Pesquisa mostra que o BLW não aumenta o risco de engasgo durante a introdução alimentar

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Um artigo publicado em dezembro de 2017, no Journal of Human Nutrition and Dietetics, mostrou ausência de associação entre o aumento do risco de engasgo e o Baby-led Weaning (BLW).

Segundo a autora do estudo, Dra Amy Brown, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Swansea (Reino Unido), esses resultados devem ser considerados com cautela, dadas as limitações metodológicas da pesquisa. Entretanto, interpretados no contexto, já nos dão um amplo panorama para entender a segurança da abordagem e oferecem um importante caminho a se trilhar nas próximas pesquisas.

O estudo foi feito através de questionário de auto-relato, explorando episódios de engasgo entre bebês em fase de introdução alimentar. Em especial, a autora comparou a abordagem BLW, que permite que os bebês se auto-alimentem de acordo com a alimentação familiar, com a abordagem tradicional de oferecer papinha na colher.

No total, foram entrevistadas 1151 mães de bebês com idade entre 4 a 12 meses, que responderam espontaneamente sobre o modo pelo qual introduziram os alimentos aos seus bebês (seguindo um BLW estrito, uma abordagem flexível do BLW ou uma abordagem tradicional). As mães foram perguntadas sobre a frequência de colheradas e de papinhas (porcentagem por refeição) e relataram episódios de engasgo. Caso o bebê já tivesse engasgado, as mães foram perguntadas quantas vezes, com que tipo de textura (papa, papa granulada, alimentos em pedaços) e exemplos de alimentos específicos.

No total, 13,6% dos bebês haviam engasgado pelo menos uma vez (n=155/1151). Não foram encontradas diferenças significativas relacionadas à abordagem escolhida, ou à proporção de colheradas e o uso de papas. Ou seja, o risco de já ter engasgado pelo menos uma vez foi o mesmo entre bebês que seguiram uma abordagem BLW (estrita ou flexível) e aqueles que seguiram uma abordagem tradicional.

Os achados corroboram dados de estudos prévios, que sugerem que o BLW não aumenta o risco de engasgo durante a introdução alimentar. 

Entretanto, examinando a frequência de engasgo entre os bebês que engasgaram pelo menos uma vez (n=155), a autora observou uma associação positiva entre a abordagem tradicional e um aumento na frequência de episódios de engasgo, especialmente relacionada à textura.

Quanto maior a proporção do uso de colheradas e papas, maior foi a frequência de engasgo com a papa granulada e alimentos em pedaços. 

Sabe-se que a textura é uma característica bastante importante durante a aprendizagem da mastigação. Dra Brown argumenta que esses resultados podem ser devido à baixa exposição às texturas mais firmes, como dos alimentos em pedaços, na abordagem tradicional.

A autora reforça que seus achados não deveriam ser considerados como evidência definitiva do BLW em relação ao engasgo , visto que a amostra do estudo representa um recorte não aleatório da população. Assim como pesquisas prévias, a maioria das mães do estudo tinham mais de 25 anos e ensino superior. Neste estudo em particular, foram recrutadas através de fóruns online de introdução alimentar, ou seja, fizeram uma opção ativa pelo BLW, tendiam a ter contato com outras mães que também optaram pelo método e, no geral, são extremamente bem informadas sobre a abordagem. Os resultados do estudo podem, em parte, ser mais positivos por esse background materno, considerado pela autora como “padrão ouro”. Para generalizar esses resultados, seria necessário uma amosta muito mais diversa, e igualmente randomizada.

Que tipo de educação seria necessária para garantir que os alimentos no BLW fossem oferecidos de forma apropriada ao nível de desenvolvimento do bebê?

 

Para saber mais sobre o Curso Avançado em Introdução Alimentar ParticipATIVA e BLW acesse: conalco.com.br/cursoblw

 

Michelle BentoNutricionista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 2008, pós graduada em nutrição clínica funcional pelo Instituto Valéria Pascoal. Atua em co

Referência:

Brown A. (2017) No difference in self-reported frequency of choking between infants introduced to solid foods using a baby-led weaning or traditional spoon-feeding approach. J Hum Nutr Diet. https://doi.org/10.1111/jhn.12528

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Tudo o que eu não imaginava sobre introdução alimentar, por Rafa Santos

12182199_904544859594342_1434098752_n“BLW não era para mim, fui educada com papinhas. Mas eu quis conhecer todas as possibilidades saudáveis de desenvolvimento do meu filho

BLW não era para mim, minha mãe me ensinou q bebê que não come não fica gordinho e saudável. Mas meu filho não aceitava a colher.

BLW não era para mim, sou uma mãe ansiosa que por qualquer coisa que acontece fico estressada e frustrada. Mas meu filho decidiu que não precisava seguir todos os dias o mesmo ritual.

BLW não era para mim porque quero que meu filho coma muito bem todos os dias. Mas meu filho acha que o mamá dele é a coisa mais gostosa do mundo e tem dia que ele decide q é só isso q ele vai querer.

BLW não era para mim porque onde já se viu um bebê decidir o que vai comer. Mas meu filho me ensinou que ele também precisa ser respeitado e que dói fundo ver um filho chorando por ser obrigado a comer o q não quer.

BLW não era pra mim pq eu sou preguiçosa e odeio ter que ficar limpando tudo o tempo todo. Mas meu filho me ensinou o quanto é prazeroso brincar e ver o sorriso dele enquanto vê o alimento sendo esmagado no próprio cabelo ou na bandeja ou no chão.

BLW não era p mim pq eu odeio desperdício. Mas meu filho acha legal ver o alimento se espatifando no chão.

BLW não era para mim mas eu decidi que faria tudo isso por ele, que mudaria meus horários por ele, que seria mais saudável por ele, que relaxaria mais com ele, que me permitiria mais para que ele se aprendesse mais.

Quem escolheu o BLW foi meu filho, eu so decidi respeitar!

(Rafa Santos, mãe do Elioenai, de 9 meses)

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Me mande um e-mail contando como foi a história de vocês na Introdução Alimentar!

Mande sua história e uma foto que represente esse momento tão especial do seu bebê para contato@conalco.com.br

As melhores histórias serão publicadas toda terça-feira!!!

Um beijão,

Aline

CONALCO2015

Os 10 maiores desafios do BLW

Eu estava dando uma olhadela no Blog da Bethany, o BLWideas, e adorei o modo como ela organizou algumas das fases que todos os bebês acabam passando no BLW. Pedi autorização para traduzir e fiz minhas adaptações no texto, pra ajudar vocês a passarem tranquilos por essas fases e seus desafios, já que são tão comuns à todos os bebês.

Claro, cada bebê é único. Alguns passam por todas essas fases, outros só por algumas delas. Não costumam acontecer sequencialmente, e muitas acontecem concomitantemente. E eu aposto que se você está tentando o BLW, você vai reconhecer seu bebê em algum momento nesse artigo.

Antes de começar a ler, queria ressaltar uma coisa: eu vou te incentivar a continuar. Quero que se sinta confiante para continuar, mas acima de tudo não fique triste se resolver “desistir” do BLW. Lembre-se que a IA ParticipATIVA também tem muitos benefícios e você pode voltar ao BLW sempre que estiver encorajada para tal.

E acima de tudo, lembre-se: é só uma fase, e vai passar! E vão vir outras. E você definitivamente não está sozinha! 🙂

1. A fase “em todo lugar, menos na boca”

Quando vocês estiverem começando o BLW, você vai perceber que na maioria das vezes tem mais comida espalhada ao redor do bebê do que na boca dele. De fato, seu bebê está ganhando força e acurácia nos movimentos de braços, mãos, dedos, boca, língua e bochechas. O alcance e preensão ainda são bem grosseiros, então a comida acaba percorrendo um caminho, digamos, bem maior, para chegar até à boca.

Assim, antes de conseguir segurar o alimento e trazê-lo até à boca com eficiência, você pode esperar a comida escapulir da mão, cair na roupa, no chão, na bandeja; a comida passear pelas bochechas, nariz, testa, cabelo e orelhas; a comida chegar à boca e cair simplesmente porque ele ainda não entendeu como pode deixá-la dentro da boca, ou ainda tem os reflexos de protrusão de língua e gag funcionando a todo vapor! Tudo ABSOLUTAMENTE NORMAL! 🙂 Vai passar! Confie!!

DESAFIO: Muitas famílias não tem confiança para iniciar o BLW nessa fase. Muitas me procuram dizendo que até tentaram, mas acharam o gag assustador demais e, apesar de não se importarem com a bagunça ou com a quantidade, têm ainda muito medo do engasgo. Minha sugestão é sempre: SIGA SUA INTUIÇÃO. Se vc quiser começar aos poucos, comece por não processar NUNCA as papas. Chame de “comida do bebê” ao invés de papinha. Separe os alimentos, proporcione o contato com diferentes texturas. E dê a oportunidade do seu bebê aprender a mastigar desde o início (amasse grosseiramente), tentando sempre manter uma alimentação participATIVA. Se conseguirem, aos poucos, ir migrando para o BLW, atente-se nas orientações deste post AQUI.

 

 

fase 1 - lambança

 

 

2. Fase “meu filho só brinca com a comida” 

Durante algumas semanas você vai perceber que seu bebê mais brinca com a comida do que come. Para ele, o momento de ficar “de barriguinha cheia” é durante as mamadas, seja por aleitamento materno ou artificial. O bebê não assimilou ainda que comer comida mata a fome. Então a hora do papá é uma grande brincadeira, cheia de descobertas e experiências sensoriais.

Apesar de ser um momento de muito aprendizado, muitas famílias começam a se questionar sobre a quantidade ingerida. “Meu bebê está comendo o suficiente?”, me perguntam. E o que tenho à dizer é: aguarde e confie. Mantenha o leite (materno ou artificial) em livre demanda enquanto você notar que a ingestão de alimentos ainda é baixa. Discuta a necessidade de suplementação com o pediatra. Se estiver em aleitamento materno, mantenha a livre demanda sempre. Pode dar leite materno antes, durante ou após as refeições que, além de não ter problema, ainda ajuda a absorver uma série de nutrientes.

Tudo ABSOLUTAMENTE NORMAL. Converse com seu pediatra ou nutricionista de confiança (de preferência alguém que entenda sobre o BLW), para ter uma opinião mais individualizada sobre o seu bebê.

DESAFIO: Desapegue-se do conceito de quantidade. Essa fase é crucial para saber se você vai conseguir lidar com o fato de não conseguir saber o quanto o seu bebê come. Muitas famílias desistem nesse momento, porque alguns bebês podem ficar por alguns meses nessa fase. Alguns bebês começam a comer de fato aos 7-8 meses, enquanto outros podem persistir na brincadeira até os 9-11 meses.

 

 

 

 

3. Fase “joga pra ver o que acontece”

Em determinado momento do desenvolvimento, os bebês começam a usar as habilidades motoras adquiridas para desenvolver suas habilidades cognitivas. E uma dessas habilidades é a relação de causa e efeito. E ai, sabe o que eles fazem? Jogam o brinquedo no chão e ficam olhando. Você pega, dá na mão deles e … plá. Vai pro chão. O bebê olha pro brinquedo, olha pra você. E espera.

Essa brincadeira, apesar de extremamente cansativa, oferece ao bebê uma série de informações que vão ser essenciais no desenvolvimento da inteligência. Em poucas semanas, você vai ver que essa atividade incessante vai diminuindo e se diferenciando, dando lugar à outras habilidades mais complexas e especiais.

Mas enquanto isso não acontece, seu bebê vai jogar a comida no chão de propósito. A comida está na frente dele, muitos até já começaram a comer antes desse momento, mas a vontade de praticar essa nova habilidade acaba sendo maior do que a fome.

Nesse momento, usar pratos ou talheres acaba sendo inviável. Não se preocupe porque em poucas semanas você já pode voltar a tentar deixar esses utensílios disponíveis.

Muitos bebês também acabam usando essa “estratégia” para comunicar que estão satisfeitos. Alguns usam o famoso “movimento de pára brisas” pra jogar tudo longe quando não querem mais comer. Minha sugestão é estabelecer o diálogo, nem que seja por expressões faciais ou gestos, fazendo-o entender que o lugar da comida é na bandeja, e não no chão. Então recolha calmamente e repita: “O lugar da comida é na bandeja”. Essa estratégia de comunicação pode durar meses, até que o bebê aprenda a falar “não” ou entregar o prato.

DESAFIO: Essa é uma fase de grande desafio para quem se preocupa com o desperdício. Muitos bebês já começaram a comer, então você tem que se preparar com alguma comida extra, caso ele acabe jogando muita coisa fora. Uma toalha ou um plástico forrando o chão abaixo do cadeirão vai te ajudar a colocar a comida de volta e evitar o desperdício, mas alimentos mais pastosos ou grãos acabam indo mesmo pelos ares. Outra coisa que vc pode fazer é investir nos piqueniques dentro de casa. Coloque uma toalha forrando o chão e comam juntos no “piquenique improvisado”. Mantenha a paciência e a persistência em dia. É um desafio enorme, mas são apenas bebês sendo bebês. Tudo ABSOLUTAMENTE NORMAL! Aguarde, confie, vai passar!

 

 

 

 

4. Fase “um de cada vez”

Seu bebê vai querer comer quando você oferece à ele, pedaço por pedaço. Ele está aprendendo por imitação, e vendo você comer com talher pode fazer com que ele comece a se interessar pelo utensílio também.

Nesse momento, muitas famílias começam a introduzir o garfinho, espetando pedacinhos de comida e entregando o utensílio ao bebê. São novas habilidades sendo construídas, aproveite pra se divertir vendo seu bebê aprender!

Este também pode ser um bom momento para começar a introduzir o prato, já que o bebê está completamente interessado no alimento e no desafio em pegá-lo usando a pinça.

DESAFIO: Não se preocupe se o bebê não entender o garfo ou o prato logo de cara. Tudo é aprendizado e por envolver alguns dias de oportunidade para à prática antes que ele consiga utilizar eles de fato. Tudo ABSOLUTAMENTE NORMAL! Logo logo ele vai estar espertinho no uso desses utensílios!

 

 

 

 

5.  Fase “Dentes!!! De novo?!?” 

Os primeiros dentes costumam aparecer aos 6 meses e as erupções dentárias prolongam-se aproximadamente até aos 2 anos e meio, embora existam bebês que têm o primeiro dente tão cedo quanto os três meses ou tão tarde quanto um ano.

O processo de dentição costuma vir carregado de sintomas e em muitas ocasiões é doloroso e incômodo. Os seguintes sintomas podem estar presentes (embora nem todos sejam obrigatórios):

  • Dedos e mãos na boca com muita frequência, com desejo irrefreável de morder para pressionar as gengivas,
  • Salivação abundante,
  • Irritabilidade,
  • Diminuição do apetite e
  • Febre

São 20 dentinhos aprontando com seu bebê durante seus primeiros anos de vida. Então prepare-se, porque as fases de dentição vem e vão repetidamente, podendo trazer consigo inapetência e seletividade. Alguns bebês passam tranquilos por essas fases, mas a maioria prefere comer muito pouco ou nada nesses períodos.

DESAFIO: Novamente a quantidade de comida ingerida é um desafio. A inapetência nessas fases não só pode como deve ser respeitada, esperando-se que o bebê volte a comer normalmente ou muitas vezes até melhor depois da “greve de fome”. Persista, não desista. Aleitamento em livre demanda e muito colinho e empatia pra passar por esse “perrengue” em parceria. Confie no seu bebê, ele não está bem, mas VAI PASSAR!
fase 2 - LM é o que mata a fome

 

 

6. Fase dos “pedacinhos”

A habilidade de pinça está cada vez mais desenvolvida e eles querem treinar, apesar de ainda não estarem completamente auto-suficientes. Se você estava em dúvida em como oferecer o arroz e feijão, aproveite! Essa é a fase em que eles se divertem com os pedacinhos, passando um tempão catando as migalhas. A sujeira começa a diminuir à medida em que o movimento de pinça se aprimora.

Nessa fase o bebê já come a comida no mesmo formato que o restante da família. Ele já sabe mastigar e engolir os pedaços sem ou com pouquíssimos reflexos de gag, pois  os movimentos refinados de lábios, língua e bochechas também já estão muito mais desenvolvidos.

DESAFIO: Depois de alguns meses, o cansaço começa a vir à tona e você pode ficar tentado à oferecer e ajudar o bebê, dando comida na colher pra facilitar a sua vida (e consequentemente a dele também). Mas vocês chegaram tão longe, não foi? Tirar sua autonomia agora pode acabar deixando ele preguiçoso pra fazer a refeição por si só. Alguns bebês começam a pedir que lhes deem na colher, na medida em que percebem que comem mais e mais rápido dessa forma (e portanto matam a fome e podem ir brincar mais rápido também). Sem dúvida é uma forma de desequilibrar a auto-regulação e a livre demanda que vocês vieram construindo tão bem. Se você não quiser correr esse risco, respire fundo e mantenha o foco. Logo logo ele aprenderá a usar os talheres e tudo vai ter valido a pena!

 

 

 

 

7. Fase “comilona”

Essa fase, assim como as fases de inapetência, vem e vão. Seu bebê geralmente come parte da comida que você disponibiliza, mas em suas fases de “comilão” ele tenta colocar mais comida até do que sua boca comporta. O reflexo de gag pode voltar a acontecer, e ele começa a conseguir cuspir voluntariamente pra tirar o excesso de comida de dentro da boca (fase #8).

Esses períodos em que o bebê come mais costumam acontecer após períodos de inapetência por doença (ou dentes nascendo), sendo um esforço do próprio corpo em recuperar suas energias. Você pode oferecer alimentos mais vezes ao dia para não deixar o bebê com tanta fome na hora da refeição, assim diminui a probabilidade dele entupir a boca de uma só vez.

Outra situação que os faz encher a boca é querer comer mais rápido para ir brincar mais rápido também. Costuma acontecer depois que o bebê adquire mobilidade, engatinhando ou andando. Muitas famílias optam por deixar o bebê livre, fora do cadeirão. O bebê vai e volta várias vezes para pegar comida, e come enquanto brinca. Brincadeiras calmas são recomendáveis, e supervisioná-lo o tempo todo é essencial pra garantir segurança nesses casos.

DESAFIO: Não ter um ataque de pânico quando ele colocar dois brócolis inteiros dentro da boca de uma só vez! rsrs Assim como foi no começo, confie em seus reflexos de proteção, o gag e a tosse, e fique atento para qualquer sinal de engasgo. Supervisione sempre.

 

 

boca cheia

 

 

8. Fase “cuspidor”

Essa fase é uma consequência da fase anterior e novamente faz parte de um treino intensivo de novas habilidades. Eles também estão conhecendo novos sabores e começando a definir as coisas que eles gostam e que não gostam também. Faz parte do BLW respeitar essas descobertas.

DESAFIO: Não achar que porque o bebê cuspiu a comida é porque ele não gostou. Ele provavelmente está só treinando seus movimentos de língua ou sentiu algum sabor específico que não gostou. Você pode tentar oferecer o mesmo alimento em diferentes formas, texturas, preparações, temperos… Geralmente é só uma fase e, se vc não desistir, ele volta a comer como se nada tivesse acontecido. Persistência e exemplo são chaves de sucesso para ampliar o repertório alimentar.

 

 

 

 

9. Fase “eu consigo fazer sozinho!”

Depois do primeiro aniversário você vai notar que cada vez mais seu bebê está virando uma criança! E querendo cada vez mais ser independente, vai sentir confiança em pegar o garfo sozinho, tentar espetar e levar à boca. A mesma coisa tentando usar a colher. É um momento muito especial e gratificante ver o quanto seu bebê cresceu e evoluiu nas suas habilidades motoras!!!

DESAFIO: Nesse treino intensivo de praticar com os talheres, o bebê possivelmente vai voltar a derrubar metade da comida no caminho entre o prato até a boca. Pode dar muita vontade de ajudar e, de fato, você pode ajudá-lo, ensinando-o, sem tirar sua autonomia. Nesse momento você pode cair na tentação de fazer por ele, mas é um momento muito importante do aprendizado. Se ele tomou a iniciativa, incentive. Vai valer a pena e logo logo a sujeira vai ficar só na lembrança!

 

 

independencia

 

 

10. Fase “estamos quase lá!”

Nessa última fase o bebê já está super atento à situação de alimentação, você nota o desenvolvimento das habilidades de auto-alimentação atingindo seu ápice e fica muito orgulhosa de ter superado todos os desafios até aqui. Você observa que, quando ele tem fome, ele sabe que comer comida vai saciá-lo. A sujeira já diminuiu muito, principalmente se você já conseguiu estabelecer comunicação de saciedade com seu bebê. Sim, porque algumas crianças ainda jogam tudo pelos ares quando estão saciadas, ainda nessa fase.

Comer com as mãos ainda é mais fácil, então pode ser que seu bebê ainda use a mão e o talher ao mesmo tempo, o que é natural e ABSOLUTAMENTE NORMAL! Você pode incentivar o uso dos talheres, sempre deixando o utensílio ao lado do prato, para que ele use quando se sentir motivado.

Nessa fase, a rotina de horários está provavelmente bem estabelecida, e sua capacidade de auto-regulação é visível. Famílias de bebês que comem “pouco” já se acostumaram ao biotipo da criança e não encaram mais o peso como um determinante para forçar a criança a engolir.

DESAFIO: Se você já chegou firme e forte até aqui, sabe que valeu a pena encarar todos os desafios anteriores. Por incrível que pareça, existem famílias que acabam desistindo do BLW nessa fase, porque “dar comida” na colher vai ser sempre mais rápido e menos trabalhoso, e a família já vem investindo nessa rotina de “lambança” há meses. A sujeira ainda continua, claro, mas considere como é infinitamente menor do que no início. Começar a estabelecer uma forma eficaz de comunicação é essencial para que o bebê aprenda as boas maneiras à mesa, como lhe entregar o prato quando tiver terminado (e não jogar tudo pelos ares). Nessa fase, manter e incentivar a autonomia vão ser extremamente benéficos para manter suas habilidades de auto-regulação e aceitar novos alimentos. Persista, vcs estão quase lá!

 

 

Uma pergunta muito interessante q me fizeram hoje e queria refletir aqui com vocês! "Meu bebê tem 1 ano e 11 meses, posso tentar o BLW?" Bom gente, quem viu a aula gratuita provavelmente entendeu que o BLW é um método de introdução alimentar e não um método de alimentação! É um método que permite que o bebê seja apresentado aos sólidos de forma lenta, gradual, respeitando sua auto-regulação e favorecendo seu desenvolvimento. Com 1a11m eu posso dizer que esse bebê vai começar o BLW? Na realidade, vamos começar a dar autonomia e liberdade para o bebê começar a participar cada vez mais da sua própria alimentação! No vídeo, vcs podem ver a pequena Diana da Fefer @comidinhasdadiana , que teve sua IA completamente participATIVA, colocando a mão na massa e aprendendo a se virar com o talher. Autonomia que pode tranquilamente ser dada a partir de 1 ano de idade, independente do BLW! Outra coisa muito importante é que, até os 10 meses, existe uma janela de oportunidades para experienciar os sólidos e aprender a mastigar. Passada essa idade, os bebês tendem a ter mais resistência em aceitar modificações de textura e mais dificuldade para aprender a mastigar! Então, se o seu bebê tem mais de um ano, vc não só pode, como deve incentivar a autonomia, a participação ativa nas escolhas dos alimentos não mais amassados e a mastigação, independente do método que tenha escolhido a princípio!!! #IAParticipATIVA #blwperguntasfrequentes >>>Para assistir à aula gratuita: www.conalco.com.br/blw

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E vocês, em que fase vocês estão?
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Quando os reflexos protetores são um sinal de aviso

Há um tempo atrás rolou uma discussão em um grupo de BLW do facebook, sobre o vídeo de um bebê tendo uma sequência de reflexos de gag durante 40 segundos.

Antes de tudo, queria ressaltar que a intenção aqui não é criar pânico, pelo contrário, é justamente alertar. O que é normal e o que precisa de intervenção.

A maioria dos gags é muito rápido e eficaz. Se o alimento “desce” um pouco mais, ainda tem a tosse pra ajudar a expelir.

É tão raro ter um gag assim que inclusive causou uma enorme discussão sobre “acho que foi” e “acho que não foi” engasgo. O vídeo é gringo, e está disponível no youtube:

Se notarem, nem o próprio adulto está muito certo do que aconteceu. Tanto que entitulou o vídeo como “choking“, e não “gagging(e mudou o título depois de tantas críticas rsrsrs). De qualquer forma, todas concordamos que bebê está apresentando gag. Aliás, muitos gags. Mas gag é um reflexo de proteção. Assim como a tosse.

Se o bebê tem um acesso de tosse por 40 segundos, poderíamos caracterizar o episódio como engasgo. Como já vimos anteriormente, o engasgo é uma condição decorrente de uma obstrução total (sufocamento – a pessoa para de respirar) ou parcial (onde existe passagem aérea, mas há algo atrapalhando o fluxo), como é o caso deste bebê. Mas como nomenclatura é algo muito discutível em várias áreas do conhecimento, não me importo que não concordem comigo se é ou não é engasgo.

O que quero reforçar é que não permitam que seu bebê seja exposto a situação semelhante a esta. Simplesmente porque não vale a pena. MESMO que não haja sufocamento.

Na prática, em nossa discussão, algumas mães tiveram a sensação que o bebê estava bem, pois estava respirando, embora poucas relataram ter a coragem de esperar por tanto tempo quanto a pessoa do vídeo esperou. Por um momento, fiquei pensando em como poderia fazê-las entender um pouco melhor o risco de deixar tanto tempo uma via aérea em fluxo entrecortado.

Então a ideia que tive foi a seguinte: imaginem uma pessoa dentro do mar, que de repente percebe que não dá mais pé. Ela começa tentar a nadar. Em vão, pois a corrente é forte. Ela está respirando, mas começa a ficar ofegante. Ela afunda, prende a respiração. Põe a cabeça pra fora da água e inspira, abaixa e prende a respiração, expira, sobre de novo, inspiração forçada….. não há coordenação inspiração/expiração. E em poucos minutos a pessoa se afoga pelo cansaço… Cansaço!

Algumas pessoas podem dizer: “ai nossa, que exagero!”. Mas o fato é que estamos falando de um bebê que fica 40 segundos com um fluxo aéreo entrecortado. Aos 25 segundos, o pedaço grande, visível, que aparentemente seria o causador do gag, cai da boca. E o bebê continua tentando se desvencilhar de algo não detectável, por mais 15 segundos .

Para reflexão: nesse vídeo, o bebê conseguiu sair desse acesso sozinho. Entretanto, se em uma inspiração forçada, sumariamente pelo cansaço, o pedaço escorrega pra via aérea inferior, o bebê é colocado em uma condição de sufocamento depois de ter ficado 40 segundos em uma situação de fluxo respiratório entrecortado. Cansaço. É um RISCO muito grande.

Gags vão acontecer no início da IA por BLW. É absolutamente normal. Se prepare pra eles.

Mas são rápidos. Vão durar no máximo uns 15 segundos, no máximo levando a um vômito por excesso de ânsia. A criança volta a comer como se nada tivesse acontecido, caso o adulto passe confiança e tranquilidade na situação.

Não tem mesmo que enfiar o dedo na boca a cada pedaço grande que entra. O bebê em pouco tempo aprende a cuspi-los, e ainda, a morder pedaços menores, se for dada a oportunidade dele aprender naturalmente. Por meio do reflexo de gag, por meio da mastigação por amassamento com as gengivas, por meio da aquisição de movimentos finos com a língua.

Dito isso, nem por isso eu preciso expô-lo a riscos absolutamente desnecessários. Não vou dar alimentos duros, por exemplo. Não vou deixar ele comendo sem supervisão. Vou pesar o custo-beneficio em cada situação. E nessa situação, o custo benefício tá muito desbalanceado.

Me disseram que eu provavelmente estava plantando mais o “terror” do que ajudando de fato com esse post. Não sei. Mas espero que, quem não tenha ficado confiante o bastante pra passar por uma situação destas, procure ler muito mais sobre como ajudar seu bebê caso ele precise, ou faça um curso de primeiros socorros.

É um alerta, pois infelizmente é uma situação que pode acontecer. Não é fácil falar da parte chata, podia sempre só falar de como o blw é lindo e maravilhoso, mas discutir esse tipo de situação também é preciso. Quizá o pediatra nos ensinasse alimentação saudável e primeiros socorros ao invés de ficar se apegando em quantidades e horários.

O que fazer se isso acontecer comigo?!?!?

Vou detalhar a sequência de eventos conforme o vídeo, pois fica bem explicativo e vocês podem generalizar facilmente para situações semelhantes.

Então, primeiro de tudo: mantenha-se calma e focada. Não aja sem pensar, pois isso pode prejudicar a situação, ao invés de ajudar.

Segundo, você está vendo o pedaço que está causando esse desconforto excessivo? No vídeo, pode-se claramente ver um pedaço grande da banana no céu da boca do bebê.

Se você CLARAMENTE o pedaço que esta causando o engasgo, vc pode retirá-lo deslizando gentilmente seu dedo no espaço que fica entre a gengiva e a bochecha do bebe, de modo que vc traga o alimento DE TRÁS, para FRENTE.

Em hipótese nenhuma enfie o dedo na boca do bebê sem pensar antes de agir.

No vídeo, o adulto esperou 25 segundos para que o pedaço grande caísse da boca do bebê. Porém, ainda assim, ele continuou em desconforto. Já não era mais possível ver o que o estava incomodando.

Nesse caso, é indicada a realização da manobra de desengasgamento, conforme detalhada no vídeo dos bombeiros a seguir:

 

Lembrem-se, um gag normal, eficiente, que faz parte do processo de aprendizagem do bebê, aquele que dá pra confiar mesmo, dura em média 2-15 segundos.

O que já parece uma eternidade (tem vários exemplos no instagram). Mais do que isso, simplesmente é um risco desnecessário.

Quem ainda não leu, vale a pena ler os últimos posts sobre mecanismos de proteção de via aérea:

 

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Prevenindo o engasgo: a escolha do adulto faz toda a diferença

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Fonte: banco de imagens Google

Continuando nossa série sobre os mecanismos de defesa do bebê e situações de risco, hoje vamos falar de prática!! Depois de toda a teoria que vcs podem ler e reler aqui, aqui e aqui, hoje vamos falar de como podemos tornar o ambiente mais seguro possível e SIM, praticar o BLW com a maior tranquilidade e segurança, de forma que os benefícios sobreponham os riscos!

Antes de tudo, vamos relembrar algumas recomendações essenciais:

  1. Estar ciente das manobras de desobstrução que você pode fazer em casa.
  2. Insistir para que as crianças comam à mesa, sentadas. Evite alimentá-las enquanto  correm, andam, brincam, estão rindo. Não deixá-las deitar com alimento na boca.
  3. Supervisione SEMPRE a alimentação de crianças pequenas.
  4. Fique atento às crianças mais velhas. Muitos acidentes ocorrem quando irmãos ou irmãs mais velhas oferecem objetos ou alimentos perigosos para os menores.
  5. Evite comprar brinquedos com partes pequenas e mantenha objetos pequenos da casa fora do alcance das crianças. Siga a recomendação da embalagem dos brinquedos, com relação à idade ideal para aquisição. E não permita que crianças pequenas brinquem com moedas.

Manobra de Heilimch

De acordo com a literatura consultada (vide referências ao final do artigo), os alimentos mais frequentemente relacionados ao engasgo incluem:

  • Doces (especificamente doces duros ou pegajosos)
  • Qualquer oleaginosa e similares (amendoas, castanhas, amendoim etc)
  • Sementes (semente de girassol, caroço de azeitona etc)
  • Grãos crus (exemplo: feijão, arroz, milho etc)
  • Pedaços grandes de carne e queijos duros
  • Salsichas
  • Queijos pegajosos
  • Pedaços grandes e rígidos de carnes e queijos
  • Salgadinhos (principalmente duros como doritos, batata-frita etc)
  • Casca de fruta e frutas duras cruas (como a maçã e a pêra verde)
  • Uvas inteiras
  • Chicletes
  • Cubos de gelo
  • Creme de amendoim ou cream cheese em blocos grandes (pegajosos e grudam no céu da boca)
  • Pipoca – PRINCIPALMENTE o peruá (parte amarelinha)
  • Pretzels
  • Uvas passas
  • Vegetais duros crus e verduras cruas
  • Alimentos em forma de cordão (exemplo: broto de feijão, espaguete, verduras (ex:couve) cortadas em tiras etc)

Ufa! A lista é grande não? Mas pensando que muito do que está listado aí não é nem indicado para um bebê, já que é pura porcaria rs, ainda tem MUITA coisa pra oferecer! Então, por exemplo, alguns dos alimentos de alto risco que vocês podem tranquilamente passar sem oferecer pelo menos até os 4 anos de idade:

  • salsichas e linguiças
  • doces duros, molengos ou pegajosos. Ao contrário do que muita gente pensa, gelatina também é super perigoso, pois é escorregadio e, quando não mastigado, um pedaço pode tranquilamente obstruir a via aérea.
  • amendoins, sementes e oleaginosas (amendoas, castanhas, nozes etc)
  • uvas inteiras
  • pedaços grandes de carne ou queijo duro
  • mashmallows
  • pipoca
  • chiclete

E o que podemos fazer para melhorar a apresentação dos alimentos a fim de reduzir as chances de engasgo:

  • Os alimentos mais seguros para as crianças são aqueles cortados em pedaços que oferecem mínimo ou nenhum risco de “entupirem” a via aérea. Os desenhos abaixo ilustram a via aérea e como um objeto ou alimento pode facilmente obstruir totalmente a passagem de ar.
imagem via aerea do bebe

Fraga e colaboradores, 2008

imagem via aerea do bebe2

Denny e colaboradores, 2014

  • Cortar salsichas e alimentos de formatos similares (exemplo: cenoura) no sentido do comprimento, em “formato de batata-frita” – o ideal é fugir do formato que tende a “entupir” a glote, como visto nas ilustrações acima.
  • Amaciar vegetais e frutas duras, cozinhando-os na água, forno ou vapor, a fim de que se tornem fáceis de mastigar por amassamento com as gengivas. A consistência ideal para BLW é a de salada de legumes: nem muito duro, nem muito mole (pois esfarela na mão do bebê que não tem controle da força).
  • Quando o bebê ainda é “banguela”, você pode oferecer as frutas com parte da casca para facilitar a preensão palmar (já que a maioria escorrega). Mas é prudente retirar as cascas das frutas quando o bebê já tem dentes e é capaz de “rasgar” a casca com a força da mordida.
  • CARNES! Campeãs de dúvidas!
    • Enquanto o bebê ainda não tem o movimento de pinça desenvolvido, você pode oferecer as carnes:
      • desfiadas umidificadas (molho ou purê) em pequenas porções;
      • ou bem cozidas, macias, cortadas em tiras ou cubos, no sentido transversal das fibras (assim os pedaços que se soltam ficam pequenos e fáceis de mastigar);
      • ou também, carnes moídas em formato de hamburguer, almôndega ou croquete.
    • Conforme o bebê adquire o movimento de pinça, o ideal é:
      • cortar em pedaços bem pequenos,
      • desfiados
      • ou carne moída,
      • até que o bebê tenha habilidade para mastigar pedaços maiores com o nascimento dos molares (até os dois anos mais ou menos).
  • Alimentos pegajosos (exemplo: cream cheese, pasta de amendoim e similares) se consumidos, devem ser apresentados em porções pequenas, pois podem “grudar” no céu da boca.
  • Algumas leguminosas como o quiabo e a vagem costumam ser queridinhos no BLW, pois são de fácil preensão. Mas atentem-se para as sementinhas e os grãos de feijão que podem desprender desses alimentos e escorregar para o fundo da boca. A melhor forma de oferecer esses alimentos é cortadinho em rodelas pequenas quando o bebê já é capaz de pegá-las.
  • Alimentos fibrosos e/ou duros para mastigar mesmo após o cozimento (ex: quiabo, vagem, brocolis comum, folhas etc) são mais fáceis de mastigar se cortados em pedaços pequenos e/ou misturados à outras preparações/receitas.
  • Hidratar as frutas secas e cozinhar bem os grãos antes de oferecê-los aos bebês.
  • Milho verde na espiga deve estar beeem molinho (daqueles que estouram nos dentes), para os “banguelas”, vcs podem “rasgar” os grãos com um ralador de queijo.
  • É extremamente arriscado oferecer uvas inteiras aos bebês e crianças pequenas, assim como qualquer outro alimento neste formato (tomatinhos, cerejas, jabuticabas, azeitonas, ovinho de codorna, entre outros). Quaisquer alimentos nestes formatos devem ser cortados longitudinalmente em duas ou quatro partes. Cortes transversais não são indicados, pois não “quebram” o formato do alimento que é capaz de “entupir” a glote.
  • Retirar sementes e caroços.
  • As folhas podem ser oferecidas cozidas ou cruas, mas sempre bem picadas. Como no início o bebê não consegue pegar os pedacinhos, sugiro que você ainda assim misture folhas verdes em outras receitas (ex: omelete), para que o bebê também sinta o gosto “amarguinho” que a maioria das folhas verde-escura tem.
  • Evite pães de forma e/ou pães brancos industrializados “massudos”, pois quando misturados à saliva formam uma pasta grudenta que pode dificultar a mastigação e deglutição do bebê, levando à gags excessivos (e possível engasgo ou vômito).
  • Caso for oferecer água durante as refeições, certifique-se de que não há alimento sólido dentro da boca. O manejo de líquidos com os sólidos dispersos na boca é extremamente difícil e pode comumente levar ao engasgo. Oferecer líquidos durante um engasgo pode inclusive levar à piora do engasgo e consequente aspiração.

Pra finalizar, queria deixar um trecho que li no site do Dr Moises, que fez muito sentido pra mim e gostaria de compartilhar com vocês:

Nem todo mundo que fuma tem câncer de pulmão, nem todo mundo que bebe bebida alcoólica tem cirrose, nem todo mundo que tem relação sem preservativos tem AIDS. Mas há uma chance maior de isso tudo acontecer. Nem por isso, deixamos de orientar a forma que se julga adequada (não fumar, não beber e relações sexuais sempre com proteção).

Assim, nem todas as crianças que usarem andador terão acidentes e serão internadas, nem todas as crianças que estiverem em um carro fora das cadeirinhas vão morrer em acidentes, nem todas as crianças que consumirem mel abaixo de um ano de idade terão botulismo, e nem todas as crianças que tomarem sucos terão obesidade ou diabetes tipo 2. Mas há uma chance maior de isso tudo acontecer. Nem por isso, deixamos de orientar a forma que se julga adequada (não usar andador, no carro, sempre na cadeirinha, não oferecer mel abaixo de um ano de idade e não oferecer sucos abaixo de um ano de idade e dar preferência para as frutas in natura).

Por isso, querida leitoras, o recado hoje é: estejam cientes e conscientes sobre os riscos, sobre como podem facilitar a alimentação segura e agir em caso de necessidade, tornando o BLW um método apenas leve e prazeroso de introdução alimentar. Sei que provavelmente vocês já deram muitos dos alimentos citados aí em cima, assim como eu, mas o que quero sempre difundir são as ESCOLHAS CONSCIENTES!

Sabendo o que esperar e como agir em caso de necessidade, TUDO fica mais traquilo e seguro para o bebê e mais fácil pra você, que provavelmente vai ter que dar a mesma santa explicação sobre BLW pra todos à sua volta!

😀

Se tiverem mais dicas ou quiserem compartilhar experiências, deixem um recadinho por aqui!

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Referências:

Silva LA, Santos I.  Desobstrução de vias aéreas superiores em crianças menores de um ano  Rev. Enf. Profissional 2014. jan/abr, 1(1):267-275.

Chapin, Meyli M., et al. “Nonfatal choking on food among children 14 years or younger in the United States, 2001–2009.” Pediatrics 132.2 (2013): 275-281.

Rapley & Murkett. Baby-led weaning: Helping your baby to love good food. 2008.

http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/000048.htm

http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/presentations/100221_1.htm

American Academy of Pediatrics. “Policy statement–prevention of choking among children.” Pediatrics 125.3 (2010): 601-607.

American Academy of Pediatrics. Choking Prevention. Online: http://www.healthychildren.org/English/health-issues/injuries-emergencies/Pages/Choking-Prevention.aspx

Fraga, Andrea de Melo Alexandre, et al. “Aspiração de corpo estranho em crianças: aspectos clínicos, radiológicos e tratamento broncoscópico.” J Bras Pneumol 34.2 (2008): 74-82.

Padovani, Aline Rodrigues, et al. “Protocolo Fonoaudiológico de Avaliação do Risco para Disfagia (PARD) Dysphagia Risk Evaluation Protocol.” Rev Soc Bras Fonoaudiol 12.3 (2007): 199-205.

Denny, Sarah A., Nichole L. Hodges, and Gary A. Smith. “Choking in the Pediatric Population.” American Journal of Lifestyle Medicine (2014): 1559827614554901.

Padovani, Aline Rodrigues. Protocolo fonoaudiológico de introdução e transição da alimentação por via oral para pacientes com risco para disfagia (PITA). Diss. Universidade de São Paulo.

Cameron SL, Heath A-LM, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, Baby-Led Weaning: a content analysis study. BMJ Open 2012;2

http://www.wetreatkidsbetter.org/2011/03/knowing-the-signs-of-choking-and-prevent/

http://www.nhs.uk/conditions/pregnancy-and-baby/pages/helping-choking-baby.aspx

http://www.med.umich.edu/yourchild/topics/choking.htm

http://www.sbp.com.br/htn/noticias/aspiracao-de-corpo-estranho

Tosse não é reflexo de gag. Reflexo de gag não é engasgo. E engasgo é coisa séria!! – parte 3

Nos últimos posts falamos sobre as diferenças entre os mecanismos de proteção de vias aéreas: reflexo de gag e reflexo de tosse, e como estes estão interrelacionados entre si. No post de hoje, vamos falar sobre o engasgo, consequência imediata da falha destes mecanismos de proteção. Ressaltando que o ENGASGO é uma CONDIÇÃO e não um REFLEXO. 

Relembrando que o objetivo desta série de posts não é amedrontar ninguém, mas dar a relevância necessária para que o público leigo não substime sinais importantes e nem coloque o bebê em risco pensando que o reflexo de gag pode operar milagres. Como já dissemos antes, o Baby-led weaning é um método excelente se bem orientado e conduzido. Acredita-se que o bebê exposto ao BLW tenha uma melhor capacidade em lidar com os sólidos e esteja menos predisposto ao engasgo, já que desenvolve suas habilidades intraorais – mas esse conhecimento é empírico, isto é, não validado pela ciência.

Após a publicação do livro da Rapley, em 2008, muitos paradigmas relacionados ao BLW foram sendo estabelecidos e muito do que se difunde como verdade absoluta acaba sendo decorrente da troca de experiência nos grupos de mães que praticam o método. No Brasil, o “achismo” acaba sendo ainda maior, porque o livro não foi traduzido para o português. Quem tem interesse em aplicar o método, é de fundamental importância compreender os fundamentos iniciais. Se não conseguir ler o livro, aprofunde-se nos arquivos dos grupos de BLW no facebook e xeretem o blog à vontade, tem muita informação importante e essencial.

Então, esclarecendo, o engasgo é definido como uma obstrução do fluxo aéreo, parcial ou completo, decorrente da entrada de um corpo estranho nas vias aéreas, podendo, em sua apresentação mais grave, levar à cianose e asfixia. Na obstrução parcial das vias aéreas a criança consegue tossir, respirar, emitir alguns sons ou até falar. Na obstrução total, a criança é incapaz de tossir, falar, chorar e isso é muito mais grave, pois pode evoluir para um quadro de asfixia e parada cardio-respiratória.

Os sinais mais evidentes de obstrução total de via aérea são:

  • coloração arroxeada/azulada da pele,
  • aumento progressivo da dificuldade respiratória,
  • inabilidade de chorar ou realizar algum som,
  • tosse fraca/ ineficaz,
  • ruído agudo durante a inspiração,
  • agitação e/ou confusão devido á falta de oxigenação cerebral,
  • sinal universal de engasgo e perda de consciência.

O engasgo definitivamente pode ser prevenido. Aproximadamente 50% dos engasgos acontecem com alimentos, sendo os outros 50% decorrentes da manipulação de pequenos objetos (moedas, botões, pedaços de móveis e brinquedos), especialmente quando os bebês começam a adquirir mobilidade. Esses dados podem variar, de acordo com a fonte, mas costumam apresentar-se em uma proporção equilibrada.

Não necessariamente um engasgo vai acarretar uma aspiração (entrada de corpo estranho nas via aéreas), mas pode acontecer. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, no Brasil, milho, feijão (crus) e amendoim são os grãos mais comumente aspirados na faixa etária pediátrica. Por outro lado, o material mais relacionado a óbito imediato por asfixia é o sintético, como balões de borracha, estruturas esféricas, sólidas ou não, como bola de vidro e brinquedos.

Os resultados qualitativos de um estudo sobre BLW mostraram que o risco potencial de engasgo foi a maior preocupação dos profissionais de saúde entrevistados, sendo o que os faz mais relutantes na recomendação do método. Outras preocupações dos profissionais foram a imaturidade do bebê de seis meses para mastigar pedaços grandes de alimentos, além do medo das mães deixarem seus bebês sozinhos com a comida. Apontaram também o clima competitivo entre as mães praticantes do método, sobre o progresso da alimentação de seus bebês. Há um receio por parte dos profissionais, de que as mães considerem o bebê “muito mais avançado” se ele experimentar certos tipos de alimentos antes de outros bebês, sentindo-se deste modo motivadas a oferecer alimentos perigosos, de potencial risco para engasgo.

Este mesmo estudo mostrou que uma parcela das mães relatou a maçã crua como uma das principais causas de engasgo entre seus bebês BLW. Alimentos crus preenchem o critério de alto risco para engasgo, principalmente em crianças sem dente, pois são rígidos e se dividem em inúmeros pequenos pedaços duros quando mordidos. O autor ressalta que é necessário desencorajar os pais que seguem o BLW a oferecer maçã crua para seus bebês.

Rapley e Murkett (2008) sugerem que o bebê tem muito menos probabilidade de vir a engasgar quando é ele quem leva o alimento à boca. Mas o que quero ressaltar com esse artigo é que o adulto é diretamente responsável pela disposição de alimentos seguros durante a alimentação pelo BLW. O bebê não tem maturidade para decidir o que é seguro ou não e leva tudo, absolutamente tudo à boca. A minha sugestão é que você também observe e respeite o desenvolvimento global do bebê durante o BLW. Se ele não é capaz de capturar um grão de arroz com o movimento de pinça, então dificilmente será capaz de manejá-lo com eficiência em cavidade oral. Todo seu desenvolvimento oral está em perfeita sintonia com seu desenvolvimento global e não há necessidade de estimular. Lembre-se que o BLW permite que o bebê se desenvolva naturalmente.

Acompanhar o bebê durante a refeição ajuda não somente na formação do vínculo, reforçando o aspecto social das refeições, como também assegura que você irá ver o bebê mastigando e manipulando sua comida, podendo avaliar rapidamente qualquer situação de risco. Sentar-se ereto, prestando atenção durante a refeição (e não fazer qualquer outra coisa concomitantemente – como brincar, engatinhar ou correr) é a forma mais segura das crianças aproveitarem o momento. Uma refeição sem pressa e uma parada para o lanche oferecem à criança tempo de sobra para mastigar e engolir a comida com segurança.

Outro fator que pode aumentar o risco de engasgo, segundo a literatura, é a presença do irmão mais velho, pois geralmente há no ambiente uma grande disposição de alimentos e objetos perigosos para a faixa etária do irmão menor. Assim, deve-se reforçar a supervisão e orientar aos mais velhos para não dividirem alimentos e objetos com crianças menores.

No próximo post vou fazer um apanhado dos alimentos campeões em engasgo e como podemos melhorar a apresentação dos alimentos para reduzir ao máximo o risco de engasgo em bebês e crianças. Fica de olho na nossa página do face: www.facebook.com/tanahoradopapa e fiquem à vontade para compartilhar as informações!!! 🙂

 Orange Appeal!

Referências:

Silva LA, Santos I.  Desobstrução de vias aéreas superiores em crianças menores de um ano  Rev. Enf. Profissional 2014. jan/abr, 1(1):267-275.

Chapin, Meyli M., et al. “Nonfatal choking on food among children 14 years or younger in the United States, 2001–2009.” Pediatrics 132.2 (2013): 275-281.

Rapley & Murkett. Baby-led weaning: Helping your baby to love good food. 2008.

http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/article/000048.htm

http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/presentations/100221_1.htm

American Academy of Pediatrics. “Policy statement–prevention of choking among children.” Pediatrics 125.3 (2010): 601-607.

American Academy of Pediatrics. Choking Prevention. Online: http://www.healthychildren.org/English/health-issues/injuries-emergencies/Pages/Choking-Prevention.aspx

Fraga, Andrea de Melo Alexandre, et al. “Aspiração de corpo estranho em crianças: aspectos clínicos, radiológicos e tratamento broncoscópico.” J Bras Pneumol 34.2 (2008): 74-82.

Padovani, Aline Rodrigues, et al. “Protocolo Fonoaudiológico de Avaliação do Risco para Disfagia (PARD) Dysphagia Risk Evaluation Protocol.” Rev Soc Bras Fonoaudiol 12.3 (2007): 199-205.

Denny, Sarah A., Nichole L. Hodges, and Gary A. Smith. “Choking in the Pediatric Population.” American Journal of Lifestyle Medicine (2014): 1559827614554901.

Padovani, Aline Rodrigues. Protocolo fonoaudiológico de introdução e transição da alimentação por via oral para pacientes com risco para disfagia (PITA). Diss. Universidade de São Paulo.

Cameron SL, Heath A-LM, Taylor RW. Healthcare professionals’ and mothers’ knowledge of, attitudes to and experiences with, Baby-Led Weaning: a content analysis study. BMJ Open 2012;2

http://www.wetreatkidsbetter.org/2011/03/knowing-the-signs-of-choking-and-prevent/

http://www.nhs.uk/conditions/pregnancy-and-baby/pages/helping-choking-baby.aspx

http://www.med.umich.edu/yourchild/topics/choking.htm

http://www.sbp.com.br/htn/noticias/aspiracao-de-corpo-estranho

Tosse não é reflexo de gag. Reflexo de gag não é engasgo. E engasgo é coisa séria!! – parte 2

Manobra de Heilimch

Continuamos com a série de posts que esclarecem as diferenças entre os mecanismos de proteção de vias aéreas. Conhecimento aprofundado e essencial para quem pratica – e principalmente para quem difunde o Baby-led Weaning.

No post anterior, vimos que o reflexo de gag é um importante mecanismo de defesa contra engasgo e que no bebê ele é anteriorizado, sendo disparado muito antes do alimento chegar na garganta. O gag é percebido como uma ânsia de vômito, no qual movimentos musculares involuntários repetitivos mobilizam a musculatura do pescoço, garganta, de dentro da boca e da face, na tentativa de expelir um alimento mal deglutido. A tosse não faz parte do reflexo de gag, embora ambos possam coexistir, como veremos mais a frente.

À medida em que o bebê se desenvolve, assim como outros reflexos inatos são reduzidos ou suprimidos totalmente (como o reflexo de sucção, procura, preensão), o reflexo de gag também tende a se normalizar e se aproximar mais do que acontece no adulto lá pelos 7-9 meses de idade. Desta forma, por volta desta idade, o reflexo de gag passa a ser disparado, na maioria dos bebês, mais posteriormente, em pilares faríngeos (que revestem as amígdalas) e orofaringe, principalmente. Consequentemente, o número de vezes em que o gag é disparado durante a alimentação diminui drasticamente, e principalmente nos bebês BLW, os quais  aparentam apresentar um desenvolvimento significativo da fase oral da deglutição – mastigação e controle oral já nos primeiros meses de introdução alimentar1.

Pensando sobre a posteriorização do reflexo de gag a partir dessa idade, gostaria de começar a refletir com vocês sobre o reflexo de tosse e a diferença entre estes. Sabemos que uma falha no processo de deglutição pode frequentemente resultar em um engasgo (obstrução parcial ou total de vias aéreas), sendo a tosse um importante mecanismo de defesa contra o alimento que se direciona para a laringe, traquéia e/ou vias aéreas inferiores, ao invés de ir para o esôfago. A tosse é uma resposta reflexa e da mesma forma que o gag funciona como um mecanismo de proteção de vias aéreas, podendo ainda ser realizada voluntariamente (embora não com a mesma força e efetividade).

O reflexo de gag é iniciado por receptores relacionados ao trato digestivo, enquanto a tosse é disparada por receptores referentes ao trato aéreo. Como esses dois componentes compartilham muitas partes anatômicas, ambos reflexos tem características similares e podem coexistir, mas não são a mesma coisa.

Os receptores da tosse podem ser encontrados em grande número nas vias aéreas altas (laringe e traquéia) e nos brônquios, e – assim como o gag, podem ser estimulados por mecanismos químicos (gases, odores fortes) e mecânicos (secreções, corpos estranhos, alimentos). Além disso, a tosse ainda é responsiva a mecanismos térmicos (ar frio, mudanças bruscas de temperatura) e inflamatórios (asma, fibrose cística). O reflexo da tosse também pode apresentar receptores na faringe, assim como o gag.

De fato, quando o reflexo de tosse aparece antes, durante ou após a deglutição, é muito provável que o gag por si só não foi efetivamente capaz de eliminar o corpo estranho, e este já atingiu vias aéreas. Apesar do gag funcionar melhor com pedaços de alimentos grandes, o reflexo de tosse é eliciado mesmo com infímas porções. Assim, é sem dúvida o reflexo mais importante de defesa de vias aéreas, sendo capaz de desobstruir a maioria dos engasgos de leve a moderada gravidade (obstrução parcial de vias aéreas).

A presença de tosse forte, eficaz, indica passagem de ar e a possibilidade de desobstrução de vias aéreas sem a necessidade de realizar nenhuma intervenção externa. Ainda assim, deve-se observar se há recuperação total do padrão respiratório e se a respiração não apresenta nenhum ruído audível. Quaisquer sinais de mudanças devem ser considerados relevantes e o médico deve ser procurado. De acordo com Fraga e colaboradores (2008), o retardo no diagnóstico da aspiração de corpos estranhos (ACE) está associado à falta de atenção aos sinais e sintomas presentes na história clinica de engasgo e tosse, principalmente em crianças menores de 3 anos. A valorização da radiografia simples de tórax como exame indicado para exclusão da ACE é outro erro comum. Estas dificuldades diagnósticas resultam em vários trata­mentos equivocados para quadros de pneumonia, asma ou laringite. Estas considerações não excluem a necessidade de implementação de programas diri­gidos às populações leigas, tanto de prevenção, como de orientação às manobras de desobstrução de vias aéreas.

Um excesso de tosse ou gags muito repetitivos com interrupção do fluxo aéreo e subsequente vermelhidão ou cianose e lacrimejamento dos olhos indicam a necessidade de intervenção rápida e direta, por meio da manobra de Heimlich em bebês. Tenho constantemente observado orientações práticas no sentido de “esperar o bebê se recuperar do gag”. Ressalto: confie no seu bebê, observe, mantenha a calma, mas atente-se à diferença entre esses reflexos e esteja atento para realizar de forma rápida e eficaz a manobra de desobstrução de vias aéreas quando necessária. Se tiver dúvida, aja.  O BLW é excelente quando bem orientado e bem utilizado. Ressalto que engasgos deste tipo são mais raros, mas podem acontecer2.

Em um esforço contrário, a tosse também pode desencadear o vômito. Isso porque ambos processos envolvem diretamente um aumento da pressão abdominal. A própria tosse pode irritar a garganta e acabar desencadeando o gag, sendo o vômito uma consequência imediata, principalmente se o bebê estiver com a barriga cheia ou sendo alimentado.

Nos próximos posts vamos falar sobre engasgo e aspiração, ressaltando como o baby-led weaning pode ser realizado da forma mais segura possível. Engasgo é coisa séria e deve ser tratado como tal.

  1. Ressaltando que muito do que se discute sobre o BLW tem base empírica, isto é, não baseada em fatos científicos. Apesar de bastante difundido atualmente, o BLW ainda está sendo estudado e os artigos científicos sobre o assunto ainda apresentam dados incompletos e superficiais. Na prática, o BLW tem se mostrado um método extremamente eficiente no desenvolvimento das funções orofaciais e na condução da introdução da alimentação complementar.
  2. Até o momento, não existem na literatura relatos de aspiração em bebês que foram introduzidos ao método.

 Orange Appeal!

Referências:

American Academic Pediatrics. Policy Statement—Prevention of Choking Among Children. PEDIATRICS Volume 125, Number 3, March 2010.

Fraga, AMA et al. Aspiração de corpo estranho em crianças: aspectos clínicos, radiológicos e tratamento broncoscópico. J Bras Pneumol 34.2 (2008): 74-82.

Diretrizes Brasileiras no Manejo da Tosse Cronica. J Bras Pneumol. 2006;32(Supl 6):S 403-S 446.

Silva LA, Santos I.  Desobstrução de vias aéreas superiores em crianças menores de um ano  Rev. Enf. Profissional 2014. jan/abr, 1(1):267-275.

Padovani, Aline Rodrigues, et al. “Protocolo Fonoaudiológico de Avaliação do Risco para Disfagia (PARD) Dysphagia Risk Evaluation Protocol.” Rev Soc Bras Fonoaudiol 12.3 (2007): 199-205.

Padovani, Aline Rodrigues. Protocolo fonoaudiológico de introdução e transição da alimentação por via oral para pacientes com risco para disfagia (PITA). Diss. Universidade de São Paulo.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Tosse

http://www.healthhype.com/cough-reflex-physiology-process-ear-cough-reflexes.html

http://www.healthhype.com/coughing-up-vomit-and-digested-food-causes.html