O bebê está pronto para alimentos sólidos? (Sinais de prontidão)

 

Traduzido de Kellymom.com, por Aline Padovani*

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O que dizem os especialistas?

Profissionais da área  da saúde e especialistas em amamentação concordam que é melhor esperar até que seu bebê tenha cerca de seis meses antes de oferecer alimentos sólidos. A Academia Americana de Pediatria, a Organização Mundial de Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria e muitas outras organizações de saúde recomendam que os bebês sejam amamentados exclusivamente (sem cereais, suco ou outros alimentos) nos primeiros 6 meses de vida.

 

Leia mais: Por que esperar até os seis meses (ou muito próximo disso)?

 

Sinais de desenvolvimento que indicam que o bebê está pronto para sólidos

A prontidão para receber outros alimentos além do leite depende da maturidade do aparelho digestivo do bebê e da prontidão de desenvolvimento do bebê para os sólidos.

Embora a maturidade do sistema digestivo do bebê não seja algo que podemos facilmente observar, as pesquisas indicam que 6 meses parece ser o ideal para prevenir o aumento da ocorrência de algumas doenças e outros riscos para a saúde decorrentes da introdução alimentar precoce. Após este ponto, os bebês vão estar prontos para receber outros alimentos em diferentes momentos – é impossível determinar usando um calendário. A maioria dos bebês estará pronta, em termos de desenvolvimento, para receber sólidos em algum momento entre os 6 e 8 meses de vida do bebê.

 

Sinais que indicam que o bebê está preparado, em termos de desenvolvimento, para se alimentar de outros alimentos além do leite:

  • O bebê pode sentar-se bem sem apoio (ou com mínimo apoio).
  • O bebê perdeu o reflexo de protrusão da língua e não empurra automaticamente os sólidos para fora da boca com a língua.
  • O bebê está pronto e disposto a mastigar.
  • O bebê está desenvolvendo o movimento de pinça, começando a tentar pegar os alimentos ou outros objetos pinçando-os entre o polegar e o indicador. Usar os dedos para raspar e prender o alimento na palma da mão (preensão palmar) não substitui o desenvolvimento do movimento de pinça.
  • O bebê está ansioso para participar na hora das refeições e pode tentar agarrar comida e colocá-la em sua boca.

Muitas vezes afirmamos que um dos sinais de prontidão para os sólidos é quando o bebê exibe a longo prazo uma demanda aumentada para amamentar (por volta de 6 meses ou mais), que não estaria relacionada a doença, dentição, mudança de rotina, surto de crescimento ou salto de desenvolvimento. No entanto, pode ser difícil julgar se esse aumento de demanda de mamadas esteja apenas relacionado com a prontidão para os sólidos.

Muitos bebês de 6 meses de idade estão na fase da dentição, surtos de crescimento, começando a experimentar ansiedade de separação e experimentando muitas outras mudanças no desenvolvimento que podem levar ao aumento da amamentação – às vezes de uma só vez! Certifique-se de olhar para todos os sinais de prontidão como um todo, porque o aumento da amamentação por si só não é um guia preciso.

 

Mais sobre a prontidão de desenvolvimento …

Em abril de 2001, a Wellstart International e o Projeto LINKAGES publicaram uma revisão da literatura sobre “a prontidão do desenvolvimento de lactentes normais a termo, na transição do aleitamento materno exclusivo para a introdução de alimentos complementares”. Segundo os autores, “a revisão não se concentra nos resultados de saúde associados à interrupção da amamentação exclusiva em uma determinada idade, mas sim na prontidão biológica / de desenvolvimento para esta complexa experiência. Quatro processos ou funções foram selecionados para inclusão: gastrointestinal, imunológico, motor oral e os processos reprodutivos maternos que se relacionam com a continuação da lactação e fornecimento de leite materno“. Seguem algumas das conclusões desta revisão:

  • “Assim, a amamentação exclusiva por volta de seis meses permite que a criança tenha maior proteção imunológica e limite sua a exposição à patógenos em uma idade vulnerável. Isso, por sua vez, permite que a energia e os nutrientes que seriam desviados para fornecer respostas imunológicas, possam estar disponíveis para serem utilizados em outros processos de crescimento e desenvolvimento”
  • “Esses relatórios clínicos indicam que a maioria dos bebês normais a termo não estão prontos, em termos de desenvolvimento, para a transição da sucção do seio para a sucção em outros contextos, ou mesmo para conseguirem manejar alimentos semi-sólidos e sólidos, além de líquidos, até por volta dos 6 a 8 meses de idade”
  • “Usando a informação disponível sobre o desenvolvimento da função motora oral, da fisiologia reprodutiva materna e do desenvolvimento da função imunológica e gastrointestinal do bebê, a equipe de especialistas concluiu que a provável idade de prontidão para a maioria dos lactentes a termo para interromper o aleitamento materno exclusivo e iniciar alimentos complementares parece estar perto de seis meses, ou talvez um pouco além. Também sentiu que há provável convergência de tal prontidão através dos vários processos relevantes.”
  • “A opinião consensual do grupo de revisão de peritos foi que, dada a informação disponível e a ausência de evidências de danos significativos para mães normais ou infantes normais, não há razão para concluir que a amamentação exclusiva não deve continuar para seis meses”.

 

E sobre começar os sólidos após os 6 meses? Em que ponto o bebê precisa de nutrientes que não podem ser fornecidos apenas pelo leite materno?

A pesquisa médica nos diz que a amamentação exclusiva permite que os bebês cresçam e se desenvolvam com primor nos primeiros 6 meses.

Nas palavras da Organização Mundial de Saúde:

“A amamentação é uma maneira inigualável de fornecer o alimento ideal para o crescimento saudável e desenvolvimento de bebês … Uma revisão recente da evidência mostrou que, numa base populacional, a amamentação exclusiva por 6 meses é a melhor maneira de alimentar os bebês”.

Mas e se o bebê não está muito interessado nos sólidos aos seis meses?

Bebês que ainda não estão interessados em alimentos sólidos podem e vão crescer e se desenvolver apenas com o leite materno até os 9-12 meses ou mais tarde. Você pode ouvir as pessoas dizerem: “Alimentos antes de 1 ano é apenas por diversão” (“food until one is just for fun”), mas talvez isso deve ser alterado para “Alimentos antes de 1 ano é principalmente para diversão” (“food until one is mainly for fun”).

Enquanto seu bebê continuar a crescer e desenvolver como deveria, isso significa que o seu leite está atendendo bem suas necessidades. Algum tempo depois dos seis meses, no entanto, os bebês irão gradualmente começar a precisar de mais ferro e zinco do que aquele fornecido pelo leite materno sozinho.

Nesse ponto, nutrientes adicionais podem ser obtidos a partir de pequenas quantidades de sólidos. Se o seu bebê optar por continuar o aleitamento materno exclusivo, basta manter o olho no crescimento e no estado de ferro, continuar a vigiar o seu bebê para saber se está pronto para os sólidos e oferecer sólidos adequados para ele tentar – o bebê pode decidir se quer ou não comer.

Não importa quando o bebê começa alimentos sólidos, o leite materno deve constituir a maioria da nutrição do bebê até o final do primeiro ano.

 

E se o meu filho de 4 a 5 meses parece estar preparado para começar com os sólidos?

Bebês de quatro a cinco meses de idade, por vezes, estão muito ansiosos para participar na hora da refeição, mas isso não significa necessariamente que eles estão prontos para comer sólidosmais frequentemente é apenas o impulso normal de desenvolvimento para fazer o que todo mundo está fazendo. Estudos nos dizem que esperar por cerca de 6 meses para iniciar os sólidos traz muitas vantagens para a saúde de todos os bebês, não apenas dos bebês que ainda não estão interessados na hora das refeições.

Há uma série de coisas que você pode fazer para deixar o bebê participar nas refeições antes de iniciar os sólidos:

  • Deixe o bebê sentar com a família na hora da refeição – no colo, em um assento auxiliar ou no cadeirão.
  • Dê ao bebê um copo de água ou leite ordenhado. Seu bebê pode entreter-se na hora da refeição enquanto aprende a usar o copo. 30 – 80 ml de água no copo devem ser o bastante (frequentemente para o dia inteiro). Muitas mães escolhem usar apenas água ou uma pequena quantidade de leite materno para evitar desperdiçar o “ouro líquido” enquanto o bebê aprende a usar o copo.
  • Ofereça goles de água de seu copo ou canudo. Mesmo que o bebê não tenha descoberto como usar um canudo ainda, você pode colocar seu canudo na água, bloquear a ponta superior do canudo com o dedo para prender um pouco de água no canudo e, em seguida, deixe o bebê beber a água da extremidade inferior do canudo (desbloquear a extremidade superior, uma vez que está na boca do bebê).
  • Oferecer colheres de bebê, copos, tigelas e outros utensílios de alimentação para que o bebê possa manipular durante a hora das refeições.
  • Dê ao bebê um cubo de gelo (de tamanho e forma seguros para o bebê) ou gelo chips para brincar.
  • Ofereça ao bebê um “tetolé” (picolé de leite materno) ou uma “raspadinha” de leite materno para comer com uma colher.

 

Mitos sobre a prontidão para a introdução alimentar

Há muitos mitos e informações desatualizadas que pretendem dizer quando o bebê está pronto para sólidos.

MITO: O peso do bebê atingiu um número “mágico”

O bebê alcançar o número “x” de quilos, ou dobrar o peso do nascimento, (ou quanto seu bebê pesa) não o faz automaticamente pronto para os sólidos, especialmente se está abaixo dos 6 meses.

As recomendações da Organização Mundial da Saúde para iniciar sólidos aos 6 meses ou mais tarde não tem exceções para bebês que pesam mais. A pesquisa feita sobre os benefícios de iniciar os sólidos aos 6 meses são para todos os bebês, não importa o seu peso.

São a maturidade do trato digestivo e o desenvolvimento neuropsicomotor do bebê que fazem a diferença, não o peso do bebê.

É bastante interessante notar que as mães escutam que devem começar os sólidos precocemente não só quando os bebês são grandes, mas também quando eles são pequenos. Não é mesmo incomum ouvir argumentos opostos, para ambos os lados, vindos da mesma pessoa!

 

MITO: O bebê é grande, portanto precisa começar a introdução alimentar

Quando têm um bebê grande, as mães ouvem diferentes razões para dar comida aos bebês precocemente.

Alguns dizem que, se o bebê é grande, a mãe não será capaz produzir leite suficiente para satisfazer o bebê. Isso é completamente falso – quase todas as mães têm a capacidade de produzir leite suficiente para amamentar exclusivamente gêmeos e até trigêmeos. Se você permitir, seu corpo fará bastante leite para seu bebê.

Além disso, as pesquisas mostram que os bebês amamentados exclusivamente não aumentam a quantidade de leite que bebem depois das 4 primeiras semanas. Então, após o primeiro mês, a entrada do leite permanece constante até algum tempo após seis meses (com exceção de períodos temporários de maior apetite), quando o bebê começa a comer alimentos mais sólidos e diminuir a ingestão de leite.

Outras mães ouvem que o bebê está comendo demais, de modo que a mãe deve reduzir a ingestão do bebê limitando a amamentação e / ou começando a introdução alimentar. Não há absolutamente nenhuma evidência de que um bebê grande e amamentado se tornará uma criança ou adulto grande. Além disso, limitar as mamadas pode ser bastante perigoso para um bebê, já que ele precisa de nutrientes e gorduras provenientes do leite para o seu adequado crescimento e desenvolvimento. Leia mais aqui (em inglês).

 

MITO: O bebê é pequeno, portanto precisa começar a introdução alimentar

Outra razão muitas vezes dada para iniciar a alimentação é porque o bebê é pequeno. Eu realmente não vejo o sentido nisto. Mililitro para mililitro, o leite materno tem mais calorias do que a maioria dos alimentos sólidos feitos para bebês e significativamente mais nutrientes do que qualquer tipo de alimento sólido que você pode alimentar seu bebê.

Estudos têm demonstrado que, para bebês menores de seis meses, os sólidos tendem a substituir o leite materno na dieta de um bebê – e não aumentam a ingestão total do bebê (OMS 2003, Cohen 1994, Dewey 1999). Assim, no geral, os sólidos iniciais provavelmente reduzirão (em vez de aumentar) a quantidade de leite e calorias que seu bebê está recebendo. Uma das primeiras recomendações para um bebê que genuinamente tem ganho de peso lento é diminuir ou eliminar alimentos sólidos e amamentar com mais frequência.

 

MITO: O bebê precisa começar a introdução alimentar porque não há ferro suficiente no leite materno.

Outra razão dada para a inciar a oferta de alimentos é a “falta de ferro no leite materno”. O leite materno tem níveis mais baixos de ferro do que a fórmula, mas o ferro no leite materno é mais facilmente absorvido pelo intestino do bebê do que o ferro na fórmula.

Além disso, bebês alimentados com fórmula tendem a perder ferro através de fissuras que se desenvolvem em seus intestinos como resultado de danos causados pelo leite de vaca.

Bebês amamentados não perdem esse ferro. Em algum ponto, após os primeiros 6 meses (e mais tarde, no primeiro ano, para muitos bebês), os bebês precisarão de uma fonte adicional de ferro além do leite materno. Isto pode mais frequentemente ser obtido através de pequenas quantidades de alimento sólido. Leia mais aqui (em inglês).

 

MITO: O bebê precisa de sólidos para que ele possa dormir mais à noite.

A crença popular de que a alimentação sólidos durante a noite vai ajudar o sono do bebê durante a noite não tem nenhuma base de fato. Leia mais aqui (em inglês).

 


*Artigo traduzido sob autorização expressa da autora.

Atualizado em 19 de dezembro de 2016

Link original: http://kellymom.com/ages/older-infant/delay-solids/

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O bebê está pronto para a introdução alimentar? (O que dizem as pesquisas)

Traduzido de Kellymom.com, por Aline Padovani*

(atualizado em Janeiro 17)

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Profissionais da saúde e especialistas em amamentação concordam que é melhor esperar até que seu bebê tenha por volta de seis meses antes de oferecer qualquer alimento que não seja o leite materno.

 

Há uma grande quantidade de pesquisas sobre o assunto, e a maioria das organizações de saúde atualizaram suas recomendações para concordar com os resultados das pesquisas atuais. Infelizmente, muitos profissionais da saúde e materiais de apoio não estão atualizados no que eles estão aconselhando os pais.

A seguir estão apenas algumas das organizações que recomendam que todos os bebês sejam amamentados exclusivamente (sem cereais, suco ou qualquer outro alimento) durante os primeiros 6 meses de vida (não nos primeiros 4-6 meses):

 

A maioria dos bebês vai estar fisiologicamente pronto para comer alimentos sólidos entre 6 e 8 meses de idade.

 

Por que esperar até 6 meses para oferecer outros alimentos além do leite?

Embora muitas das razões listadas aqui assumam que o esteja bebê sendo alimentado apenas com leite materno, os especialistas geralmente recomendam que os sólidos sejam adiados para bebês alimentados com fórmula também.

 

O bebê terá maior proteção contra doenças.

Embora as crianças continuem recebendo muitos anticorpos do leite materno enquanto amamentadas, a maior imunidade ocorre enquanto o bebê é amamentado exclusivamente.

O leite materno contém mais de 50 fatores imunológicos conhecidos e também facilita o desenvolvimento de “boas bactérias”, que protegem o intestino do bebê. Estudos têm demonstrado que muitas doenças e condições são menos prováveis de ocorrer quando o bebê recebe qualquer quantidade de leite materno. A amamentação exclusiva durante pelo menos 3-4 meses (em comparação com a amamentação não exclusiva) diminui ainda mais o risco de infecções do trato respiratório, infecções de ouvido, enterocolite necrosante (NEC), síndrome de morte súbita do lactente (SIDS), doença alérgica, doença celíaca e Diabetes tipo 1. Amamentação exclusiva durante 6 meses (em comparação com 4-6 meses), diminui ainda mais o risco de infecção gastrointestinal e infecção respiratória. (AAP 2012, Naylor & Morrow, 2001)

 

Sistema digestivo do bebê terá tempo para amadurecer.

Quando os sólidos são iniciados antes que o sistema do bebê esteja pronto para lidar com eles, eles são mal digeridos e podem causar reações desagradáveis (mal-estar digestivo, gases, constipação, etc.). A digestão de gorduras, proteínas e carboidratos complexos é incompleta na infância, mas o leite humano contém enzimas que ajudam a digestão eficiente (Naylor & Morrow 2001).

Além disso, desde o nascimento até algum lugar entre os quatro e seis meses de idade, os bebês possuem o que é muitas vezes chamado de “intestino aberto”. Isto significa que os espaços entre as células do intestino delgado permitirão prontamente macromoléculas intactas, incluindo proteínas inteiras e agentes patogênicos, dando passagem direta para a corrente sanguínea.

Isso é ótimo para o bebê amamentado, pois permite que anticorpos benéficos no leite materno passem mais diretamente para a corrente sanguínea do bebê. Por outro lado, também significa que grandes proteínas de outros alimentos (que podem predispor o bebê a alergias) e patógenos causadores de doenças podem passar direto também.

Durante os primeiros 4-6 meses do bebê, enquanto o intestino ainda é “aberto”, os anticorpos (IgA) do leite materno formam uma camada protetora do sistema digestivo do bebê, fornecendo imunidade passiva e reduzindo a probabilidade de doenças e reações alérgicas antes que o fechamento intestinal ocorra. O bebê começa produzir estes anticorpos por si próprios por volta dos 6 meses, e o fechamento do intestino deve ter ocorrido por este tempo também.

 

O bebê estará pronto para comer alimentos que não são líquidos.

Uma revisão feita por Naylor & Morrow (2001) concluiu: “As pesquisas clínicas indicam que a maioria dos bebês normais a termo não está pronta, em termos de desenvolvimento, para a transição do sugar para sorver e/ou para a ingestão de semi-sólidos e sólidos até por volta de seis e oito meses de idade”.

 

Bebê terá um menor risco de obesidade no futuro.

A introdução precoce de sólidos na infância está associada ao aumento da gordura corporal e do peso em adolescentes e adultos. (AAP 2012, Wilson 1998, von Kries 1999, Kalies 2005)

 

A introdução alimentar será mais fácil.

Bebês que começam sólidos mais tarde podem se auto-alimentar.

 

O bebê pode ter mais proteção contra anemia ferropriva.

A introdução de suplementos de ferro e alimentos fortificados com ferro, particularmente durante os primeiros seis meses, reduz a eficiência da absorção do ferro do bebê. Em um estudo de bebês saudáveis, a termo (Pisacane, 1995), os pesquisadores concluíram que bebês que foram amamentados exclusivamente por 7 meses (e não foram dar suplementos de ferro ou cereais fortificados com ferro) apresentaram níveis de hemoglobina significativamente maiores ao ano do que bebês amamentados que receberam alimentos sólidos antes de sete meses.

Os pesquisadores não encontraram casos de anemia no primeiro ano em bebês amamentados exclusivamente por sete meses e concluíram que a amamentação exclusivamente por sete meses reduz o risco de anemia. Veja mais sobre o assunto (em inglês) aqui .

 

A mãe manterá mais facilmente sua produção de leite.

Os estudos mostraram que, para bebês abaixo de seis meses, a comida tende a substituir o leite materno na dieta – ao invés de apenas complementar a ingestão total diária (WHO 2003, Cohen 1994, Dewey 1999). Quanto mais comida o bebê come, menos leite ele tira da mãe, e menos leite tirado da mãe significa menos produção de leite. Bebês que comem muita comida ou que começam a comer precocemente tendem a desmamar prematuramente.

 

É menos provável que a mãe fique grávida.

O aleitamento materno é mais eficaz na prevenção da gravidez quando o bebê é exclusivamente amamentado e todas as suas necessidades nutricionais e de sucção não nutritiva são satisfeitas no peito (Não acredita nisso? – é fortemente apoiado pela pesquisa – veja Breastfeeding and Fertility para mais informações em inglês).

As mães que amamentam exclusivamente durante 6 meses versus 4 meses têm uma duração maior da amenorréia lactacional (a infertilidade natural pós-parto que ocorre quando uma mulher não está menstruada devido à amamentação).

 

A mãe pode perder mais rápido os quilos extras da gestação

As mães que amamentam exclusivamente seus bebês por 6 meses (em comparação a 4 meses) têm uma perda de peso pós-parto mais rápida (Kramer & Kakuma, 2012).

 

Você já ouviu falar que os alimentos devem ser introduzidos na dieta infantil entre 4 e 6 meses para reduzir o risco de desenvolver alergia, doença celíaca ou diabetes mellitus tipo 1?

As evidências atuais têm sido revisadas por várias autoridades e a conclusão foi de que não existem provas suficientes para apoiar a introdução de glúten (ou outros alimentos sólidos) na dieta infantil antes de 6 meses.

  • Kramer MS, Kakuma R. Optimal duration of exclusive breastfeeding. Cochrane Database of Systematic Reviews 2012, Issue 8. Art. No.: CD003517. DOI: 10.1002/14651858.CD003517.pub2.
    “Embora as crianças ainda devam ser avaliadas individualmente, para que um crescimento insuficiente ou outros desfechos adversos não sejam ignorados, e para que as intervenções apropriadas sejam fornecidas, as evidências disponíveis não demonstram riscos aparentes em recomendar, como política geral, o aleitamento materno exclusivo para os primeiros seis meses de vida, tanto em desenvolvimento como em países desenvolvidos”.
  • American Academy of Pediatrics, Section on Breastfeeding. Breastfeeding and the Use of Human Milk. Pediatrics. 2012;129(3):e827-41.
    “No geral, há uma associação entre o aumento da duração da amamentação e redução do risco de doença celíaca, quando medida a presença de anticorpos celíacos. O fator de proteção crítico parece não ser o momento da exposição ao glúten, mas a sobreposição da amamentação no momento da ingestão inicial de glúten. Assim, os alimentos contendo glúten devem ser introduzidos enquanto o bebê está recebendo apenas leite materno e não fórmulas para lactentes ou outros produtos lácteos bovinos “.
  • SACN/COT statement on the timing of the introduction of gluten into the infant diet – March 2011.
    O SACN (Scientific Advisory Committee on Nutrition) e o COT (Committee on Toxicity of Chemicals in Food, Consumer Products and the Environment) no Reino Unido concluíram: “As evidências atualmente disponíveis sobre o momento da introdução do glúten na dieta infantil e o subsequente risco de Doença celíaca e T1DM (diabetes mellitus tipo 1) são insuficientes para apoiar recomendações sobre o momento adequado de introdução de glúten na dieta infantil após os 3 meses completos de idade, quer para a população em geral ou sub-populações de alto risco.”
  • UNICEF UK response to media reports questioning the recommendation to introduce solid food to babies at 6 months (2011)
    “Garantir que a mãe não é anêmica e que o corte do cordão umbilical foi feito posteriormente irá, por sua vez, garantir que o próprio bebê armazene ferro no corpo, e o leite materno irá fornecer ferro suficiente para mais de 6 meses. A maioria dos alimentos comumente introduzidos aos bebês nos primeiros meses, tais como cereais, frutas e legumes são baixos em ferro e, portanto, não ajudam a prevenir a anemia. E o pior, se introduzidos antes do bebê precisar, os alimentos acabam por retirar uma quantidade de leite materno da dieta do bebê, o que pode, por consequência, reduzir a quantidade de ferro consumido. A incidência de alergia alimentar genuína (em oposição à intolerância alimentar) é rara. Há especulação e alguns dados observacionais que, quando há uma história familiar de alergia verdadeira, em seguida, a introdução precoce de certos alimentos pode ser benéfico. Estudos randomizados estão sendo realizados para testar esta teoria. Se isto for o caso (o que não é de forma alguma certo), então as famílias de alto risco teriam de ser aconselhadas caso a caso. Isso não afetaria a política pública aplicada à maioria das crianças não afetadas por alergias “.

 

Informações Adicionais e Referências

  • Sleisenger & Fordtran. Gastrointestinal and Liver Disease, 6th ed. W. B. Saunders Company (1998): p. 1495-1497.
  • Pisacane A, et al. Iron status in breast-fed infants. J Pediatr 1995 Sep;127(3):429-31.

 

Comparações entre diferentes tempos de duração da amamentação exclusiva:

  • Kramer MS, Kakuma R. The optimal duration of exclusive breastfeeding: a systematic review. Adv Exp Med Biol. 2004;554:63-77.
    Do resumo: Os lactentes amamentados exclusivamente por 6 meses tem menor morbidade por infecção do trato gastrointestinal do que os lactentes amamentados a partir dos 3 ou 4 meses de idade. Nenhum déficit foi demonstrado no crescimento entre as crianças amamentadas exclusivamente por 6 meses ou mais, em países em desenvolvimento ou desenvolvidos. Além disso, as mães desses bebês têm uma amenorréia de lactação mais prolongada e uma perda de peso mais rápida no pós-parto. Com base nos resultados desta revisão, a Assembleia Mundial da Saúde aprovou uma resolução para recomendar o aleitamento materno exclusivo durante 6 meses aos seus países membros.
  • Onayade AA, Abiona TC, Abayomi IO, Makanjuola RO. The first six month growth and illness of exclusively and non-exclusively breast-fed infants in Nigeria. East Afr Med J. 2004 Mar;81(3):146-53.
    CONCLUSÃO: Conclui-se que o aleitamento materno exclusivo apoiou um crescimento adequado nos primeiros seis meses de vida da maioria dos lactentes estudados. A introdução precoce de alimentos complementares não proporcionou nenhuma vantagem em termos de ganho de peso em nosso ambiente, mas foi freqüentemente associada com episódios de doença e crescimento vacilante. No entanto, muitas mães precisam de apoio, encorajamento e acesso aos prestadores de cuidados de saúde para amamentar exclusivamente durante os primeiros seis meses de vida.
  • Kramer MS, Kakuma R. Optimal duration of exclusive breastfeeding. Cochrane Database Syst Rev. 2002;(1):CD003517.
    (Compara a introdução de sólidos aos 3-4 meses vs. 6 meses). Das conclusões do revisor: “Os bebês amamentados exclusivamente durante seis meses experimentam menos morbidade por infecção gastrointestinal do que aqueles amamentados de forma mista a partir de três ou quatro meses. Não foram demonstrados déficits no crescimento entre crianças amamentadas exclusivamente por seis meses ou mais, de países em desenvolvimento ou desenvolvidos. Além disso, as mães desses bebês têm uma amenorréia de lactação mais prolongada. “

 


*Artigo traduzido sob autorização expressa da autora.

Link original: http://kellymom.com/ages/older-infant/delay-solids/

 

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O bebê precisa conseguir sentar para comer sólidos?

Vc já se perguntou o porquê existe essa “regra” de fazer BLW somente após sentar sem apoio?

Acompanhar o desenvolvimento dos meus filhos tem sido um aprendizado imenso e muito me remete ao que eu ensino no Curso Avançado em BLW.

Enquanto escrevo esse post, Joaquim está com 4 meses e meio. Hoje virou de bruços pela primeira vez. Ele senta 1 ou 2 segundos sem apoio, mas rapidamente cai pra frente ou para os lados. Sustenta bem a cabeça, mas ela sempre tende a ir fletida em direção às mãos, que levam tudo à boca, agora com muito mais rapidez e voracidade, mordendo e mastigando, ainda em um padrão vertical, mas com muita força e vontade.

Mas apesar do interesse, dos olhos vidrados na nossa comida, as mãozinhas curiosas, a mordida forte…

…É nítido como ainda falta equilíbrio, e por isso há muita desorganização e descontrole corporal. 

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BabyQuim (4,5m) cai pra frente e pros lados quando colocado na posição sentada. Nessa fase, seus braços e mãos ainda ensaiam um suporte.

Dessa forma, ainda não existe  um eixo central no qual ele possa se apoiar para então poder movimentar os braços e mãos livremente. Gastar todas as suas energias e esforços apenas com os movimentos mão-boca-mordida-mastigação-deglutição.

E todos esses movimentos, sequenciais e organizados, são essenciais pra segurança durante a aprendizagem sensório-motora na alimentação.

>> Segurança = Diminuição do Risco de Engasgo! <<

Para você entender melhor: imagine uma bola enorme. Uma cadeira em cima dessa bola. Você, sentado nessa cadeira. Seu corpo balanceia, para um lado e para outro, tentando se equilibrar.

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Fonte: Instagram

Como seria mastigar nessa situação? Será que tenho condições de ter atenção plena à energia e controle oral requerido para mastigar e engolir coordenadamente sem engasgar?

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Antes de sentar sem apoio, o bebê usa os braços e mãos como suporte para mantê-lo nesta posição. Isso já exige um esforço enorme, que concorre com as habilidades necessárias para a auto-alimentação.

Um bebê que ainda não senta sem apoio encontra-se nesse dilema.

Ou ele garante equilíbrio ou fica o tempo todo tombando para os lados, continuamente dispendendo energia para garantir que seu eixo lhe dê o suporte para conseguir se alimentar.

A maioria dos bebês começa a sentar sem apoio muito próximo aos 6 meses. Alguns um pouco antes, alguns um pouco depois. E esse tempo, veja só, coincide com o período indicado para a introdução dos sólidos. Nessa fase, indicam as pesquisas na área, o bebê já tem condições oro-gastro-intestinais de receber outros alimentos além do leite materno.

A natureza não é mesmo perfeita? 🙂

Dica #1: Se o seu bebê já fez 6 meses e só senta com apoio, você pode certamente garantir que ele permaneça bem posicionado pra se concentrar no momento da refeição. Faça rolinhos com toalhas, use travesseiros ou almofadas, coloque-o no seu colo. Dê o eixo para que as mãos e todas as estruturas orais fiquem livres para trabalhar! Mas ATENÇÃO: encare isso como uma OPORTUNIDADE, e não como uma necessidade. 

Dica #2: Se o seu bebê tem algum atraso no desenvolvimento, é necessário avaliar individualmente! Dentre os profissionais que podem te auxiliar após uma avaliação estão o Fonoaudiólogo e o Terapeuta Ocupacional!

Então por enquanto BabyQuim participa conosco olhando tudo cheio de curiosidade e excitação! E continuamos observando seus sinais de prontidão para se auto-alimentar! ❤

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O BLW não deu certo comigo

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Seja através do Blog, ou do grupo de alunos do Curso Avançado em BLW, é muito comum que essa queixa chegue em mim. “O BLW não está dando certo”, ou “meu bebê não se interessa pela comida”, ou “meu bebê não come nada pelo método BLW”, entre outras, são variações da mesma queixa. E é sobre isso que vamos falar hoje.

Então você se depara, se interessa e aprende sobre o ‘método‘ BLW. Aprende todos os formatos de alimentos, sabe cortar, fazer bolinhos. Compra um cadeirão lindo, um babador estilosão, um cartão de memória maior pra tirar um montão de fotos, pega dezenas de receitinhas deliciosas e saudáveis… E o bebê simplesmente não toca na comida. Ou põe na boca e cospe. Ou pega e joga longe. É muito frustrante…

Sim, é extremamente frustrante – e te digo isso como alguém que sentiu isso na pele e que talvez esteja escrevendo esse post pra se lembrar, quando sentir isso novamente em alguns meses, com a introdução alimentar do segundinho. Mas apesar de ter estudado muito sobre COMO se faz o BLW, talvez você tenha deixado adormecido uma das coisas mais importantes, que é o PORQUE resolveu fazer o BLW.

Um paradigma não se constrói de um dia pro outro. De fato, é construído por anos a fio, e lhe são atribuídas verdades muitas vezes difíceis de serem postas a prova, contrariadas, ainda que pelo mais alternativo e diferentão dos seres. E o que quero dizer com isso é que o paradigma da alimentação infantil vem sendo lapidado há décadas com base em datas, horários e quantidades que o bebê precisa ingerir. E, ainda que falem em qualidade, as pesquisas na área são intensamente focadas na quantidade dessa qualidade. Incluindo, veja só, as pesquisas em BLW.

TODOS querem saber se o bebê ingere a quantidade de nutrientes suficiente pra atingir as metas estabelecidas pelas milhares de pesquisas que determinaram o quanto de cada porção e de cada nutriente um bebê deveria ingerir. 

Então levando-se em consideração esse paradigma, sim, o BLW não deu certo com você. Mas a partir do momento que você internaliza que você não está seguindo uma introdução alimentar padrão e que BLW não é sobre regras, métodos ou fórmulas mirabolantes de fazer um bebê comer melhor e não ser seletivo, você pode ter certeza que a coisa vai fluir. Não só vai fluir como vai ser muito menos estressante pra você e, acredite, pro bebê.

Então vou te dizer uma coisa muito importante. Seu bebê está próximo ou completou seis meses e já está sentando com pouco ou mínimo apoio? Esqueça os cortes, bolinhos, babadores, cadeirões e apetrechos sem fim. Leve o bebê à mesa com você. SEM EXPECTATIVA.

Não crie expectativas. Essa é o primeiro lembrete de ouro da introdução alimentar, independente da abordagem que você pretende seguir. 

Se vcs já estão em andamento e o bebê com 7, 8, 9 meses ainda não está comendo como o bebê do vizinho ou da blogueira, internalize e reflita sobre mais um conceito do BLW: PRONTIDÃO. BLW é sobre dar tempo ao desenvolvimento. É sobre não comparar. Entender que existem bebês prontos aos 5 meses e meio e bebês que só deslancham a comer depois de 1 ano de idade – independente de todo o esforço que você faça. E, se você comparar com bebês que comem papinha, aí a frustração só piora, porque dificilmente eles vão seguir o mesmo padrão no início da introdução alimentar.

Bebês que comem passivamente comem MAIS – e esse nunca foi o objetivo do BLW. Para que o bebê seja capaz de manipular os alimentos com suas habilidades motoras em desenvolvimento, os alimentos são dispostos em seu formato íntegro, e não em purê ou amassados. Isso significa que esses alimentos terão que ser manipulados, mastigados e deglutidos – o que é absolutamente esperado que se faça durante a alimentação.

Então, pra ficar mais fácil, vamos nos colocar no lugar do bebê. Quando você bebe um suco de frutas natural: 250 ml de suco de laranja tem em média 2 a 3 laranjas. Você está ingerindo 2 a 3 laranjas em, vamos dizer, no máximo 5 minutos? Tempo diferente você levaria para pegar 2 ou 3 laranjas, descascar, morder, tirar o suco com os dentes, manejar dentro da boca e engolir cada uma delas. Muitas pessoas ainda amam mastigar todo o bagaço, deixando só a parte branquinha para o lixo. Aproveitamento total, maior tempo dispendido, maior saciedade. Talvez seja por isso que não comemos 2 ou 3 laranjas de uma só vez?

Entender que você está comparando duas situações que são completamente diferentes vai te dar muito mais tranquilidade pra observar o SEU bebê – e não o bebê da vizinha. 

O BLW também permite que o bebê que demonstre, intuitivamente, o que ele precisa comer. Isso significa que podem ter semanas (sim, SEMANAS) que ele só aceite as proteínas. Ou os vegetais. Ou as frutas. Ou os carboidratos. E nós ainda não temos pesquisas suficientes que nos mostrem que o melhor caminho é permitir com que eles fiquem livres pra escolher, intuitivamente, o que tem vontade ou necessidade de comer. Mas eu posso com muita convicção te afirmar que eles não estão de dieta ou conscientemente pensando: “hmmm só vou comer os carboidratos essa semana”. Ou “eu não gosto de verdinhos”. O estágio cognitivo não lhes permite isso.

Durante a introdução alimentar, existe uma série de fatores inerentes ao próprio crescimento e desenvolvimento que podem fazer com que essas “preferências” apareçam e da mesma forma desapareçam, como se nada tivesse acontecido. No momento em que escrevo esse texto, meu filho está prestes a completar 3 anos e já passou por inúmeras destas fases. Recusou banana durante todo seu primeiro ano, durante o estirão de crescimento do segundo ano de vida chegou a pedir 3 bananas e comer de uma vez e hoje, no terceiro ano de vida, pega a banana da fruteira e come quando tem vontade, não mais do que 1 banana por vez.

Deixar com que o bebê dite o ritmo e o caminho pode ser extremamente natural se vc tem um pequeno glutão em casa. Se o seu bebê aceita tudo desde o princípio, é bem provável que você nunca tenha se questionado sobre o BLW. Mas a maioria dos bebês não são assim.

A maioria dos bebês demora a engatar a comer uma quantidade que seja suficiente pra nós, dentro do paradigma de alimentação infantil ao qual estamos habituados. E o BLW deixa isso muito perceptível.

E isso pode se transformar em um pesadelo, se a gente cria a expectativa de que o bebê precisa a qualquer custo comer uma quantidade pré-determinada. Se a gente começar a comparar bebês em BLW entre si, vamos perceber que a maioria começa a mastigar e engolir melhor aos 8-9 meses, coincidentemente quando há uma melhora expressiva da coordenação motora global e oral. Natural e conforme o esperado para o desenvolvimento. E BLW não era exatamente sobre isso? 

E então passa-se o tempo, o bebê já come bem, sozinho, com as mãos. Eu começo a tentar treiná-lo. Treinar a aceitação do prato ou o manejo o talher. Treinar a pinça, treinar o copo, treinar, treinar… “Mas não está dando certo… bem que me disseram que ele ia comer com a mão pra sempre“. Calma. Respire fundo e lembre-se de novo que BLW não é sobre treino, mas sobre… OPORTUNIDADE!

Prontidão não se refere somente aos grandes marcos do desenvolvimento infantil, como sentar, andar e falar. Envolve também mínimas coisas, como levar um objeto à boca, morder, equilibrar um talher com comida, compreender frases simples e por aí vai.

Todas as pequenas e grandes aquisições psicomotoras demandam oportunidades pra serem  desenvolvidas, mas independem do nosso poder de persuasão. 

Então o cerne não é ensinar, treinar ou esperar que ele se desenvolva mais rápido. Mas sim dar tempo e oportunidade para que se desenvolva no tempo certo. No tempo do SEU bebê. Reforce o conceito e não crie expectativas quanto ao que seu bebê já apresenta ou deixa de apresentar. BLW não é sobre ser o bebê mais desenvolvido do pedaço. É sobre um bebê que tem total autonomia para poder se desenvolver naturalmente, dentro de um ambiente repleto de oportunidades sensório-motoras. BLW é sobre comer o que se tem vontade, se é que se tem vontade.

Ao escolher o BLW, eu imagino que você tenha enfrentado alguma resistência externa, seja pela sua família, amigos, pediatra… Alguém por aí deve ter feito vc duvidar se era isso mesmo que você queria. E o tempo passa, o bebê da ‘vizinha’ come, o bebê da blogueira come, todo mundo come, menos o seu bebê. E aí, a cobrança externa começa a pesar nas suas decisões. Volta a ansiedade, volta a expectativa e volta a frustração. Pra isso, o santo remédio se chama AUTO-PODER. Lembra do tal empoderamento? Pois é. Faça suas escolhas tranquilas, de coração aberto. E não tenha medo de mudar, se o seu coração lhe disser assim. Se vc decidiu tentar oferecer a comida, enverede para a introdução alimentar participativa, vai ser igualmente respeitoso e produtivo.

 

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Perguntas frequentes: Meu bebê rejeita tudo, é normal?

Perguntas frequentes

Independente do método escolhido para a introdução alimentar, é normal sim o bebê não se interessar pela comida nas primeiras semanas de IA. Além disso, o bebê tem um reflexo inato que faz com que a língua empurre para fora da boca tudo o que for de consistência diferente da do leite materno. Esse reflexo é chamado de “reflexo de protrusão da língua” e tende a desaparecer muito próximo aos seis meses do bebê. Assim como o reflexo de gag, o reflexo de protrusão da língua é um reflexo de proteção, diretamente ligado à capacidade fisiológica do bebê de se proteger contra engasgos.

Vale a pena também lembrar que 6 meses é uma data aproximada na qual os bebês estariam prontos/precisariam receber outros alimentos para complementar o aleitamento (materno/fórmula/misto). Assim, é possível que alguns bebês só se interessem pela comida em alguns meses, alguns até após 1 ano. Não se desesperem, o leite ainda é o principal alimento do bebê durante o primeiro ano de idade (e isso também é uma estimativa).

Prefira qualidade à quantidade, SEMPRE. Lembre-se, é melhor que o bebê se habitue à alimentação complementar aceitando duas colheres de legumes, carne e verduras do que engula um prato inteiro de mingau de cereais industrializados açucarados. Crie o hábito, deixe que o próprio bebê se interesse pela comida e pelo ato de alimentar-se em si.

Continue oferecendo alimentos saudáveis em diversas apresentações, formatos e texturas. Pode-se levar até em média 10 tentativas até que um bebê coma com vontade determinado alimento. Faça suas refeições com seu bebê no colo. Deixe alguns alimentos “dando sopa” no seu prato, de preferência com fácil acesso às mãozinhas do pequeno. Assim, ele pode, a qualquer momento, se interessar e levar à boca. Tente comer com o bebê no seu colo, dividir uma fruta ou um copo d’água com ele. Sente no chão, deixe a comida fazer parte da brincadeira, não tenha medo da sujeira, principalmente no começo.

Se a introdução ao maravilhoso mundo dos alimentos for feita de forma natural e sem pressão, é muito possível que em poucos meses você esteja colhendo os frutos e vendo-o comer com vontade e nos horários determinados. No começo, TUDO é exploração e aprendizado. Um bebê não aprende a andar sem levar antes alguns tombos, não é mesmo?

Devagar e sempre ❤

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Perguntas frequentes: meu bebê esta nutrido com o BLW?

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Essa é uma dúvida muito frequente (minha inclusive), então decidi retirar alguns trechos do livro, que tratam desse assunto, e traduzi para vocês logo em seguida. Se alguma nutri que frequenta por aqui quiser adicionar conhecimento, seja extremamente bem vinda!

Beijos

Aline

 

Meu bebê vai estar bem alimentado se eu seguir esse método? 

 

Que seu bebê esteja bem alimentado só vai depender de você e de seu bebê. Seja qual for o método que você decida usar, você tem a responsabilidade de oferecer alimentos nutritivos e que compõem uma dieta equilibrada. A diferença no BLW é que o bebê decide o que ele quer comer ou não entre o que lhe foi oferecido.

Existe um mito segundo o qual, quando os pais controlam a alimentação dos filhos, estes comem corretamente, enquanto que se decidiram por si próprios, viveriam a base de batatas-fritas e chocolate. Na verdade, é muito provável que o certo seja justamente o contrário. Muitos pais que alimentam seus filhos a colheradas explicam que lhes custa muita que seus bebês comam bem e que, com frequência, têm que recorrer a truques como esconder a verdura no meio de outra comida, dar a comida na frente da televisão (pra que não percebam o que comem) ou prometer um prêmio se comerem toda a fruta. Pelo contrário, a maioria dos pais que optaram pelo BLW dizem que seus filhos comem de tudo sem necessidade de estratégias, incluindo alimentos que se pressupõem que crianças não irão gostar, como repolho.

(…) Essa ideia se vê reforçada pela grande quantidade de crianças enjoadas com a comida, cuja introdução alimentar foi controlada pelos pais. Além disso, quase todos os pais que haviam provado ambos métodos dizem que não voltariam ao convencional, porque o bebê que fez o BLW come muito melhor do que o outro.

 

Os purês são mais fáceis de digerir e portanto, mais nutritivos?

 

É provável que seja mais fácil digerir a comida que já chega triturada do que a que chega em pedaços maiores. Entretanto, a boca está desenhada para triturar a comida, mastigando-a. O estômago digere com muito mais facilidade a comida bem mastigada do que a que vem triturada logo de início, porque a saliva ajuda a iniciar o processo de digestão, especialmente quando se trata de amidos.

Os bebês que podem comer no seu próprio ritmo tendem a manter a comida na boca durante muito mais tempo antes de engolir. Durante este tempo, a comida vai se misturando com a saliva, a medida que o bebê vai mastigando com as gengivas. Os purês, pelo comtrário, apenas entram em contato com a saliva, indo da colher diretamente ao fundo da boca para serem engolidos sem mastigar.

Triturar a comida, especialmente quando falamos de frutas e verduras, pode destruir alguns de seus nutrientes. Quando picamos a comida, temos perda de vitamina C nas partes expostas. Ao triturar, a perda se acelera, fazendo com que a comida triturada tenha menos vitamina C do que os alimentos em pedaços já de início. (…) A vitamina C é muito importante, sobretudo para absorção do ferro. O corpo não consegue armazená-la e portanto é importante contar diariamente com uma boa fonte da mesma.

Ao verificar o conteúdo das fraldas dos bebês, é fácil concluir que a comida triturada se digere melhor. A diferença das fezes de um bebê que come purês de um bebê que come “comida de verdade” é que o último as vezes contém pedaços inteiros de verduras inteiros e reconhecíveis. Isso não significa que não digeriram nada do alimento, mas sim que o bebê está aprendendo a mastigar e que o corpo está se adaptando aos sólidos. A comida triturada dá a impressão de ser mais digerível, mas somente porque não se destaca na fralda.

Quando se oferece rapidamente comida ao bebê (algo que pode acontecer facilmente quando damos colheradas), eles demoram mais para aprender a mastigar bem. Os bebês que aprendem a comer sozinhos desde o princípio e não se sentem pressionados para comer rápido tendem a colocar menos na boca e a mastigar por mais tempo antes de engolir. E isso, sem dúvida, favorece uma melhor digestão.

Obviamente, a comida triturada é benéfica para as pessoas que têm dificuldade para mastigar, mas bebês sadios e normais não precisam que triturem sua comida mais do que precisaria um adulto.

 

A necessidade de nutrientes adicionais

 

Existe um mito no qual o leite materno muda aos seis meses de idade e deixa de ser “suficiente” para o bebê. Na verdade, o leite da mãe de um bebê de seis meses (ou mesmo de dois anos) tem praticamente o mesmo valor nutricional que sempre teve, o que muda é a necessidade que o bebê tem de determinados nutrientes. O leite materno segue sendo o alimento mais equilibrado que se pode dar a uma criança quase que indefinidamente.

Os bebês nascem com uma reserva de nutrientes que vão se acumulando durante sua estadia no útero. Começam a utilizar essa reserva quando nascem, mas os nutrientes que recebe com o leite materno garantem que não se esgote. A partir dos seis meses de idade, o equilíbrio é modificado e o bebê COMEÇA a precisar MUITO GRADUALMENTE de cada vez mais nutrientes do que apenas os que estão presentes no leite materno ou fórmula.

É importante ressaltar que, aos seis meses de idade, os bebês começam a precisar de algo mais que uma dieta exclusivamente à base de leite. A maioria dos bebês nascidos a termo tem reservas suficientes de ferro, por exemplo, que não se esgotam de um dia para outro. Sem dúvida, é necessário que comecem a ingerir sólidos aos seis meses, pois assim poderão desenvolver as habilidades necessárias para comer diferentes sólidos e acostumarem-se a novos sabores, preparando-se para o momento em que verdadeiramente dependerão de outros alimentos como fonte de nutrição principal.

O momento que os bebês começam a necessitar de cada vez mais nutrientes parece coincidir com o tempo de desenvolvimento gradual das habilidades que os permitem comer sozinhos. Portanto, aos seis meses, quando ainda contam com uma boa reserva de nutrientes, quase todos os bebês começam a pegar pedaços de alimentos e levá-los à boca. Até os nove meses, quando a necessidade de nutrientes já tiver aumentado consideravelmente, a maioria dos bebês que foram estimulados a comer sozinhos desde o princípio terão desenvolvido as habilidades necessárias para comer uma ampla variedade de alimentos, que lhes proporcionará a nutrição adicional de que precisam. Sobre essa idade (ainda podendo variar de um bebê a outro), muitos pais que recorreram ao método BLW informam que seus bebês parecem comer de uma maneira mais consciente, como se souberam instintivamente que precisavam dessa comida para complementar as mamadas.

 

Perguntas frequentes: BLW não deu certo com a gente, e agora?

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Essa pergunta é importantíssima e não é uma dúvida incomum! Por isso sempre vale a pena retomar o conceito do BLW, pra que vcs possam entender porque é considerado como um “método” de introdução alimentar e não somente uma forma de apresentar os alimentos! 😱 E vc achando que era só dar um legume na mão do Baby enquanto vc oferecia a papa né? 🙈 Então vamos lá! BLW significa “Desmame guiado pelo bebê”. Considere o desmame um processo, assim como a introdução dos sólidos. Dos seis meses a um ano de idade aproximadamente, o bebê é introduzido à alimentação complementar e gradualmente, ao longo desse tempo, ESPERA-SE que o bebê passe a comer mais e mamar menos. No Baby-led weaning, quem decide esse tempo é o bebê e não a mamãe ou o cuidador.

Agora, façam uma analogia comigo. Vcs concordam que tem bebês que sentam com 4 meses, outros com 5, outros com 6 e por aí vai, certo? Como pais, temos como estimular que ele sente. Mas não conseguimos acelerar o processo, por mais vontade que a gente tenha, não é mesmo? Agora voltamos à introdução alimentar. Como sabemos quando um bebê está pronto para comer? Existe alguma mágica que acontece na data em que o bebê completa seis meses para que ele de repente esteja pronto para a IA? Claro que não. Mas, no método tradicional, quem escolhe o momento em que o bebê vai comer é a mamãe (ou cuidador). No BLW, não é assim. Deixar que o bebê guie a sua IA significa que ele vai começar a levar a comida à boca quando ele quiser, quando ele tiver interesse. E ele vai começar a mastigar e posteriormente a engolir no tempo dele. Enquanto isso, a mamãe vai estimular, deixando alimentos saudáveis à disposição do bebê no momento da refeição da família, para estimular que ele os imite e comece a comer também. Não é só o fato de ter alimentos em pedaços. Os alimentos em pedaços são importantes pois só dessa forma o bebê pode ter condições motoras de levar o alimento à boca em um primeiro momento. Entender o fundamento do BLW faz com que o processo seja mais simples do que parece. Eu sei que às vezes ficamos ansiosos para que o bebê coma mais, mas quanto mais vc interfere nas escolhas do bebê, mais distante do BLW vcs estão.

Então, concluindo, esse “insucesso” inicial não existe no Baby-led weaning. Se o seu bebê só jogou tudo no chão, lambeu mas não mastigou e nem engoliu, não quis encostar em nada…. Entenda que ele ainda não está preparado para a IA. Está só começando. É difícil lidar com a frustração desse momento então muitas mamães acabam insistindo em dar a papa, ou oferecer em pedacinhos, mas assim acabam por se distanciar do método, pois quem está assumindo a liderança do processo é a mãe e não o bebê. Muitas mães desistem do BLW nos primeiros meses, pois sentem-se pressionadas (pela sociedade em geral) para que o bebê coma. Assim, muitas famílias optam por iniciar o método tradicional e ir oferecendo finger food (alimentos em pedaços) durante o processo – e como já vimos é uma excelente forma de estimulação sensorial! Se esse é o seu caso, sugiro que leia sobre “combinação de métodos” aqui no blog, tem várias dicas legais para quem, por qualquer motivo, não consegue seguir o método à risca, mas simpatiza com os todos os benefícios que o BLW pode trazer ao bebê! 🙂