Você realmente sabe o que é o BLW e a Introdução Alimentar ParticipATIVA?

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Semana passada, assisti uma live em um canal de grande impacto no Youtube e me preocupei bastante com a mensagem sobre BLW que ficou no ar. Entre algumas coisas que falaram sobre a abordagem, no geral ficou a ideia de que “o bebê só conseguiria comer comida em palitinhos”, que “esses bebês nunca usarão talheres” e – o pior de tudo – que “o BLW exigiria além do desenvolvimento do bebê, o que acabaria por criar crianças frustradas com sua própria alimentação”.

Vou citar minha querida colega e parceira Viviane Vieira, do Maternidade Sem Neura, que esteve comigo presente em todos os eventos #BLWnoBRASIL do último mês e fez considerações bastante importantes em sua página no Facebook:

“Compreender que BLW é só comida de palitinho reduz em muito essa abordagem. E quando alguém pensa que BLW impõe algo ao bebê quando ele não está preparado, deixando-o frustrado e com percepção negativa da alimentação só me leva a entender que se está falando de outra coisa que não é o BLW. BLW não impõe. Pelo contrário, dá oportunidade. Ele não força o bebê para uma situação que ele não está pronto. Ele considera o seu desenvolvimento para que, somente então, o bebê coma. Se um bebê é livre para comer, por que ele ficaria com uma conotação negativa da comida? E podem ficar tranquilos pq as crianças não vão comer com a mão para sempre (a não ser que faça parte da cultura dela). Olha que surpresa! Ela manuseia o talher até mais rapidamente do que outras crianças! Mas concordo que BLW é um desafio para muitas famílias por causa do contexto social, incluindo o fim da licença da mãe. Porém, se pensarmos assim, também deixaremos de apoiar a amamentação, não?”

Quem acompanha meu trabalho sabe que não sou contra alimentos amassados ou papinhas. Minha luta maior é para que as pessoas entendam que entre querer que o bebê coma e o bebê estar pronto pra comer, existem mil nuances no processo. Que um bebê de seis meses começa a apresentar sinais de prontidão para se auto-alimentar e que podar esse processo, fazendo tudo por ele, pode ser bastante prejudicial para o seu desenvolvimento. E que mais do que tudo, para se desenvolver integralmente, a criança precisa de oportunidades.

E não, não são os bebês BLW que se frustram. É o ADULTO que se frustra, quando espera que em data certa o bebê pegue um alimento e leve-o à boca, sem que ele esteja pronto e disposto à isso. O paradigma da introdução alimentar tradicional não responde às questões do BLW. É impossível comparar qualquer resultado entre as duas abordagens, pois elas são absolutamente opostas.

E muitas e muitas vezes, considerem, o BLW pode ser a resposta para uma introdução alimentar tradicional que não dá certo. Porque frustrante mesmo é tentar dar colheradas para um bebê que claramente proclama por autonomia. Frustrante é quando o cuidador se desconecta completamente do bebê e insiste para que ele coma a quantidade que está escrita nos manuais. Frustrante é fazer comidinha organiquinha amassadinha e o bebê não abrir a boca nem por decreto. Frustante é acompanhar tantas e tantas famílias e bebês que fazem BLW FELIZES, querer contar isso pro mundo e empatar num discurso tão infeliz quanto esse em um meio de comunicação potente. Isso sim é frustrante PACAS.

As matrículas para a versão 2.0 do Curso Avançado em Introdução Alimentar ParticipATIVA e BLW já estão abertas. 

Você pode conferir todo o conteúdo e valores do curso aqui

Bora espalhar a mensagem pro mundo!

Se quiser conversar, vou receber sua mensagem com muito carinho. Manda suas dúvidas também, terei o maior prazer de respondê-las ao vivo!

Um grande beijo,

Com carinho,
Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em co


 

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O que você está fazendo é BLW? E isso importa?

por Gill Rapley, Julho 2016*

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Recebo muitas perguntas sobre ser possível mudar da introdução alimentar tradicional para o BLW, ou fazer um pouco de ambos. Eu também ouço histórias sobre os pais que estão sendo convidados a deixar grupos online porque eles não são “verdadeiros” BLW. Então eu pensei que era hora de eu explicar o meu pensamento sobre tudo isso.

 

O que é BLW?

Pergunta-se frequentemente “Você está fazendo BLW ou você está alimentando na colher?”. Mas a verdadeira questão deveria ser “Você está fazendo uma abordagem dirigida pelo bebê ou uma tradicional?”. Isso porque a introdução alimentar guiada pelo bebê (BLW) não é um método de alimentação, mas uma abordagem com fundamentos sobre bebês e comida.

É sobre como você vê as capacidades do seu bebê em relação à alimentação, e não apenas se você o alimenta com uma colher.

BLW engloba oferecer alimentos saudáveis, compartilhando as refeições da família, certificando-se de que apenas seu bebê coloque comida em sua boca, e confiando que ele saiba se deve comer, o que comer, o quanto e com que rapidez – além de oferecer seus alimentos palpáveis desde o início e deixá-la pegá-los com as mãos. É muito possível decidir não usar colheres e papinhas, sem abraçar completamente a confiança e o respeito para o seu bebê, que é realmente sobre o que é o BLW.

Podemos “mudar” para o BLW?

Sim! Acredito firmemente que nunca é tarde demais para mudar para o BLW.

PORÉM, quando um bebê começou com papinhas, sendo alimentado com a colher, não podemos defini-lo como tendo sido inteiramente BLW (veja Porque as definições importam, abaixo), mas isso não significa que ele e seus pais não podem ser ditos atualmente seguindo uma abordagem BLW. Não é diferente de uma mãe que começa a alimentação de fórmula e, em seguida, muda para a amamentaçãoseu bebê não terá sido “exclusivamente amamentado” mas eles são, no entanto, uma dupla amamentando agora.

Todos têm o direito de mudar sua abordagem quando aprendem algo novo, ou quando descobrem que o que eles escolheram não está funcionando para eles.

Podemos “fazer um pouco de ambos”?

Este é um assunto delicado. Eu sou totalmente a favor dos pais fazendo o que funciona melhor para eles e seu filho. Se isso envolve uma combinação de alimentação de colher e auto-alimentação, que assim seja. O que não é, no entanto, é uma combinação de BLW e introdução alimentar tradicional – é apenas o processo convencional, a partir de seis meses (a partir de quando a papinha sempre foi recomendada).

BLW é mais do que apenas oferecer sua comida para o bebê pegar – é sobre a confiança dele para saber o que ele precisa.

Se você o está enchendo com uma colher depois dele ter tido com próprias mãos, então você não está realmente confiando nele. O ponto é que confiar em seu bebê e não confiar muito nele são simplesmente incompatíveis. Assim, ao fazer algum tipo de auto-alimentação e alguma alimentação da colher pode funcionar para você, mas não é BLW.

Um monte de pais que dizem que estão “fazendo um pouco de ambos” estão de fato apenas seguindo a introdução alimentar tradicional, sem perceber. A razão está relacionada com o tempo: o BLW estava começando a ser falado aproximadamente na mesma época que a idade mínima recomendada para alimentação sólida estava mudando de quatro meses para seis meses (2002). O resultado é que muitos pais não percebem que alimentos sólidos já foram recomendados a partir de seis meses – juntamente com papinhas – antes disso. Eles acreditam, portanto, que oferecer ao seu bebê qualquer alimento sólido significa que eles estão “fazendo (um pouco de) BLW”.

Por que as definições importam?

A definição de BLW realmente importa? Eu acredito que sim, por duas razões.

Primeiro, é importante para os pais que estão ouvindo sobre BLW pela primeira vez. Se eles estão a tomar uma decisão informada sobre como eles querem abordar a introdução alimentar do seu bebê, eles precisam entender o caráter subjacente ao BLW. Se não o fizerem, poderão implementar apenas parte dele, e dessa forma desanimarem quando não funcionar. Pior, eles podem fazer algo perigoso, como colocar pedaços de comida na boca do bebê, o que poderia levar a asfixia.

A segunda razão pela qual acredito que a definição é importante é permitir um aumento do conhecimento sobre crianças e alimentos – globalmente. Se pensarmos que os benefícios a longo prazo para os bebês que fizeram BLW devem ser provados (melhores hábitos alimentares, menos risco de obesidade etc)  – ou mesmo desmentidos – pela pesquisa científica, então os estudos precisam definir clara e inequivocamente o que é um “verdadeiro BLW”. Se os pesquisadores se propuseram a comparar os bebês que foram BLW com os bebês à maneira tradicional, sem definir com precisão o que esses termos significam, então há um risco real de que alguns bebês serão ditos BLW, quando, por exemplo, eles tiveram papinhas pelas duas primeiras semanas, ou foram rotineiramente alimentados em certas refeições, ou foram sempre alimentados separadamente do resto da família.

Este enlameamento das águas tornaria os resultados da pesquisa sem sentido, e poderia muito bem significar que alguns dos benefícios reais da BLW não aparecem. É a mesma insistência dos pesquisadores para que haja uma definição clara de ‘amamentação exclusiva’, cuja importância só foi percebida quando as diferenças reais entre o aleitamento materno e a alimentação de fórmula começaram a surgir.

Pertencendo ao ‘clube’

Então o que isso significa para os grupos e fóruns BLW ?

Os pais que estão “fazendo um pouco de ambos”, ou que começaram seguindo uma abordagem convencional e depois “mudaram” para a BLW podem ser membros do “clube” BLW?

Minha resposta é sim, eu acho que eles deveriam. Embora eu acredite que é importante para todos que esteja claro se o que eles estão fazendo é ou não é BLW “de verdade”, eu não acredito que alguém deva se sentir excluído por não escolher (ou ser capaz) de segui-lo à risca. Todo mundo é diferente: para alguns, sua rede de apoio da família e amigos é pro-BLW, enquanto outros enfrentam resistência a cada dia. Alguns bebês têm desafios médicos ou de desenvolvimento específicos que afetam sua alimentação.

Para muitos pais, ser capaz de compartilhar as experiências dos outros é o que lhes dá a coragem de continuar no nível que eles estão, ou para dar um salto para o ‘completo’ BLW.

As pessoas se reúnem em diferentes pontos ao longo da rota parental, mas ainda podemos ser amigos e viajar juntos, compartilhando o que temos em comum, ao mesmo tempo, respeitando nossas diferenças. Embora não seja útil admitir pessoas cuja intenção é causar problemas, eu gostaria de pensar que alguém que está genuinamente interessado em descobrir mais sobre BLW poderia se sentir bem-vindo em um grupo BLW.

*Texto traduzido do site http://www.rapleyweaning.com, com autorização expressa da autora

Leia Mais: O conceito de Introdução Alimentar Participativa (IA ParticipATIVA)

Leia Mais: Os 20 passos para a Introdução Alimentar ParticipATIVA – #IAparticipATIVA

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