10 dicas para melhorar a alimentação das crianças pequenas

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Quem acompanha a gente no instagram e facebook, viu que começo do ano foi punk por aqui. Mas algumas coisas estão funcionando bem e acho que podem te ajudar:

1 – Acertar a rotina. Não é fácil, tem chororô, soneca sem almoço, almoço mais tarde, dia sem jantar, jantar com tv, fruta às 11 da noite, almoço requentado na janta… E apesar de eu me esforçar, tem dias que nada dá certo e que essas situações acontecem mesmo. #MaternidadeReal, nua e crua.

2 – Antecipar a rotina. Converso sobre tudo o que vai acontecer em cada horário, e reforço isso diariamente. Ele aprendeu o que é café da manhã, almoço, lanche e jantar, e o que se come e o que não se come em cada uma dessas refeições.

3 – Não ter hábito de comprar guloseimas. Ou eu acabava com os biscoitos, ou eles acabavam comigo. Isso não quer dizer que estão proibidos, apenas que dificilmente tem no armário.

4 – Colocar as “tentações” em cima da geladeira, onde ele não alcança. Aqui o principal é o pão. O combinado é comer pão, ou no café da manhã, ou no lanche da tarde.

5 – O almoço é a refeição mais sagrada. Almoçamos todos juntos e não tem barganha. Não quer almoçar, não precisa, mas também não tem pão-biscoito-chocolate-sorvete-fruta ou qualquer outra coisa que ele queira que não esteja entre as opções do almoço. Se não quiser almoçar, beleuza, à tarde ele pode comer alguma dessas coisas na hora do lanche. É claro que isso envolve um chororô nos dias que teima, e vários dias resolve sentar pra almoçar sozinho, depois que todos já terminaram e ele já se acalmou.

6 – Oferecer apenas frutas e/ou leite no café da manhã. Às vezes não consigo (porque ele vê a gente comendo outras coisas e pede), mas quando ele come só fruta no café da manhã, ele almoça bem melhor.

7 – Ajudar no preparo das refeições sempre que possível! No jantar, principalmente, adora fazer seu ovinho mexido.

8 – Se servir sozinho! Dica da Dani @bb_blw, aqui em casa deu super certo. Ele se serve do que mais gosta e come muito melhor (veja o vídeo).

9 – Café da manhã reforçado com ovos mexidos antes de qualquer festa regada a doces.

10 – Dar limites e respeitar. Embora minha maior dificuldade seja aceitar escolhas não saudáveis, sigo no mantra “faço minha parte” 🙂

Aline P

 

CONALCO2017

Alimentação saudável nas férias de verão

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Férias. Ahhhh férias. Aquela hora que sai tudo do controle, a bolha estoura e o bicho pega. Se vc se achava a diferentona porque seu filho não comia besteira nenhuma…. esquece, amor. Ele não é mais um bebê e tá cheio de quereres e não quereres. E ai de vc se não der autonomia.

É o amigo que dá biscoito, a prima que dá chiclete, o fulano que dá pirulito e o ciclano que diz “mas o quê que tem?”. Quê que tem que dá trabalho, né gente. Mas a gente não mora numa bolha.

O drama começa na parada, na estrada, com aquele monte de açúcar que rodopia entre os brinquedos na loja de conveniência. Fico pensando como é injusto culpar os pais. Culpa os pais porque tá obeso. Culpa os pais porque não sabe controlar o filho que dá birra querendo a porcaria que tá na fuça dele. Culpa os pais e a indústria do açúcar samba na nossa cara.
Mas aí, minha gente, não pode proibir. Porque o proibido é muito mais gostoso (já esqueceram, é? rs). Então a gente rebola. Diz que a moça da loja não deixa levar, que depois a gente volta, que aquela embalagem colorida nem é de comer. Dá um e esconde o resto, diz que acabou.

“Quer papá, Nini?”

“Não, qué bissoitos”

“Agora não é hora de biscoito, é hora de papá comidinha. Vai viver de biscoito agora?”

Diz que sim com a cabeça. E completa: “E choiate”. rsrs

E fez BLW. Terminou a IA com ParticipATIVA. E comeu açúcar só depois dos dois anos.

Mas não vivemos numa bolha.

A vida real existe e fazer da alimentação algo leve, que não seja impositivo, mas que seja divertido, gostoso, que satisfaça todos os sentidos, incluindo o emocional, é preciso. É difícil bagarai. Eu erro todos os dias, mas reflito. Me sinto culpada, mas sabe? Faz parte. A culpa tb faz a gente repensar e tentar agir melhor em uma próxima vez.

São nossos novos desafios.

Um prato, um contexto: criança com fome, eu esquentando a comida, meu pai comendo um chocolate bem na hora em que entramos na cozinha.

“Quééé choiaaaate”

Taí. Comeu o ovo, o chocolate, a cenoura, o frango, o arroz. Nessa ordem. Saiu felizão e foi curtir a tarde na piscina.

Férias. Ahhhh, férias. Nunca mais serão as mesmas depois dos filhos.

A prova do crime 😂😂😂😂 #tanahoradopapa #feriasdeverao #VolteUmPostPraEntender

Uma publicação compartilhada por Por Aline Padovani (@tanahoradopapa) em

 

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Meu relato de desmame (gradual e conduzido)

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Desde que o Nícolas completou 1 ano e meio eu já vinha tendo vontade de diminuir o ritmo das mamadas. Principalmente as noturnas, que estavam muito exaustivas. E quanto mais eu percebia que ele se alimentava bem, mais a minha vontade crescia. Mas era um sentimento ainda muito contraditório e ambíguo dentro de mim, porque apesar da minha vontade e cansaço, eu sabia que o leite ainda era muito importante pra ele – além dele não apresentar nenhum indício de desmame natural. Ele amava muito seu tetê. Eu também não me via dando mamadeira em nenhum momento e, acima de tudo, não queria que fosse nada traumático pra nenhum de nós dois. O que me fazia respirar fundo, mudar o foco e prosseguir.

(Só um adendo: MUITA gente me disse “nossa, foi tão fácil desmamar meu filho” durante todo o nosso processo de desmame. Massss, 100% desses “desmames fáceis” eram acompanhados de leite na mamadeira. E isso não é desmame. O bebê continua mamando, suprindo sua necessidade oral de sucção – que sabemos que vai muito além da fome. Superar a fase oral, amigues, é que são elas!)

Bom, continuando, quando ele estava com 1 ano e 8 meses, ele entrou na escolinha. Ficava 6 horas por dia na escola, o que diminuiu um tanto considerável o número de mamadas no dia. Eu não quis que dessem leite na escola, ele ainda tinha leite materno quando estava comigo e se alimentava bem. Começou a comer ainda melhor no almoço da escola, sem as infinitas mamadas durante o dia. Em poucas semanas, o que parecia impossível aconteceu: a soneca da tarde, com as tias da escola, sem mamar, sem ninar. Fiquei CHO-CA-DA. rsrs Mas nasceu aquela esperança no peito: Ele aprendeu a dormir sem sugar.

Bom, até o final do ano, tudo corria igual: mamava muito quando estávamos juntos, dia e noite. O pit stop na escola, na volta pra casa, tinha que ter o tetê. Ele já chegava no saguão mega feliz e aprendeu a falar “tetê” antes de “mamãe” rsrs.

Em todo esse tempo, tive muitas fases de repulsa, um sentimento horrível que não desejo pra ninguém, mas que passaram, como tantos outros altos e baixos da vida. Pra mim ainda era mais sofrido ver ele chorar pelo tetê do que aguentar minha angústia, e isso me fez forte pra continuar. No fundo, eu nunca quis amamentar por muito mais do que dois anos, mas também nunca pensei em desrespeitar de forma alguma esse vínculo com um desmame abrupto.

Porém, em janeiro do ano seguinte, me descobri grávida.

E, além de uma fome e um sono absurdos, o que me fez perceber que alguma coisa estava muito diferente, foi a amamentação. Começou a ficar MUITO doloroso.

Sério. Imagine um alicate apertando seu mamilo. Durante 2 minutos. É isso que eu sentia todo início de mamada durante a gravidez. Não dava pra não gritar de dor, infelizmente. E EU decidi que não tinha mais disponibilidade pra amamentar nessa situação. Estava exausta, com um sono incontrolável e acordando 5 a 6 vezes por noite, chorando de dor pra amamentar.

Então, no Carnaval, Nícolas tinha acabado de completar 2 anos e decidi com meu marido que íamos tentar o desmame noturno. A estratégia seria: eu ia deitar no colchão ao lado da cama e meu marido na nossa cama junto com ele. Se ele acordasse, o marido ia acolher, dar água, suco, e tentar fazê-lo voltar a dormir.

Bem, como posso dizer…? Foi um fracasso. Ele chorou tanto de quase vomitar, ficou super agressivo durante o dia, se jogava no chão pra tudo, batia em todos (e principalmente em mim). Então, no segundo dia, cedi. Não aguentei, chorei, abracei e amamentei.

Ele ficou doente, teve febre altíssima, que ate hoje não sei se foi uma reação alérgica tardia à picadas de formiga ou se foi emocional. Desencanei. Voltei a amamentar (várias vezes) à noite, chorando de dor a cada mamada. Sentimento ruim no peito, angústia, e me sentindo culpada até o extremo por me sentir assim.

Em alguns dias, re-comecei o processo ao contrário. Reduzindo as mamadas do dia. Passei a não oferecer mais o seio pra tudo e a substituir uma mamadinha por qualquer outra coisa (uma brincadeira, água, uma fruta, um biscoito). Passei a distraí-lo na saída da escola e tirar o pit stop da mamada antes de ir pra casa. Passei a fazê-lo entender que ele ia mamar apenas pra dormir, já que essa era a maior dificuldade dele. Então consegui associar à mamada ao quarto dele e ele já entendia quando eu dizia: “você vai nanar?” quando ele tentava um aconchego. Então (na maioria das vezes) ele desistia e ia brincar.

Em todo esse processo, eu cedi inúmeras vezes. Cedia quando via que ele estava precisando de verdade daquele aconchego ou daquele leite. Que fazia diferença pra ele. E assim, pouco a pouco, ele foi me respeitando e eu respeitando ele.

Duas semanas depois da primeira tentativa (frustrada) de desmame noturno, resolvi tentar de novo. Dei mamá pra dormir e disse à ele que ele podia mamar de novo quando estivesse sol lá fora (deixei a janela aberta). Deixei o copo d’água do lado dele na cama e me deitei ao lado dele, abraçada com um travesseiro.

Foram duas noites (bem) difíceis, mas que nem se comparam à primeira tentativa. Disse à ele que meu tetê estava dodói, que estava doendo muito (e era verdade), mas que eu prometia dar de manhãzinha, quando o sol estivesse na janela. Na terceira noite, ele chorava, eu oferecia a água e ele voltava a dormir. Uma semana depois, ele às vezes acordava choramingando, mas voltava a dormir sozinho. Ou pegava o copo, bebe água e dormia abraçado com o copo. Estive do lado dele na cama em todo o processo. Por vezes, ele adormecia com a mãozinha encostada em mim.

Certa noite, depois de 2 anos, dormi a minha primeira noite inteira, sem choro e sem insônia. Acordei inchada e amarrotada. Ele viu o sol na janela, falou “mamãe” e se aconchegou ao meu lado. Abocanhou o mamilo, eu gritei de dor e ele mamou até adormecer de novo.

E assim fomos seguindo, gradualmente. Nunca pretendi amamentar em tandem, mas não conseguia muito prever o que havia por vir. Procurei não me preocupar e nem sofrer por antecedência. Um passo de cada vez.

Até o 6º mês de gravidez muita coisa aconteceu. Aos poucos, meu leite foi secando e, além de dolorido, estava angustiante demais amamentar… Um sentimento que não sei descrever, mas hoje me lembra algo muito parecido com uma repulsa. Uma vontade enorme de não estar ali.

Aos poucos, fui tentando tirar a última mamada que restava, que era a que fazia adormecê-lo por toda a noite. Consegui, algumas noites. E nessa mesma época ele começou com terríveis episódios de terror noturno. Muito muito terríveis mesmo. Nem oferecer o peito resolvia, ele parecia não nos enxergar. Tentei encontrar diversas causas para esses episódios, mas minha culpa só me fazia pensar no desmame conduzido. Essa mesma culpa que me acompanhou durante todo o processo. Não foi fácil, mas não me arrependo de nada, eu estava muito decidida mesmo.

Bom, fomos viajar, e passei 1 semana na casa da minha vó sofrendo muito, e já quase sem leite. Ele ainda estava acordando a noite, e tendo aqueles horríveis episódios de terror noturno. Chorei, chorei. Minha família (linda) me apoiou muito e me incentivou a respeitá-lo, entendê-lo! Afinal, estávamos quase lá!

E finalmente… Quando eu menos esperava… Voltamos de viagem e ele, cheio de saudades, quis dormir algumas noites com o pai… Conversei muito com ele e aos poucos ele foi mamando dia sim, dia não… Depois espaçando os dias, sem mais nenhum episódio de terror noturno… Começou a dormir a noite toda (a cama ainda compartilhada), até que finalmente assumi o desmame.

Assim, ele ainda chegou a pedir o tetê uma ou outra vez, mas conversamos, dormimos abraçadinhos e ele ficou bem! Começou a dormir das 10 as 10, às vezes choraminga a noite mas nem chega a acordar. Mudamos nossa rotina para a hora de dormir, agora subimos todos para o quarto, rezamos para todos que amamos, fazemos carinho nas costas e ele adormece. Às vezes quer dormir em cima da minha barriga, pro meu desespero rs. Mas entendo que seja uma fase de transição, ainda mais com o irmão por vir.

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Tenho explicado todos os dias pra ele que, quando o Joaquim nascer, ele não vai conseguir comer comidinha como o Nícolas. Então ele vai chorar e vamos precisar dar o tetê da mamãe. Ele já aprendeu e repete comigo toda essa história, todos os dias. Ele está muito carinhoso com a barriga e posso dizer que ninguém recebeu mais beijos do Nícolas nessa vida do que o Joaquim. rs

Hoje em dia já não tenho mais leite e ele está super tranquilo em relação ao seio. Não pede mais há semanas e quando me vê sem blusa acha engraçado, quer pegar e dá risada. Nem preciso dizer que me dá uma paz sem tamanho saber que tudo terminou bem.

No auge do desespero cheguei a dar outros leites, mas sempre soltou muito o intestino dele. Ele começou a comer melhor ainda depois do desmame, então realmente não me preocupo com isso. Seguimos felizes e saudáveis assim.

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Pra finalizar, a mensagem que eu queria deixar é que sim, eu sei que posso amamentar grávida. Eu sei que o melhor é esperar o desmame natural. Mas também sei que a gente precisa entender e respeitar nossos limites. E que isso não necessariamente envolve desrespeitar os limites dos nossos filhos. Enquanto eu estiver bem, serei uma boa mãe, a melhor que posso ser. Porque consigo colocar racionalmente meus desejos de lado, ter empatia e ouvir com o coração. E isso me deixa com a consciência tranquila e o coração em paz.

Espero ajudar de alguma forma com esse relato.

Precisamos falar mais sobre isso. 

Beijos,

Aline

 

Do que você tem medo?

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Podem te chamar de super-protetora, não tem jeito. Como mãe, é provável q muitos medos te persigam.

Mas ter medo é saudável, não?

Nosso cérebro trabalha pra que a gente evite aquilo que nos causa desconforto. Excesso de medo já não é tão saudável assim. Porque imobiliza, paralisa, relativiza e anula qualquer possibilidade.

Aqui no blog, naturalmente, o que mais acontece é o medo do engasgo. Processo diário de descontrução, sem invalidar um risco – real – de acontecer com qualquer criança.

Ontem postei Nick tomando água no copo de vidro. Supervisionado. Sentado. Seguro. Alguém me chama a atenção: “É perigoso”. Sempre tem alguém com medo do copo de vidro. Do talher de metal. Do prato de cerâmica. Do engasgo. Aqui no blog? Normal.

Mas depois de consultar diversas opiniões heterogêneas (we internê), concluo que Maternar é cultural, é único, é intenso e faz parte de um processo individual de escolhas baseadas não só em conhecimento, mas em vivências e escutas distintas da vida também.

Entendo que maternar o primeiro filho seja bem diferente do q maternar o segundo. Que dirá compreender a maternagem do filho do outro.

Digo tudo isso porque, do fundo do coração, entendo seu medo. De engasgo. De copo de vidro. De queda. De choque. De assalto. De doença. De febre. Da Zika. Do que for.
Compartilhamos alguns medos. Outros não.

Discordar é saudável, faz parte.

Eu poderia ainda me apegar à máxima “Sempre dei no copo de vidro e não morreu”. Mas não, pessouas, não é o caso. Foi uma escolha consciente, nunca esperei que “morrer” pudesse ser uma consequência.

Aqui em casa adotamos o talher de casa e o copo de vidro muito cedo, pois faz parte de uma série de escolhas que fizemos e que funcionaram muito bem com a personalidade do MEU filho e da MINHA família. Não é sempre que dou no copo de vidro, reconheço que por vezes não há necessidade. Conheci muitos outros casos parecidos também. Se vai dar certo com BabyQuim, não sei dizer.

Mas queria te falar que entendo seu medo. Entendo se não combina com sua rotina, seu estilo de vida, com a personalidade do seu filho, com seu estilo de maternar e com seus medos.

Medo é algo mto pessoal.

Eu também tenho os meus. Nem todos são racionais. E faz parte.

Quem disse que mãe é tudo igual?

Minha filha escolheu o BLW, relato de Aline Sant’Anna

Cerca de umas 3 semanas antes de iniciar a introdução alimentar da Lia li uma notinha no Facebook sobre BLW. Achei interessante, mas a informação que obtive foi bem superficial e nem considerei a possibilidade de colocar em prática.
Tínhamos uma consulta agendada com uma nutricionista infantil muito em breve, e eu estava convicta de que seguiria suas recomendações à risca, uma vez que ela fora indicada pelo pediatra da minha filha.
Nesta consulta a nutricionista sugeriu dar a comidinha amassada, com a colherzinha.
Ela falou por alto do BLW, dizendo que poderíamos, em paralelo à comidinha na colher, apresentar os pedaços de comida pra ela pegar e experimentar.
Mas comentou que, em sua opinião, o “BLW puro” era complicado, porque faz muita bagunça e  nunca sabemos a quantidade de comida ingerida de fato.
Eu nunca havia “dado comidinha” para um bebê antes e achava que era simples assim: ela (minha filha) iria abrir a boquinha, eu colocaria a colher com a papinha e pronto, resolvido!
Quanta ingenuidade!
A nutricionista alertou para a possibilidade de ela virar a cara pra colher e nos orientou a não insistir e não forçar nunca! Mas não achei que ela fosse virar a cara.
Bom… chegou o dia de começar a papinha!
Escolhi começar no dia exato em que ela completou 6 meses, pois era um feriado e o pai estaria em casa.
Estava empolgada e curiosíssima para ver a reação da Lia!  Comprei colherzinha de silicone, pratinho, potes para colocar as papinhas, etc.
Acordei cedo e fui pra cozinha. Pedi ao pai para ficar com a Lia no colo me assistindo preparar a comida. Entreguei na mão dela uma cenoura descascada pra ela explorar e ela gostou da ideia. Pegou como se fosse um brinquedo novo… olhou, lambeu à vontade e não largou por um bom tempo.
Mas e na hora do papá, como foi?
Aí a coisa desandou (no meu ponto de vista da época)…
O momento alimentação não durou nem 10 minutos.
Ela não abriu a boca para a colherzinha como eu imaginava.
Avançou com as mãos em cima da colher, quis assumir o controle do talher e explorá-lo com as suas próprias mãos. Mostrou-se muito curiosa com a comida. Queria pegar com a mão e colocar na boca, assim como ela faz com tudo o que vê.
Em uma das minhas tentativas com a colher, alguma comida entrou em sua boquinha, e ela fez muita, muita careta! E me olhou como se dissesse: “socorro! que coisa estranha!”.
O meu sentimento neste dia não foi nada bom. Confesso que a vontade inicial foi de amamentar pra sempre. Tão mais simples, rs!
Me dei conta de que para aceitar a colher, ela teria que fazer um grande esforço físico e mental para se conter e “engolir” o que eu estava propondo: abra a boquinha e aceite a comidinha.
Repetimos o processo ao longo de alguns dias, e começamos sistematicamente a  apresentar os alimentos em pedaços maiores pra ela poder manusear juntamente com a papa na colherzinha.
O interesse sempre foi maior pelos pedaços e raríssimas vezes ela abriu a boca para a colher.
Percebi que o interesse dela pela comida era de avançar em cima e explorar, como faz com os brinquedos.
Pra mim, este é o pulo do gato… entender que o bebê aprende tudo brincando e interagindo com o adulto. É assim que eles começam a engatinhar, a ficar em pé, a andar e a falar. A comida precisa ser vista como um brinquedo novo, que diferentemente dos de plástico, desmancham na boca e tem sabores e texturas variados.
Comecei a fazer pesquisas na internet sobre BLW.
Eu já estava convencida de que era o melhor caminho para minha filha, mas precisava de apoio.
Comecei a campanha junto ao meu marido, pois acho que se ele discordasse, a coisa não funcionaria.
Encaminhei vários textos do “Tá na hora do papá” pra ele.
Ele se interessou, compreendeu e me apoiou.
Conversei com a babá é expliquei a ela os motivos da nossa escolha e tranquilizei-a dizendo que nesta fase de introdução alimentar eu conseguiria participar de todas as refeições da Lia.
No início, Lia ficava pouco tempo na cadeira. Ela sempre foi muito ativa e com 6 meses já engatinhava.
Acho que era difícil pra ela ficar restrita na hora da refeição.
Embora isto fosse um pouco frustrante pra mim, eu procurava respeitar sempre e a retirava da cadeira quando ela demonstrava querer sair.
As frutinhas ela comia pra valer desde o início, mas a comida de sal (legumes, verduras, batatas, ovo etc) só explorava um pouco e logo dava sinais de inquietude, querendo descer da cadeira. O frango e a carne vermelha ela sempre gostou, mas no início só conseguia chupar e sentir o gostinho.
A lambança era grande! Tínhamos uma cadeira portátil, que rapidamente ficou pequena. Voava comida pra todo lado!  Sentimos necessidade de comprar um cadeirão com uma bandeja maior pra Lia ficar mais à vontade.
Enquanto ela só brincava com a comida, eu costumava beliscar algum pedaço esquecido na bandeja dela. E ela não se importava… Até que houve um dia em que me aproximei da bandeja dela e ela se zangou. Ficou brava comigo e começou a comer um bastão de cenoura como gente grande. Eu disse: Tá bom filha! Já entendi… mamãe não vai mexer mais na sua comida.
E neste dia ela comeu um monte de cenoura!
Foi um marco. No dia seguinte, comeu tomate, depois jiló, berinjela, frango, carne…
Atualmente, Lia está com quase 9 meses. Suas preferências já são bem claras, e tem coisas que ela não come. Mas nunca se nega às experiências novas, o que eu acho ótimo.
Vivo buscando novas experiências pra ela: uma fruta inédita, uma preparação diferente de um alimento já conhecido e por aí vai.

Aline Santanna
O prazer de vê-lá comer com prazer, é o que me dá energia pra limpar a lambança de todo dia, pra ir à feira, pra ir para a cozinha…
Eu entrei na onda dela e redescobri o sabor de várias frutas que há tempos não comia. O pai até emagreceu, pois agora nossa comida está mais saudável. E Lia está se desenvolvendo super bem, no tempo dela, com liberdade e sendo respeitada em sua individualidade.
O pediatra dela está apoiando totalmente nossa iniciativa e isto ajuda bastante.
BLW não é fácil… são muitos desafios!
Mas faz tanto sentido pra mim, que me propus a enfrentar cada obstáculo que surgisse para proporcionar esta experiência alimentar para minha filha.
Até agora o saldo está super positivo!

 

Relato de Aline Sant’Anna

Mãe da Lia e Aluna do Curso Avançado em BLW

Orange Appeal!

O que eu aprendi com o BLW, por Dani Zanoni

por Daniela Zanoni

@bb_blw

 

Chegou o tão esperado momento, depois de 6 meses de aleitamento exclusivo, é hora do meu pequeno começar a comer. Há tempos tenho em minha mente como será esse processo. Meu filho em seu cadeirão, provando todos os alimentos, sem reclamar, cada refeição é um momento mágico, como nós nos divertimos. Com o tempo surgem novas habilidades, os talheres são introduzidos, nem sei por que comprei babador, como tudo lindamente, sem derrubar, sem jogar o prato no chão, penso que vou até introduzir faca e talher para peixe.

Ok, acho que idealizei demais a IA do meu filho. Sempre pensei que na introdução alimentar do Thomas quem ia aprender era ele. Porém me enganei, o aprendizado ocorre com todos os envolvidos, pai, mãe, avós (quando juntos). O aprendizado ocorre todos os dias e em cada refeição, requer paciência, pois algumas “lições” levam mais tempo para serem assimiladas. Paciência e respeito são meus mantras, sem eles fica impossível seguir o BLW (e muitas situações em nossa vida).

Já são 8 meses de BLW, e posso dizer que nesse tempo aprendi a deixá-lo explorar, mesmo que isso signifique NÃO COMER NADA, só ficar amassando os alimentos para ver se sai caldo ou pedaço. É assim que eles vivenciam a comida, uma preparação para quando começarem a comê-la. Também aprendi que os talheres devem estar disponíveis, porém não devem ser impostos. Ao observar a família comer, o bebê vai entendendo a função daquela “coisa”, e no tempo dele começará a imitar. Bem, para que o bebê imite, é necessário que ele faça parte desse momento social da família, que são as refeições.

Aprendi a observar as habilidades do meu filho, entendendo assim como devia oferecer os alimentos (palito, pedaço, picado, inteiro), facilitando num primeiro momento, e depois desafiando, mudando a forma de oferecer. Para alguns bebês antes, para outros depois, surge o prazer de comer. Com isso também aprendi que ele tinha preferências, e para os alimentos não tão bem aceitos, era necessário reinventar (preparação, novos temperos).

Um aprendizado não muito legal é quando aquela refeição que você fez com tanto carinho pode não agradar. Aliás, pode nem ser tocada, ou pior, pode tocar diretamente o chão junto com o prato. Nessas horas, uma boa respiração é necessária, um dia no spa também resolve. São muitos os motivos, um dente, salto triplo carpado do pico de desenvolvimento ou simplesmente não está a fim.

Rezar não vai tirar a meia melancia que ele enfiou de uma vez na boca, mas ajuda a acalmar para que eu saiba intervir caso ele não consiga resolver um Gag em 15 segundos, assim como saber realizar a manobra de Heimlich. Aprendi que os benefícios da alimentação saudável de hoje pesarão nas escolhas dele futuramente, e que fica mais difícil a aceitação dele se a alimentação da família não estiver no mesmo “barco”, pois meu prato é uma extensão do dele.

Aprendi que a sujeira faz parte, que um plástico embaixo do cadeirão evita o desperdício, e que no youtube tem um monte de vídeos ensinando a tirar manchas de roupa. Naqueles dias mais difíceis, em que temos vontade de trancar tudo e sair correndo, às vezes às vezes choro um pouquinho, mas depois (antes de fugir), tento pensar que é mais um dia em que estou respeitando o tempo do meu filho. O BLW exige dedicação, mas a recompensa vem no momento em que o bebê estiver pronto, pois o aprendizado é de todos, mas ele é o protagonista, e é ele quem comanda o show.

 

Dani Zanoni, 39 anos, educadora física de formação, é mãe do Thomas, de 14 meses. Seguidora ativa das siglas LM, LD, Cc, BLW e de criação com apego, atualmente compartilha suas experiências  BLW no instagram @bb_BLW.

 

 

Orange Appeal!

Tudo o que eu não imaginava sobre introdução alimentar, por Rafa Santos

12182199_904544859594342_1434098752_n“BLW não era para mim, fui educada com papinhas. Mas eu quis conhecer todas as possibilidades saudáveis de desenvolvimento do meu filho

BLW não era para mim, minha mãe me ensinou q bebê que não come não fica gordinho e saudável. Mas meu filho não aceitava a colher.

BLW não era para mim, sou uma mãe ansiosa que por qualquer coisa que acontece fico estressada e frustrada. Mas meu filho decidiu que não precisava seguir todos os dias o mesmo ritual.

BLW não era para mim porque quero que meu filho coma muito bem todos os dias. Mas meu filho acha que o mamá dele é a coisa mais gostosa do mundo e tem dia que ele decide q é só isso q ele vai querer.

BLW não era para mim porque onde já se viu um bebê decidir o que vai comer. Mas meu filho me ensinou que ele também precisa ser respeitado e que dói fundo ver um filho chorando por ser obrigado a comer o q não quer.

BLW não era pra mim pq eu sou preguiçosa e odeio ter que ficar limpando tudo o tempo todo. Mas meu filho me ensinou o quanto é prazeroso brincar e ver o sorriso dele enquanto vê o alimento sendo esmagado no próprio cabelo ou na bandeja ou no chão.

BLW não era p mim pq eu odeio desperdício. Mas meu filho acha legal ver o alimento se espatifando no chão.

BLW não era para mim mas eu decidi que faria tudo isso por ele, que mudaria meus horários por ele, que seria mais saudável por ele, que relaxaria mais com ele, que me permitiria mais para que ele se aprendesse mais.

Quem escolheu o BLW foi meu filho, eu so decidi respeitar!

(Rafa Santos, mãe do Elioenai, de 9 meses)

Quer ter seu relato publicado no Ta Na Hora do Papá?

Me mande um e-mail contando como foi a história de vocês na Introdução Alimentar!

Mande sua história e uma foto que represente esse momento tão especial do seu bebê para contato@conalco.com.br

As melhores histórias serão publicadas toda terça-feira!!!

Um beijão,

Aline

CONALCO2015