprendendo e caindo ao redor do bebê.

No caso dos bebês, os melhores tipos de finger food são aqueles cortados do tamanho um pouco maior do que o seu punho, idealmente alimentos saudáveis como por exemplo frutas ou legumes levemente cozidos.

É importante recordar que os bebês, nos primeiros meses da introdução alimentar, não conseguem abrir o punho intencionalmente. Então eles irão comer apenas a parte do alimento que estiver aparecendo para fora do punho e provavelmente irão descartar o pedaço restante, pois ainda não tem habilidade para comer o que ficou dentro da mão fechada. Conforme suas habilidades vão sendo aprimoradas, o bebê já é capaz de pegar e manusear os alimentos e levá-los à boca com mais destreza e eficiência! 🙂

E você? Tá esperando o que pra deixar de lado esse alimentador de redinha e dar logo uma frutinha in natura pro seu bebê?

 

LEIA MAIS: BLW: E se meu bebê engasgar?

 

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Aprender a comer sozinho: os segredos do sucesso

Rapley & Murkett (2008), detalharam alguns pontos chaves para se ter sucesso com o BLW. Então, pra quem está começando, seguem as dicas das autoras e, pra quem já está no meio do caminho, é sempre bom rever o que estamos fazendo e tentar melhorar.

Aproveite a leitura!

Beijos,

Aline

APRENDER A COMER SOZINHO: os segredos do sucesso

– a princípio, entenda a hora de comer como uma hora de brincadeira. O propósito fundamental é aprender e experimentar, não comer. O bebê ainda obtém todos os nutrientes que necessita com as mamadas (LM ou LA).

– continue oferecendo leite à demanda, para que os sólidos o complementem, no lugar de substituí-lo. O bebê irá reduzindo as mamadas gradualmente, no seu próprio ritmo.

– não espere que o bebê coma demais no princípio. O fato dele haver completado seis meses não significa que precise de mais alimento durante todo o dia. Quando descobrem que a comida tem um gosto bom, começarão a mastigar e, em breve, a engolir. Muitos bebês comem pouco durante os primeiros meses.

– tente comer com o bebê e permita-o juntar-se à mesa familiar sempre que possível. Assim, ele terá muitas oportunidades para imitar vocês e praticar novas habilidades.

– prepare-se para as manchas! Pense no melhor método de vestir o bebê e em como proteger os arredores, para evitar se estressar com a sujeira e para poder recolher facilmente a comida do chão. Lembre-se que o bebê está aprendendo, a intenção dele não é complicar sua vida.

– tem que ser divertido … para todos! Assegure-se de que a hora da alimentação seja uma experiência tranqüila e agradável para todos. Isso vai animar o bebê a explorar e a experimentar, o que facilitará que ele se aventure com novos sabores e aproveite ao máximo a hora da comida.

SEIS COISAS QUE VOCÊ DEVERIA FAZER

1. Assegure-se de que seu bebê está sentado e bem erguido enquanto experimenta a comida. Nos primeiros dias, ele pode sentar-se no seu colo, de frente para a mesa. Uma vez que comece a sentar no cadeirão, vc pode utilizar almofadas pequenas ou uma toalha dobrada para mantê-lo ereto e na altura adequada em relação à bandeja ou à mesa.

2. Comece oferecendo pedaços de comida fáceis de pegar. Os melhores são os palitos grossos. Na medida do possível (e sempre que seja adequado), ofereça o mesmo que o restante da família come, para que ele possa participar de toda a experiência. Lembre-se que os bebês pequenos não conseguem acessar o que tem no punho fechado, então não espere que ele coma os pedaços inteiros, tenha outros pedaços preparados para quando ele terminar de comer a parte que sobressai o punho.

3. Ofereça variedade. Não é necessário limitar a experiência do bebê com a comida. É importante não sobrecarregá-lo em cada ocasião, mas apresentar-lhe sabores e texturas diferentes ao longo da semana lhe proporcionará uma variedade de nutrientes, além de ajudar a desenvolver as habilidades necessárias para comer.

4. Siga oferecendo o peito ou a mamadeira como anteriormente, além de oferecer água durante a comida. O padrão das mamadas não irá variar até ele começar a comer mais sólidos, o que irá acontecer de forma muito gradual.

5. Fale com seu médico ou pediatra sobre a introdução de sólidos, discutam sobre história familiar de intolerância aos alimentos, alergias, problemas digestivos ou qualquer outra dúvida sobre a saúde ou desenvolvimento global do bebê.

6. Explique sobre o BLW a todos que vão cuidar do seu bebê.

SEIS COISAS QUE VOCÊ NÃO DEVERIA FAZER

1. Não ofereça comida que não seja boa para o bebê, como comida pronta, comida processada ou com adição de sal/açúcar. Mantenha fora de seu alcance tudo o que possa levar ao engasgo.

2. Não ofereça sólidos quando ele está com fome e precisa mamar.

3. Não o pressione ou o distraia enquanto está ocupado com a comida. Permita-o concentrar-se e marcar o ritmo do que está fazendo.

4. Não coloque comida em sua boca (e esteja atento à crianças que podem querer tentar “dar uma mão” e fazer o mesmo). Deixar que o bebê tenha a iniciativa é uma característica fundamental de segurança no método BLW.

5. Não tente persuadi-lo para que ele coma mais do que quiser. As estratégias, jogos, subornos e ameaças não são necessárias.

6. NUNCA deixe seu bebê sozinho enquanto come.

Fonte:

Rapley & Murkett. Baby-led weaning: Helping your baby to love good food. 2008.

Baby-led weaning: apresentação dos primeiros alimentos

Os princípios básicos de uma boa nutrição para crianças se aplicam igualmente para bebês que estão no BLW. Melhor ainda se vocês contarem com a ajuda de uma nutricionista. Mas, de uma forma geral, uma vez que o bebê é candidato ao BLW, não há necessidade de restringir os alimentos que podem ser oferecidos ao bebê (a menos que exista histórico familiar de alergias ou suspeita de alterações no sistema digestivo).

Idealmente, ofereça frutas e legumes levemente cozidos para que fiquem macios o suficiente para serem mastigados com a gengiva e duros o suficiente para que não sejam amassados com facilidade e dissolvidos durante a preensão palmar. Inicialmente, é melhor oferecer as carnes em pedaços grandes, para serem apenas explorados e sugados. Cortar as tiras de carnes no sentido transversal das fibras irá ajudar os bebês a retirar fiapos de carne com a força da mordida – ainda que não tenham dentes.

Um bom guia para o tamanho e forma necessária é o tamanho do punho do bebê, com um importante fator para se ter em mente: bebês pequenos não conseguem abrir o punho intencionalmente. Assim, eles não conseguem pegar um alimento e soltá-lo dentro da boca, ou seja, irão morder apenas o que sai pra fora do punho fechado. Isso significa que eles tem melhor desempenho com o que tem forma de batata-frita ou tem uma “alça” (como o cabo do brócolis, por exemplo). Eles então podem mastigar o pedaço que está saindo para fora do punho fechado e soltar o restante depois – geralmente enquanto eles estão tentando pegar o próximo pedaço que parece mais interessante. Frutas e legumes escorregadios podem ser deixados com a casca, para facilitar a preensão. Conforme suas habilidades são adquiridas, menos comida será desperdiçada.

A seguir, alguns exemplos de alimentos e formatos que podem ser oferecidos desde o início do BLW. No instagram, vcs podem procurar pela tag #blw6meses, vão ter diversos exemplos por lá! 🙂

Mais alguém preparando o almoço por aí? 🙋 #blwdodia #blwbrasil #blw7meses

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Boa sorte e bom BLW pra vcs!

beijocas

Aline

Fonte:

Rapley, G. Guia para implementação de uma abordagem de introdução de alimentos sólidos guiada pelo bebê. 2008. Disponível em: www.rapleyweaning.com. Último acesso: 31/08/2014.

Como reduzir os riscos de engasgos durante o BLW?

A seguir, compartilho uma série de dicas para diminuir as chances de que seu bebê engasgue durante o BLW. Qualquer dúvidas podem deixar nos comentários que eu tenho o maior prazer de responder! 🙂 Beijocas e bom BLW pra vcs!!

1. O seu bebê deve estar em desenvolvimento normal. É essencial discutir o método com o pediatra antes de iniciar. Bebês prematuros ou com atraso de desenvolvimento costumam estar mais predispostos ao engasgo.

2. Assegure-se de que seu bebê está SENTADO ereto (90 graus) quando ele estiver experimentando alimentos sozinho. Se ele não senta ainda, então o BLW não é indicado (Não importa se a prima da tia da amiga fez e deu certo, NÃO é indicado, e ponto).

3. Absolutamente NUNCA deixe seu bebê sozinho com a comida.

4. Não apresse seu bebê. Permita a ele dirigir o ritmo do que ele está fazendo. Em particular, não fique tentado a “ajudá-lo” colocando coisas em sua boca. No máximo tocar nos lábios pra ele ver que aquele “brinquedo” tem sabor.

5. Não tente “pescar” todos os pedaços grandes que se desprendem dos alimentos. É perigoso acabar empurrando o alimento para as vias aéreas e causar engasgo. Espere que o gag cumpra seu papel.

6. Não ofereça alimentos que são obviamente perigosos, como qualquer tipo de castanha/amendoim. Ofereça cortados na metade alimentos como uvas, tomate cereja e qualquer outros similares. Retire os caroços. Se ficar em dúvida se é perigoso ou não, não ofereça. Confie no seu sexto sentido, evite estresses desnecessários.

7. Se ele tiver o reflexo de gag: aguarde, observe. Dê ao bebê alguns segundos para trazer o pedaço para a frente da boca e expelir.

8. O mesmo com a tosse. Se ele engasgou, estiver tossindo forte, observe, dê ao bebê alguns segundos para recuperar-se. A tosse é também um reflexo de proteção.

9. Durante o engasgo, não dê água ou bata nas costas, pode piorar a situação.

10. Se o bebê estiver com dificuldade aparente (não consegue tossir, respirar, olhos arregalados, vermelhidão no rosto) e vc estiver vendo o alimento dentro da boca, vc pode tentar retirar com o dedo. Caso vc não esteja vendo o alimento, em hipótese nenhuma enfie o seu dedo na boca do bebê, caso contrário vc pode empurrar o alimento para as vias aéreas. A manobra de Heimlich já é indicada. Tire o bebê da cadeira e proceda com a técnica.

11. Na dúvida, consulte um profissional fonoaudiólogo.

 

Orange Appeal!

Referências:

Padovani AR, Medeiros GC, Andrade CRF. Protocolo fonoaudiológico de introdução e transição da alimentação por via oral (PITA). In: Andrade CRF, Limongi SCO (Org). Disfagia: prática baseada em evidências. São Paulo: Sarvier; 2012; p. 74-85.

PADOVANI, Aline Rodrigues, et al. Protocolo Fonoaudiológico de Avaliação do Risco para Disfagia (PARD). Revista da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia [online], 2007, vol. 12, p. 199-205.

Mangilli LD, Moraes DP, Medeiros GC. Protocolo de avaliação fonoaudiológica preliminar. In: Andrade CRF, Limongi SCO (Org). Disfagia: prática baseada em evidências. São Paulo: Sarvier; 2012. p. 45-61.