Posso temperar a comida do bebê?

 

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A gente sabe que a alimentação dos bebês é cercada de regras e tabus, né? Entre os muitos mitos criados, está aquele relacionado ao sabor da comida que é oferecida na introdução alimentar. A ideia de que alguns temperos seriam muito fortes e, portanto, não poderiam ser adicionados na comida dos bebês é muito comum. E não deveria ser assim!

Além de não haver contraindicação de uso, os temperos naturais possuem uma infinidade de propriedades medicinais, agregam valor nutricional e ampliam a experiência sensorial da alimentação.

O bebê é uma página em branco também no que diz respeito ao paladar. Ele está descobrindo o mundo pela boca, ávido por todas as sensações que ela pode promover e o alimento é parte importante de todo esse aprendizado. Podemos ajudá-los a criar um paladar diversificado e aberto, basta dar oportunidade! Privar o bebê de sabores não é necessário. Eles podem e devem comer comida gostosa, refogada, temperada, com sabores variados, cores diversas!

 

“Mas e pimenta, também pode?”

Sim, podemos usar alguns tipos de pimenta que são mais aromáticas, com um poder de ardência menor, como a pimenta do reino ou a pimenta branca.  Sempre em bem pouca quantidade para que não provoque ardência, pois pode ser desagradável. Só não vale usar sal (em menores de um ano) e temperos industrializados, ok?! Aliás, os industrializados a gente sabe que não deveriam estar na alimentação de ninguém, nem dos adultos!

Mas eu sei também que muitas pessoas não possuem nenhuma prática com os temperos e encontram grande dificuldade em combiná-los! Então eu trago aqui uma lista de algumas ervas e especiarias com suas respectivas propriedades medicinais e nutricionais e algumas formas de utilização para que vocês passem a incluir na rotina da família de vocês. Usem sem medo, ousem, descubram vocês também suas combinações preferidas e ganhem sabor e saúde!

 

Assortment Of Fresh Herbs

Ervas frescas dão sabor e aroma especial aos alimentos!

LOURO

Muito conhecido pelo seu uso no feijão, também vai bem em ensopados, carnes assadas, guisados. É componente do Bouquet garni, uma combinação de ervas utilizada na gastronomia para dar sabor a caldos e sopa.

Como seu sabor é intenso, em geral uma folha de louro basta para conferir sabor. Deve ser adicionado no início do preparo, pois libera aromas bem lentamente. A folha deve ser retirada antes de servir.

Propriedades: favorece a digestão e a eliminação de gases. É antirreumático, interessante no tratamento de gripes e resfriados.

 

ALECRIM

Tem sabor pronunciado e deve ser usado com cautela para não sobressair muito no resultado do prato. Como suas folhas são duras, o ideal é retirá-las antes de servir. Além das folhas, ramos inteiros podem ser adicionados no preparo.

Combina com carne vermelha, frango, carne suína, carnes de caça e legumes assados, especialmente batatas. É usado em marinadas de carnes e frango.

Propriedades: melhora da memória, expectorante, ajuda em problemas respiratórios. Seu chá favorece a digestão.

 

MANJERICÃO

Muito conhecido por seu uso na culinária italiana, o manjericão é extremamente aromático e de sabor suave. Deve ser usado preferencialmente fresco e adicionado no final do preparo.

Complementa pratos que levam cebola, orégano, alho ou azeite. Combina muito com tomate, omeletes e é ingrediente principal do molho pesto.

Propriedades: diurético, melhora digestão, protege o fígado e é um bom antioxidante.

 

CEBOLINHA VERDE

Pertence à família do alho, cebola e alho-poró. Costuma acompanhar a salsa em diversos pratos, o famoso cheiro verde.

Cortada em pequenas rodelas para realçar o sabor, deve ser adicionada no final do preparo e é ótima para decoração de pratos. Pode ser usada em saladas, omelete, sopa, molhos, arroz.

Propriedades: rica em vitamina A, B3, e C e cálcio. Apresenta atividade antioxidante.

 

ACAFRÃO DA TERRA

É derivado de uma raiz de cor forte alaranjada, da mesma família do gengibre. Possui sabor forte e é muito pesquisado por suas propriedades terapêuticas. Normalmente é utilizado o pó, adicionado no final do preparo (assim suas propriedades são mais conservadas) em arroz, peixes, frutos do mar, frango, sopas e molhos.

A curcumina, um dos seus componentes ativos, é melhor ativada na presença de pimenta do reino, por isso é válido usar as duas especiarias juntas na preparação.

Propriedades: é rico em beta-caroteno, um precursor da vitamina A com efeito antioxidante. Possui forte ação anti-inflamatória. Contribui para redução do colesterol LDL e do triglicerídeo. Melhora a imunidade, tem ação anticancerígena e antioxidante. 1 colher de café ao dia é suficiente para redução dos marcadores de inflamação.

 

CANELA

Pode ser utilizada no preparo de alguns pratos salgados como guisados, carne moída, massas, purês, risotos e molhos. Mas aqui no Brasil costumamos usar em preparações doces. Para os bebês, pode ser adicionada na banana ou na maçã, por exemplo. Confere um sabor quente e acolhedor aos pratos.

Propriedades: contribui para regulação do metabolismo de açúcar, regularizando os níveis de açúcar no sangue. Possui ação antioxidante e anti-inflamatória.

 

GENGIBRE

Possui sabor picante e marcante. Pode servir para aromatizar carne ensopadas, peixes e frutos do mar, sucos, legumes, risotos.

Por ser uma raiz, utiliza-se em pequenas lascas, ralado ou em pó. Para que se mantenha o princípio ativo, o ideal é ralar na hora do preparo.

Propriedades: fonte de vitamina B3, B6 e C, magnésio, selênio e zinco. Possui ação antioxidante e anti-inflamatória importantes. Melhora a digestão, desempenho mental e auxilia na redução da fadiga.

 

Para utilizar na prática, a receita do clássico caldo de legumes que pode ser usado como base de diversos molhos, sopas e outros pratos que levem caldo:

 

CALDO DE LEGUMES CASEIRO

 

Ingredientes

– 2 cebolas picadas

– 2 cenouras pequenas picadas (ou 1 grande)

– 1 talo de salsão picado (aipo)

– Alho poró (parte verde – folha)

– 2 dentes de alho descascados

– 5 litros de água

– 1 bouquet garni (Louro, salsa, folha do alho poro e outras ervas de preferência)

 

Modo de preparo

Coloque os legumes na panela, acrescente a água e o bouquet garni. Deixe cozinhar sem ferver por 40 a 60 minutos. Aguarde esfriar, separe em potes de vidro ou forminhas de silicone e congele para utilizar em diferentes dias e tipos de preparação!

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

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Como a alimentação pode melhorar ou piorar a prisão de ventre?

 

Por Nutricionista Michelle Bento

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A prisão de ventre é uma queixa muito comum nos consultórios pediátricos e pode deixar os pais muito angustiados. Mas antes de falarmos de qualquer tipo de tratamento é preciso considerar que variações na consistência das fezes e frequência de evacuações em crianças é muito comum e não necessariamente essa mudança representa um problema. Essa alteração pode ser natural e/ou temporária e não causar nenhum mal. É esperado, por exemplo, que os bebês aos 4-6 meses evacuem menos vezes ao dia do que com 1 mês de vida e o padrão de evacuação de bebês que mamam leite materno é diferente daqueles que mamam fórmula.

Com o início da alimentação sólida as fezes vão começar a tomar mais forma, ficam mais consistentes e alguns passam por uma dificuldade momentânea na evacuação que diz respeito à adaptação à nova alimentação. Além disso, é comum que as crianças fiquem 2 ou 3 dias sem evacuar, mas com fezes macias e que não provocam nenhum incômodo. Portanto, é preciso que os pais estejam atentos não somente ao intervalo entre as evacuações, mas ao comportamento do bebê (bebês com constipação intestinal ficam mais irritados, pois podem sentir dor), se as fezes estão macias, pastosas ou ressecadas, no formato de pequenas bolinhas endurecidas e se o bebê faz força como se fosse fazer coco e não sai nada. Esses são alguns dos sinais de alerta.

A definição de constipação intestinal infantil segundo o critério de ROMA III inclui outras variáveis que não só a frequência de evacuação, justamente devido à grande variação normal que existe entre as crianças saudáveis. Para determinar que há constipação intestinal funcional, deve haver a presença de 2 ou mais dos seguintes sinais e com duração de pelo menos 1 mês em menores de 4 anos:

– Dois ou menos defecações por semana;

– Ao menos um episódio de incontinência fecal por semana (em crianças que já controlam o esfíncter);

– História de retenção excessiva de fezes (a criança parece segurar o coco, com medo de evacuar);

– História de dor para evacuar;

– Presença de bolo fecal no reto (deve ser avaliado pelo pediatra);

– História de fezes de grande diâmetro, que entopem o vaso sanitário.

Como a alimentação pode contribuir para evitar ou melhorar o problema?

Uma criança com dificuldade de evacuação pode estar ingerindo uma baixa quantidade de fibras.  Em bebês que estão começando a comer a ingestão de fibras será mesmo baixa, pois ainda se alimentam basicamente de leite. E em alguns pode ocorrer uma certa dificuldade na eliminação de fezes mais consistentes nas primeiras semanas que vão melhorando conforme o bebê for aumentando a ingestão de fibras. Mas vale lembrar mais uma vez que se o número de evacuações diminuiu, mas não existe nenhum outro sinal de alerta não é preciso se preocupar. Apenas observe como estará a consistência do coco quando ele o fizer. Agora se as evacuações estão menos frequentes e, além disso, o bebê tem irritabilidade, barriguinha distendida, faz força e não sai nada e as vezes estão ressecadas podemos tentar algumas mudanças na rotina para ajudar na eliminação do coco e evitar esse desconforto.

Na minha prática profissional não costumo fazer restrição de nenhum alimento, nem tão pouco sugerir que se use alimentos específicos diariamente para estimular a evacuação. Essa ideia de que alguns alimentos prendem e outros soltam vem da proporção de fibras solúveis e insolúveis que cada um deles possui. E na verdade cada uma tem o seu papel no funcionamento intestinal e, dentro de uma dieta equilibrada e variada, esses componentes vão se ajustando e não causam nenhum problema. Considero mais importante pensar na variedade de alimentos que essa criança recebe, avaliar se a hidratação está correta (e quanto mais fibra na alimentação, mais água é necessária) e usar alimentos mais ricos em gorduras saudáveis para ajudar na lubrificação, como o abacate, azeite e óleo de coco, por exemplo, que muitas vezes ficam esquecidos na alimentação das crianças pequenas. É bem comum que os pais recebam a orientação de cozinhar a comida do bebê com pouca ou nenhuma gordura, quando na verdade uma gordura de boa qualidade é fundamental.

Mas de qualquer forma cada criança e sua rotina devem ser avaliadas individualmente para que se identifique o que pode estar causando a dificuldade NAQUELA criança, no lugar de fazer orientações gerais e vagas que funcionariam como uma “fórmula” que todos podem e devem usar. Então, se seu filho (a) apresenta esse quadro vai ser muito mais eficaz e adequado procurar onde está a causa do problema (É fibra? É hidratação? A gordura está adequada? Tem alguma causa orgânica?) do que dizer que ele precisa  comer mais mamão e parar de comer bananas, certo?

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Bibliografia

UJJAL PODDAR. Approach to Constipation in Children. Indian Pediatrics, v. 53, p. 319-327, 2016.

CONALCO2017

Pode esquentar o azeite?

por Nutricionista Michelle Bento

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O óleo pode ser aquecido por diversos meios, mas o método mais avaliado nos estudos é a fritura. O aquecimento provoca reações químicas que modificam as propriedades das gorduras, reduzindo a quantidade de ácidos graxos polinsaturados. O ômega-3 e ômega-6, considerados mais saudáveis, se perdem na fritura sendo transformados em gordura trans, provocando formação de espuma, modificando o sabor, aumentando o teor de ácidos graxos livres e formando novas substâncias. A intensidade dessas reações depende das condições de fritura, do tempo, da temperatura e da composição do óleo utilizado.

O ponto de fumaça dos óleo e gorduras diz respeito à temperatura em que começam a produzir fumaça e a se degradar. Neste ponto o óleo começa a sofrer as diversas reações vistas acima e passam a produzir acroleína. Os óleos com maior presença de gordura saturada e monoinsaturadas e aqueles que contêm menor teor de ácidos graxos livres são os menos suscetíveis à oxidação e associados com menor taxa de formação de acroleína e acrilamida. É possível observar na tabela abaixo que óleo de gergelim e linhaça, considerados saudáveis por serem ricos em ômega-6 e ômega-3, possuem ponto de fumaça mais baixo e não são, portanto, recomendados para aquecimento, devendo ser usados crus.

 

Gordura Ponto de fumaça
Manteiga comum 177°C
Manteiga ghee 252°C
Canola 240°C
Algodão 216°C
Azeite de oliva virgem 216°C
Azeite de oliva extra virgem 190°C
Óleo de gergelim 177°C
Óleo de linhaça 107°C

Fonte: The Vegetarian Health Institute  

O reaproveitamento do óleo não é recomendado, pois durante o aquecimento se formam maiores quantidades ácidos graxos livres e consequentemente se reduz drasticamente o ponto de fumaça original, o que resultará em mais altas emissões de substâncias tóxicas em baixas temperaturas.

A acrilamida é uma substância tóxica, associada a maior risco de câncer, e produzida pelas reações que os óleos e gorduras sofrem com o aquecimento. A tabela abaixo mostra a concentração de acrilamida em diferentes óleos vegetais e gorduras animais após o tratamento térmico a 180°C por 30 minutos (Daniali, 2016).

 

Óleo Conteúdo de acrilamida (mcg/kg)
Soja 2447
Óleo de palma 1442
Girassol 1226
Gergelim 1139
Azeite de oliva 542
Milho 430
Banha de porco 366
Manteiga ghee 211

 

Lim e colaboradores, em 2014, compararam o grau de oxidação e formação de acrilamida na fritura de batata usando 4 tipos de óleo: girassol, coco, canola e palma. O óleo de palma teve a menor concentração de acrilamida quando comparado com óleo de soja e de canola. Nesse estudo eles não encontraram diferença entre o conteúdo de acrilamida no óleo de coco e no óleo de canola, apesar do óleo de coco ser saturado. Os autores apontam a presença de ácidos graxos livres em maior quantidade no óleo de coco extra virgem como causa para esse achado.

Nas tabelas acima notamos que o azeite de oliva possui um ponto de fumaça adequado, acima de 180°C (em um refogado a temperatura é menor e o tempo de cozimento mais rápido, tornando a degradação mais controlada). Além disso, a formação de acrilamida é baixa quando em comparação com óleos refinados usados com frequência para cozimento. A manteiga ghee (aquela que passa por processo de clarificação) também possui um ponto de fumaça adequado e a formação de acrilamida é ainda menor, entretanto é uma gordura saturada, cujo consumo deve ser limitado por estar associada ao aumento do colesterol e aumento da resistência à insulina quando consumida em doses mais altas. Já o azeite de oliva possui efeito antioxidante, ajuda na melhora pressão arterial e controle de glicemia, atua no controle do colesterol e auxilia na diminuição do colesterol ruim (LDL), provoca uma redução no declínio cognitivo relacionado à idade e ao Alzheimer, evita formação de trombos, sendo importante para prevenção de doenças cardiovasculares.

Mas apesar de todos os benefícios conhecidos do azeite, muita gente ainda tem dúvidas quanto ao seu uso para aquecimento por acreditar que perca suas propriedades e, pior, comece a se transformar em uma gordura maléfica. Pois bem! Um estudo de revisão feito por Nogueira-de-Almeida e colaboradores em 2015, bem recente, tem como conclusão que o azeite de oliva extra virgem:

“é o óleo mais adequado para uso na forma crua, devido ao melhor perfil de ácidos graxos e à presença de antioxidantes. Mesmo após aquecimento em condições de uso doméstico, ele não sofre mudanças significativas em seu perfil de ácidos graxos. Em especial, cabe salientar que praticamente não ocorre formação de ácidos graxos trans ou de ácidos graxos saturados. Após aquecimento em condições de uso doméstico, não se observa a formação de substâncias tóxicas e o azeite de oliva extra virgem mantém cerca de 80% das substâncias antioxidantes”.

Frente à todas essas evidências, eu continuo sugerindo o azeite de oliva como a melhor opção a ser usada no preparo dos alimentos que serão consumidos por bebês em introdução alimentar, mas também para crianças maiores e adultos.

E sempre ressaltando que, não importa o tipo de óleo usado, a fritura não deve ser utilizada com frequência e o óleo nunca deve ser reaproveitado.

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Referências bibliográficas

Poliana Cristina Mendonça Freire; Jorge Mancini-Filho; Tânia Aparecida Pinto de Castro Ferreira. Principais alterações físico-químicas em óleos e gorduras submetidos ao processo de fritura por imersão: regulamentação e efeitos na saúde. Revista de Nutrição. vol.26 no.3 Campinas May/June 2013

P.K. Lim, S. Jinap, M. Sanny, C.P. Tan, and A. Khatib. The Influence of Deep Frying Using Various Vegetable Oils on Acrylamide Formation in Sweet Potato (Ipomoea batatas L. Lam) Chips. Journal of Food Science. Vol. 79, Nr. 1, p. 115-121, 2014.

Daniali, G.; Jinap, S.;Hajeb, P.; Sanny, M.; Tan, C. P. Acrylamide formation in vegetable oils and animal fats during heat treatment. Food Chemistry 212 (2016) 244–249.

Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida, Durval Ribas Filho, Elza Daniel de Mello, Graziela Melz, Ane Cristina Fayão Almeida. Azeite de Oliva e suas propriedades em preparações quentes: revisão da literatura. International Journal of Nutrology, v.8, n.2, p. 13-20, Mai / Ago 2015.

 

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É necessário adiantar a introdução alimentar se a mãe volta ao trabalho (aos 4 meses)?

por Michelle Bento, Nutricionista

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Já é amplamente conhecido que a atual recomendação dos principais órgãos de saúde mundiais é iniciar a alimentação sólida aos 6 meses de idade.

Na prática, ainda é muito frequente que se inicie antes disso, entre os 4 e 6 meses de idade. Às vezes devido ao retorno da mãe ao trabalho, que dificulta a manutenção da livre demanda, outras vezes por indicação do pediatra. Algumas famílias se mostram ansiosas para ver o bebê comer outros alimentos e acreditam que o mesmo já está pronto para receber comida sólida.

Então vamos entender agora quais são as vantagens em se manter o aleitamento exclusivo até o sexto mês e de que forma podemos organizar a rotina da dupla mãe-bebê para aumentar as chances de atingir essa meta.

É completo

O leite materno é naturalmente o primeiro de alimento de escolha para bebês, sendo capaz de fornecer toda energia e nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento adequados nos primeiros meses de vida. Além dos nutrientes adequados, o leite materno contém anticorpos que ajudam a proteger o bebê contra doenças comuns na infância, incluindo pneumonia e diarreia.

É prático

Verdade seja dita. É muito mais fácil e rápido oferecer o seio (ou até fazer a diluição da fórmula) do que se organizar – com um bebê pequeno e às vezes com mais outra(s) criança(s) mais velha(s)-  para preparar e oferecer a comida do bebê. O leite materno é um alimento completo, gratuito, livre de bactérias prejudiciais e pronto para consumo sempre que seu filho(a) precisar.

Reduz o risco de infecções

As evidências científicas mostram que não há nenhum benefício em fazer a introdução de alimentos complementares entre os 4 e 6 meses de idade. Em contrapartida, o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses diminui significativamente o risco de infecções gastrointestinais e doenças respiratórias, contribuindo para redução das taxas de mortalidade infantil, sem que haja nenhum déficit de crescimento. Mesmo no caso do aleitamento por fórmula, a manipulação para preparar a diluição do pó é bem menor do que para fazer o preparo da comida, sendo mais fácil fazer um controle higiênico afim de evitar uma toxinfecção alimentar.

Traz vantagens para a mãe

Aumentar o tempo de amamentação exclusiva também apresenta outras vantagens: contribui para recuperação do peso pré-gestacional, pode prolongar o tempo que a mãe permanece sem menstruar e vem havendo um aumento nas evidências de que o risco de desenvolver câncer de mama e ovários é menor em mulheres que amamentaram.

 

Tudo bem, já vimos que existem boas vantagens em manter o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses.

Mas concordamos que a realidade do mercado de trabalho não permite que boa parte das mães seja capaz de estar 100% disponível para aplicar a livre demanda e garantir a nutrição do bebê somente com leite materno até os 6 meses. Nesses casos, o que fazer?

A ordenha e armazenamento do leite pode ser realizada por aquelas mães que consigam retirar quantidades expressivas de leite através da bomba ou da ordenha manual.

 

Para aumentar o sucesso da ordenha, algumas dicas são importantes:

– Embora o Ministério da Saúde recomende que o leite materno não pasteurizado seja armazenado em freezer ou congelador por no máximo 15 dias, a ABM (The Academy of Breastfeeding Medicine) utiliza protocolos de tempo e temperatura seguros mais flexíveis, conforme quadro abaixo:

 

Local Temperatura Duração
Temperatura ambiente Até no máximo 25°C. acima disso, armazenamento em temperatura ambiente não é adequado. 6 a 8 horas
Refrigerador < 4°C. estoque o leite no fundo da geladeira, onde a temperatura é mais baixa. Até 5 dias
Freezer com compartimento localizado dentro do refrigerador

 

-15°C 2 semanas
Freezer com porta separada do refrigerador -18°C 3 a 6 meses

 

– Para fazer seu estoque antes da volta ao trabalho, procure fazer a ordenha em local tranquilo e sempre antes que o bebê venha ao seio, aumentando a chance de retirar quantidades expressivas de leite. Fazer a ordenha no primeiro horário da manhã costuma ajudar, uma vez que, em geral, o bebê mama menos na madrugada.

– Higienize as mãos e o local onde será realizada a ordenha e prenda os cabelos. Utilize recipientes de vidro com tampa plástica ou potes plásticos específicos para coleta de leite. Esse material deverá estar esterilizado.

– Se a mãe não conseguir retirar uma boa quantidade de leite através da ordenha, poderá tentar retirar o leite várias vezes no dia, juntando em um mesmo compartimento na geladeira. No final do dia, esse compartimento deve ser transferido para o congelador ou freezer.

– Os potes usados para armazenamento devem ser datados. Utilize sempre primeiro aquele que foi colhido antes.

– Caso haja um local disponível para ordenha e armazenamento no trabalho, o leite extraído na ausência do bebê poderá ser aproveitado. O ideal seria realizar de 2 a 4 ordenhas no período de ausência. No final do dia, o leite armazenado na geladeira ou freezer deverá ser imediatamente colocado em uma bolsa térmica com placas de gelo na lateral interna da bolsa. Esse leite deverá ser colocado no congelador ou freezer assim que chegar em casa.

-Caso não seja possível realizar a ordenha no trabalho, a mãe poderá tentar retirar leite assim que chegar em casa, antes que o bebê venha ao seio.

 

Oferta do leite materno

Preferencialmente, o leite ordenhado deverá ser oferecido ao bebê em copinho aberto ou copo de transição com bico rígido e sem válvula de controle de fluxo. O uso de mamadeiras é associado interrupção precoce do aleitamento materno, mesmo quando seu uso é iniciado após o estabelecimento da amamentação.

O leite deve ser transferido do congelador ou freezer para a geladeira com 12 horas de antecedência para fazer o descongelamento. Caso não seja possível, o leite pode ser retirado do freezer diretamente para ser aquecido, sendo descongelado no banho-maria.

Para aquecer ou descongelar o leite, aqueça a água em uma panela até ferver e desligue a chama do fogão. Coloque o recipiente com o leite dentro da água, agitando até que o leite seja reconstituído. O leite materno não deve ser fervido e nem aquecido em micro ondas. O leite descongelado não pode ser recongelado e o leite aquecido não poderá ser reaproveitado.

Na impossibilidade de fazer e manter a ordenha de leite materno, o melhor momento e a melhor forma para introdução dos alimentos sólidos deverá ser avaliada com um profissional de saúde capacitado.

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Referências bibliográficas

 WHO. The Optimal Duration of Exclusive Breastfeeding: A Systematic Review WHO/NHD/01.08 (2002)

WHO. Infant and young child feeding: model chapter for textbooks for medical students and allied health professionals. Geneva: World Health Organization; 2009.

Academy of Breastfeeding Medicine. (2004) Clinical Protocol Number #8: Human Milk Storage Information for Home Use for Healthy Full Term Infants. Princeton Junction, New Jersey: Academy of Breastfeeding Medicine.

 

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Recusa, controle e distúrbios alimentares: o efeito bola de neve

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A recusa alimentar atinge cerca de 25% de crianças em desenvolvimento normal. Essas recusas podem ser provocadas por uma combinação de fatores psicológicos, emocionais e sociais. Estudos que investigam as desordens alimentares em crianças avaliam componentes como a relação familiar, estrutura cultural, temperamento e desenvolvimento da criança, duração do aleitamento materno e práticas da introdução alimentar.

O hábito alimentar se forma a partir de experiências e práticas observadas dentro do âmbito familiar e social na primeira infância. Não surpreende então que a atitude dos pais em relação à comida e o tipo de abordagem dos pais no momento das refeições seja fator definitivo para o ciclo de recusa da criança.

Quando os pais criam expectativas e elas não são atendidas, um ambiente de  estresse pode ser gerado. Momentos de refeições infelizes e estressantes aumentam as chances de recusa. E vira uma bola de neve! Os pais se tornam mais ansiosos, mais exigentes, menos tolerantes e mais controladores. E pronto! Está instalado um distúrbio alimentar!

A recusa alimentar deve ser sempre avaliada em conjunto com o ganho de peso. E é muito comum essa queixa vir acompanhada de ganho de peso e desenvolvimento normais. Se o ganho de peso e o crescimento estão adequados e foi descartada uma causa orgânica (alergia alimentar, refluxo, problemas de deglutição etc), é preciso que a família entenda que cada criança tem o seu tempo e que a introdução alimentar é um evento a longo prazo.

Se a introdução alimentar for conduzida de maneira respeitosa, num ambiente tranquilo e de forma agradável, em algum momento aquele bebê vai despertar o interesse pela comida. E quando isso acontecer, sua relação com a comida será boa, haverá prazer em fazer as refeições.  Já o bebê que foi forçado a comer ou que teve sua comida batida e misturada no início da alimentação pode até aceitar nos primeiros meses, mas perde a oportunidade de conhecer os alimentos, experimentar texturas e sabores e, pior ainda, pode criar uma aversão ao alimento por conta do estresse gerado nas refeições.

Pensando em todas essas informações junto com a proposta do BLW, fica fácil entender porque algumas de suas vantagens incluem melhor relação com a comida, diminuição da seletividade alimentar, melhor qualidade da dieta, melhor controle de fome-saciedade. Entender que cada bebê tem seu tempo e deixá-los guiar o processo de transição do leite para a alimentação sólida, sem se preocupar com o ritmo ou quantidade, mas somente com a qualidade do que é oferecido possibilita uma introdução alimentar verdadeiramente respeitosa, tranquila, prazerosa.

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

 

Leia também:

O BLW não deu certo comigo

Os benefícios da Introdução Alimentar ParticipATIVA

Os 20 passos para a Introdução Alimentar ParticipATIVA – #IAparticipATIVA

 

Bibliografia:

TAN, S.; YILMAZ, A. E.; KARABEL, M.; KARA, S.; ALDEMIR, S.; KARABEL, D. Children with food refusal: An assessment of parental eating attitudes and their styles of coping with stress. Journal of the Chinese Medical Association, v.75, s.5, p.209-215, 2012.

LEVY, Y.; LEVY, A.; ZANGEN, T.; KORNFELD, L.; DALAL, I.; SAMUEL, E.; BOAZ, M.; DAVID, N. B.; DUNITZ, M.; LEVINE, A. Diagnostic Clues for Identification of Nonorganic vs Organic Causes of Food Refusal and Poor Feeding. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, v. 48, p. 355-362, 2009.

 

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Introdução alimentar vegetariana: garantindo os nutrientes adequados

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por Michelle Bento, Nutricionista.

 

O vegetarianismo vem apresentando um enorme crescimento em popularidade nos últimos anos e, com isso, tem sido mais comum encontrar famílias que decidem por não oferecer carnes ou produtos de origem animal para seus filhos desde o início da alimentação complementar.

Uma dieta vegetariana bem planejada é considerada adequada para todos os estágios de vida. Entretanto, os pais precisam estar bem informados acerca das recomendações necessárias para garantir crescimento e desenvolvimentos satisfatórios. Os nutrientes-chave cuja adequação deverá ser monitorada incluem vitamina B12, vitamina D, cálcio, ferro, zinco e ácidos graxos ômega-3.

As dietas vegetarianas podem ser definidas como aquelas em que há exclusão de todos os tipos de carne (bovina, suína, de frango, de peixe e frutos do mar), mas pode haver consumo de ovos e/ou leite e derivados. Na dieta vegana há exclusão de todos os produtos de origem animal, incluindo ovos e lácteos. Nesse caso, por se tratar de uma dieta mais restritiva, a suplementação poderá ser necessária, devendo ser avaliada por um nutricionista.

 

VITAMINA B12

É encontrada naturalmente e em quantidades suficientes somente em alimentos de origem animal. Os níveis de B12 no leite materno podem variar de acordo com a ingestão da mãe e seus estoques da vitamina. Portanto, no caso de crianças amamentadas, a alimentação da mãe deverá será avaliada e a suplementação poderá ser indicada.

O ovo será a principal fonte de vitamina B12 durante o início da alimentação complementar e o momento ideal de introdução de laticínios deverá ser avaliado. No caso de dietas veganas, a suplementação desta vitamina se fará necessária.

 

ÁCIDOS GRAXOS ÔMEGA-3

O DHA (ácido docohexanoico) é importante para o desenvolvimento do cérebro e visão do bebê. Dietas vegetarianas contém pouco ou nenhum DHA, mas é possível fazer a conversão de outro tipo de ômega-3, o ALA (ácido alfa-linolênico), em DHA no organismo. Fontes de ALA incluem semente de linhaça e de chia e nozes. Algumas famílias optam por oferecer o peixe eventualmente, o que garante a ingestão regular de DHA.

O conteúdo de DHA do leite materno também pode ser influenciado pela ingestão da mãe e sua dieta deverá ser avaliada. O uso de suplementos de DHA produzidos a partir de algas por mães vegetarianas que amamentam poderá ser avaliado por um nutricionista.

 

ZINCO E FERRO

Ferro e zinco são encontrados em baixa quantidade no leite materno, embora tenham alta biodisponibilidade, sendo muito bem absorvidos. O leite materno consegue suprir as necessidades destes dois nutrientes nos primeiros 6 meses de vida, mas a partir de então os alimentos complementares são necessário para atingir a recomendação.

O zinco é encontrado principalmente na carne, no peixe e no frango, alem de leite e seus derivados. Vegetarianos podem obter zinco dos derivados do leite, cereais integrais, leguminosas, castanhas e sementes. Já o ferro pode ser encontrado na natureza em duas formas, o ferro heme e o ferro não-heme. O ferro heme está presente nas carnes de forma geral e possui uma alta taxa de absorção e o ferro não-heme, presente tanto nas fontes vegetais (folhosos verde escuros e leguminosas) como nas fontes animais, é geralmente muito menos bem absorvido e necessita que haja um bom balanço entre os fatores que inibem e os que melhoram a absorção do ferro pelo intestino.

Dietas vegetarianas, em geral, apresentam maior teor de fitatos, anti-nutriente presente em cereais integrais, vegetais, sementes, leguminosas e castanhas, que se liga ao ferro e zinco e reduz sua absorção. É possível reduzir o conteúdo de fitato dos alimentos através da técnica do remolho, que consiste em deixar os grão de molho em água por 12 horas, descartando essa água antes do cozimento.

Para melhorar a absorção de ferro, uma fonte de vitamina C pode ser incluída junto às refeições principais, onde há maior oferta deste nutriente: laranja, limão, abacaxi, morango, kiwi, entre outros.

Em países como Estados Unidos, Austrália e Inglaterra, é comum iniciar a alimentação complementar com cereais infantis fortificados com ferro. Porém, esse tipo de alimento não está disponível no Brasil e a recomendação por aqui é introduzir a carne desde o princípio. Para crianças vegetarianas, portanto, será necessário avaliar cuidadosamente a oferta de ferro e zinco, bem como fatores que possam influenciar a absorção. Na tabela 1 está uma lista de alimentos fonte de ferro e zinco para bebês.

 

Tabela 1: Fontes de ferro e zinco para vegetarianos

Alimento Ferro (mg) Zinco (mg)
Gérmen de trigo tostado, ¼ de xícara, cozido 0,7 1,3
Feijão fradinho, ¼ de xícara 1,1 0,6
Grão de bico, ¼ de xícara 1,2 0,6
Hummus tahine, ¼ de xícara 1,5 1,1
Lentilha, ¼ de xícara 1,6 0,6
Grãos de soja, ¼ de xícara 2,2 0,5
Tempeh, ¼ de xícara 0,8 0,6
Tofu firme, ¼ de xícara 1,7 1,0
Tahine, 1 colher de sopa 1,3 0,7
Ovo, 1 unidade 0,6 0,5
Iogurte, ¼ de xícara 0,04 0,4
Brócolis cozido, ¼ de xícara 0,3 0,2
Ervilhas cozidas, ¼ de xícara 0,6 0,5
Espinafre cozido, ¼ de xícara 1,6 0,3

Adaptado de Mangels, R. 2012.

 

Apesar de haver ainda poucos dados na literatura comparando crianças vegetarianas com onívoras, uma dieta vegetariana bem planejada parece fornecer ferro e zinco em quantidades adequadas. Entretanto, naqueles que seguem uma dieta mais restritiva, como é o caso da dieta vegana, deverá haver uma monitorização do status de ferro e zinco, com inclusão de suplementação se necessário.

 

Tabela 2: resumo das recomendações

Nutriente Alimentos fonte Considerações especiais
Cálcio Leite de vaca/iogurte/queijos

Folhas verde escuras

Tofu enriquecido com cálcio

O ácido oxálico, presente em vegetais como espinafre e beterraba, se liga no cálcio e reduz sua absorção

 

Ferro Feijões e outras leguminosas

Vegetais verde escuros

Gema de ovo

 

Dietas vegetarianas contém somente ferro não-heme, cuja absorção não é tão boa quanto do ferro heme. Por isso, a recomendação de ferro para vegetarianos é 1,8 vezes maior do que para não vegetarianos. Associar alimentos ricos em ferro com uma fonte de vitamina C pode promover melhor absorção de ferro não heme. Cálcio, taninos e fitatos reduzem a absorção de ferro. Suplementos de cálcio deverão ser administrados longe das refeições principais, que são ricas em ferro

 

Zinco Leguminosas (feijões, lentilha, grão-de-bico, ervilha)

Cereais integrais

Frutos oleaginosos e sementes

Tofu, tempeh

 

A absorção de zinco também pode ser reduzida pela presença de fitatos, encontrados em frutos oleaginosos, cereais integrais e produtos a base de soja. Alguns produtos de soja fermentados como tempeh e missô possuem teores menores de fitatos

 

Vitamina B12 Leite de vaca/iogurte

Alimentos enriquecidos com vitamina B12

Ovos

Se os alimentos enriquecidos com vitamina B12 não estiverem disponíveis na base da alimentação da criança, o suplemento de B12 será necessário

 

Vitamina D Produtos derivados de leite fortificados com vitamina D A principal forma de obtenção da vitamina D é através da exposição solar. Um suplemento de vitamina D pode ser necessário

 

Ácidos graxos ômega-3 Farinha de linhaça

Óleo de linhaça

Chia

Nozes

Ovos enriquecidos com ômega-3

 

Fontes vegetais de ômega-3 estão na forma de ALA. Quantidades limitadas de DHA podem ser sintetizadas a partir de ALA.

Adaptado de Mangels, R. 2012.

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Bibliografia

Mangels, R.; Driggers, J. The Youngest Vegetarian. Vegetarian Infants and Toddlers. Childhood Obesity and Nutrition. v. 4, n. 1, p. 8-20, 2012.

Foster, M.; Samman, S. Vegetarian Diets Across the Lifecycle: Impact on Zinc Intake and Status. Advances in Food and Nutrition Research, v. 74, p. 93-131, 2015.

Gibson, R. S.; Heath, A. M.; Szymlek-Gay, E. A. Is Iron and Zinc Nutrition a Concern for Vegetarian Infants and Young Children in Industrialized Countries? The American Journal of Clinical Nutrition. V. 100, s.1, 2014.

 

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Garantindo energia e ferro para o bebê no BLW

Devido ao número limitado de estudos sobre o BLW, ainda há uma grande preocupação por parte de alguns órgãos e profissionais de saúde quanto à segurança de que o bebê estará ingerindo alimento suficiente para atender suas demandas, em especial de energia e ferro, garantindo um adequado crescimento e desenvolvimento.

Até o momento, nenhum estudo avaliou a adequação na ingestão alimentar de bebês seguindo o método. Aparentemente, muitos pais preferem oferecer verduras e frutas no início da introdução alimentar através do BLW, inclusive pela facilidade em adaptar esses alimentos ao formato necessário para a auto alimentação.  Em contrapartida, a OMS – Organização Mundial da Saúde recomenda que as carnes sejam oferecidas desde o princípio da alimentação complementar, uma vez que são a melhor fonte de ferro e zinco na dieta das crianças.

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Pensando nas questões acima, Cameron e colaboradores desenvolveram uma versão modificada do BLW, chamada Baby-Led Introduction to Solids (BLISS), que em tradução livre significa introdução aos sólidos guiada pelo bebê. No BLISS, o bebê continua no controle da sua introdução alimentar, através do auto alimentação, porém os pais recebem orientações específicas para atingir as necessidades energéticas, evitar deficiência de ferro e diminuir o risco de engasgo.

 

As características essenciais do BLISS são:

  • Oferecer alimentos que o bebê possa agarrar e levar à boca sozinho, de acordo com o que recomenda o BLW;
  • Oferecer um alimento rico em ferro em cada refeição;
  • Oferecer um alimento energético em cada refeição;
  • Oferecer alimentos apropriados para o desenvolvimento do bebê de acordo com a idade, reduzindo o risco de engasgo e evitar oferecer alimentos listados como de alto risco para engasgo.

 

O que significa isso em termos práticos, adaptando para a realidade brasileira?

No quadro abaixo está um resumo de recomendações para atingir a proposta do BLISS, com adição de mais algumas informações importantes para aumentar a biodisponibilidade do ferro e para garantir refeições de boa densidade calórica, evitando falhas no crescimento e desenvolvimento do bebê.

 

Objetivo da recomendação Recomendações específicas aos cuidadores
Aumentar a ingestão de alimentos ricos em ferro – Ofereça um alimento rico em ferro de alta disponibilidade em cada refeição, entre eles: fígado, carne vermelha, frango, porco e peixe

– Ofereça com regularidade os alimentos ricos em ferro de média e baixa disponibilidade: vegetais verde escuros, feijões, grão de bico (incluindo pasta de grão de bico), lentilha

-Utilize receitas para oferecer com segurança os alimentos que o bebê não consegue agarrar no princípio (vegetais folhosos, por exemplo)

– Não atrase a introdução alimentar para além dos 6 meses de idade

Melhorar a absorção de ferro – Deixe os grãos integrais (arroz integral, feijões, grão de bico, lentilha) de molho em água com limão por 12 horas, descartando a água do remolho antes de cozinhar

– Ofereça uma fruta rica em vitamina C junto com as grandes refeições: laranja, tangerina, morango, manga, abacaxi, kiwi, carambola, pêssego

Garantir boa oferta dos demais nutrientes -Ofereça uma variedade de alimentos, repetindo diversas vezes os alimentos recusados no princípio

– Ofereça de 3 a 5 alimentos diferentes em cada refeição, mas disponha na bandeja apenas um pedaço de cada por vez, repondo sempre que for preciso

Reduzir o risco de falhas no crescimento, como resultado de uma baixa ingestão calórica de corrente da auto alimentação – Ofereça ao menos um alimento energético em cada grande refeição: batata (doce, baroa, inglesa), inhame, aipim, cará, abóbora, abacate, banana, azeite, óleo de coco, carnes em geral, feijões e outras leguminosas

 

Veja também: Prevenindo o engasgo: a escolha do adulto faz toda a diferença

 

De qualquer forma, todas as orientações adicionadas à metodologia do BLISS já deveriam estar sendo feitas por profissionais realmente capacitados para atender este público. Daí a importância de fazer um acompanhamento do processo com um bom nutricionista e/ou pediatra.

Mas a grande novidade do BLISS é que teremos um grande estudo sendo bem conduzido para confirmar (ou não) as aclamadas vantagens do BLW, incluindo: melhora da auto regulação de ingestão calórica, maior desenvolvimento das funções motoras, melhor qualidade da dieta e do comportamento alimentar. Além disso, esse estudo irá verificar se as modificações sugeridas pelo BLISS ajudam a manter um bom estado nutricional de ferro e zinco e reduzir os riscos de engasgo.

Principalmente diante de todas essas informações, os pais podem se pegar pensando “coma mais” ou “coma tudo”. É normal ficar ansioso em relação ao quê e o quanto o bebê vai comer. Mas tente se lembrar de que bebês são ótimos em regular seu apetite, comendo somente o que precisam. O seu papel é continuar oferecendo refeições variadas e nutritivas para que ele aprenda a ter hábitos saudáveis em seu próprio tempo.

 

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

 

Referências:
Cameron SL, Taylor RW, Heath AL. Development and pilot testing of Baby-Led Introduction to SolidS–a version of Baby-Led Weaning modified to address concerns about iron deficiency, growth faltering and choking. BMC Pediatr. 2015 Aug 26; 15:99.

 

Daniels L et al. Baby-Led Introduction to SolidS (BLISS) study: a randomised controlled trial of a baby-led approach to complementary feeding. BMC Pediatr. 2015 Nov 12;15:179.

 

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