A Polêmica do Suco de Frutas para Bebês

Az Pratim Orange Juice.

Fonte: Bigstock

 

O suco de frutas tem, historicamente, uma participação importante na alimentação infantil, tendo sido usado por pediatras como uma forma de oferecer maiores quantidades de vitamina C e líquidos ao bebê e crianças pequenas, devido à sua boa aceitação. Entretanto, há relatos de associação entre o consumo excessivo de suco e falha de crescimento, baixa estatura e obesidade, embora esses achados ainda precisem ser confirmados por mais estudos. A teoria de que o consumo de sucos naturais sem adição de açúcar possa causa sobrepeso em crianças ainda é controversa.

Auerbach e colaboradores (2017), em um estudo de meta análise recente (meta análise é um tipo de pesquisa em que se avalia estatisticamente os resultados de vários estudos publicados na literatura) encontraram um pequeno aumento de peso entre crianças menores de 6 anos que consumiam sucos, mas este resultado não teve uma relevância clínica à níveis individuais. Crianças entre 1 e 2 anos parecem estar mais suscetíveis ao aumento de peso. O tipo de suco consumido parece ter relação com o aumento de peso. Nos EUA, crianças menores que tendem a consumir mais suco de maçã possuem um aumento de IMC mais significativo do que as mais velhas, que dão preferência para suco de laranja em geral. Isso tem relação com a carga glicêmica dos sucos. O suco de maçã possui uma concentração maior de açúcar do que o suco de laranja.

Em um documento publicado agora em 2017, a Academia Americana de Pediatria limita o consumo de sucos na infância sob algumas justificativas que vou resumir aqui:

  1. Sucos de fruta não oferecem nenhum benefício nutricional para bebês menores de 1 ano de idade.
  2. Sucos de frutas não oferecem nenhum benefício nutricional em relação às frutas para bebês ou crianças e não desempenham papel essencial em uma dieta saudável e equilibrada.
  3. Sucos naturais sem adição de açúcar podem ser incluídos moderadamente como parte de uma dieta equilibrada em maiores de 1 ano, mas sucos industrializados não são equivalentes e não deveriam ser oferecidos.
  4. Sucos possuem um alto teor de carboidratos com baixo conteúdo de proteína, gordura e algumas vitaminas e minerais. Quando seu consumo é excessivo acabam reduzindo a ingestão de outros alimentos mais completos e podem contribuir para má nutrição, sendo associados algumas vezes com ocorrência de baixa estatura.
  5. O consumo de sucos, especialmente quando oferecidos na mamadeira, está relacionado ao aumento da ocorrência de cárie dentária, devido ao seu maior conteúdo de carboidrato.
  6. Seu consumo excessivo pode provocar diarreia, flatulência excessiva, gases e dores abdominais.

Segundo o Ministério da Saúde (2013), os sucos não devem ser utilizados como uma refeição ou lanche, por conterem menor densidade energética que a fruta em pedaços, especialmente durante a introdução alimentar, uma vez que a capacidade gástrica dos bebês é pequena. A Academia Americana de Pediatria recomenda que não mais que metade das porções de frutas recomendadas para crianças venham dos sucos, o que significa aproximadamente 120 a 180 ml ao dia para crianças de 1 a 6 anos e 240 a 350 ml ao dia para crianças acima de 7 anos. Bebês com menos de 1 ano não devem consumir sucos.

Do meu ponto de vista, como nutricionista, o motivo principal para contraindicar os sucos diz respeito à formação de hábito. E quanto mais cedo o suco é introduzido na vida da criança, mais ele vai estar enraizado em seu dia a dia. E eu vejo aí três problemas:

  1. Conforme a criança cresce, sua preferência por suco tende a aumentar (afinal ele é docinho e fácil de ingerir) e ela pede cada vez mais, tornando difícil controlar as quantidades.
  2. Há uma possibilidade grande dessa criança passar a preferir o suco à fruta, diminuindo consideravelmente seu consumo (quantas crianças não conhecemos que bebem muito suco e não comem nenhuma fruta?).
  3. Fora isso, à medida que a criança pede mais suco, vai ficando mais difícil para essa família manter o consumo de sucos naturais – quem tem tempo, não é verdade? – E o industrializado pode ir ganhando espaço.

 

É obvio que o suco não deve ser proibido, afinal, já vimos acima que ele pode fazer parte de uma dieta saudável e equilibrada em quantidades moderadas. Mas podemos deixar esse suco para ocasiões pontuais, evitando incluir no dia a dia da criança.

Portanto, o que eu tenho recomendado na minha prática profissional é priorizar o consumo das frutas, ao invés do suco, e não oferecer para menores de 1 ano. Após o primeiro aniversário, não incluí-lo na rotina alimentar, embora não exista problema em oferecer quando a criança estiver em uma festa ou num almoço em um restaurante, ou eventualmente num café da manhã mais caprichado do final de semana, quando toda a família consegue sentar-se junta e com mais tempo à mesa.

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Referências

Brandon J. Auerbach; Fred M. Wolf; Abigail Hikida; Petra Vallila-Buchman; Alyson Littman; Douglas Thompson; Diana Louden; Daniel R. Taber; James Krieger. Fruit Juice and Change in BMI: A Meta-analysis. PEDIATRICS Volume 139, number 4, April 2017.

Cristina M. G. Monte1, Elsa R. J. Giugliani. Recomendações para alimentação complementar
da criança em aleitamento materno. Jornal de Pediatria – Vol. 80, Nº5(supl), pag. S131- S141, 2004.

Ministério da saúde. Guia alimentar para crianças menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica. Brasília – DF, 2013.

Quando e como oferecer carnes ao bebê? (BLW e participATIVA)

Por Nutricionista Clara Rodrigues

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Foto: Ana Quesada

No momento da introdução alimentar, muitas dúvidas surgem e a oferta de cárneos sempre gera muita insegurança. Quando posso oferecer carnes? Que carnes oferecer? Como preparar? Como cortar? Espero que esse texto ajude a sanar algumas dessas dúvidas.

A introdução de carnes na alimentação do bebê pode ser iniciada a partir dos 6 meses, junto com os outros alimentos. Muitas pessoas acham que as carnes precisam ser magras, mas não é necessário ter medo de optar por cortes de frango ou carne bovina que tenham mais gordura, pois os bebês têm uma necessidade proporcionalmente maior de gorduras do que o adulto.

Além disso, cortes mais gordurosos costumam ter uma textura menos seca, o que facilita a mastigação e deglutição, principalmente, no início da introdução alimentar. Músculo, acém, paleta, coxinha da asa, sobrecoxa, filé de peixe são ótimas opções para iniciar. As carnes de bode, carneiro, porco e rã (sim, rã!) também podem ser oferecidas, desde o início. Sempre lembrando que é de extrema importância verificar a procedência de qualquer tipo de carne, no momento da compra.

Cortar a carne no sentido transversal das fibras faz com que não se soltem fiapos longos e difíceis de engolir. Oferecer os cárneos no formato de almôndegas ou de hamburguinho (caseiro, claro) facilita para o bebê pegar com a mão, enquanto não tem o movimento de pinça desenvolvido. Misturar a carne triturada com legumes cozidos macios (como abóbora, cenoura ou batata) também pode ser uma opção para facilitar a deglutição, especialmente nos casos em que a carne tiver uma textura mais seca.

Como cortar a carne para oferecer ao bebê? #TaNaHoradoPapa #blwnobrasil #CursoAvançadoEmBLW

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À medida que o desenvolvimento do bebê atinge outros marcos, ele aprimora as habilidades motoras globais e orais e, mesmo alimentos mais secos, passam a ser mastigados e deglutidos sem dificuldade. Respeitar as etapas de desenvolvimento do bebê e adaptar a alimentação às habilidades adquiridas é essencial, tanto na introdução dos cárneos como nos outros grupos alimentares. Lembre-se: a meta é que até os 12 meses o bebê esteja comendo a comida da família.

 


Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal die.png

 


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Posso temperar a comida do bebê?

 

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A gente sabe que a alimentação dos bebês é cercada de regras e tabus, né? Entre os muitos mitos criados, está aquele relacionado ao sabor da comida que é oferecida na introdução alimentar. A ideia de que alguns temperos seriam muito fortes e, portanto, não poderiam ser adicionados na comida dos bebês é muito comum. E não deveria ser assim!

Além de não haver contraindicação de uso, os temperos naturais possuem uma infinidade de propriedades medicinais, agregam valor nutricional e ampliam a experiência sensorial da alimentação.

O bebê é uma página em branco também no que diz respeito ao paladar. Ele está descobrindo o mundo pela boca, ávido por todas as sensações que ela pode promover e o alimento é parte importante de todo esse aprendizado. Podemos ajudá-los a criar um paladar diversificado e aberto, basta dar oportunidade! Privar o bebê de sabores não é necessário. Eles podem e devem comer comida gostosa, refogada, temperada, com sabores variados, cores diversas!

 

“Mas e pimenta, também pode?”

Sim, podemos usar alguns tipos de pimenta que são mais aromáticas, com um poder de ardência menor, como a pimenta do reino ou a pimenta branca.  Sempre em bem pouca quantidade para que não provoque ardência, pois pode ser desagradável. Só não vale usar sal (em menores de um ano) e temperos industrializados, ok?! Aliás, os industrializados a gente sabe que não deveriam estar na alimentação de ninguém, nem dos adultos!

Mas eu sei também que muitas pessoas não possuem nenhuma prática com os temperos e encontram grande dificuldade em combiná-los! Então eu trago aqui uma lista de algumas ervas e especiarias com suas respectivas propriedades medicinais e nutricionais e algumas formas de utilização para que vocês passem a incluir na rotina da família de vocês. Usem sem medo, ousem, descubram vocês também suas combinações preferidas e ganhem sabor e saúde!

 

Assortment Of Fresh Herbs

Ervas frescas dão sabor e aroma especial aos alimentos!

LOURO

Muito conhecido pelo seu uso no feijão, também vai bem em ensopados, carnes assadas, guisados. É componente do Bouquet garni, uma combinação de ervas utilizada na gastronomia para dar sabor a caldos e sopa.

Como seu sabor é intenso, em geral uma folha de louro basta para conferir sabor. Deve ser adicionado no início do preparo, pois libera aromas bem lentamente. A folha deve ser retirada antes de servir.

Propriedades: favorece a digestão e a eliminação de gases. É antirreumático, interessante no tratamento de gripes e resfriados.

 

ALECRIM

Tem sabor pronunciado e deve ser usado com cautela para não sobressair muito no resultado do prato. Como suas folhas são duras, o ideal é retirá-las antes de servir. Além das folhas, ramos inteiros podem ser adicionados no preparo.

Combina com carne vermelha, frango, carne suína, carnes de caça e legumes assados, especialmente batatas. É usado em marinadas de carnes e frango.

Propriedades: melhora da memória, expectorante, ajuda em problemas respiratórios. Seu chá favorece a digestão.

 

MANJERICÃO

Muito conhecido por seu uso na culinária italiana, o manjericão é extremamente aromático e de sabor suave. Deve ser usado preferencialmente fresco e adicionado no final do preparo.

Complementa pratos que levam cebola, orégano, alho ou azeite. Combina muito com tomate, omeletes e é ingrediente principal do molho pesto.

Propriedades: diurético, melhora digestão, protege o fígado e é um bom antioxidante.

 

CEBOLINHA VERDE

Pertence à família do alho, cebola e alho-poró. Costuma acompanhar a salsa em diversos pratos, o famoso cheiro verde.

Cortada em pequenas rodelas para realçar o sabor, deve ser adicionada no final do preparo e é ótima para decoração de pratos. Pode ser usada em saladas, omelete, sopa, molhos, arroz.

Propriedades: rica em vitamina A, B3, e C e cálcio. Apresenta atividade antioxidante.

 

ACAFRÃO DA TERRA

É derivado de uma raiz de cor forte alaranjada, da mesma família do gengibre. Possui sabor forte e é muito pesquisado por suas propriedades terapêuticas. Normalmente é utilizado o pó, adicionado no final do preparo (assim suas propriedades são mais conservadas) em arroz, peixes, frutos do mar, frango, sopas e molhos.

A curcumina, um dos seus componentes ativos, é melhor ativada na presença de pimenta do reino, por isso é válido usar as duas especiarias juntas na preparação.

Propriedades: é rico em beta-caroteno, um precursor da vitamina A com efeito antioxidante. Possui forte ação anti-inflamatória. Contribui para redução do colesterol LDL e do triglicerídeo. Melhora a imunidade, tem ação anticancerígena e antioxidante. 1 colher de café ao dia é suficiente para redução dos marcadores de inflamação.

 

CANELA

Pode ser utilizada no preparo de alguns pratos salgados como guisados, carne moída, massas, purês, risotos e molhos. Mas aqui no Brasil costumamos usar em preparações doces. Para os bebês, pode ser adicionada na banana ou na maçã, por exemplo. Confere um sabor quente e acolhedor aos pratos.

Propriedades: contribui para regulação do metabolismo de açúcar, regularizando os níveis de açúcar no sangue. Possui ação antioxidante e anti-inflamatória.

 

GENGIBRE

Possui sabor picante e marcante. Pode servir para aromatizar carne ensopadas, peixes e frutos do mar, sucos, legumes, risotos.

Por ser uma raiz, utiliza-se em pequenas lascas, ralado ou em pó. Para que se mantenha o princípio ativo, o ideal é ralar na hora do preparo.

Propriedades: fonte de vitamina B3, B6 e C, magnésio, selênio e zinco. Possui ação antioxidante e anti-inflamatória importantes. Melhora a digestão, desempenho mental e auxilia na redução da fadiga.

 

Para utilizar na prática, a receita do clássico caldo de legumes que pode ser usado como base de diversos molhos, sopas e outros pratos que levem caldo:

 

CALDO DE LEGUMES CASEIRO

 

Ingredientes

– 2 cebolas picadas

– 2 cenouras pequenas picadas (ou 1 grande)

– 1 talo de salsão picado (aipo)

– Alho poró (parte verde – folha)

– 2 dentes de alho descascados

– 5 litros de água

– 1 bouquet garni (Louro, salsa, folha do alho poro e outras ervas de preferência)

 

Modo de preparo

Coloque os legumes na panela, acrescente a água e o bouquet garni. Deixe cozinhar sem ferver por 40 a 60 minutos. Aguarde esfriar, separe em potes de vidro ou forminhas de silicone e congele para utilizar em diferentes dias e tipos de preparação!

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

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Como a alimentação pode melhorar ou piorar a prisão de ventre?

 

Por Nutricionista Michelle Bento

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A prisão de ventre é uma queixa muito comum nos consultórios pediátricos e pode deixar os pais muito angustiados. Mas antes de falarmos de qualquer tipo de tratamento é preciso considerar que variações na consistência das fezes e frequência de evacuações em crianças é muito comum e não necessariamente essa mudança representa um problema. Essa alteração pode ser natural e/ou temporária e não causar nenhum mal. É esperado, por exemplo, que os bebês aos 4-6 meses evacuem menos vezes ao dia do que com 1 mês de vida e o padrão de evacuação de bebês que mamam leite materno é diferente daqueles que mamam fórmula.

Com o início da alimentação sólida as fezes vão começar a tomar mais forma, ficam mais consistentes e alguns passam por uma dificuldade momentânea na evacuação que diz respeito à adaptação à nova alimentação. Além disso, é comum que as crianças fiquem 2 ou 3 dias sem evacuar, mas com fezes macias e que não provocam nenhum incômodo. Portanto, é preciso que os pais estejam atentos não somente ao intervalo entre as evacuações, mas ao comportamento do bebê (bebês com constipação intestinal ficam mais irritados, pois podem sentir dor), se as fezes estão macias, pastosas ou ressecadas, no formato de pequenas bolinhas endurecidas e se o bebê faz força como se fosse fazer coco e não sai nada. Esses são alguns dos sinais de alerta.

A definição de constipação intestinal infantil segundo o critério de ROMA III inclui outras variáveis que não só a frequência de evacuação, justamente devido à grande variação normal que existe entre as crianças saudáveis. Para determinar que há constipação intestinal funcional, deve haver a presença de 2 ou mais dos seguintes sinais e com duração de pelo menos 1 mês em menores de 4 anos:

– Dois ou menos defecações por semana;

– Ao menos um episódio de incontinência fecal por semana (em crianças que já controlam o esfíncter);

– História de retenção excessiva de fezes (a criança parece segurar o coco, com medo de evacuar);

– História de dor para evacuar;

– Presença de bolo fecal no reto (deve ser avaliado pelo pediatra);

– História de fezes de grande diâmetro, que entopem o vaso sanitário.

Como a alimentação pode contribuir para evitar ou melhorar o problema?

Uma criança com dificuldade de evacuação pode estar ingerindo uma baixa quantidade de fibras.  Em bebês que estão começando a comer a ingestão de fibras será mesmo baixa, pois ainda se alimentam basicamente de leite. E em alguns pode ocorrer uma certa dificuldade na eliminação de fezes mais consistentes nas primeiras semanas que vão melhorando conforme o bebê for aumentando a ingestão de fibras. Mas vale lembrar mais uma vez que se o número de evacuações diminuiu, mas não existe nenhum outro sinal de alerta não é preciso se preocupar. Apenas observe como estará a consistência do coco quando ele o fizer. Agora se as evacuações estão menos frequentes e, além disso, o bebê tem irritabilidade, barriguinha distendida, faz força e não sai nada e as vezes estão ressecadas podemos tentar algumas mudanças na rotina para ajudar na eliminação do coco e evitar esse desconforto.

Na minha prática profissional não costumo fazer restrição de nenhum alimento, nem tão pouco sugerir que se use alimentos específicos diariamente para estimular a evacuação. Essa ideia de que alguns alimentos prendem e outros soltam vem da proporção de fibras solúveis e insolúveis que cada um deles possui. E na verdade cada uma tem o seu papel no funcionamento intestinal e, dentro de uma dieta equilibrada e variada, esses componentes vão se ajustando e não causam nenhum problema. Considero mais importante pensar na variedade de alimentos que essa criança recebe, avaliar se a hidratação está correta (e quanto mais fibra na alimentação, mais água é necessária) e usar alimentos mais ricos em gorduras saudáveis para ajudar na lubrificação, como o abacate, azeite e óleo de coco, por exemplo, que muitas vezes ficam esquecidos na alimentação das crianças pequenas. É bem comum que os pais recebam a orientação de cozinhar a comida do bebê com pouca ou nenhuma gordura, quando na verdade uma gordura de boa qualidade é fundamental.

Mas de qualquer forma cada criança e sua rotina devem ser avaliadas individualmente para que se identifique o que pode estar causando a dificuldade NAQUELA criança, no lugar de fazer orientações gerais e vagas que funcionariam como uma “fórmula” que todos podem e devem usar. Então, se seu filho (a) apresenta esse quadro vai ser muito mais eficaz e adequado procurar onde está a causa do problema (É fibra? É hidratação? A gordura está adequada? Tem alguma causa orgânica?) do que dizer que ele precisa  comer mais mamão e parar de comer bananas, certo?

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Bibliografia

UJJAL PODDAR. Approach to Constipation in Children. Indian Pediatrics, v. 53, p. 319-327, 2016.

CONALCO2017

Pode esquentar o azeite?

por Nutricionista Michelle Bento

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O óleo pode ser aquecido por diversos meios, mas o método mais avaliado nos estudos é a fritura. O aquecimento provoca reações químicas que modificam as propriedades das gorduras, reduzindo a quantidade de ácidos graxos polinsaturados. O ômega-3 e ômega-6, considerados mais saudáveis, se perdem na fritura sendo transformados em gordura trans, provocando formação de espuma, modificando o sabor, aumentando o teor de ácidos graxos livres e formando novas substâncias. A intensidade dessas reações depende das condições de fritura, do tempo, da temperatura e da composição do óleo utilizado.

O ponto de fumaça dos óleo e gorduras diz respeito à temperatura em que começam a produzir fumaça e a se degradar. Neste ponto o óleo começa a sofrer as diversas reações vistas acima e passam a produzir acroleína. Os óleos com maior presença de gordura saturada e monoinsaturadas e aqueles que contêm menor teor de ácidos graxos livres são os menos suscetíveis à oxidação e associados com menor taxa de formação de acroleína e acrilamida. É possível observar na tabela abaixo que óleo de gergelim e linhaça, considerados saudáveis por serem ricos em ômega-6 e ômega-3, possuem ponto de fumaça mais baixo e não são, portanto, recomendados para aquecimento, devendo ser usados crus.

 

Gordura Ponto de fumaça
Manteiga comum 177°C
Manteiga ghee 252°C
Canola 240°C
Algodão 216°C
Azeite de oliva virgem 216°C
Azeite de oliva extra virgem 190°C
Óleo de gergelim 177°C
Óleo de linhaça 107°C

Fonte: The Vegetarian Health Institute  

O reaproveitamento do óleo não é recomendado, pois durante o aquecimento se formam maiores quantidades ácidos graxos livres e consequentemente se reduz drasticamente o ponto de fumaça original, o que resultará em mais altas emissões de substâncias tóxicas em baixas temperaturas.

A acrilamida é uma substância tóxica, associada a maior risco de câncer, e produzida pelas reações que os óleos e gorduras sofrem com o aquecimento. A tabela abaixo mostra a concentração de acrilamida em diferentes óleos vegetais e gorduras animais após o tratamento térmico a 180°C por 30 minutos (Daniali, 2016).

 

Óleo Conteúdo de acrilamida (mcg/kg)
Soja 2447
Óleo de palma 1442
Girassol 1226
Gergelim 1139
Azeite de oliva 542
Milho 430
Banha de porco 366
Manteiga ghee 211

 

Lim e colaboradores, em 2014, compararam o grau de oxidação e formação de acrilamida na fritura de batata usando 4 tipos de óleo: girassol, coco, canola e palma. O óleo de palma teve a menor concentração de acrilamida quando comparado com óleo de soja e de canola. Nesse estudo eles não encontraram diferença entre o conteúdo de acrilamida no óleo de coco e no óleo de canola, apesar do óleo de coco ser saturado. Os autores apontam a presença de ácidos graxos livres em maior quantidade no óleo de coco extra virgem como causa para esse achado.

Nas tabelas acima notamos que o azeite de oliva possui um ponto de fumaça adequado, acima de 180°C (em um refogado a temperatura é menor e o tempo de cozimento mais rápido, tornando a degradação mais controlada). Além disso, a formação de acrilamida é baixa quando em comparação com óleos refinados usados com frequência para cozimento. A manteiga ghee (aquela que passa por processo de clarificação) também possui um ponto de fumaça adequado e a formação de acrilamida é ainda menor, entretanto é uma gordura saturada, cujo consumo deve ser limitado por estar associada ao aumento do colesterol e aumento da resistência à insulina quando consumida em doses mais altas. Já o azeite de oliva possui efeito antioxidante, ajuda na melhora pressão arterial e controle de glicemia, atua no controle do colesterol e auxilia na diminuição do colesterol ruim (LDL), provoca uma redução no declínio cognitivo relacionado à idade e ao Alzheimer, evita formação de trombos, sendo importante para prevenção de doenças cardiovasculares.

Mas apesar de todos os benefícios conhecidos do azeite, muita gente ainda tem dúvidas quanto ao seu uso para aquecimento por acreditar que perca suas propriedades e, pior, comece a se transformar em uma gordura maléfica. Pois bem! Um estudo de revisão feito por Nogueira-de-Almeida e colaboradores em 2015, bem recente, tem como conclusão que o azeite de oliva extra virgem:

“é o óleo mais adequado para uso na forma crua, devido ao melhor perfil de ácidos graxos e à presença de antioxidantes. Mesmo após aquecimento em condições de uso doméstico, ele não sofre mudanças significativas em seu perfil de ácidos graxos. Em especial, cabe salientar que praticamente não ocorre formação de ácidos graxos trans ou de ácidos graxos saturados. Após aquecimento em condições de uso doméstico, não se observa a formação de substâncias tóxicas e o azeite de oliva extra virgem mantém cerca de 80% das substâncias antioxidantes”.

Frente à todas essas evidências, eu continuo sugerindo o azeite de oliva como a melhor opção a ser usada no preparo dos alimentos que serão consumidos por bebês em introdução alimentar, mas também para crianças maiores e adultos.

E sempre ressaltando que, não importa o tipo de óleo usado, a fritura não deve ser utilizada com frequência e o óleo nunca deve ser reaproveitado.

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Referências bibliográficas

Poliana Cristina Mendonça Freire; Jorge Mancini-Filho; Tânia Aparecida Pinto de Castro Ferreira. Principais alterações físico-químicas em óleos e gorduras submetidos ao processo de fritura por imersão: regulamentação e efeitos na saúde. Revista de Nutrição. vol.26 no.3 Campinas May/June 2013

P.K. Lim, S. Jinap, M. Sanny, C.P. Tan, and A. Khatib. The Influence of Deep Frying Using Various Vegetable Oils on Acrylamide Formation in Sweet Potato (Ipomoea batatas L. Lam) Chips. Journal of Food Science. Vol. 79, Nr. 1, p. 115-121, 2014.

Daniali, G.; Jinap, S.;Hajeb, P.; Sanny, M.; Tan, C. P. Acrylamide formation in vegetable oils and animal fats during heat treatment. Food Chemistry 212 (2016) 244–249.

Carlos Alberto Nogueira-de-Almeida, Durval Ribas Filho, Elza Daniel de Mello, Graziela Melz, Ane Cristina Fayão Almeida. Azeite de Oliva e suas propriedades em preparações quentes: revisão da literatura. International Journal of Nutrology, v.8, n.2, p. 13-20, Mai / Ago 2015.

 

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É necessário adiantar a introdução alimentar se a mãe volta ao trabalho (aos 4 meses)?

por Michelle Bento, Nutricionista

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Já é amplamente conhecido que a atual recomendação dos principais órgãos de saúde mundiais é iniciar a alimentação sólida aos 6 meses de idade.

Na prática, ainda é muito frequente que se inicie antes disso, entre os 4 e 6 meses de idade. Às vezes devido ao retorno da mãe ao trabalho, que dificulta a manutenção da livre demanda, outras vezes por indicação do pediatra. Algumas famílias se mostram ansiosas para ver o bebê comer outros alimentos e acreditam que o mesmo já está pronto para receber comida sólida.

Então vamos entender agora quais são as vantagens em se manter o aleitamento exclusivo até o sexto mês e de que forma podemos organizar a rotina da dupla mãe-bebê para aumentar as chances de atingir essa meta.

É completo

O leite materno é naturalmente o primeiro de alimento de escolha para bebês, sendo capaz de fornecer toda energia e nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento adequados nos primeiros meses de vida. Além dos nutrientes adequados, o leite materno contém anticorpos que ajudam a proteger o bebê contra doenças comuns na infância, incluindo pneumonia e diarreia.

É prático

Verdade seja dita. É muito mais fácil e rápido oferecer o seio (ou até fazer a diluição da fórmula) do que se organizar – com um bebê pequeno e às vezes com mais outra(s) criança(s) mais velha(s)-  para preparar e oferecer a comida do bebê. O leite materno é um alimento completo, gratuito, livre de bactérias prejudiciais e pronto para consumo sempre que seu filho(a) precisar.

Reduz o risco de infecções

As evidências científicas mostram que não há nenhum benefício em fazer a introdução de alimentos complementares entre os 4 e 6 meses de idade. Em contrapartida, o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses diminui significativamente o risco de infecções gastrointestinais e doenças respiratórias, contribuindo para redução das taxas de mortalidade infantil, sem que haja nenhum déficit de crescimento. Mesmo no caso do aleitamento por fórmula, a manipulação para preparar a diluição do pó é bem menor do que para fazer o preparo da comida, sendo mais fácil fazer um controle higiênico afim de evitar uma toxinfecção alimentar.

Traz vantagens para a mãe

Aumentar o tempo de amamentação exclusiva também apresenta outras vantagens: contribui para recuperação do peso pré-gestacional, pode prolongar o tempo que a mãe permanece sem menstruar e vem havendo um aumento nas evidências de que o risco de desenvolver câncer de mama e ovários é menor em mulheres que amamentaram.

 

Tudo bem, já vimos que existem boas vantagens em manter o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses.

Mas concordamos que a realidade do mercado de trabalho não permite que boa parte das mães seja capaz de estar 100% disponível para aplicar a livre demanda e garantir a nutrição do bebê somente com leite materno até os 6 meses. Nesses casos, o que fazer?

A ordenha e armazenamento do leite pode ser realizada por aquelas mães que consigam retirar quantidades expressivas de leite através da bomba ou da ordenha manual.

 

Para aumentar o sucesso da ordenha, algumas dicas são importantes:

– Embora o Ministério da Saúde recomende que o leite materno não pasteurizado seja armazenado em freezer ou congelador por no máximo 15 dias, a ABM (The Academy of Breastfeeding Medicine) utiliza protocolos de tempo e temperatura seguros mais flexíveis, conforme quadro abaixo:

 

Local Temperatura Duração
Temperatura ambiente Até no máximo 25°C. acima disso, armazenamento em temperatura ambiente não é adequado. 6 a 8 horas
Refrigerador < 4°C. estoque o leite no fundo da geladeira, onde a temperatura é mais baixa. Até 5 dias
Freezer com compartimento localizado dentro do refrigerador

 

-15°C 2 semanas
Freezer com porta separada do refrigerador -18°C 3 a 6 meses

 

– Para fazer seu estoque antes da volta ao trabalho, procure fazer a ordenha em local tranquilo e sempre antes que o bebê venha ao seio, aumentando a chance de retirar quantidades expressivas de leite. Fazer a ordenha no primeiro horário da manhã costuma ajudar, uma vez que, em geral, o bebê mama menos na madrugada.

– Higienize as mãos e o local onde será realizada a ordenha e prenda os cabelos. Utilize recipientes de vidro com tampa plástica ou potes plásticos específicos para coleta de leite. Esse material deverá estar esterilizado.

– Se a mãe não conseguir retirar uma boa quantidade de leite através da ordenha, poderá tentar retirar o leite várias vezes no dia, juntando em um mesmo compartimento na geladeira. No final do dia, esse compartimento deve ser transferido para o congelador ou freezer.

– Os potes usados para armazenamento devem ser datados. Utilize sempre primeiro aquele que foi colhido antes.

– Caso haja um local disponível para ordenha e armazenamento no trabalho, o leite extraído na ausência do bebê poderá ser aproveitado. O ideal seria realizar de 2 a 4 ordenhas no período de ausência. No final do dia, o leite armazenado na geladeira ou freezer deverá ser imediatamente colocado em uma bolsa térmica com placas de gelo na lateral interna da bolsa. Esse leite deverá ser colocado no congelador ou freezer assim que chegar em casa.

-Caso não seja possível realizar a ordenha no trabalho, a mãe poderá tentar retirar leite assim que chegar em casa, antes que o bebê venha ao seio.

 

Oferta do leite materno

Preferencialmente, o leite ordenhado deverá ser oferecido ao bebê em copinho aberto ou copo de transição com bico rígido e sem válvula de controle de fluxo. O uso de mamadeiras é associado interrupção precoce do aleitamento materno, mesmo quando seu uso é iniciado após o estabelecimento da amamentação.

O leite deve ser transferido do congelador ou freezer para a geladeira com 12 horas de antecedência para fazer o descongelamento. Caso não seja possível, o leite pode ser retirado do freezer diretamente para ser aquecido, sendo descongelado no banho-maria.

Para aquecer ou descongelar o leite, aqueça a água em uma panela até ferver e desligue a chama do fogão. Coloque o recipiente com o leite dentro da água, agitando até que o leite seja reconstituído. O leite materno não deve ser fervido e nem aquecido em micro ondas. O leite descongelado não pode ser recongelado e o leite aquecido não poderá ser reaproveitado.

Na impossibilidade de fazer e manter a ordenha de leite materno, o melhor momento e a melhor forma para introdução dos alimentos sólidos deverá ser avaliada com um profissional de saúde capacitado.

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Referências bibliográficas

 WHO. The Optimal Duration of Exclusive Breastfeeding: A Systematic Review WHO/NHD/01.08 (2002)

WHO. Infant and young child feeding: model chapter for textbooks for medical students and allied health professionals. Geneva: World Health Organization; 2009.

Academy of Breastfeeding Medicine. (2004) Clinical Protocol Number #8: Human Milk Storage Information for Home Use for Healthy Full Term Infants. Princeton Junction, New Jersey: Academy of Breastfeeding Medicine.

 

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Recusa, controle e distúrbios alimentares: o efeito bola de neve

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A recusa alimentar atinge cerca de 25% de crianças em desenvolvimento normal. Essas recusas podem ser provocadas por uma combinação de fatores psicológicos, emocionais e sociais. Estudos que investigam as desordens alimentares em crianças avaliam componentes como a relação familiar, estrutura cultural, temperamento e desenvolvimento da criança, duração do aleitamento materno e práticas da introdução alimentar.

O hábito alimentar se forma a partir de experiências e práticas observadas dentro do âmbito familiar e social na primeira infância. Não surpreende então que a atitude dos pais em relação à comida e o tipo de abordagem dos pais no momento das refeições seja fator definitivo para o ciclo de recusa da criança.

Quando os pais criam expectativas e elas não são atendidas, um ambiente de  estresse pode ser gerado. Momentos de refeições infelizes e estressantes aumentam as chances de recusa. E vira uma bola de neve! Os pais se tornam mais ansiosos, mais exigentes, menos tolerantes e mais controladores. E pronto! Está instalado um distúrbio alimentar!

A recusa alimentar deve ser sempre avaliada em conjunto com o ganho de peso. E é muito comum essa queixa vir acompanhada de ganho de peso e desenvolvimento normais. Se o ganho de peso e o crescimento estão adequados e foi descartada uma causa orgânica (alergia alimentar, refluxo, problemas de deglutição etc), é preciso que a família entenda que cada criança tem o seu tempo e que a introdução alimentar é um evento a longo prazo.

Se a introdução alimentar for conduzida de maneira respeitosa, num ambiente tranquilo e de forma agradável, em algum momento aquele bebê vai despertar o interesse pela comida. E quando isso acontecer, sua relação com a comida será boa, haverá prazer em fazer as refeições.  Já o bebê que foi forçado a comer ou que teve sua comida batida e misturada no início da alimentação pode até aceitar nos primeiros meses, mas perde a oportunidade de conhecer os alimentos, experimentar texturas e sabores e, pior ainda, pode criar uma aversão ao alimento por conta do estresse gerado nas refeições.

Pensando em todas essas informações junto com a proposta do BLW, fica fácil entender porque algumas de suas vantagens incluem melhor relação com a comida, diminuição da seletividade alimentar, melhor qualidade da dieta, melhor controle de fome-saciedade. Entender que cada bebê tem seu tempo e deixá-los guiar o processo de transição do leite para a alimentação sólida, sem se preocupar com o ritmo ou quantidade, mas somente com a qualidade do que é oferecido possibilita uma introdução alimentar verdadeiramente respeitosa, tranquila, prazerosa.

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

 

Leia também:

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Bibliografia:

TAN, S.; YILMAZ, A. E.; KARABEL, M.; KARA, S.; ALDEMIR, S.; KARABEL, D. Children with food refusal: An assessment of parental eating attitudes and their styles of coping with stress. Journal of the Chinese Medical Association, v.75, s.5, p.209-215, 2012.

LEVY, Y.; LEVY, A.; ZANGEN, T.; KORNFELD, L.; DALAL, I.; SAMUEL, E.; BOAZ, M.; DAVID, N. B.; DUNITZ, M.; LEVINE, A. Diagnostic Clues for Identification of Nonorganic vs Organic Causes of Food Refusal and Poor Feeding. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, v. 48, p. 355-362, 2009.

 

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