10 dicas para melhorar a alimentação das crianças pequenas

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Quem acompanha a gente no instagram e facebook, viu que começo do ano foi punk por aqui. Mas algumas coisas estão funcionando bem e acho que podem te ajudar:

1 – Acertar a rotina. Não é fácil, tem chororô, soneca sem almoço, almoço mais tarde, dia sem jantar, jantar com tv, fruta às 11 da noite, almoço requentado na janta… E apesar de eu me esforçar, tem dias que nada dá certo e que essas situações acontecem mesmo. #MaternidadeReal, nua e crua.

2 – Antecipar a rotina. Converso sobre tudo o que vai acontecer em cada horário, e reforço isso diariamente. Ele aprendeu o que é café da manhã, almoço, lanche e jantar, e o que se come e o que não se come em cada uma dessas refeições.

3 – Não ter hábito de comprar guloseimas. Ou eu acabava com os biscoitos, ou eles acabavam comigo. Isso não quer dizer que estão proibidos, apenas que dificilmente tem no armário.

4 – Colocar as “tentações” em cima da geladeira, onde ele não alcança. Aqui o principal é o pão. O combinado é comer pão, ou no café da manhã, ou no lanche da tarde.

5 – O almoço é a refeição mais sagrada. Almoçamos todos juntos e não tem barganha. Não quer almoçar, não precisa, mas também não tem pão-biscoito-chocolate-sorvete-fruta ou qualquer outra coisa que ele queira que não esteja entre as opções do almoço. Se não quiser almoçar, beleuza, à tarde ele pode comer alguma dessas coisas na hora do lanche. É claro que isso envolve um chororô nos dias que teima, e vários dias resolve sentar pra almoçar sozinho, depois que todos já terminaram e ele já se acalmou.

6 – Oferecer apenas frutas e/ou leite no café da manhã. Às vezes não consigo (porque ele vê a gente comendo outras coisas e pede), mas quando ele come só fruta no café da manhã, ele almoça bem melhor.

7 – Ajudar no preparo das refeições sempre que possível! No jantar, principalmente, adora fazer seu ovinho mexido.

8 – Se servir sozinho! Dica da Dani @bb_blw, aqui em casa deu super certo. Ele se serve do que mais gosta e come muito melhor (veja o vídeo).

9 – Café da manhã reforçado com ovos mexidos antes de qualquer festa regada a doces.

10 – Dar limites e respeitar. Embora minha maior dificuldade seja aceitar escolhas não saudáveis, sigo no mantra “faço minha parte” 🙂

Aline P

 

CONALCO2017

Alimentação saudável nas férias de verão

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Férias. Ahhhh férias. Aquela hora que sai tudo do controle, a bolha estoura e o bicho pega. Se vc se achava a diferentona porque seu filho não comia besteira nenhuma…. esquece, amor. Ele não é mais um bebê e tá cheio de quereres e não quereres. E ai de vc se não der autonomia.

É o amigo que dá biscoito, a prima que dá chiclete, o fulano que dá pirulito e o ciclano que diz “mas o quê que tem?”. Quê que tem que dá trabalho, né gente. Mas a gente não mora numa bolha.

O drama começa na parada, na estrada, com aquele monte de açúcar que rodopia entre os brinquedos na loja de conveniência. Fico pensando como é injusto culpar os pais. Culpa os pais porque tá obeso. Culpa os pais porque não sabe controlar o filho que dá birra querendo a porcaria que tá na fuça dele. Culpa os pais e a indústria do açúcar samba na nossa cara.
Mas aí, minha gente, não pode proibir. Porque o proibido é muito mais gostoso (já esqueceram, é? rs). Então a gente rebola. Diz que a moça da loja não deixa levar, que depois a gente volta, que aquela embalagem colorida nem é de comer. Dá um e esconde o resto, diz que acabou.

“Quer papá, Nini?”

“Não, qué bissoitos”

“Agora não é hora de biscoito, é hora de papá comidinha. Vai viver de biscoito agora?”

Diz que sim com a cabeça. E completa: “E choiate”. rsrs

E fez BLW. Terminou a IA com ParticipATIVA. E comeu açúcar só depois dos dois anos.

Mas não vivemos numa bolha.

A vida real existe e fazer da alimentação algo leve, que não seja impositivo, mas que seja divertido, gostoso, que satisfaça todos os sentidos, incluindo o emocional, é preciso. É difícil bagarai. Eu erro todos os dias, mas reflito. Me sinto culpada, mas sabe? Faz parte. A culpa tb faz a gente repensar e tentar agir melhor em uma próxima vez.

São nossos novos desafios.

Um prato, um contexto: criança com fome, eu esquentando a comida, meu pai comendo um chocolate bem na hora em que entramos na cozinha.

“Quééé choiaaaate”

Taí. Comeu o ovo, o chocolate, a cenoura, o frango, o arroz. Nessa ordem. Saiu felizão e foi curtir a tarde na piscina.

Férias. Ahhhh, férias. Nunca mais serão as mesmas depois dos filhos.

A prova do crime 😂😂😂😂 #tanahoradopapa #feriasdeverao #VolteUmPostPraEntender

Uma publicação compartilhada por Por Aline Padovani (@tanahoradopapa) em

 

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Minha filha escolheu o BLW, relato de Aline Sant’Anna

Cerca de umas 3 semanas antes de iniciar a introdução alimentar da Lia li uma notinha no Facebook sobre BLW. Achei interessante, mas a informação que obtive foi bem superficial e nem considerei a possibilidade de colocar em prática.
Tínhamos uma consulta agendada com uma nutricionista infantil muito em breve, e eu estava convicta de que seguiria suas recomendações à risca, uma vez que ela fora indicada pelo pediatra da minha filha.
Nesta consulta a nutricionista sugeriu dar a comidinha amassada, com a colherzinha.
Ela falou por alto do BLW, dizendo que poderíamos, em paralelo à comidinha na colher, apresentar os pedaços de comida pra ela pegar e experimentar.
Mas comentou que, em sua opinião, o “BLW puro” era complicado, porque faz muita bagunça e  nunca sabemos a quantidade de comida ingerida de fato.
Eu nunca havia “dado comidinha” para um bebê antes e achava que era simples assim: ela (minha filha) iria abrir a boquinha, eu colocaria a colher com a papinha e pronto, resolvido!
Quanta ingenuidade!
A nutricionista alertou para a possibilidade de ela virar a cara pra colher e nos orientou a não insistir e não forçar nunca! Mas não achei que ela fosse virar a cara.
Bom… chegou o dia de começar a papinha!
Escolhi começar no dia exato em que ela completou 6 meses, pois era um feriado e o pai estaria em casa.
Estava empolgada e curiosíssima para ver a reação da Lia!  Comprei colherzinha de silicone, pratinho, potes para colocar as papinhas, etc.
Acordei cedo e fui pra cozinha. Pedi ao pai para ficar com a Lia no colo me assistindo preparar a comida. Entreguei na mão dela uma cenoura descascada pra ela explorar e ela gostou da ideia. Pegou como se fosse um brinquedo novo… olhou, lambeu à vontade e não largou por um bom tempo.
Mas e na hora do papá, como foi?
Aí a coisa desandou (no meu ponto de vista da época)…
O momento alimentação não durou nem 10 minutos.
Ela não abriu a boca para a colherzinha como eu imaginava.
Avançou com as mãos em cima da colher, quis assumir o controle do talher e explorá-lo com as suas próprias mãos. Mostrou-se muito curiosa com a comida. Queria pegar com a mão e colocar na boca, assim como ela faz com tudo o que vê.
Em uma das minhas tentativas com a colher, alguma comida entrou em sua boquinha, e ela fez muita, muita careta! E me olhou como se dissesse: “socorro! que coisa estranha!”.
O meu sentimento neste dia não foi nada bom. Confesso que a vontade inicial foi de amamentar pra sempre. Tão mais simples, rs!
Me dei conta de que para aceitar a colher, ela teria que fazer um grande esforço físico e mental para se conter e “engolir” o que eu estava propondo: abra a boquinha e aceite a comidinha.
Repetimos o processo ao longo de alguns dias, e começamos sistematicamente a  apresentar os alimentos em pedaços maiores pra ela poder manusear juntamente com a papa na colherzinha.
O interesse sempre foi maior pelos pedaços e raríssimas vezes ela abriu a boca para a colher.
Percebi que o interesse dela pela comida era de avançar em cima e explorar, como faz com os brinquedos.
Pra mim, este é o pulo do gato… entender que o bebê aprende tudo brincando e interagindo com o adulto. É assim que eles começam a engatinhar, a ficar em pé, a andar e a falar. A comida precisa ser vista como um brinquedo novo, que diferentemente dos de plástico, desmancham na boca e tem sabores e texturas variados.
Comecei a fazer pesquisas na internet sobre BLW.
Eu já estava convencida de que era o melhor caminho para minha filha, mas precisava de apoio.
Comecei a campanha junto ao meu marido, pois acho que se ele discordasse, a coisa não funcionaria.
Encaminhei vários textos do “Tá na hora do papá” pra ele.
Ele se interessou, compreendeu e me apoiou.
Conversei com a babá é expliquei a ela os motivos da nossa escolha e tranquilizei-a dizendo que nesta fase de introdução alimentar eu conseguiria participar de todas as refeições da Lia.
No início, Lia ficava pouco tempo na cadeira. Ela sempre foi muito ativa e com 6 meses já engatinhava.
Acho que era difícil pra ela ficar restrita na hora da refeição.
Embora isto fosse um pouco frustrante pra mim, eu procurava respeitar sempre e a retirava da cadeira quando ela demonstrava querer sair.
As frutinhas ela comia pra valer desde o início, mas a comida de sal (legumes, verduras, batatas, ovo etc) só explorava um pouco e logo dava sinais de inquietude, querendo descer da cadeira. O frango e a carne vermelha ela sempre gostou, mas no início só conseguia chupar e sentir o gostinho.
A lambança era grande! Tínhamos uma cadeira portátil, que rapidamente ficou pequena. Voava comida pra todo lado!  Sentimos necessidade de comprar um cadeirão com uma bandeja maior pra Lia ficar mais à vontade.
Enquanto ela só brincava com a comida, eu costumava beliscar algum pedaço esquecido na bandeja dela. E ela não se importava… Até que houve um dia em que me aproximei da bandeja dela e ela se zangou. Ficou brava comigo e começou a comer um bastão de cenoura como gente grande. Eu disse: Tá bom filha! Já entendi… mamãe não vai mexer mais na sua comida.
E neste dia ela comeu um monte de cenoura!
Foi um marco. No dia seguinte, comeu tomate, depois jiló, berinjela, frango, carne…
Atualmente, Lia está com quase 9 meses. Suas preferências já são bem claras, e tem coisas que ela não come. Mas nunca se nega às experiências novas, o que eu acho ótimo.
Vivo buscando novas experiências pra ela: uma fruta inédita, uma preparação diferente de um alimento já conhecido e por aí vai.

Aline Santanna
O prazer de vê-lá comer com prazer, é o que me dá energia pra limpar a lambança de todo dia, pra ir à feira, pra ir para a cozinha…
Eu entrei na onda dela e redescobri o sabor de várias frutas que há tempos não comia. O pai até emagreceu, pois agora nossa comida está mais saudável. E Lia está se desenvolvendo super bem, no tempo dela, com liberdade e sendo respeitada em sua individualidade.
O pediatra dela está apoiando totalmente nossa iniciativa e isto ajuda bastante.
BLW não é fácil… são muitos desafios!
Mas faz tanto sentido pra mim, que me propus a enfrentar cada obstáculo que surgisse para proporcionar esta experiência alimentar para minha filha.
Até agora o saldo está super positivo!

 

Relato de Aline Sant’Anna

Mãe da Lia e Aluna do Curso Avançado em BLW

Orange Appeal!

BLW: O bebê vai comer tudo o que precisa?

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Você é um pai ou uma mãe prestes a iniciar a introdução alimentar do seu filho e em suas pesquisas encontrou um novo método chamado Baby-led Weaning, com uma proposta totalmente diferente da tradicional “papinha”. Assistiu vídeos, leu relatos de outros pais que aderiram ao método, estudou sobre o reflexo de gag e o risco de engasgo. Mas uma pergunta não sai da cabeça: meu bebê vai ingerir todos os nutrientes que ele precisa?

Como o método é baseado em auto-alimentação, fica realmente difícil quantificar a ingestão alimentar e isso deixa pais e profissionais de saúde reticentes em relação à segurança do método do ponto de vista nutricional. Mas independente do método de introdução aos sólidos escolhido pela família, os responsáveis precisam ser orientados a oferecer refeições de boa densidade nutricional, dando oportunidade para que a criança faça escolhas saudáveis e que garantem um bom aporte de nutrientes para atender à alta demanda relativa ao rápido crescimento.

Vale ressaltar que até 1 ano de idade o leite materno ou leite artificial continuam sendo a principal fonte de nutrição do bebê e os alimentos sólidos vão gradativamente aumentando sua participação na dieta da criança. Ter isso em mente é importante para manter a serenidade necessária para guiar a introdução alimentar, tornando o momento das refeições prazeroso e evitando as ‘guerras’ na hora de comer.

Abaixo listo os principais nutrientes com os quais devemos ter atenção e de que forma podemos oferecer os alimentos fonte nos primeiros meses do BLW:

 

Ferro

  • Carnes (bovina e de frango) no formato de tiras largas que o bebê irá segurar e chupar.
  • Peixe, preferencialmente desfiado (para que se retire qualquer espinha) sendo adicionado a bolinhos, com batata doce cozida e amassada, por exemplo.
  • Gema de ovo, sendo oferecida em omeletes, que podem ser preparados em forminhas de cupcake.
  • Vegetais verde escuros, que podem ser adicionados ao omelete e à bolinhos, sempre pré-cozidos e bem picados. O Brócolis é um vegetal verde escuro que pode ser facilmente oferecido desde o inicio.
  • Cozinhar os legumes e o feijão adicionando um pedaço de carne bovina à água aumenta o teor de ferro nesses alimentos.

Vitamina C

  • Tem papel importante em aumentar a taxa de absorção do ferro presente nos alimentos de origem vegetal.
  • Oferecer, portanto, uma fruta rica nessa vitamina após o almoço e jantar.
  • Por exemplo: laranja em rodelas ou gomos, tangerina em gomos, abacaxi em meia lua, kiwi em fatias, manga em fatias (mantendo a casca para ajudar a não escorregar das mãos do bebê)

Cálcio

  • Presente no leite materno e no leite artificial
  • Vegetais verdes escuros
  • Grão de bico, feijões e lentilha, oferecidos no formato de hambúrguer ou bolinhos (no início) e em grãos (com a aquisição do movimento de pinça)
  • Com exceção ao leite materno, atenção à oferta de leite próximo ao almoço e jantar, uma vez que o cálcio presente no leite atrapalha a absorção de ferro.
  • Apesar de ser uma boa fonte de cálcio, o leite de vaca e seus derivados são contra indicados até 1 ano de idade, pois podem causar alergias e determinam grande risco para o desenvolvimento de certos tipos de anemias.

Vitamina A

  • Fígado, de preferência orgânico, cozido em tiras.
  • Cenoura e abóbora, cozidas em tiras, compridas o suficiente para que o bebê consiga agarrar sem esmagar, deixando livre uma ponta para que ele leve à boca.
  • Mamão e manga em tiras, mantendo a casca para ajudar na preensão palmar.
  • Gema de ovo e vegetais verdes escuros.

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em consultório e como personal (2)

Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para crianças menores de dois anos: um guia para o profissional da saúde na atenção básica / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2 ed. – 2 reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola. Departamento de Nutrologia, 3a ed. Rio de Janeiro, RJ: SBP 2012.

World Health Organization. Department of Nutrition for Health and Development. Complementary feeding: family foods for breastfed children. Geneva: WHO, 2000.

 

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Tudo o que eu não imaginava sobre introdução alimentar, por Rafa Santos

12182199_904544859594342_1434098752_n“BLW não era para mim, fui educada com papinhas. Mas eu quis conhecer todas as possibilidades saudáveis de desenvolvimento do meu filho

BLW não era para mim, minha mãe me ensinou q bebê que não come não fica gordinho e saudável. Mas meu filho não aceitava a colher.

BLW não era para mim, sou uma mãe ansiosa que por qualquer coisa que acontece fico estressada e frustrada. Mas meu filho decidiu que não precisava seguir todos os dias o mesmo ritual.

BLW não era para mim porque quero que meu filho coma muito bem todos os dias. Mas meu filho acha que o mamá dele é a coisa mais gostosa do mundo e tem dia que ele decide q é só isso q ele vai querer.

BLW não era para mim porque onde já se viu um bebê decidir o que vai comer. Mas meu filho me ensinou que ele também precisa ser respeitado e que dói fundo ver um filho chorando por ser obrigado a comer o q não quer.

BLW não era pra mim pq eu sou preguiçosa e odeio ter que ficar limpando tudo o tempo todo. Mas meu filho me ensinou o quanto é prazeroso brincar e ver o sorriso dele enquanto vê o alimento sendo esmagado no próprio cabelo ou na bandeja ou no chão.

BLW não era p mim pq eu odeio desperdício. Mas meu filho acha legal ver o alimento se espatifando no chão.

BLW não era para mim mas eu decidi que faria tudo isso por ele, que mudaria meus horários por ele, que seria mais saudável por ele, que relaxaria mais com ele, que me permitiria mais para que ele se aprendesse mais.

Quem escolheu o BLW foi meu filho, eu so decidi respeitar!

(Rafa Santos, mãe do Elioenai, de 9 meses)

Quer ter seu relato publicado no Ta Na Hora do Papá?

Me mande um e-mail contando como foi a história de vocês na Introdução Alimentar!

Mande sua história e uma foto que represente esse momento tão especial do seu bebê para contato@conalco.com.br

As melhores histórias serão publicadas toda terça-feira!!!

Um beijão,

Aline

CONALCO2015

O conceito de Introdução Alimentar Participativa (IA ParticipATIVA)

 

Recentemente, muito tem se falado sobre o método Baby-led weaning de introdução alimentar. Ao contrário do que muita gente pensa, o método em si não prevê a oferta assistida pelos pais em nenhum momento – pois fundamenta-se na alimentação livre e gerenciada pelo próprio bebê na grande maioria das vezes, visando o total controle do bebê sobre sua própria alimentação. Desta forma, ainda que os pais ofereçam alimentos em pedaços desde o início da IA, oferecer a papa passivamente ao bebê já descaracterizaria o BLW.

Mas, como já discutimos anteriomente nesse post, um grande número de famílias acaba optando por introduzir fundamentos do método BLW na introdução alimentar convencional. Com isso, um novo conceito em introdução alimentar acabou sendo criado, o qual vai de encontro aos Manuais Oficiais de introdução alimentar em vigor no Brasil e no Mundo. E muito além, incentiva as famílias a introduzirem, desde o início da introdução alimentar, os alimentos sólidos em seu formato original, possibilitando que as crianças experienciem o máximo possível de sensações desde o seu primeiro contato com os alimentos.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, sabe-se que o sucesso da alimentação complementar depende não somente do que é servido, mas também de como, quando, onde e por quem é servido. Alguns estudos comportamentais descobriram que existe uma tendência a não se observar o modo como a criança come, a menos que ela comece a não aceitar mais o alimento ou fique doente. A hipótese de alguns pesquisadores é que, quanto mais ativo for o estilo de alimentação ao qual a criança é exposta, melhor será sua aceitação.

Assim, a OMS recomenda um estilo de alimentação responsivo, aplicando os princípios psicosociais de cuidado: a) auxiliar diretamente o bebê e assistir crianças mais velhas a alimentarem-se sozinhas, atentando-se às pistas de fome e saciedade; b) alimentar devagar e pacientemente, encorajando as crianças a comer – mas não as forçando c) se a criança recusar inúmeros alimentos, tente com diferentes combinações, sabores, texturas e métodos de encorajamento; d) minimize as distrações durante as refeições, especialmente se a cirnaça perde a atenção facilmente; e) lembre-se que os momentos de alimentação são períodos de aprendizado e amor – fale olho-no-olho com a criança durante as refeições.

Essas orientações vão totalmente de encontro ao conceito configurado na Introdução Alimentar ParticipATIVA, na qual o bebê é agente ativo do processo de introdução da alimentação complementar, ainda que recebendo alimento de um intermediador. Dessa forma, a alimentação passa a ser assistida – e não passiva. Assitida pelos pais, que intermediam as preferências do bebê e o auxiliam motoramente, enquanto ele não adquire habilidade e eficiência na ingestão adequada de nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.

E, considerando tudo que já conversamos, deixo aqui uma reflexão. Você já parou para se perguntar o quanto seu bebê está participando ativamente no momento da refeição? Ele está decidindo o que quer comer, o quanto quer, como quer?

Como já discutimos, “dar” é diferente de “oferecer”. É importante sempre lembrar que todas as atitudes e hábitos que estão sendo colocados no momento da refeição podem perdurar por muitos e muitos anos a fio. Se um bebê assimila que é permitido dizer não e é possível não aceitar algo, ele torna-se capaz de internalizar positivamente a habilidade de provar coisas novas e de aceitar que algo diferente esteja no prato – ainda que ele não queira comer.

Já conheceu alguma criança maior que não pode ver nada de cor diferente no prato que já recusa a refeição inteira? De onde será que vem esse comportamento? É claro que ninguém faz isso por mal, toda família quer ver seu bebê comendo muito e feliz. Mas em alguns momentos é necessário se perguntar o que realmente o bebê está APRENDENDO nesse processo (de IA). Muito do que ele aprender, vai ser implícito – isso significa que vc não vai ensinar, mas de certa forma, ele vai assimilar e guardar em sua memória. Assim, um comportamento, uma ação começa a se relacionar com determinada consequência. “Eu abro a boca porque senão ela fica brava” é completamente diferente de “Eu abro a boca porque eu tenho fome e vontade de comer“.

Quando uma colher é colocada na boca do bebê sem que ele intencionalmente se prepare pra isso, ele está realmente aprendendo a se alimentar? Ou simplesmente está ingerindo comida? Consegue perceber a diferença? Sei que cada bebê é único e reage de um jeito à situação. Se o seu bebê é um “comilão” nato, muito provavelmente vc nem vai chegar a se questionar se está fazendo certo/errado – e se é que existe certo/errado. Mas independente da individualidade do seu bebê, refletir sobre COMO o processo de IA está sendo conduzido e pensar no que essencialmente está sendo aprendido, pode te levar a compreender de fato como os hábitos de agora podem influenciar todo um futuro de organização e saúde alimentar.

Vale a pena, pode ter certeza. Refletir, repensar, reagir. Devagar e sempre ❤️

 

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Referências

Cameron SL, Taylor RW, Heath A-LM. Parent-led or baby-led? Associations between complementary feeding practices and health-related behaviours in a survey of New Zealand families. BMJ Open 2013.

Cameron SL, Heath A-LM, Taylor RW. Healthcare professionals’, and mothers’, knowledge of, attitudes to and experiences with, baby-led weaning: a content analysis study. BMJ Open 2012.

Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do
adolescente e na escola/Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia, 3ª. ed. Rio de Janeiro, RJ: SBP, 2012.

PAHO/WHO. Guiding principles for complementary feeding of the breastfed child. Washington DC, Pan American Health Organization/World Health Organization, 2002.

1º Congresso Online de Atualização em Alimentação Complementar

Queridos seguidores do Tá na hora do Papá,

Como podem ver, estou meio sumida daqui do blog há algumas semanas. Muitas ideias vieram tomando forma e é com muito orgulho que convido vocês a participar do meu mais novo projeto recém-saído do forno. Quem já acompanha o blog, face e instagram do “Tá na hora do papá” sabe o quanto tenho me dedicado à promover saúde em alimentação infantil, desde a introdução dos primeiros alimentos enquanto ainda temos um bebê com paladar em formação e em ápice de desenvolvimento motor oral e global.

O 1º CONALCO vem de encontro à resposta de todas as questões que insistentemente são repetidas dia após dia em todos os grupos e redes de que participo. É necessária uma atualização URGENTE dos profissionais de saúde que atuam – ainda que secundariamente – com alimentação infantil. Enquanto isso, formamos pais e mães como agentes multiplicadores de informação de qualidade para divulgar conceitos atuais e aplicar na prática, dentro de casa, os conceitos aprendidos sobre alimentação saudável e saúde. É a era digital contribuindo para a saúde pública.
Temos assunto para mais de meses, mas nesta primeira edição, vamos falar sobre questões recorrentes na introdução dos primeiros alimentos até o primeiro ano de vida do bebê.
Se você é profissional da saúde, divulgue para seus colegas. Tenho certeza que muitos não tem disponibilidade para deixar seu trabalho ou seu consultório, mas serão extremamente gratos por poder assistir as palestras em seu computador, a qualquer hora, qualquer lugar.
Se você é pai, mãe, vô, vó, tio, tia…. Não deixe de participar e divulgar entre os seus. O Congresso tem palestras simples, gratuitas. Quebrando tabus, sem regras, sem imposições. Apenas informação que irá te levar a ter um outro olhar sob o ponto de vista do bebê, do desenvolvimento e da importância disso tudo no futuro.
Convide sua família pra assistir, as pessoas que cuidam do seu bebê, e os amigos grávidos que estão por receber a maior responsabilidade que poderiam imaginar em suas vidas!Conto com vocês pra divulgar essa corrente do bem!Façam sua inscrição em http://www.conalco.com.brE acompanhem a gente no face: http://www.facebook.com/conalcoMuito obrigada a todos que tem me ajudado e incentivado!Um grande beijo e uma excelente semana à todos!!

Aline

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