10 dicas para melhorar a alimentação das crianças pequenas

bigstock--135849584

Quem acompanha a gente no instagram e facebook, viu que começo do ano foi punk por aqui. Mas algumas coisas estão funcionando bem e acho que podem te ajudar:

1 – Acertar a rotina. Não é fácil, tem chororô, soneca sem almoço, almoço mais tarde, dia sem jantar, jantar com tv, fruta às 11 da noite, almoço requentado na janta… E apesar de eu me esforçar, tem dias que nada dá certo e que essas situações acontecem mesmo. #MaternidadeReal, nua e crua.

2 – Antecipar a rotina. Converso sobre tudo o que vai acontecer em cada horário, e reforço isso diariamente. Ele aprendeu o que é café da manhã, almoço, lanche e jantar, e o que se come e o que não se come em cada uma dessas refeições.

3 – Não ter hábito de comprar guloseimas. Ou eu acabava com os biscoitos, ou eles acabavam comigo. Isso não quer dizer que estão proibidos, apenas que dificilmente tem no armário.

4 – Colocar as “tentações” em cima da geladeira, onde ele não alcança. Aqui o principal é o pão. O combinado é comer pão, ou no café da manhã, ou no lanche da tarde.

5 – O almoço é a refeição mais sagrada. Almoçamos todos juntos e não tem barganha. Não quer almoçar, não precisa, mas também não tem pão-biscoito-chocolate-sorvete-fruta ou qualquer outra coisa que ele queira que não esteja entre as opções do almoço. Se não quiser almoçar, beleuza, à tarde ele pode comer alguma dessas coisas na hora do lanche. É claro que isso envolve um chororô nos dias que teima, e vários dias resolve sentar pra almoçar sozinho, depois que todos já terminaram e ele já se acalmou.

6 – Oferecer apenas frutas e/ou leite no café da manhã. Às vezes não consigo (porque ele vê a gente comendo outras coisas e pede), mas quando ele come só fruta no café da manhã, ele almoça bem melhor.

7 – Ajudar no preparo das refeições sempre que possível! No jantar, principalmente, adora fazer seu ovinho mexido.

8 – Se servir sozinho! Dica da Dani @bb_blw, aqui em casa deu super certo. Ele se serve do que mais gosta e come muito melhor (veja o vídeo).

9 – Café da manhã reforçado com ovos mexidos antes de qualquer festa regada a doces.

10 – Dar limites e respeitar. Embora minha maior dificuldade seja aceitar escolhas não saudáveis, sigo no mantra “faço minha parte” 🙂

Aline P

 

CONALCO2017

Alimentação saudável nas férias de verão

20170101_172948

Férias. Ahhhh férias. Aquela hora que sai tudo do controle, a bolha estoura e o bicho pega. Se vc se achava a diferentona porque seu filho não comia besteira nenhuma…. esquece, amor. Ele não é mais um bebê e tá cheio de quereres e não quereres. E ai de vc se não der autonomia.

É o amigo que dá biscoito, a prima que dá chiclete, o fulano que dá pirulito e o ciclano que diz “mas o quê que tem?”. Quê que tem que dá trabalho, né gente. Mas a gente não mora numa bolha.

O drama começa na parada, na estrada, com aquele monte de açúcar que rodopia entre os brinquedos na loja de conveniência. Fico pensando como é injusto culpar os pais. Culpa os pais porque tá obeso. Culpa os pais porque não sabe controlar o filho que dá birra querendo a porcaria que tá na fuça dele. Culpa os pais e a indústria do açúcar samba na nossa cara.
Mas aí, minha gente, não pode proibir. Porque o proibido é muito mais gostoso (já esqueceram, é? rs). Então a gente rebola. Diz que a moça da loja não deixa levar, que depois a gente volta, que aquela embalagem colorida nem é de comer. Dá um e esconde o resto, diz que acabou.

“Quer papá, Nini?”

“Não, qué bissoitos”

“Agora não é hora de biscoito, é hora de papá comidinha. Vai viver de biscoito agora?”

Diz que sim com a cabeça. E completa: “E choiate”. rsrs

E fez BLW. Terminou a IA com ParticipATIVA. E comeu açúcar só depois dos dois anos.

Mas não vivemos numa bolha.

A vida real existe e fazer da alimentação algo leve, que não seja impositivo, mas que seja divertido, gostoso, que satisfaça todos os sentidos, incluindo o emocional, é preciso. É difícil bagarai. Eu erro todos os dias, mas reflito. Me sinto culpada, mas sabe? Faz parte. A culpa tb faz a gente repensar e tentar agir melhor em uma próxima vez.

São nossos novos desafios.

Um prato, um contexto: criança com fome, eu esquentando a comida, meu pai comendo um chocolate bem na hora em que entramos na cozinha.

“Quééé choiaaaate”

Taí. Comeu o ovo, o chocolate, a cenoura, o frango, o arroz. Nessa ordem. Saiu felizão e foi curtir a tarde na piscina.

Férias. Ahhhh, férias. Nunca mais serão as mesmas depois dos filhos.

A prova do crime 😂😂😂😂 #tanahoradopapa #feriasdeverao #VolteUmPostPraEntender

Uma publicação compartilhada por Por Aline Padovani (@tanahoradopapa) em

 

face-ads-2

Tudo o que eu não imaginava sobre introdução alimentar, por Rafa Santos

12182199_904544859594342_1434098752_n“BLW não era para mim, fui educada com papinhas. Mas eu quis conhecer todas as possibilidades saudáveis de desenvolvimento do meu filho

BLW não era para mim, minha mãe me ensinou q bebê que não come não fica gordinho e saudável. Mas meu filho não aceitava a colher.

BLW não era para mim, sou uma mãe ansiosa que por qualquer coisa que acontece fico estressada e frustrada. Mas meu filho decidiu que não precisava seguir todos os dias o mesmo ritual.

BLW não era para mim porque quero que meu filho coma muito bem todos os dias. Mas meu filho acha que o mamá dele é a coisa mais gostosa do mundo e tem dia que ele decide q é só isso q ele vai querer.

BLW não era para mim porque onde já se viu um bebê decidir o que vai comer. Mas meu filho me ensinou que ele também precisa ser respeitado e que dói fundo ver um filho chorando por ser obrigado a comer o q não quer.

BLW não era pra mim pq eu sou preguiçosa e odeio ter que ficar limpando tudo o tempo todo. Mas meu filho me ensinou o quanto é prazeroso brincar e ver o sorriso dele enquanto vê o alimento sendo esmagado no próprio cabelo ou na bandeja ou no chão.

BLW não era p mim pq eu odeio desperdício. Mas meu filho acha legal ver o alimento se espatifando no chão.

BLW não era para mim mas eu decidi que faria tudo isso por ele, que mudaria meus horários por ele, que seria mais saudável por ele, que relaxaria mais com ele, que me permitiria mais para que ele se aprendesse mais.

Quem escolheu o BLW foi meu filho, eu so decidi respeitar!

(Rafa Santos, mãe do Elioenai, de 9 meses)

Quer ter seu relato publicado no Ta Na Hora do Papá?

Me mande um e-mail contando como foi a história de vocês na Introdução Alimentar!

Mande sua história e uma foto que represente esse momento tão especial do seu bebê para contato@conalco.com.br

As melhores histórias serão publicadas toda terça-feira!!!

Um beijão,

Aline

CONALCO2015

BLW: onde estamos e para onde vamos?

nick

Após a descrição da introdução alimentar em livre-demanda ter sido publicada e descrita no livro “Baby-led weaning”, de Rapley e Murkett, em 2008, alguns pesquisadores começaram a se interessar e estudar o método. Em sete anos, ainda restam muitas dúvidas, mas as linhas de pesquisa já começam a ganhar forma. Gill Rapley, idealizadora do método, nos conta em seu website que, além dos estudos já publicados, ainda existem mais alguns em andamento, incluindo uma grande pesquisa sobre os riscos de gag e engasgo, comparando os métodos tradicional versus BLW. Ela mesmo está concluindo sua tese de doutorado, comparando alimentação passiva versus auto-alimentação do ponto de vista do bebê. Então muita informação ainda está por vir.

Um dos principais problemas no estudo e avanço das pesquisas em BLW é o fato destas serem feitas sumariamente por meio de questionários respondidos por voluntários. Isso pode facilmente enviesar resultados, já que as pessoas que se candidatam tem, de certa forma, grande interesse na divulgação do método. Além disso, entende-se que essa auto-seleção impacta em maiores graus de escolarização e idade entre os respondentes, comparativamente à população geral. É como avaliar apenas uma parte da população que não reflete a população geral.

Amy Brown, uma forte pesquisadora no assunto, acabou de publicar um artigo que investigou as diferenças no comportamento alimentar, bem-estar e personalidade entre um grupo de mães que segue uma introdução alimentar “baby-led” versus um grupo que segue uma abordagem tradicional. Essa pesquisa avaliou 604 questionários e seus resultados estatísticos mostraram que as ”mães BLW” tinham um grau de escolaridade significativamente maior, além de maior propensão a ter uma profissão com cargo gerencial. Observou também que as “mães BLW” tiveram menores pontuações em características pessoais que geralmente são associadas com obesidade infantil.

Outros estudos demonstraram que as “mães BLW” tendem a amamentar por mais tempo e introduzir a alimentação complementar mais tarde, quando comparadas às mães que seguem uma abordagem tradicional. Além disso, tem um estilo de alimentação menos restritivo, colocam menos pressão na situação de alimentação e tem menor preocupação em monitorar o peso da criança. Amy Brown reforça que esses achados, por si só, já podem interferir positivamente nas escolhas alimentares e experiências durante a introdução alimentar. Consequentemente, estão diretamente relacionados às diferenças encontradas em relação ao peso e comportamento alimentar entre os grupos.

Enquanto existem diversos estudos mostrando essas diferenças de estilo de vida e comportamento, ainda não foi publicado nenhuma pesquisa que mostre os efeitos do BLW na qualidade nutricional das dietas das famílias que seguem o método. Um estudo-piloto publicado em 2012 sugere que a família tende a modificar sua dieta nos três primeiros meses, mas depois disso retorna à alimentação ao usual. Os pesquisadores ressaltam o receio quanto à oferta excessiva de sódio e gorduras saturadas, e à adequação e balanceamento nutricional das dietas familiares, o que pode acabar colocando em risco o desenvolvimento e saúde geral da criança.

Uma extensa revisão de literatura foi publicada pela revista Nutrients, em 2012, reiterando a abordagem “Baby-led Weaning” como uma opção praticável para muitas crianças no momento da introdução da alimentação complementar. Porém, reforça algumas perguntas que, até a data de hoje, não temos resposta:

• Esses bebês conseguem obter nutrientes suficientes, incluindo aporte calórico e ferro?
• Esses bebês se alimentam com uma maior variedade de alimentos?
• O BLW é uma abordagem viável na prevenção da obesidade infantil, através da auto-seleção da ingestão?
• Anemia, engasgo e falha no crescimento são realmente preocupações reais para os bebês que seguem uma abordagem BLW?

Para se pensar no BLW em uma perspectiva populacional, seria necessário um estudo que avaliasse os riscos e benefícios do método, determinados pelo acompanhamento a longo prazo de dois grupos selecionados ao acaso, comparando-se os resultados entre o grupo BLW e o grupo controle. Não é um estudo fácil e nem tende a sair de uma hora para a outra. E enquanto não se tem uma resposta científica, as famílias que se interessam e são adeptas ao método continuam a se informar e compartilhar experiências através dos diversos fóruns de discussão sobre o assunto na internet.

Alguns países já se posicionaram a respeito do método, como é o caso da Nova Zelândia, onde o Ministro da Saúde desestimulou publicamente a utilização do método por entender que ainda não existem evidências científicas suficientes. O Departamento de Saúde Pública do Reino Unido, por sua vez, não cita o termo “BLW”, mas em uma publicação recente sobre a introdução da alimentação complementar, o Start4Life, em 2009, já incentiva as mães à oferecerem alimentos macios em pedaços a partir dos seis meses.

De qualquer forma, práticas como: incentivar hábitos familiares saudáveis, incentivar a participação ativa do bebê durante o processo de introdução alimentar, observar atentamente os sinais de fome e saciedade, não forçar a criança a comer e incentivar a mastigação já estão descritas pela OMS e são destacadas nos manuais da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2012 e no Guia Alimentar para crianças até 2 anos do Ministério da Saúde de 2013.

O que as pesquisas também não contam pra gente é o porquê ainda tantos profissionais não incentivam essas práticas, já que são amplamente conhecidas e comprovadas cientificamente como formas de melhorar a qualidade da saúde e comportamento alimentar das nossas crianças.

Enquanto muitos profissionais enxergam o BLW como “moda”, eu prefiro divulgar o método como uma maneira simples e eficaz de introduzir todas essas práticas no dia-a-dia de cada família, de forma simples e agradável para todos. Ainda que o BLW ainda não esteja cientificamente provado, todos os seus fundamentos fazem total sentido e a maioria pode facilmente ser incorporado na prática de quem opta por uma introdução alimentar participativa. Assim, ainda que o BLW não possa ser visto no âmbito da Saúde Pública, não há porque desconsiderar o método em uma consulta individualizada.

Social Media1

Referências:

Brown A. Differences in eaing behaviour, well being and personality bettwen mothers following baby-led vs.traditional weaning styles. Maternal and Child Nutrition, 2015.

Sachs M. Baby-led weaning and current UK recommendations: are they compatible? Guest Editorial. Maternal and Child Nutrition, 2011.

Cameron SL, Taylor RW, Heath A-LM. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open 2013.

Cameron SL, Heath A-LM, Taylor RW. Healthcare professionals’, and mothers’, knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open 2012.

Brown A, Lee MD. Early influences on child satiety-responsiveness: the role of weaning style. Pediatric Obesity 2013.

Cameron, Sonya L., Anne-Louise M. Heath, and Rachael W. Taylor. “How feasible is baby-led weaning as an approach to infant feeding? A review of the evidence.” Nutrients 4.11 (2012): 1575-1609.

Rowan, Hannah, and Cristen Harris. “Baby-led weaning and the family diet. A pilot study.” Appetite 58.3 (2012): 1046-1049.